Universidade pública na Malásia é a primeira a realizar estudo sobre cânhamo no país

Em colaboração com empresa privada, a Universidade Malásia Perlis fornecerá instalações para o cultivo do cânhamo. As informações são do Utusan Malaysia

Via Smoke Buddies

A Universidade Malásia Perlis (Unimap) está se empenhando para se tornar a primeira universidade pública do país a realizar pesquisas sobre o cânhamo ou a cannabis como produto agrícola com potencial para ser desenvolvido.

Para alcançar esse objetivo, um memorando de entendimento foi assinado entre a Unimap e a empresa MyUS Hemphouse, com sede em Kuala Lumpur, para realizar um estudo sobre o produto.

Vice-chanceler da Unimap, Prof. Dr. Zaliman Sauli disse que o memorando permitirá que a pesquisa e o desenvolvimento sejam realizados na universidade.

Ele disse que a colaboração entre a Unimap, por meio do Instituto de Agrotecnologia Sustentável (Insat), e a MyUS terá como foco as atividades de pesquisa sobre cultivo de cânhamo na área do campus da Unimap Sungai Chuchuh, em Padang Besar.

Ambas as partes realizarão pesquisas sobre os procedimentos e aplicações do cultivo do cânhamo, bem como se concentrarão em materiais funcionais para a agricultura, especialmente para melhorar os produtos agrícolas do país de forma orgânica.

Portanto, com este acordo, as atividades de pesquisa sobre esta cultura podem ser implementadas com sucesso para que a relação entre a universidade e a indústria possa ser fortalecida com o programa de colaboração em pesquisa realizado.

A cultura do cânhamo precisa de um controle rígido e também pode ser uma fonte de economia nacional no futuro porque há países desenvolvidos que permitem a comercialização do cânhamo”, disse Zaliman na cerimônia de assinatura do memorando.

A Unimap foi representada por Zaliman enquanto a MyUS Hemphouse foi representada por seu CEO, Datuk Nellsen Phillipe Young.

A MyUS é uma das empresas que trabalham com o governo para obter permissão para cultivar, manter e administrar a produção de lavouras de cânhamo, bem como produzir produtos inovadores com base na safra para o uso de fibra composta, biodiesel, medicamentos e cuidados de saúde.

A Unimap, por meio do Insat, fornecerá instalações que incluem o uso da terra para o cultivo do cânhamo.

Enquanto a MyUS é responsável por fornecer instalações de infraestrutura, recursos técnicos e assistência para atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Estudo indica novo rumo à pesquisa sobre cannabis e psicose

Relatado em publicação da revista Psychological Medicine, estudo mostra que pessoas expostas à presença de citocinas pró-inflamatórias no sangue e ao uso de cannabis, concomitantemente, são mais propensas a apresentar quadros psicóticos. As informações são do News Medical

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A presença de citocinas pró-inflamatórias no sangue pode potencializar os efeitos do uso diário de cannabis e aumentar o risco de desenvolvimento de psicose na idade adulta. Resultados semelhantes foram observados, também na presença de citocinas, quando a cannabis é usada na adolescência. Os transtornos psicóticos têm sintomas como delírio, perda do senso de realidade, alucinações, ouvir vozes e deficiências cognitivas e sociais.

Estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), relatado em artigo da revista Psychological Medicine, constata pela primeira vez que indivíduos expostos a uma combinação desses dois fatores — a presença de citocinas pró-inflamatórias no sangue e uso de cannabis (seja diariamente ou durante a adolescência) — são mais propensos a sofrer de psicose do que aqueles que não estão expostos a nenhum ou a apenas um. De acordo com os autores, o estudo fornece “a primeira evidência clínica de que a desregulação imunológica modifica a associação cannabis-psicose”.

O estudo faz parte de um projeto conduzido pela Rede Europeia de Redes Nacionais de Esquizofrenia que Estudam Interações Gene-Ambiente (EU-GEI), um consórcio de centros de pesquisa em 13 países, incluindo o Brasil. Um artigo publicado no The Lancet Psychiatry pelo consórcio em 2019 mostrou que o uso diário de cannabis aumentou a probabilidade de sofrer de um transtorno psicótico em três vezes.

No estudo mais recente, os pesquisadores analisaram dados de 409 pessoas com idades entre 16 e 64 anos, incluindo pacientes que vivenciaram seu primeiro episódio psicótico e controles baseados na comunidade. A amostra foi retirada da população de Ribeirão Preto e de outras 25 cidades da região. As variáveis ​​analisadas incluíram frequência de uso de cannabis (diária, não diária ou nunca), duração (cinco anos ou menos) e idade de início (na adolescência ou mais tarde).

