TJSP autoriza paciente com ansiedade generalizada a plantar maconha em casa

O desembargador relator do caso ressaltou que o uso da cannabis para fins medicinais não é ilegal, mas mal regulamentado. As informações são da ConJur

Via Smoke Buddies

Cabe ao Judiciário declarar, em hipótese restrita, que a utilização de cannabis não configura infração penal de qualquer ordem. Dessa forma, a 1ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo autorizou uma paciente com ansiedade generalizada a cultivar a planta para fins estritamente medicinais.

O entendimento não é novo no TJSP, mas as decisões sobre o tema normalmente se referem a outras patologias, como epilepsia ou esclerose lateral amiotrófica (ELA).

No caso dos autos, a mulher já havia passado por diversas formas de tratamento psiquiátrico, com remédios alopáticos, mas não obteve melhoras significativas e ainda sofreu com efeitos colaterais da medicação excessiva. Porém, a cannabis se provou uma alternativa mais eficaz e sem os impactos negativos do tratamento convencional.

O advogado Murilo Nicolau, do escritório MMNicolau, impetrou o habeas corpus em nome da paciente buscando permissão para o cultivo caseiro da planta, sem que ela corresse o risco de sofrer qualquer persecução criminal.

A 3ª Vara Criminal de Marília (SP) negou a ordem, devido à falta de comprovação sobre como se daria o plantio, a quantidade de mudas necessárias, a dosagem exata para o tratamento etc.

No TJSP, o desembargador Ivo de Almeida ressaltou que o uso da cannabis para fins medicinais não é ilegal, mas mal regulamentado. O uso da planta em certos medicamentos e a importação excepcional já são permitidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas não há regulamentação sobre o cultivo domiciliar.

A descriminalização da conduta não é um alvará da autoridade administrativa, senão uma mera declaração de que, no caso, não há ilícito penal”, pontuou o magistrado.

Foto de capa: 2H Media | Unsplash.

Estudo aponta para relação entre uso de maconha e qualidade de vida de usuários

Resultado da pesquisa feita com quase 7.500 pessoas mostra que os não usuários de cannabis relataram mais sintomas de depressão ou ansiedade e menos qualidade de vida do que os usuários ocasionais e habituais da planta. Informações da Unifesp

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Cannabis sativa (popularmente conhecida como maconha) é a terceira droga recreativa mais usada em todo o mundo (UNODC, 2020). O seu uso é polêmico, seja por recomendação médica ou não. Apesar da popularidade do uso entre os brasileiros, as informações sobre seus usuários frequentes fora de contextos clínicos ainda são escassas (Bastos et al., 2017). Um estudo realizado por um grupo de quatro pesquisadores brasileiros se propôs a lançar um pouco de luz nessa seara.

Os resultados demonstram que os entrevistados tiveram a autopercepção sobre seus padrões de uso de cannabis associados com medidas de ansiedade, depressão, qualidade de vida e o conceito subjetivo de bem-estar, sendo que os melhores escores foram observados entre aqueles que assinalaram uso frequente de cannabis e não perceberam problemas associados com o seu uso. O presente estudo buscou testar a hipótese de que a autopercepção do uso de cannabis é um fator associado ao conceito subjetivo de qualidade de vida e aos desfechos de saúde mental.

Para essa pesquisa, foram entrevistados 6.620 usuários de maconha. 17,1% dos participantes se autoclassificaram como usuários ocasionais, 64,6% como usuários habituais e 7,7% como usuários disfuncionais (indivíduos que usam a cannabis e percebem problemas com o uso). Os participantes eram em sua maioria jovens adultos do sexo masculino, com pelo menos ensino médio, empregados e sem filhos. Os maiores escores de qualidade de vida foram observados entre os usuários habituais de maconha, seguidos dos ocasionais, enquanto tanto os não usuários (785 pessoas) quanto os disfuncionais apresentaram escores menos favoráveis.

As medidas subjetivas de bem-estar foram maiores entre os usuários habituais e ocasionais do que entre os não usuários, enquanto os usuários disfuncionais foram os mais afetados. A baixa qualidade de vida, sintomas de depressão ou de ansiedade foram mais prevalentes entre os usuários disfuncionais, mas os não usuários de cannabis relataram mais sintomas de depressão ou ansiedade e menos qualidade de vida do que os usuários ocasionais e habituais.

“A tradução leiga mais usada para expressão ‘bem-estar subjetivo’ é ‘felicidade’. Por conta das diversas conotações associadas ao termo felicidade, a psicologia tem empregado o bem-estar subjetivo como definição nos estudos sobre satisfação e felicidade”, explica Paulo Rogério Morais, professor do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Rondônia e cujos dados da pesquisa em questão serviram de base para seu doutoramento junto à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), sob orientação do professor Dartiu Xavier da Silveira.

Para o orientador, psiquiatra e docente associado ao Departamento de Psiquiatria da Unifesp, o trabalho é importante porque “a grande maioria dos trabalhos científicos publicados sobre drogas se baseia em experiências malsucedidas onde o uso de drogas leva a consequências desastrosas. Mas não é isto o que ocorre com a imensa maioria dos usuários. Nós, pesquisadores, deveríamos parar de estudar unicamente as drogas que as pessoas usam e passarmos a investigar as pessoas que usam drogas. Os resultados são surpreendentes!”.

Segundo Paulo Morais, a ideia para esse estudo surgiu da junção de diferentes observações, mas principalmente a partir da constatação de que, a menos que gere algum problema, o uso regular de drogas é um fenômeno negligenciado pela comunidade científica. Ainda para o pesquisador, relatórios publicados anualmente pelo Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC) mostram que a maconha é a droga ilícita mais usada no mundo e que a maior parte das pessoas que reportam o uso de drogas ilícitas não apresentam problemas decorrentes desse uso. “No entanto, na literatura médica o uso de drogas é quase sinônimo de problemas, pois as conclusões são geralmente baseadas em amostras tendenciosas [usuários que buscam tratamento]”, complementa Morais.

Para avaliar a qualidade de vida no estudo foi usada a versão abreviada do instrumento desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o WHOQOL-bref. Este instrumento quantifica a percepção que a pessoa tem acerca de sua posição na vida, no contexto da sua cultura, valores, objetivos, expectativas e preocupações relacionados aos aspectos físicos, psicológicos, de relações sociais e de meio-ambiente. Pontuações mais altas indicam melhor qualidade de vida.

Em trecho da publicação no Journal of Psychiatric of Research, os autores destacam que “os resultados obtidos neste estudo são particularmente relevantes porque se referem a uma amostra composta predominantemente por usuários habituais de maconha da população em geral, grupo raramente representado em outras pesquisas”.

