Cannabis medicinal: Oito assembleias legislativas têm projetos para flexibilizar acesso via SUS

Propostas que visam a distribuição gratuita de medicamentos à base de maconha e o incentivo a pesquisas sobre substâncias da planta para tratamentos de saúde ganham espaço nos legislativos estaduais desde 2016. As informações são do G1

Via Smoke Buddies

Oito estados brasileiros estão, até essa segunda-feira (10), com projetos de lei em tramitação que pretendem flexibilizar o acesso de produtos medicinais com substâncias extraídas da maconha (Cannabis sativa), como canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC).

As propostas tramitam nos estados de Alagoas, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Atualmente, apenas o Distrito Federal tem lei aprovada para a distribuição de produtos do gênero.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamenta no Brasil treze produtos medicinais à base de cannabis. Dos produtos comercializados, apenas um é produzido em território nacional.

Pelo regramento da agência, essas substâncias são produtos, e não medicamentos. A justificativa, segundo o órgão, é que para este último caso são necessários estudos clínicos que comprovem a eficácia das substâncias.

Segundo especialistas, canabinoides apresentam potencial terapêutico para doenças específicas, principalmente em pacientes com condições neurológicas. Contudo, não há unanimidade no pensamento.

As propostas, em discussão nas assembleias legislativas, se dividem em projetos que pretendem implantar a distribuição dos produtos medicinais via Sistema Único de Saúde (SUS) e, também, incentivar pesquisas sobre o tema.

O que propõem os projetos

Propostas sobre o tema começaram a aparecer gradativamente nas casas legislativas desde 2016.

Dos oito projetos de lei em tramitação atualmente, sete visam a distribuição dos canabinoides via SUS.

É o caso do Paraná que, em projeto de lei apresentado em 2019, tenta assegurar a distribuição de substâncias canabinoides para pacientes que precisam tratar doenças e síndromes.

O deputado Goura (PDT), um dos autores da proposta, explica que havia uma expectativa do projeto ser apreciado no plenário na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no final de 2021, mas um questionamento do governo travou temporariamente o avanço da proposta, também assinada pelos deputados Michele Caputo (PSDB), Paulo Litro (PSDB) e Alexandre Curi (PSB).

“No estado, a Secretaria de Saúde alega que para incorporação de medicamentos no SUS há um protocolo que os medicamentos de cannabis não teriam seguido completamente (…) E agora vamos buscar um consenso sobre esta necessidade de termos uma legislação própria. Precisamos ter regulamentação especifica estadual que facilite o acesso a estes medicamentos e que as pessoas não precisem entrar na justiça para conseguirem”.

Até janeiro de 2022, o Brasil tem apenas uma lei específica para a distribuição gratuita de produtos medicinais com CBD e THC. Ela foi aprovada em 2016, no Distrito Federal, e é direcionada para pessoas com quadros de epilepsia.

Em dezembro de 2021, deputados de Mato Grosso aprovaram um projeto de lei que previa a distribuição de produtos deste tipo via SUS, para todos os públicos. A proposta, porém, foi vetada pelo governador Mauro Mendes (DEM). O veto foi mantido pelos parlamentares na sessão do último dia 14 de dezembro.

Impacto para famílias

Para pacientes e famílias que dependem de produtos canabinoides, as propostas em tramitação significam esperança de desburocratização.

Gilson Rodrigues, morador de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, é pai da pequena Juliana, de 2 anos. A criança tem síndrome de West, condição caracterizada por espasmos e interrupção do desenvolvimento.

Segundo Rodrigues, há um ano e meio a criança faz tratamento com um óleo à base de CBD. Para ter acesso ao produto, a família precisou recorrer à via judicial. Desde fevereiro de 2021, eles recebem o medicamento via SUS.

“Nós chegamos a utilizar medicamentos convencionais, ela tomava três ou quatro remédios por dia. Por ser bebê, alguns ela nem aceitava, cuspia. Mas eles mexiam muito no humor dela. Ela não sorria, não interagia (…), com duas semanas do canabidiol, virou outra filha. Foi um alívio para todos nós”.

A família soube que o canabidiol poderia ser uma alternativa através da médica que atendia Juliana. Segundo ele, desde que foi informado sobre a possibilidade de melhora da filha com a medicação, não hesitou em correr atrás do produto medicinal.

“Eu não vou dizer que antes de ter necessidade na minha família, eu não pensava ‘nossa, canabidiol, ligado à maconha…’. Você fica com dúvida. Mas quando você vive o problema, você vê que é um medicamento muito importante. E não é só para a minha filha. Eu sei que ele atende muito bem para outras condições também”, disse Rodrigues.

