Primeiro curso de formação em nutrição aplicada à terapia canabinoide é lançado no Brasil

Curso inédito no país abrange diversas áreas do conhecimento e contará com participação de profissionais da área da saúde, medicina, farmácia, direito, gastronomia canábica e nutrição. Saiba mais, a seguir

Estão abertas as inscrições para o primeiro curso de Formação em Nutrição Aplicada à Terapia Canabinoide, com 20 horas/aula de curso, tradução e acessibilidade em Libras, 100% digital, certificado, com profissionais do cenário canábico nacional e internacional.

A iniciativa do curso é reflexo da expansão do mercado canábico e busca oferecer aos profissionais conhecimento e ferramentas terapêuticas para atender a demanda.

O curso ficará hospedado na plataforma da Open Green — a primeira instituição de educação e profissionalização no setor da cannabis no Brasil.

No curso o aluno poderá compreender como condutas nutricionais específicas aliadas ao conhecimento consistente sobre os principais aspectos da terapia canabinoide auxiliam no bem-estar do paciente de maneira ampla e integral, com base em ciência e prática clínica que potencializam e reforçam a importância do tratamento integrativo com a cannabis.

A organização e realização é do Movimento Fibrocannabis e da AMB Cursos e Consultoria. As inscrições podem ser realizadas no site http://fibrocannabis.com.br e a organização oferece desconto especial para estudantes e profissionais surdos que atuem na área da Saúde, ou profissionais da saúde fluentes em Língua Brasileira de Sinais (Libras), estudantes da saúde em geral e estudantes de cursos sobre Cannabis Medicinal.

Além das aulas os alunos terão direito a alguns bônus como mentoria com os professores, aulas com convidados, e-book para cada módulo, e os alunos com melhor aproveitamento poderão ser encaminhados para parceria em instituição parceira.

Os módulos trazem temas variados para abarcar diversas áreas do conhecimento como nutrição e sistema endocanabinoide, nutrição e cannabis, fitoterapia e aromaterapia na nutrição canábica, atuação profissional na nutrição canábica e aspectos legais e acessibilidade.

Conheça o time de professores

-Dra. Andrea Barros, nutricionista canábica, oncologista e intensivista

-Fran Assis, consultora canábica, criadora e idealizadora do Movimento Fibrocannabis

-Livia Ghanem, a Lilica, culinária canábica, criadora do canal @lilica.420, especialista em infusões canábicas

-Daniel Coelho, deputado federal e defensor da regulamentação da cannabis medicinal

-Raull Santiago, gestor de projetos sociais do terceiro setor, integra os coletivos Papo Reto, Movimentos, PerifaConnection e Favela&ODS, além de compor a assembleia de membros da Anistia Internacional do Brasil

-Ítalo Coelho, advogado, diretor da Rede Reforma, secretário da OAB Ceará

-Ana Izabel Hollanda, advogada, especialista em direito da saúde, presidente e fundadora da Câmara de Mediação e Arbitragem da Cannabis e Saúde Latino-Americana

-Kaelyne Costa, farmacêutica bioquímica (UFPB), integradora científica da Abrace, professora do curso de Cannabis Medicinal da Unyleya

-Taiane Garcia, farmacêutica, doutoranda em Assistência Farmacêutica pela UFRGS

-Tamara Rossi, nutricionista, especializada em nutrigenômica e nutrigenética, fitoterapia e suplementação clínica e esportiva

-Rejane Ferreira da Silva, nutricionista com ênfase em vegetarianismo, especialista em permacultura pela UFCA, pós-graduanda em nutrição vegetariana

-João Normanha, médico, diretor e fundador da associação Curando Ivo, membro da SBEC

-Claudia Hayakawa, surda, gastróloga, estudante de nutrição, tradutora de Libras e Língua de Sinais Americana

-Fernanda Ferreira, aromaterapeuta canábica

-Marina Barbosa, fisioterapeuta, naturóloga e aromaterapeuta

-Hélio Mororó, médico, professor, pós-graduado em nutrologia, cardiologia e geriatria

-Emanuela Bezerra, enfermeira bilingue de Libras, especialista em Saúde da Mulher, proficiente em tradução e intepretação da Libras

-Matheus Liberato, engenheiro agrônomo e consultor agrícola, pesquisador pela Biosolo