“É compreensível que haja mais interesse em conhecer os riscos e agravos associados ao uso de drogas do que estudar os aspectos não clínicos desse uso. No entanto, conhecer as características de pessoas que usam drogas e não vivenciam problemas decorrentes desse uso pode ser um caminho para desenvolver estratégias para a prevenção ou tratamento do uso problemático”, defende Morais.

Mesmo com uma amostra de tamanho considerável, o pesquisador relata que o delineamento do estudo não permite concluir que o uso regular de maconha aumente a qualidade de vida, mas que os resultados apontam para uma relação positiva entre o uso de maconha para fins não médicos e a qualidade de vida dos usuários avaliados, exceto aqueles que percebiam problemas relacionado com o uso. Morais ressalta também que os resultados encontrados não podem ser extrapolados para o conjunto de todos os usuários de maconha do Brasil.

O fato de que o uso de cannabis está geralmente associado a um maior risco de resultados adversos para a saúde não foi observado no estudo. Os dados desta pesquisa foram coletados entre maio de 2015 e dezembro de 2016. A tese de Paulo Rogério Morais foi defendida em setembro de 2019.

Foto em destaque: Dave Coutinho.

Ativistas pedem justiça social na reforma da cannabis no Reino Unido

O grupo de reforma das leis de drogas Release destaca 14 princípios que devem orientar a abordagem britânica para a legalização da maconha

Fonte: Smoke Buddies

Em um relatório intitulado Regulating Right, Repairing Wrongs (regulando o direito, reparando os erros, em tradução livre), ativistas do Reino Unido pedem a legalização da maconha para uso adulto e medicinal baseada em princípios de justiça racial e social.

A remoção de sanções criminais ou civis sobre o uso e posse de cannabis, levando em conta que a descriminalização deve ser acompanhada pela regulamentação, e o desenvolvimento de um modelo de distribuição sem fins lucrativos (abastecimento social) estão entre os “14 princípios para garantir um mercado de cannabis justo, correto e equitativo” listados no relatório do Release — uma instituição sem fins lucrativos e independente que defende políticas de drogas baseadas em evidências e fundamentadas em princípios de justiça social e racial e de saúde pública, em vez de uma abordagem de justiça criminal.

Entre os princípios de equidade social enumerados no relatório, a entidade também sugere que a receita tributária oriunda das vendas de maconha deve ser investida em comunidades que foram excessivamente policiadas e criminalizadas, bem como apoiar intervenções de redução de danos e iniciativas mais amplas de tratamento.

O renascimento legal da cannabis é uma oportunidade vital para abordar os danos que a proibição da cannabis causou às comunidades negras e pardas e às pessoas com experiência vivida no policiamento da cannabis. Modelos de equidade social da reforma da cannabis já estão sendo desenvolvidos em todo o mundo, enquanto o Reino Unido fica para trás. Devemos estar preparados para seguir esses passos e reconhecer que a reforma da cannabis não é progressiva se os danos continuarem para alguns”, disse a líder de políticas do Release e coautora do relatório, Dra. Laura Garius, ao Leafie.

A cannabis tem sido a substância mais usada na Inglaterra e no País de Gales desde o final de 1995, de acordo com o Escritório de Estatísticas Nacionais do Reino Unido. Oito por cento dos adultos de 16 a 59 anos (cerca de 2,6 milhões) relataram usá-la no ano até março de 2020.

O relatório adverte que o porte de maconha para uso pessoal impulsiona a criminalização e domina o sistema de justiça criminal em relação aos crimes relacionados às drogas, muitas vezes à custa dos direitos humanos, do respeito à autonomia e da saúde pública — e com grande custo financeiro, estima-se que o governo central do Reino Unido gaste £ 1,6 bilhão (R$ 11,8 bilhões) na aplicação das leis de drogas por ano.

“Sabemos que, quando esses princípios não estão na frente e no centro, as pessoas continuam sendo punidas pelo uso de cannabis e os danos causados pela guerra à cannabis não são retificados”disse Amal Ali, coautora do relatório, ao The i.

Confira, a seguir, os quatorze princípios de equidade social para a regulação da maconha defendidos pelo Release:

  1. A descriminalização deve andar de mãos dadas com a regulamentação. Não deve haver sanções criminais ou civis pelo uso ou posse de cannabis (ou por qualquer atividade de uso pessoal), independentemente de a cannabis ser proveniente da economia lícita ou ilícita. Isso deve se estender ao uso público de cannabis e fornecimento sem fins lucrativos, ou seja, “abastecimento social”.
  2. O uso e/ou posse de cannabis não deve mais colocar as pessoas em risco de perder direitos sociais e econômicos, como moradia ou acesso a crianças — nem deve ser base para prisão ou quebra de liberdade condicional.
  3. A receita tributária acumulada deve ser investida em comunidades que foram excessivamente policiadas e criminalizadas, e deve apoiar intervenções de redução de danos causados por drogas e iniciativas mais amplas de tratamento.
  4. A libertação automática da prisão deve ocorrer quando o crime estiver relacionado apenas com a cannabis, em vez de anular sentenças. Quando os crimes de cannabis estiverem em coordenação com outros crimes, deve haver a remoção da parte de qualquer sentença adicionada ou diretamente atribuída a um crime de cannabis.
  5. Para aqueles que já foram condenados por delito de cannabis, o governo deve adotar processos de expurgação automática em massa. Ou seja, a eliminação completa de condenações anteriores relacionadas à cannabis dos registros do governo em um processo simplificado ocorrendo sem ou com a participação dos condenados.
  6. Enquanto aguardam os processos de expurgação, os indivíduos com condenações existentes relacionadas à cannabis não devem ser excluídos da participação em qualquer mercado ou oportunidade de emprego (dentro ou fora do varejo de cannabis).
  7. Ao desenvolver uma estrutura regulatória, as comunidades de minorias étnicas e aqueles com experiência vivida na aplicação da lei de drogas devem ser devidamente envolvidos e consultados como os mais impactados pela proibição da cannabis. O mercado de varejo legal de cannabis deve adotar uma estrutura antirracista de políticas e práticas baseadas na criação de equidade e deve tomar medidas para garantir diversidade e inclusão entre seus atores.
  8. Devem ser implementados esquemas para apoiar ativamente as pessoas que foram criminalizadas por atividades relacionadas à cannabis e as pessoas de comunidades que foram excessivamente policiadas e criminalizadas como resultado da aplicação da lei focada na cannabis, para a entrada na indústria legal. Uma porcentagem mínima de licenças deve ser alocada a pessoas dessas comunidades e deve ser acompanhada de suporte para solicitação de licença.
  9. O conhecimento técnico e financeiro, o acesso a concessões e empréstimos e o acesso à terra devem ser robustos e disponibilizados imediatamente após a entrada em vigor da nova legislação, a fim de minimizar o período de transição de um mercado ilícito para um mercado lícito. O acesso a este apoio deve estar sujeito à transparência e às minorias étnicas e os grupos socioeconômicos desfavorecidos devem estar ligados a redes de peritos.
  10. É imperativo que os pequenos cultivadores e os de grupos socioeconômicos mais baixos, cuja principal fonte de renda tenha sido o comércio ilícito de cannabis, sejam transferidos para o mercado legal, se assim o desejarem, para garantir que os danos econômicos não se perpetuem através da reforma.
  11. As formas cooperativas de distribuição, ou seja, os modelos de “clube social” de cannabis — que atualmente operam de forma ilícita no Reino Unido — devem ser incorporadas a qualquer novo sistema regulatório e consultadas sobre como a inclusão deve ser melhor executada.
  12. Qualquer novo sistema regulatório deve permitir o cultivo doméstico não comercial. A política deve incluir o direito dos indivíduos de cultivar cannabis em casa para uso pessoal e presentear (sem recompensa monetária), por exemplo, da mesma forma que os indivíduos podem para fazer sua própria cerveja.
  13. Não deve haver criminalização específica (adicional) de atividade fora do mercado regulamentado. Os envolvidos no fornecimento do mercado ilícito — que não puderam ou não querem operar no mercado lícito — devem ser tratados da mesma forma que em outros mercados similares (álcool/tabaco). Vender álcool sem licença, por exemplo, é uma ofensa sumária no Reino Unido. Para aqueles que operam no mercado lícito, não deve haver criminalização específica, por exemplo, se houver falta de pagamento de impostos, isso deve ser tratado através da legislação de evasão fiscal existente, ou se o produto final for prejudicial, isso deve ser tratado através das leis de responsabilidade do produto existentes.
  14. Um conselho dedicado e diversificado, incluindo aqueles que foram sujeitos ao excesso de policiamento, deve ser estabelecido para garantir a supervisão e o monitoramento central. O papel do conselho será promover a equidade e garantir que o setor legal seja inclusivo e economicamente empoderador para aqueles que foram desproporcionalmente impactados pela proibição da cannabis. Os dados devem ser coletados e publicados rotineiramente.