Além do questionário sobre o uso de cannabis, os pesquisadores mediram várias citocinas no plasma doado pelos voluntários e calcularam as pontuações que representam seus perfis inflamatórios sistêmicos. Também coletaram dados clínicos e sociodemográficos, principalmente variáveis ​​conhecidas como confundidoras, como idade, sexo, escolaridade, etnia, índice de massa corporal, tabagismo e uso de substâncias psicoativas. Os resultados obtidos foram independentes de fatores de confusão.

Nem todo mundo que usa cannabis desenvolve psicose. Isso sugere que a associação pode ser modificada por outros fatores, que podem ser biológicos, genéticos ou ambientais. Em um estudo anterior conduzido como parte da minha pesquisa de mestrado, identificamos uma correlação entre as citocinas plasmáticas e o primeiro episódio psicótico. Seguindo essa descoberta, e a recente publicação do consórcio mostrando uma maior incidência de psicose entre indivíduos que usavam cannabis diariamente, nosso próximo passo foi ver se o fator biológico [perfil inflamatório] afetava a ligação entre o uso de cannabis e a psicose” — Fabiana Corsi-Zuelli, primeira autora do artigo.

A principal conclusão foi que esse vínculo existia de fato. “Encontramos uma correlação estatisticamente significativa entre o perfil inflamatório e o uso de cannabis diariamente ou durante a adolescência. Em suma, os resultados mostraram que a disfunção do sistema imunológico pode modificar a associação entre o uso de cannabis e psicose e que uma combinação desses dois fatores aumenta as chances de sofrer de um transtorno psicótico”, disse ela.

Corsi-Zuelli é atualmente doutoranda do programa de pós-graduação em neurologia e neurociências da FMRP-USP, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

A pesquisadora principal do projeto é Cristina Marta Del-Ben, professora do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP-USP. De acordo com Del-Ben, os fatores de risco para psicose podem ser biológicos, incluindo predisposição genética e problemas durante a gravidez, bem como ambientais, incluindo experiências traumáticas durante a infância e adolescência, e exposição a substâncias psicoativas, especialmente cannabis.

“Os mecanismos do distúrbio são mal compreendidos”, disse ela. “Nossos resultados mostram que o uso atual frequente de cannabis ou o uso da droga na adolescência é um fator de risco para psicose. Não detectamos a mesma correlação com o uso ocasional ou recreativo. No estudo multicêntrico, que incluiu cidades europeias com níveis e tipos de disponibilidade de cannabis variáveis, também descobrimos que o risco de psicose é maior em usuários de strains mais fortes de cannabis com um teor de THC de 10% ou superior”.

A explicação médica da psicose é que se trata de uma síndrome neuropsiquiátrica associada a alterações anatômicas e funcionais no cérebro, possivelmente ligada a alterações na ação da dopamina, um neurotransmissor fundamental para a comunicação entre os neurônios. Dopamina excessiva ou dano direto a certas regiões do cérebro podem levar a alucinações, ilusões, delírio e comportamento desorganizado.

Outros neurotransmissores, como o glutamato, também foram implicados na neurobiologia da psicose. Os especialistas discutem atualmente o que chamam de ligação neuroimune e como a desregulação do sistema imunológico pode desencadear alterações neuroquímicas, morfológicas e comportamentais que aumentam o risco de desenvolver transtornos psiquiátricos.

Os sintomas psicóticos podem estar presentes em vários transtornos psiquiátricos, que podem ou não ser afetivos. Uma pesquisa recente registrou casos de psicose em pacientes infectados pelo SARS-CoV-2. O tratamento da psicose envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e apoio familiar.

Próximos passos

Segundo Corsi-Zuelli, a origem das alterações inflamatórias envolvidas na psicose ainda é obscura, mas pode decorrer de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. “A inflamação observada em distúrbios psiquiátricos é considerada de baixo nível e não é tão grave quanto em pacientes com doenças autoimunes ou sepse”, disse ela. “No entanto, estudos experimentais sugerem que envolve desregulação suficiente para produzir alterações neuroquímicas e comportamentais”.

Os pesquisadores planejam estudar as variantes genéticas associadas ao sistema imunológico e usar dados de neuroimagem para explorar a ligação com fatores de risco ambientais. “Focar dessa forma nas interações entre a genética e o meio ambiente nos ajudará a entender a neurobiologia da psicose, especialmente o papel desempenhado pelo sistema imunológico”, disse ela.