-Carla da Hora, jornalista e horticultora

-Wilson Freire, médico sanitarista, homeopata e artista

-Ursula Catarino, médica sanitarista, especialista em medicina tradicional chinesa, medicina preventiva social

-Daniel Costa, naturopata e presidente da Associação Brasileira de Naturopatia

-Lucas Braga, aromaterapeuta clínico integrado à terapia canabinoide

O curso é destinado aos seguintes profissionais e estudantes:

  • Nutricionistas
  • Nutrólogos
  • Técnico em Nutrição
  • Terapeutas
  • Educadores Físicos
  • Enfermeiros
  • Técnicos de Enfermagem
  • Médicos
  • Cuidadores com certificação
  • Farmacêuticos
  • Demais profissionais da área da saúde
  • Estudantes da área da saúde (Graduação, Pós-Graduação ou Curso Técnico)

O que será ensinado

-Como manejar seus pacientes em tratamento com cannabis;

-Promover saúde integrativa;

-Otimizar o sistema endocanabinoide com a inclusão segura, ética e responsável de alimentos com ou sem adição de derivados de cannabis;

-Compreender os mecanismos e estratégias terapêuticas capazes de melhorar o funcionamento do sistema endocanabinoide a partir do sistema digestório;

-Identificar problemas nutricionais que possam afetar a absorção dos fitoquímicos da cannabis;

-Contribuir para aumentar a eficácia da terapia canabinoide.

As coordenadoras e mentoras do curso, Fran Assis e Andrea Barros, apostam na educação com foco na nutrição aplicada à Terapia Canabinoide, proporcionando melhora e promoção da saúde do paciente, a partir de um dos principais pilares de uma boa saúde: a alimentação, com comida de verdade e um intestino tratado e saudável, que promova um ambiente favorável para início e manutenção da terapia canabinoide.

Segundo elas a meta é promover conhecimento que agregue na formação profissional. “O objetivo do curso de Formação em Nutrição Aplicada à Terapia Canabinoide é permitir que o aluno amplie suas possibilidades de ação e tenha em mãos novas ferramentas para uma atuação profissional que promova saúde plena, sem fragmentar o paciente como uma doença ou conjunto de doenças a serem tratadas erroneamente com estratégias farmacológicas como monoterapia ou com terapias complementares que não se integram de verdade, que não consideram as condutas terapêuticas dos outros profissionais”.

O curso de Formação em Nutrição Aplicada à Terapia Canabinoide vai possibilitar ao aluno o entendimento e ferramentas para modular o Sistema Endocanabinoide (SEC), através da alimentação e uma modulação intestinal capaz de correlacionar as terapias Nutricional e Canabinoide, de forma a promover o controle do tônus do SEC, causando bem-estar e qualidade de vida ao paciente.

Gostou? Quer saber mais? Se inscreva e garanta já sua vaga! Aprenda com os melhores professores sobre como aliar a nutrição à medicina do futuro!

Seja um profissional extraordinário, aprenda a utilizar a Terapia Canabinoide de forma integrada para agregar à sua formação, de maneira ética e responsável.

E se você quer se tornar um Consultor Canábico, aproveite também essa oportunidade!

Saiba mais na página do curso: http://fibrocannabis.com.br

Imagem: Unsplash / Brad Rubin.

Os desafios para a prescrição da cannabis medicinal

“É irrefutável assegurar que a cannabis é uma ferramenta terapêutica útil, que tem impacto direto na qualidade de vida de pessoas portadoras de doenças crônicas e incapacitantes”, segundo a neurocirurgiã Patrícia Montagner*, em artigo publicado originalmente no Estadão

Via Smoke Buddies

Apesar dos resultados promissores, já apresentados em mais de 20 mil artigos publicados do Pubmed, assim como a alta demanda de pacientes brasileiros em busca de tratamento diante das robustas evidências de sucesso, a resistência de alguns setores da sociedade e da classe médica e a desinformação são os grandes obstáculos enfrentados para a incorporação da cannabis medicinal, ainda que os avanços e o potencial terapêutico sejam irrefutáveis e amplamente relatados nas mais variadas especialidades médicas.