Foto de capa: THCamera Cannabis Art.

Coletivo canábico promove campanha “Doe o seu IPTU para a maconha”

Pessoas físicas e jurídicas que pagam IPTU em São Paulo, ao invés de pagarem diretamente para a prefeitura, terão a possibilidade de destinar duas das dez parcelas do imposto para a ACuCa. Participe e colabore diretamente com o fomento à cultura canábica brasileira

Fonte: Smoke Buddies

A Associação Cultural Canábica de São Paulo (ACuCa-SP) conseguiu aprovar junto à Secretaria de Cultura do Município, por meio do Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais (PROMAC), dois projetos: o I Festival de Cinema Canábico de São Paulo e a série documental “Tarja Verde”. Estes são os primeiros projetos canábicos aprovados em edital público de fomento no Brasil! Algo inédito no movimento canábico!

Essa aprovação vai possibilitar à ACuCa captar recursos de contribuintes do IPTU — pessoas físicas e jurídicas — em São Paulo, que, ao invés de pagarem diretamente para a prefeitura, terão a possibilidade de destinar duas das dez parcelas do imposto para ACuCa.

Por exemplo: a pessoa paga R$ 1 mil reais de IPTU. Deste valor, 20%, ou seja R$ 200, poderá ser destinado para a ACuCa. A primeira meta para o projeto é arrecadar R$ 111 mil. Por isso, a participação na divulgação desta campanha é fundamental para toda a comunidade canábica brasileira. Todo mundo paga IPTU, mas por que não direcionar uma pequena parte para uma causa tão nobre quanto a cannabis?!

O PROMAC foi instituído pela Lei nº 15.948/2013 e regulamentado pelo Decreto nº 59.119/2019, e tem como objetivo incentivar projetos socioculturais e artísticos por meio da renúncia fiscal.

Como apoiar?
A pessoa pode ser proprietária do imóvel ou apenas alugar um (com contrato de locação). É preciso que o IPTU seja pago de forma parcelada e sem débito automático, ou seja, você não poderá pagar o IPTU com a Parcela Única no início do ano.

E qual a vantagem em apoiar um projeto como este? Além de você contribuir diretamente para o fomento da cultura da maconha no Brasil, você estará apoiando uma associação sem fins lucrativos, ajudará uma causa que faz toda a diferença para a vida de milhares de brasileiros e brasileiras, receberá isenção da anuidade para se filiar à ACuCa — no caso de pessoa física — e terá a marca de sua empresa divulgada no festival — no caso de pessoa jurídica.

Documentos necessários:
Pessoa Física
a. RG (ou RNE) e CPF, ou CNH apenas;
b. Comprovante de residência atual (3 meses) — se for proprietário;
c. Carnê do IPTU;
d. Contrato de locação, caso seja locatário, de forma a comprovar que o recolhimento do imposto será feito pelo contribuinte incentivador.

Pessoa Jurídica
a. Cartão do CNPJ;
b. Ato constitutivo (estatuto ou contrato social) devidamente registrado;
c. RG (ou RNE) e CPF, ou apenas CNH, do representante legal;
d. Comprovante endereço da sede atual;
e. Carnê do IPTU do imóvel;
f. Contrato de locação, caso seja locatário, de forma a comprovar que o recolhimento do imposto é feito pelo contribuinte incentivador.

Com os documentos em mãos, acesse http://www.acucasp.org.br/doe-seu-iptu e clique em “quero doar”.

Quero divulgar meu filme. Como fazer?

Pessoas de todo o Brasil poderão enviar seus filmes cuja temática seja sobre cannabis. E os filmes selecionados serão exibidos na cidade de São Paulo, nas comunidades que integram a Faixa 1, ou seja, locais de maior vulnerabilidade social.

O tema Cannabis é de grande relevância. Nos últimos anos, vem sendo pautado quase que diariamente pelos veículos de imprensa, havendo uma tendência global para uma maior inclusão nas políticas públicas, libertando seu potencial de impacto positivo na sociedade, tanto em seu aspecto terapêutico-medicinal como também social-recreativo, espiritual-religioso e até industrial-sustentável.

I Festival de Cinema Canábico de São Paulo

O I Festival de Cinema Canábico de São Paulo consiste em uma mostra de cinema com a exibição de 42 filmes, ao longo de 4 meses de duração, em centros culturais localizados no centro e nas periferias de São Paulo. Após a exibição dos filmes, o projeto propõe a realização de uma roda de conversa com convidades especiais e o público. Todos os filmes devem ter a temática da Cannabis, como, por exemplo, o uso terapêutico e questões sociais.

Esse projeto pode abrir caminhos para outras associações nos outros estados do Brasil. É importante mostrar para a sociedade que é possível.