A associação entre inflamação e transtornos psiquiátricos é altamente relevante para a prática clínica e tem recebido atenção crescente. “É importante a pesquisa de tratamentos alternativos para esses transtornos, e também para responder a perguntas muitas vezes negligenciadas relacionadas à saúde física de pacientes psiquiátricos”, disse Corsi-Zuelli.

De acordo com Del-Ben, nos próximos passos está uma parceria com Geraldo Busatto Filho, professor da Faculdade de Medicina do campus principal da USP, para investigar se marcadores inflamatórios no sangue estão ligados a alterações cerebrais em alguns dos pacientes estudados.

A pesquisa recebeu duas vezes reconhecimento internacional. A Sociedade de Psiquiatria Biológica selecionou o estudo para seu Predoctoral Scholars Award, realizado de forma on-line em abril deste ano. E o estudo também foi selecionado pela Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (SIRS) para apresentação em seu Congresso de 2020, também realizado on-line.

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Imagem de capa: Unsplash / CDC.

Depois de 50 anos, EUA abrem as portas para mais produtores de cannabis para fins de pesquisa

O governo dos Estados Unidos está levantando um obstáculo à pesquisa da cannabis que cientistas e defensores dizem ter impedido estudos rigorosos da planta e possível desenvolvimento de medicamentos por mais de 50 anos. As informações são da NPR

Via Smoke Buddies

Desde 1968, os pesquisadores dos EUA têm permissão para usar cannabis de apenas uma fonte nacional: uma instalação baseada na Universidade do Mississippi, por meio de um contrato com o Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA).

Isso mudou no início deste mês, quando Drug Enforcement Administration (DEA — agência de repressão às drogas dos EUA) anunciou que está registrando várias outras empresas estadunidenses para produzir cannabis para fins médicos e científicos.

É um movimento que promete acelerar a compreensão dos efeitos da planta na saúde e possíveis terapias para o tratamento de condições — dor crônica, efeitos colaterais da quimioterapia, esclerose múltipla e doenças mentais, entre muitas outras — que ainda não foram bem estudadas.

“Esta é uma decisão importante”, disse Rick Doblin, diretor executivo da Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos (MAPS), que liderou a pesquisa em outras drogas da Tabela 1 — a classe mais restritiva de substância controlada, que o governo federal define como “drogas sem uso médico atualmente aceito”.

“Esta é a última obstrução política à pesquisa com drogas da Classe 1”, diz ele.

Cerca de um terço dos americanos vive atualmente em um estado onde a maconha para uso adulto é legal — e mais de 30 estados têm programas de maconha medicinal. No entanto, os cientistas ainda não podem simplesmente usar a cannabis vendida em dispensários licenciados pelo estado para suas pesquisas clínicas por que a cannabis continua ilegal sob a lei federal.

“É uma grande desconexão”, diz o Dr. Igor Grant, professor de psiquiatria e diretor do Centro de Pesquisa de Cannabis Medicinal da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD).

A nova decisão da DEA não resolve o conflito entre as leis federais e estaduais, mas oferece aos pesquisadores um novo canal sancionado pelo governo federal para mais produtos e variedades de cannabis.

“Veremos uma década ou mais de explosão de pesquisas sobre a cannabis e novas terapias potenciais”, diz o Dr. Steve Groff, fundador e presidente da Groff North America, uma das três empresas que anunciou publicamente que tem aprovação preliminar do governo federal para cultivar cannabis para pesquisa.

Uma longa luta para derrubar o monopólio federal

Apesar de seus esforços, os cientistas encontraram obstáculos administrativos e legais para o cultivo de cannabis de grau farmacêutico por décadas.

Em 2001, o Dr. Lyle Craker, um proeminente biólogo de plantas, foi o primeiro a se inscrever para obter uma licença para cultivar maconha para fins de pesquisa — apenas para encontrar anos de atraso que deram início a uma prolongada batalha judicial com a DEA, que precisa dar luz verde à pesquisa sobre as drogas da Tabela 1 como cannabis.

“Existem milhares de variedades diferentes de cannabis que têm perfis químicos únicos e produzem efeitos clínicos únicos, mas não tínhamos acesso a essa diversidade normal”, disse a Dra. Sue Sisley, pesquisadora de cannabis e presidente do Instituto de Pesquisa Scottsdale, que também recebeu aprovação preliminar da DEA para produzir cannabis para pesquisa.

