Morre Padre Ticão, liderança de movimentos sociais e defensor da cannabis em SP

Líder de movimentos sociais na Zona Leste de São Paulo, Padre Ticão lutava por melhorias desde a década de 70 e mais recentemente pelo acesso de pacientes à cannabis medicinal

Fonte: Smoke Buddies

Líder de movimentos sociais na zona leste de São Paulo, o padre Antônio Luiz Marchioni, conhecido como Padre Ticão, morreu na noite desta sexta-feira (1), aos 68 anos, sendo 42 deles atuando como sacerdote.

Ele era pároco da Paróquia São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo.

Segundo informações da Diocese São Miguel Paulista, Padre Ticão foi internado quarta-feira (30) no Hospital Santa Marcelina com água no pulmão. Na sexta sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.

A informação foi confirmada pelo Hospital Santa Marcelina de Itaquera, onde o religioso estava internado (veja a nota na íntegra ao fim do texto), e pela Paróquia São Francisco de Assis de Ermelino Matarazzo, que tinha o Padre Ticão como pároco.

Conhecido pelos trabalhos sociais na capital paulista, principalmente na Zona Leste, o religioso deu entrada no hospital na quinta-feira (31), com arritmia cardíaca e um edema pulmonar. Na sexta, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e não suportou.

O velório ocorre neste sábado (2), das 6h às 14h, na Igreja São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. Em seguida, o corpo será enterrado no Cemitério do Carmo I, em Itaquera.

Paulista de Urupês (a 421 km da capital), o padre chegou a São Paulo nos anos 1970, após apoiar greves de boias-frias e de professores na região de Araraquara (SP). Ele tem na biografia ações como a invasão, ao lado de fiéis, do prédio da Secretaria de Estado da Habitação, na década de 1980, para pressionar o então governador Franco Montoro (1983–87) a construir conjuntos habitacionais.

Recentemente, provocava polêmica entre os conservadores após criar na paróquia um curso sobre o uso medicinal da maconha em parceria com a Universidade Federal de São Paulo. Afirmava que ela só não é liberada no Brasil devido ao interesse de grandes grupos pelo monopólio.

Repercussão

Nas redes sociais, fieis, políticos e militantes da causa canábica lamentaram a morte do padre. O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) lamentou a notícia de falecimento do Padre Ticão, o “trator de deus”, assim chamado pelo bispo Dom Angelico.