Conheça a ACuCa-SP
Associação Cultural Canábica de SP (ACuCa-SP) surgiu em 2012 e se formalizou em 2017 para representar a sociedade civil  organizada, com o objetivo de expressar a cultura cannábica, disseminar conhecimento e fomentar o diálogo sobre a Cannabis (Maconha) no Brasil. Conheça mais a ACuCa: http://www.acucasp.org.br.

Serviço
Campanha Doe seu IPTU para a Maconha
Saiba como apoiar: http://www.acucasp.org.br/doe-seu-iptu

Siga a ACuCa-SP nas redes sociais:
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Lei autoriza uso medicinal de cannabis no Rio Grande do Norte

A nova lei potiguar assegura o direito de qualquer pessoa de ter acesso ao tratamento com produtos à base de cannabis, desde que com prescrição de profissional habilitado. Informações do G1

Via Smoke Buddies

Uma lei publicada no Diário Oficial do Estado deste sábado (15) autoriza o tratamento de saúde com o uso de cannabis e derivados no Rio Grande do Norte.

A publicação também trata do incentivo à pesquisa sobe o uso medicinal e a divulgação de informações para população e profissionais da saúde.

A lei visa “garantir o direito à saúde mediante o acesso a tratamentos eficazes de doenças e condições médicas, de quem deles precisarem”, assim como também “promover a educação em saúde, com base em evidências científicas atualizadas” e “incentivar a produção científica e o desenvolvimento tecnológico”.

Acesso ao tratamento

De acordo com a lei, fica assegurado “o direito de qualquer pessoa ter acesso ao tratamento com produtos à base de cannabis para uso medicinal, desde que com prescrição de profissional habilitado, observadas as disposições da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e atendidos os requisitos previstos em lei”.

O documento reforça que o direito ao tratamento com uso medicinal de cannabis deve ser garantido pelo poder público e pelo setor privado.

Além disso, o poder público também pode celebrar convênios com associações de pacientes, universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas para garantir o tratamento.

Incentivo à pesquisa

A lei reforça ainda que o Estado deve incentivar “linhas de pesquisa e desenvolvimento de cooperações estratégicas relativas ao uso medicinal da cannabis e ao estabelecimento de padrões de qualidade e de segurança sanitária, bem como ao uso no âmbito industrial”.

Sobre o incentivo à pesquisa, deve haver promoção das atividades científicas como estratégia para aprimoramento da atenção integral à saúde, promoção e continuidade de processos de desenvolvimento científico relacionados ao uso medicinal e redução da desigualdade de acesso a produtos à base de cannabis para uso medicinal.

Além disso, a lei cita que é preciso fortalecimento da capacidade operacional e científica das instituições públicas de ensino e pesquisa, dos órgãos públicos de prestação de serviço, especialmente de saúde, bem como das Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação.

Nas pesquisas devem ser promovidos ainda os desenvolvimentos científico, tecnológico, econômico e social, com ênfase na região do semiárido, gerar emprego e renda, utilizar de forma adequada os recursos naturais disponíveis e preservar o meio ambiente.

O texto cita ainda que devem ser observadas as determinações legais e regulamentares quanto ao cultivo, processamento, produção e comercialização de cannabis incluindo sementes e demais materiais biológicos derivados, bem como seu uso para fins medicinais, industriais e de pesquisa.

Informações e campanhas

Segundo a publicação, o Estado também promoverá a difusão de informações sobre o uso medicinal da cannabis através de campanhas educativas destinadas a toda a população para a divulgação do direito ao tratamento com produtos à base de cannabis, apoio e organização de eventos como palestras, fóruns e simpósios e formação continuada e capacitação de gestores e profissionais de saúde sobre o tratamento baseado em evidências científicas atualizadas.

O Estado poderá celebrar convênios ou instrumentos congêneres com associações de pacientes, instituições de pesquisa e universidades públicas ou privadas.

Imagem de capa: Yoshi / Pexels.

Cannabis medicinal: Oito assembleias legislativas têm projetos para flexibilizar acesso via SUS

Propostas que visam a distribuição gratuita de medicamentos à base de maconha e o incentivo a pesquisas sobre substâncias da planta para tratamentos de saúde ganham espaço nos legislativos estaduais desde 2016. As informações são do G1

Via Smoke Buddies

Oito estados brasileiros estão, até essa segunda-feira (10), com projetos de lei em tramitação que pretendem flexibilizar o acesso de produtos medicinais com substâncias extraídas da maconha (Cannabis sativa), como canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC).

As propostas tramitam nos estados de Alagoas, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Atualmente, apenas o Distrito Federal tem lei aprovada para a distribuição de produtos do gênero.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta no Brasil treze produtos medicinais à base de cannabis. Dos produtos comercializados, apenas um é produzido em território nacional.

Pelo regramento da agência, essas substâncias são produtos, e não medicamentos. A justificativa, segundo o órgão, é que para este último caso são necessários estudos clínicos que comprovem a eficácia das substâncias.

Segundo especialistas, canabinoides apresentam potencial terapêutico para doenças específicas, principalmente em pacientes com condições neurológicas. Contudo, não há unanimidade no pensamento.

As propostas, em discussão nas assembleias legislativas, se dividem em projetos que pretendem implantar a distribuição dos produtos medicinais via Sistema Único de Saúde (SUS) e, também, incentivar pesquisas sobre o tema.

O que propõem os projetos

Propostas sobre o tema começaram a aparecer gradativamente nas casas legislativas desde 2016.

Dos oito projetos de lei em tramitação atualmente, sete visam a distribuição dos canabinoides via SUS.

É o caso do Paraná que, em projeto de lei apresentado em 2019, tenta assegurar a distribuição de substâncias canabinoides para pacientes que precisam tratar doenças e síndromes.

O deputado Goura (PDT), um dos autores da proposta, explica que havia uma expectativa do projeto ser apreciado no plenário na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no final de 2021, mas um questionamento do governo travou temporariamente o avanço da proposta, também assinada pelos deputados Michele Caputo (PSDB), Paulo Litro (PSDB) e Alexandre Curi (PSB).

“No estado, a Secretaria de Saúde alega que para incorporação de medicamentos no SUS há um protocolo que os medicamentos de cannabis não teriam seguido completamente (…) E agora vamos buscar um consenso sobre esta necessidade de termos uma legislação própria. Precisamos ter regulamentação especifica estadual que facilite o acesso a estes medicamentos e que as pessoas não precisem entrar na justiça para conseguirem”.

Até janeiro de 2022, o Brasil tem apenas uma lei específica para a distribuição gratuita de produtos medicinais com CBD e THC. Ela foi aprovada em 2016, no Distrito Federal, e é direcionada para pessoas com quadros de epilepsia.

Em dezembro de 2021, deputados de Mato Grosso aprovaram um projeto de lei que previa a distribuição de produtos deste tipo via SUS, para todos os públicos. A proposta, porém, foi vetada pelo governador Mauro Mendes (DEM). O veto foi mantido pelos parlamentares na sessão do último dia 14 de dezembro.