Somente em 2016 o governo federal sinalizou uma mudança na política que abriria as portas para novos produtores, mas os pedidos de solicitantes interessado em se tornar um novo cultivador autorizado definharam por anos. Craker e outros acabaram processando o governo federal pelo atraso.

Sisley há muito tempo questiona o fornecimento de cannabis proveniente das instalações do NIDA no Mississippi — em particular, como é processada. Ela usou cannabis produzida lá em seu ensaio clínico publicado recentemente sobre o tratamento de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) em veteranos militares.

Ela descreve o produto como um pó esverdeado “anêmico”.

“É muito difícil superar o efeito placebo quando você tem algo que se dilui”, diz ela.

O estudo de 76 pessoas, que levou 10 anos para ser concluído, concluiu que a cannabis fumada era geralmente bem tolerada e não causava efeitos deletérios neste grupo. Mas também não encontrou nenhuma diferença estatisticamente significativa na redução dos sintomas de TEPT em comparação com um placebo.

Para Grant da UCSD, o problema de longa data com o suprimento de cannabis não é tanto a qualidade, mas a falta de produtos diferentes como comestíveis e óleos e de variedades de cannabis com concentrações variáveis ​​de CBD e THC, o principal ingrediente psicoativo da planta.

“Não temos pesquisas suficientes sobre o tipo de produtos de maconha que as pessoas no mundo real estão usando”, diz ele.

Por causa da oferta interna limitada, alguns pesquisadores recorreram à importação de cannabis de fora dos EUA — um acordo legal, mas totalmente contraintuitivo, que é “árduo” e sujeito a soluços, diz Sisley.

As restrições à pesquisa de cannabis também impediram o caminho para o desenvolvimento de drogas porque a instalação de cannabis do NIDA só poderia ser usada para pesquisas acadêmicas, não para o desenvolvimento de drogas prescritas. Uma droga estudada em ensaios clínicos de fase 3 — o que é necessário antes de ser submetido à aprovação da Food and Drug Administration (FDA, agência sanitária dos EUA) — deve ser a mesma que é comercializada posteriormente.

“O monopólio do NIDA foi o motivo principal de termos maconha medicinal nos estados, mas não termos maconha medicinal por meio da FDA”, disse Doblin, da MAPS. “É uma mudança fundamental que agora permitirá que tenhamos desenvolvimento de drogas com suprimentos nacionais”.

Algumas barreiras ainda permanecem

As poucas empresas que em breve terão permissão da DEA para cultivar cannabis têm um mercado ávido de pesquisadores que estão “clamando” pela chance de estudar as propriedades científicas e o potencial médico da planta, diz Groff, cuja empresa está para aprovação da DEA e quem também tem um projeto no âmbito da FDA para estudar as propriedades antimicrobianas da cannabis para matar bactérias perigosas como MRSA.

No final do ano que vem, Groff prevê que sua empresa estará produzindo até 5.000 libras (2.270 kg aproximadamente) de maconha por ano, oferecendo aos pesquisadores um “menu completo de opções personalizáveis”.

Biopharmaceutical Research Company — uma terceira empresa que em breve cultivará cannabis com uma licença da DEA — já tem dezenas de acordos em vigor com pesquisadores dos EUA e está ouvindo mais instituições acadêmicas, farmacêuticas e empresas de biotecnologia na esteira da mudança na política, diz o CEO George Hodgin.

“Agora há um caminho muito claro, aprovado e legal para eles entrarem legalmente no mercado de cannabis nos Estados Unidos”, diz Hodgin.

Centro de Política, Pesquisa e Extensão da Cannabis da Universidade Estadual de Washington é um dos lugares que espera adquirir cannabis da empresa de Hodgin.

“É definitivamente um grande passo na direção certa porque a indústria está se movendo muito mais rápido do que nós em pesquisa”, disse Michael McDonell, professor associado de medicina e diretor do centro de cannabis da universidade.

Mas ele também aponta que mesmo com mais produtores vindos em linha, ainda não é fácil estudar cannabis, porque os pesquisadores precisam de uma licença especial para trabalhar com uma droga de Classe 1 e bolsas para conduzir esses estudos são difíceis de conseguir.

Apesar do uso generalizado de maconha nos EUA, a pesquisa sobre o potencial médico de outras drogas da Tabela 1 como MDMA (ecstasy) está muito mais adiantada do que a da cannabis.

Grant, da UCSD, diz que o maior salto para a pesquisa viria de tirar a cannabis da classificação de drogas da Tabela 1. “Se isso acontecesse”, diz ele, “resolveria muitos dos problemas de que temos falado”.

Imagem de capa: Coleen Danger | Flickr.