Diante deste cenário, e a partir do aval da Anvisa para a importação de produtos à base de cannabis, assim como a pressão social para aprovação do PL 399/2015, que possibilita o cultivo da planta no Brasil, muitos pacientes portadores de doenças neurológicas, psiquiátricas e até com câncer ainda encontram obstáculos para obter uma prescrição médica segura e eficaz da substância, além de terem como entraves o alto custo e a burocracia enfrentados para o acesso.

As evidências científicas são substanciais e validam a prescrição a partir de diversos projetos de pesquisa em torno da atuação da cannabis em doenças como câncer, epilepsia, dor crônica, fibromialgia, doença inflamatória intestinal, transtornos de ansiedade, doença de Parkinson, dentre outras. A Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA realizou uma profunda revisão sobre o estado atual de evidências e recomendações para pesquisas dos efeitos da cannabis e dos derivados canabinoides na saúde humana, baseando-se em trabalhos publicados de 1999–2017. A revisão foi taxativa ao afirmar que os dados apresentados são substanciais para a validação do uso da cannabis no tratamento da dor crônica.

Os estudos também mostram avanços que tendem a se consolidar para outras patologias, que apresentam respostas impactantes a partir do uso da cannabis, como, por exemplo, aos portadores de transtornos do sono, doença de Alzheimer e autismo, como bem mostrou a pesquisa de cientistas brasileiros publicada no Frontiers Neurology, que expõe os benefícios do óleo de cannabis no tratamento dos sintomas do espectro autista.

No entanto, as dificuldades passam pelo acesso a uma fonte de informações segura, técnica e organizada, aliada à falta de experiência do profissional médico para a prescrição assertiva dos derivados canabinoides. Com poucas opções de profissionais capacitados e a ausência de um manual qualificado de instruções, muitos pacientes iniciam uma maratona em busca de médicos prescritores ou se arriscam à automedicação, muitas vezes sem sucesso.

Apesar do seu histórico de uso medicinal milenar, que data desde 2.700 AEC, a cannabis apresenta, nos últimos 70 anos, uma imagem de controvérsia e estigma, com inúmeras restrições legais ao seu uso. A partir da descoberta do sistema endocanabinoide e seus receptores, o interesse de pesquisadores no estudo da interação desse sistema com os fitocanabinoides e suas possíveis utilidades terapêuticas aumentou exponencialmente. No entanto, mesmo sendo objeto de pesquisa desde meados da década de 1940, as descobertas não integram as disciplinas médicas dentro das universidades e até mesmo nas especializações profissionais. Em um dos países mais avançados no uso medicinal da cannabis, os EUA, apenas 9% das universidades médicas norte-americanas apresentam conteúdos programáticos sobre de sistema endocanabinoide e cannabis medicinal.

É preciso ampliar o debate dentro da academia, das preceptorias nas residências médicas, democratizar o conhecimento, especialmente sobre o entendimento do sistema endocanabinoide, responsável por regular todos os demais sistemas do corpo humano, com conexões que podem gerar uma série de reações fisiológicas, que se modulam positivamente no tratamento de inúmeras doenças. Este conhecimento é o divisor de águas para diminuir a resistência por parte dos profissionais de saúde em incluir medicamentos à base de cannabis em seu arsenal terapêutico.

Romper com o preconceito em torno da eficácia, já comprovada a partir de pesquisas científicas e inúmeros casos clínicos em todas as partes do mundo, é urgente. São centenas de milhares de histórias que demonstram que a aplicação correta dessa medicação pode ser transformadora, especialmente para casos de maior refratariedade e difícil manejo clínico.

É irrefutável assegurar que a cannabis é uma ferramenta terapêutica útil, que tem impacto direto na qualidade de vida de pessoas portadoras de doenças crônicas e incapacitantes e esta afirmação está respaldada no uso medicinal histórico da planta, nos desdobramentos da descoberta do sistema endocanabinoide e no volume crescente de pesquisas na área. Educação e formação técnica qualificada são necessárias para desmistificar a imagem equivocada associada a essa planta e lapidar o entendimento científico a respeito da utilidade médica da cannabis e do seu impacto na melhora da qualidade de vida dos pacientes.

*Patrícia Montagner é especialista em neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e diretora técnica da Clínica NeuroVinci, localizada em Florianópolis (SC). Certificada pelo World Institute of Pain (WIP) para procedimentos minimamente invasivos em dor (fellow of interventional pain practice), é também colaboradora médica da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal, a AMA+ME.