Impacto para famílias

Para pacientes e famílias que dependem de produtos canabinoides, as propostas em tramitação significam esperança de desburocratização.

Gilson Rodrigues, morador de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, é pai da pequena Juliana, de 2 anos. A criança tem síndrome de West, condição caracterizada por espasmos e interrupção do desenvolvimento.

Segundo Rodrigues, há um ano e meio a criança faz tratamento com um óleo à base de CBD. Para ter acesso ao produto, a família precisou recorrer à via judicial. Desde fevereiro de 2021, eles recebem o medicamento via SUS.

“Nós chegamos a utilizar medicamentos convencionais, ela tomava três ou quatro remédios por dia. Por ser bebê, alguns ela nem aceitava, cuspia. Mas eles mexiam muito no humor dela. Ela não sorria, não interagia (…), com duas semanas do canabidiol, virou outra filha. Foi um alívio para todos nós”.

A família soube que o canabidiol poderia ser uma alternativa através da médica que atendia Juliana. Segundo ele, desde que foi informado sobre a possibilidade de melhora da filha com a medicação, não hesitou em correr atrás do produto medicinal.

“Eu não vou dizer que antes de ter necessidade na minha família, eu não pensava ‘nossa, canabidiol, ligado à maconha…’. Você fica com dúvida. Mas quando você vive o problema, você vê que é um medicamento muito importante. E não é só para a minha filha. Eu sei que ele atende muito bem para outras condições também”, disse Rodrigues.

Acesso

Desde 2016, a Anvisa autoriza a prescrição e manipulação de produtos medicinais à base da planta cannabis no Brasil. Até agora, treze produtos do gênero foram aprovados pela agência, que recebe solicitações on-line para importação.

Segundo dados da agência, até a última sexta-feira (7), cerca de 50 pedidos de importação de produtos com substâncias da cannabis aguardavam análise para liberação ou recusa do órgão.

Com a modificação de processos internos da agência para facilitar o acesso, as liberações ocorrem em até 10 dias.

A Anvisa não divulgou quantas liberações de produtos à base de CBD ou THC foram feitas em 2021, porém, uma apuração recente do Jornal Hoje indicou que, em seis anos, a demanda cresceu mais de 20 vezes.

  • 2015: 896 pedidos
  • 2020: 19.074 pedidos
  • 2021 (até setembro): 22.028 pedidos

Potencial medicinal

O pós-doutor em neurofarmacologia, Francisney Nascimento, professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), de Foz do Iguaçu, estuda há anos o potencial medicinal da cannabis.

Em 2020, ele passou a coordenar um estudo sobre o impacto de canabinoides para pacientes com Alzheimer. Os resultados do ensaio, que envolve outros pesquisadores da Unila, de Santa Catarina e de fora do país, serão finalizados ainda em janeiro de 2022.

“Estudos prévios nos nossos laboratórios, com apenas dois pacientes, mostraram resultados muito bons. Demonstraram que o extrato de cannabis possui efeito terapêutico de incrementar ou recuperar parte da memória e da cognição de pacientes, o que na clínica medicamentos atuais não fazem, apenas conseguem segurar ou retardar por alguns meses. Mas estes resultados são só sobre dois pacientes, por isso nós decidimos fazer um estudo maior, com 30 pessoas”.

De acordo com o professor, as pesquisas na Unila com uso da cannabis ganharam força em 2016. Já foram desenvolvidos trabalhos em pacientes com mal de Parkinson, traumatismo cranioencefálico e fibromialgia. Para 2022, Nascimento diz que a área de estudo englobará, também, artrose e autismo.

Investimento público

Segundo dados do Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), de 1º de janeiro de 2017 até a 16 de agosto de 2021, 196 novos pacientes tiveram deferimento judicial positivo para o fornecimento de produtos medicinais à base de cannabis pelo Governo do Estado.

Considerando apenas as aquisições realizadas pelo Cemepar, o governo gastou mais de R$ 3 milhões em quatro anos.

“Para o futuro, o ideal a gente está longe. O ideal é o cultivo, acesso universal a baixo custo, com agricultores do Brasil produzindo [a planta], para a gente ter medicamentos baratos e gerar renda, crescimento. Nós estamos perdendo tempo, empregos e dinheiro com as proibições que nós temos no país”, explicou Nascimento.

Além das liberações por medidas judiciais, há pacientes que utilizam substâncias comercializadas por entidades voltadas exclusivamente para distribuição de canabinoides.

A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), por exemplo, encaminha mensalmente, da Paraíba para o Paraná, óleos que atendem cerca de 1.000 pacientes, segundo dados do gabinete do deputado Goura.

Cautela x resistência

Órgãos de controle assumem posicionamentos que indicam interesse em debater o tema, mas, ao mesmo tempo, resistência à pauta.

Em orientação pública sobre produtos medicinais do gênero para crianças e adolescentes com epilepsia, o Conselho Federal de Medicina (CFM) destaca que autoriza o uso compassivo de CBD para 80 derivados de canabinoides, porém, faz ressalvas.

“A avaliação de vários documentos confirmou que ainda não há evidências científicas que comprovem que os canabinoides são totalmente seguros e eficazes no tratamento de casos de epilepsia”.

A resolução do CFM que orienta a prescrição de substâncias do tipo por médicos está publicada sob o número 2.113/2014. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) disse que o texto está prestes a passar por mudanças, mas não adiantou quais.

O psiquiatra Ricardo Krause, presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profissões Afins (Abenepi), explica que muitos estudos sobre CBD e THC estão em curso no país, mas indica que o tema parece estar longe de ter um consenso definitivo entre os profissionais da neurologia.

“Existem práticas de eficácia reconhecida, mas existem práticas que ainda são extremamente experimentais. Nós temos profissionais que encaminham para este tipo de tratamento e temos também os que têm restrições (…), nos nossos congressos a gente abre a discussão para todos os lados. Temos tido debates bastante enriquecedores, mas não temos uma posição definida no sentido de referendar ou contraindicar o uso”.

Enquanto o tema avança a passos curtos com o decorrer dos anos, famílias encontram as próprias alternativas para terem acesso aos canabinoides.

É o caso da paranaense Priscila Inocente, mãe do Miguel, de 13 anos. O filho tem uma doença rara conhecida como síndrome de POLG. Entre os sintomas, segundo a mãe, está a epilepsia refratária de difícil controle.

Priscila conta que Miguel começou o tratamento com CBD em 2014, ano em que produtos medicinais com extrato da cannabis eram considerados proscritos no país, ou seja, proibidos.

Na época, por duas vezes, Priscila importou ilegalmente para o Brasil medicamentos canabinoides para o tratamento do filho.

E se o acesso a produtos do gênero não era facilitado, o custo também não ajudava. Priscila conta que, mesmo depois da legalização pela Anvisa, a família gastava cerca de R$ 4 mil por mês com os remédios.

Atualmente, segundo Priscila, Miguel é tratado com um óleo produzido no Brasil, o que diminuiu os gastos e melhorou a logística de recebimento. Para ela, políticas afirmativas que atendem esta parcela da população são urgentes.

É necessário que as informações sejam atualizadas, que nossos parlamentares se atualizem. Precisamos de um olhar humanitário. É uma luta para que muitas pessoas se beneficiem, não uma única. E é necessário, também, que os nossos médicos tenham consciência. Mais seis meses utilizando medicação convencional e eu ia perder o meu filho, porque para síndrome dele o medicamento tradicional prejudicava, por mais que para outros casos fosse indicado”.

Para a mãe, que hoje mora com o filho e o marido em Minas Gerais, se não fosse a medicação de CBD e THC, Miguel teria morrido.

Durante um período em que o tema ainda não tinha ampla divulgação, foram pesquisas independentes de Priscila que a levaram a entender os benefícios que canabinoides poderiam causar.

“Um dos meus sonhos é que o canabidiol seja uma droga de primeira escolha, e não a última. Nós tivemos sorte de ter entrado cedo com essa medicação, porque retardamos a doença. Conseguimos tirar a maioria dos medicamentos convencionais, os que produziam efeitos contrários à doença, e mantivemos só os mais básicos”.

Imagem em destaque: 2H Media / Unsplash.

Canadá: um quarto da população diz ter usado maconha em 2021

Levantamento anual do governo revela que 6% dos canadenses plantaram maconha em casa e que o consumo caiu em 2021, principalmente na faixa entre 16 e 19 anos – a disposição para falar sobre o uso, no entanto, aumentou

Fonte: Smoke Buddies

Desde 2017, a agência de saúde Health Canada conduz uma pesquisa anual para auxiliar o governo a examinar padrões de uso e do mercado de maconha no país: Canadian Cannabis Survey de 2021 revela insights sobre o comportamento do consumidor canadense no último ano, como o aumento da idade inicial de uso (de 20 anos, em 2020, para 20,4, em 2021) e a queda de usuários entre 16 e 19 anos, de 7%.

Não só entre os jovens foi observada a queda no consumo social de maconha no último ano no Canadá. Embora um quarto da população (25%) tenha usado maconha, e 58% destes estariam dispostos a assumir isso publicamente, a porcentagem de usuários caiu em relação a 2020, quando 27% dos canadenses confirmaram o consumo no mesmo período. A razão mais comum para uma diminuição no uso de cannabis foi a falta de reuniões sociais ou oportunidades para socializar (34%).

Leia mais: Canadá: vendas de maconha atingem CA$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2021

Sobre a frequência de uso, mais da metade (53%) relatou usar cannabis três dias por mês ou menos, e 19% dos canadenses relataram uso diário de cannabis. As porcentagens permaneceram inalteradas desde 2020.

Fumar (74%) foi o método mais comum de consumo de cannabis relatado pelos canadenses, uma queda em relação a 2020 (79%). Bebidas com infusão (15%) tiveram um aumento de 7% em relação a 2020, enquanto edibles (54%) e dabs (6%) permaneceram inalterados.

Entre os canadenses que possuem maconha em casa, armários ou gavetas destrancados (36%) são os locais principais de armazenamento, seguidos por recipientes à prova de crianças (28%), contêineres trancados (20%) e prateleiras ou mesas abertas (17%).

Foto em destaque: LexScope / Unsplash.

“Maconha é coisa de família”: grupo em Alagoas ajuda pacientes que precisam do tratamento

Com palestras, cursos e ações, Delta C trabalha para divulgar o conhecimento científico sobre maconha e aproximar quem mais precisa de médicos com consultas a preços populares e das associações que fornecem o óleo. As informações são do portal 7 Segundos

Via Smoke Buddies

Cannabis medicinal, canabidiol, substâncias químicas canabinoides, ou simplesmente maconha. Maconha. Sem tentar suavizar a palavra, é assim que o grupo alagoano Delta C se refere à planta a qual trabalham para desmistificar e levar até pacientes que precisem.

E há muita gente que precisa. Pessoas com autismo, Parkinson, artrite, fibromialgia, esclerose, hérnias, dores de cabeças, dores crônicas, além de transtornos psicológicos: depressão, ansiedade, síndrome do pânico, TOC e outros. É o que explica Letícia Ravelly, farmacêutica especializada em farmácia magistral, em cannabis medicinal e integrante do Delta.

“É uma questão de ciência, de direito. Um pai cujo filho parou de ter 80 convulsões ao dia após o uso medicinal da planta? Não há como voltar atrás, não tem como proibir, apenas avançar. E a ciência tem provado que a maconha é, sim, coisa de pai, filho, bebês, idosos e até animais”.

Com palestras, cursos e ações, o grupo trabalha justamente para isso: divulgar o conhecimento científico real sobre maconha em Alagoas. Além disso, aproximar quem mais precisa de médicos com consultas a preços populares e também das associações que fornecem o óleo de cannabis.

E eles querem mais. No próximo ano, o grupo vai se dividir em dois: uma associação para trazer assistência jurídica, social e, no futuro, produzir óleo; e uma empresa que irá promover capacitações e cursos dentro da área.

“Falar de maconha é falar de racismo, guerra às drogas, religião, indústria, crise climática. Há muita coisa para se discutir”, afirmou Renatha Gomes, advogada, integrante do Delta C e também especialista na área.

A farmacêutica Letícia Ravelly explica que o uso medicinal é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas o acesso é difícil. São quatro formas: importando, comprando em drogarias brasileiras, através das associações canábicas e o autocultivo. Porém, de acordo com a especialista, as duas primeiras opções são caras e inviáveis para a maioria da população.

“Para se ter noção, o primeiro medicamento feito em solo nacional custava mais de R$ 2 mil. O uso medicinal é aprovado no Brasil, o que não há é acesso. Por isso, a importância de se apoiar associações e pessoas que têm lutado para que as coisas andem”.

Ainda de acordo com Letícia Ravelly, as associações canábicas funcionam com a união entre ativistas, pacientes e seus familiares na busca pelo tratamento de qualidade. Há mais 35 delas no país, mas nenhuma em Alagoas.

Autocultivo

A maioria dos pacientes que se trata com a cannabis medicinal precisa importar o óleo ou adquirir em associações canábicas. No entanto, ainda é pequeno o número de pacientes que conseguem, através da Justiça, autorização para o autocultivo.

No começo do mês, a advogada Renatha Gomes Freitas obteve na Justiça de Alagoas uma sentença favorável e um habeas corpus preventivo para cultivo, uso, porte e produção artesanal de cannabis para seu tratamento medicinal. Ela acredita que se trata da primeira decisão do tipo em Alagoas.

Ela começou a estudar sobre o assunto quando os remédios da avó, que sofre de artrite severa, não surtiam mais os efeitos esperados. Com o tempo, a própria Renatha também começou a ficar dependente dos remédios que tomava para tratar de ansiedade e outras doenças.

De acordo com a advogada, depois que já estava com documentos e laudos, o processo durou cerca de dois meses na Justiça alagoana. “Possuo um quadro de depressão, ansiedade, TOC moderado e déficit de atenção. O juiz reconheceu que meu direito à saúde não pode ser negligenciado”.

“Passa por consultas médicas, laudos, autorização da Anvisa. Mas nosso objetivo com a criação da associação é ajudar quem mais precisa com essa assistência jurídica. E num futuro, também obter autorização para a própria instituição fazer o óleo”.

Luana Costa, parte administrativa e uma das fundadoras do Delta C, explica que nem todos têm condições de bancar os valores do óleo de cannabis. No caso dela, que depende do tratamento para dores causadas por hérnias, os óleos custam cerca de R$ 800. Se recebesse autorização para plantar em casa, poderia ter uma redução de custo de 90%.

“Nosso objetivo é mostrar para a sociedade que a maconha não é droga, é uma planta como qualquer outra. A gente deveria ter em casa e cultivar, como coentro, como ervas, chá de boldo. A cannabis tem a forma dela de agir nas doenças, em um leque de doenças. São estudos científicos. Não estamos falando balela. Estamos falando sobre o que de fato a ciência comprova”.

Foto de capa: Pexels / Kindel Media.

Agência canadense faz alerta sobre comestíveis de cannabis que remetem a doces e os riscos para crianças

Health Canada emitiu um alerta sobre os comestíveis de maconha que se assemelham a doces e salgadinhos populares, dizendo que está ciente de vários casos de crianças hospitalizadas após consumirem produtos ilegais. As informações são da CTV News

Via Smoke Buddies

O aviso menciona vários produtos de cannabis não regulamentados com embalagens chamativas, imagens e nomes ou símbolos cativantes que imitam marcas populares, como “Stoneo”, embalado para se parecer com biscoitos Oreo, ou Skittles “Medicated Sour”, embalado para se parecer com o popular doce.

“Exemplos de comestíveis de cannabis imitativos podem incluir cereais e salgadinhos, como batatas fritas, bolinhos de queijo, biscoitos, barras de chocolate e uma variedade de doces populares em embalagens coloridas”, diz o aviso. “Esses produtos podem conter grandes quantidades de THC, o que aumenta o risco de sofrer efeitos adversos ou intoxicação. Pais e filhos podem não ser capazes de reconhecer esses produtos como algo diferente de suas marcas favoritas de doces ou salgadinhos.”

Os produtos legais de cannabis regulamentados pela Health Canada são embalados em embalagens simples com o símbolo vermelho oficial da cannabis, um selo de consumo, rótulos de advertência de saúde e níveis claramente indicados de THC ou CBD.

Os produtos devem ser projetados sem cores ou sinalização chamativas, a fim de reduzir seu apelo a crianças e jovens e evitar que sejam confundidos com outros produtos.

“Os produtos comestíveis de cannabis ilegais podem ser embalados para se parecerem com marcas populares de doces, lanches ou outros produtos alimentícios que são normalmente vendidos em supermercados, postos de gasolina e lojas de esquina. Esses produtos são ilegais e proibidos pelo Ato da Cannabis e seus regulamentos”, disse a Health Canada no aviso.

No Canadá, os produtos comestíveis de cannabis legais podem conter até 10 miligramas de THC por pacote. Se um varejista está vendendo produtos de cannabis comestíveis que contêm mais de 10 miligramas de THC por embalagem, isso é ilegal e não regulamentado. Alguns dos produtos incluídos no aviso são rotulados como “potência extra”, sugerindo que podem conter mais do que os 10 miligramas permitidos por lei.

A Health Canada observa que edibles devem ser guardados longe de crianças, adolescentes e animais de estimação, como em uma gaveta ou caixa trancada, e separados de alimentos ou bebidas normais.

Os sinais de que uma criança ingeriu cannabis podem incluir dor no peito, taquicardia, náusea, vômito, ansiedade severa ou ataque de pânico, agitação e confusão, fala arrastada e perda de consciência. A Health Canada lembra os canadenses que eles só devem comprar produtos relacionados à cannabis de varejistas on-line autorizados nas províncias e territórios ou em lojas de varejo autorizadas.

Foto em destaque: Graham Hellewell / Flickr.

Empresas de maconha da Califórnia (EUA) lutam para contratar trabalhadores em meio à escassez de mão de obra

A mudança revolucionária em curso no mercado de trabalho impulsionada pela pandemia de Covid-19 se reflete nos desafios de contratação enfrentados pelas operadoras de cannabis californianas. Saiba mais na reportagem do MJBizDaily, traduzida pela Smoke Buddies

As empresas de maconha na Califórnia (EUA) estão lutando para recrutar e manter trabalhadores qualificados, desde budtenders voltados para o consumidor e motoristas de entregas até especialistas em operações e empacotadores.

Os desafios de contratação refletem os principais problemas do varejo e a mudança revolucionária em curso no mercado de trabalho impulsionada pela pandemia de Covid-19, um impulso para trabalho remoto e flexibilidade e a Grande Resignação em que os funcionários estão voluntariamente deixando seus empregos em massa.

É um cenário que sem dúvida está ocorrendo em outros mercados de cannabis legais pelo estado em todo o país, além da Califórnia.

“No varejo de cannabis nos últimos seis ou sete meses, nunca vi esse tipo de movimento”, disse Jerred Kiloh, dono da loja de cannabis de Los Angeles The Higher Path.

“Algumas pessoas estão um pouco desencantadas com o que o futuro da cannabis da Califórnia realmente se parece.”

Kiloh, que lançou o dispensário há oito anos em Sherman Oaks, disse que não pode pagar “salários enormes” enquanto sua loja luta para competir contra um próspero mercado ilícito, onde “oitavos” (3,5 gramas) de flores são vendidos por apenas US$ 15.

“Todos estão começando a valorizar seu trabalho mais do que estou disposto a pagar”, acrescentou.

“Eles acham que vão voltar ao mercado geral e encontrar mais dinheiro, mas acho que vão ficar rudemente surpresos com o fato de que a maioria dos varejistas está diminuindo, reduzindo seu trabalho e tentando sobreviver”.

A 4Front Ventures, sediada em Phoenix, está tentando formar uma equipe completa para sua fábrica de cultivo e processamento de 15.000 metros quadrados recém-inaugurada na cidade de Commerce, que faz fronteira com LA.

A falta de candidatos de qualidade e taxas de resposta “chocantemente baixas” levaram a operadora multiestadual a reavaliar os salários iniciais e aumentar a remuneração, disse Josh Krane, vice-presidente de operações da 4Front na Califórnia.

Os salários por hora começam acima de US$ 17. Os operadores de máquinas ganham bem mais de US$ 20 por hora, com base na experiência.

Mas a empresa, que contratou cerca de 65 trabalhadores para lidar com a produção em um único turno, ainda tem mais de uma dúzia de vagas, incluindo trabalhos de maquinista, embalagem e logística.

“Tenho contratado pessoas há 20 e poucos anos e nunca foi tão difícil”, disse Krane. “Certamente nunca foi tão difícil com a cannabis.”

Um golpe duplo

O alto custo de vida da Califórnia — especialmente perto da costa — é uma consideração importante para quem procura emprego, que agora tem muitas opções e poder de barganha.

As marcas de cannabis na Califórnia devem oferecer taxas horárias na faixa de US$ 18 a US$ 20 para atrair os melhores candidatos, disse Melita Balestieri, vice-presidente de marketing e desenvolvimento de negócios da Higher Growth, uma agência de recrutamento de cannabis com sede em Sonoma.

“Estamos competindo contra as Best Buys do mundo, as Amazons do mundo, que pagarão mais por trabalhadores iniciantes”, disse Balestieri.

“É um ambiente muito competitivo.”

Várias marcas de cannabis disseram ao MJBizDaily que os candidatos a empregos hoje em dia são mais seletivos do que nunca e acreditam que seu valor é determinado mais por sua produção real do que por seu nível de experiência ou nível salarial anterior.

Alguns sugeriram que a escassez de mão de obra é uma consequência dos cheques de estímulo federais relacionados ao coronavírus distribuídos em 2020 e no início deste ano, bem como programas de benefícios de desemprego da era da pandemia, que terminaram em setembro.

Os programas canalizaram bilhões de dólares para os bolsos dos empregados e desempregados, dando a muitos uma proteção financeira e permitindo que alguns fossem mais exigentes com relação aos empregos e retorno ao trabalho.

“A cannabis não está imune à Grande Resignação ou à rede de bem-estar social que o governo deu em razão da Covid”, disse David Belsky, fundador e CEO da agência de recrutamento e pessoal de cannabis de Manhattan Beach, FlowerHire.

De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, mais de 4,4 milhões de trabalhadores nos EUA deixaram seus empregos em setembro, o quarto recorde mensal consecutivo.

Os trabalhadores da Califórnia estão liderando o êxodo, empurrando a maior taxa de desemprego do país em outubro para 7,3%, empatada com Nevada. A média nacional foi de 4,6%.

Novembro fechou com mais de 10 milhões de vagas em todo o país, de acordo com a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA.

O governo federal não rastreia empregos relacionados com a cannabis, mas uma pesquisa sobre o fato resultou em mais de 2.400 vagas na Califórnia, variando de trabalhos por hora em budtending e atendimento ao cliente a salários de seis dígitos na produção de eventos e cultivo.

De acordo com o site de cannabis Leafly, com sede em Seattle, a Califórnia tinha quase 58.000 empregos relacionados com a maconha até janeiro de 2021, um aumento de 69% desde 2019, ou cerca de 23.700 empregos.

Embora morar perto do trabalho não seja mais um requisito para muitos empregos, as operações de cannabis são locais por natureza, considerando que a maioria dos empregos está no varejo, processamento, manufatura e cultivo.

Transportadores procurados

Os motoristas, em particular, estão em demanda.

“As maiores lacunas que vi na contratação de mão de obra por hora para empresas de cannabis na Califórnia são os motoristas”, disse Belsky.

A Tradecraft Farms recebeu sua licença de entrega no verão de 2020 para seu dispensário em Vista, cerca de 65 quilômetros ao norte de San Diego. Demorou mais de um ano para contratar quatro motoristas.

Dois foram contratados há alguns meses.

“Não tivemos problemas em manter os motoristas, tivemos problemas em encontrá-los”, disse Christina Tinoco, gerente regional de varejo da Tradecraft.

“Tivemos até que limitar nossas horas para ter um sistema de entrega.”

A competição por motoristas é feroz na Califórnia, visto que o estado é o lar do Uber, Lyft e Instacart, bem como dezenas de fornecedores de entrega de cannabis, incluindo os gigantes Eaze e Caliva.

O Uber e o Lyft, de acordo com observadores da indústria e relatórios de notícias, estão enfrentando uma escassez de motoristas por causa de preocupações relacionadas ao coronavírus.

As empresas têm oferecido bônus generosos para ajudar a preencher suas posições, proporcionando maior concorrência às empresas de cannabis que lutam para contratar motoristas.

A crise é tão severa que a Divisão de Veículos Motorizados da Califórnia anunciou planos no mês passado para dobrar a capacidade de testes de direção comercial para quase 10.000 por mês e aumentar o horário aos sábados.

Novas estratégias e táticas

Para combater a escassez de mão de obra, os operadores de cannabis da Califórnia estão se tornando mais criativos e flexíveis no recrutamento e retenção.

A Tradecraft agora treina novos contratados para cada função em suas lojas em Vista e Port Hueneme, no condado de Ventura, não apenas para evitar monotonia e esgotamento, mas também turbulência na rotatividade.

“Algumas pessoas saíram de uma vez, e isso deixou nossa loja em ruínas”, disse Tinoco.

A empresa também começou a fornecer comissões aos budtenders, que podem ganhar facilmente US$ 1.000 adicionais por mês, acrescentou ela.

A Beyond Hello, que opera dispensários em Santa Bárbara e Palm Springs, desenvolveu um sistema de rastreamento de candidatos que envia as postagens para mais de 150 locais de trabalho.

“Utilizar a tecnologia tem sido muito importante porque torna tudo muito visível na hora”, disse Clifton Lambert, diretor de recursos humanos de varejo da Jushi Holdings, sediada na Flórida, proprietária da Beyond Hello.

Por meio de uma mistura de locais de trabalho, recursos da cidade e agências de emprego locais, feiras de contratação e anúncios de jornal, 4Front obteve sucesso moderado recrutando funcionários descontentes de embaladores e fabricantes de alimentos próximos, bem como trabalhadores que recentemente foram demitidos ou perderam empregos em outras indústrias.

A 4Front chegou até a colocar panfletos procurando trabalhadores em carros estacionados em fábricas de processamento e praças de alimentação nas proximidades.

“Talvez eles estejam esgotados em seu trabalho ou foram rejeitados para aquela promoção”, disse Krane. “Muito poucas pessoas estão vindo até nós de outros operadores de cannabis”.

Imagem de capa: GreenForce Staffing | Unsplash.