Acesso

Desde 2016, a Anvisa autoriza a prescrição e manipulação de produtos medicinais à base da planta cannabis no Brasil. Até agora, treze produtos do gênero foram aprovados pela agência, que recebe solicitações on-line para importação.

Segundo dados da agência, até a última sexta-feira (7), cerca de 50 pedidos de importação de produtos com substâncias da cannabis aguardavam análise para liberação ou recusa do órgão.

Com a modificação de processos internos da agência para facilitar o acesso, as liberações ocorrem em até 10 dias.

A Anvisa não divulgou quantas liberações de produtos à base de CBD ou THC foram feitas em 2021, porém, uma apuração recente do Jornal Hoje indicou que, em seis anos, a demanda cresceu mais de 20 vezes.

  • 2015: 896 pedidos
  • 2020: 19.074 pedidos
  • 2021 (até setembro): 22.028 pedidos

Potencial medicinal

O pós-doutor em neurofarmacologia, Francisney Nascimento, professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), de Foz do Iguaçu, estuda há anos o potencial medicinal da cannabis.

Em 2020, ele passou a coordenar um estudo sobre o impacto de canabinoides para pacientes com Alzheimer. Os resultados do ensaio, que envolve outros pesquisadores da Unila, de Santa Catarina e de fora do país, serão finalizados ainda em janeiro de 2022.

“Estudos prévios nos nossos laboratórios, com apenas dois pacientes, mostraram resultados muito bons. Demonstraram que o extrato de cannabis possui efeito terapêutico de incrementar ou recuperar parte da memória e da cognição de pacientes, o que na clínica medicamentos atuais não fazem, apenas conseguem segurar ou retardar por alguns meses. Mas estes resultados são só sobre dois pacientes, por isso nós decidimos fazer um estudo maior, com 30 pessoas”.

De acordo com o professor, as pesquisas na Unila com uso da cannabis ganharam força em 2016. Já foram desenvolvidos trabalhos em pacientes com mal de Parkinson, traumatismo cranioencefálico e fibromialgia. Para 2022, Nascimento diz que a área de estudo englobará, também, artrose e autismo.

Investimento público

Segundo dados do Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), de 1º de janeiro de 2017 até a 16 de agosto de 2021, 196 novos pacientes tiveram deferimento judicial positivo para o fornecimento de produtos medicinais à base de cannabis pelo Governo do Estado.

Considerando apenas as aquisições realizadas pelo Cemepar, o governo gastou mais de R$ 3 milhões em quatro anos.

“Para o futuro, o ideal a gente está longe. O ideal é o cultivo, acesso universal a baixo custo, com agricultores do Brasil produzindo [a planta], para a gente ter medicamentos baratos e gerar renda, crescimento. Nós estamos perdendo tempo, empregos e dinheiro com as proibições que nós temos no país”, explicou Nascimento.

Além das liberações por medidas judiciais, há pacientes que utilizam substâncias comercializadas por entidades voltadas exclusivamente para distribuição de canabinoides.

A Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança (Abrace), por exemplo, encaminha mensalmente, da Paraíba para o Paraná, óleos que atendem cerca de 1.000 pacientes, segundo dados do gabinete do deputado Goura.

Cautela x resistência

Órgãos de controle assumem posicionamentos que indicam interesse em debater o tema, mas, ao mesmo tempo, resistência à pauta.

Em orientação pública sobre produtos medicinais do gênero para crianças e adolescentes com epilepsia, o Conselho Federal de Medicina (CFM) destaca que autoriza o uso compassivo de CBD para 80 derivados de canabinoides, porém, faz ressalvas.

“A avaliação de vários documentos confirmou que ainda não há evidências científicas que comprovem que os canabinoides são totalmente seguros e eficazes no tratamento de casos de epilepsia”.

A resolução do CFM que orienta a prescrição de substâncias do tipo por médicos está publicada sob o número 2.113/2014. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) disse que o texto está prestes a passar por mudanças, mas não adiantou quais.

O psiquiatra Ricardo Krause, presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profissões Afins (Abenepi), explica que muitos estudos sobre CBD e THC estão em curso no país, mas indica que o tema parece estar longe de ter um consenso definitivo entre os profissionais da neurologia.

“Existem práticas de eficácia reconhecida, mas existem práticas que ainda são extremamente experimentais. Nós temos profissionais que encaminham para este tipo de tratamento e temos também os que têm restrições (…), nos nossos congressos a gente abre a discussão para todos os lados. Temos tido debates bastante enriquecedores, mas não temos uma posição definida no sentido de referendar ou contraindicar o uso”.

Enquanto o tema avança a passos curtos com o decorrer dos anos, famílias encontram as próprias alternativas para terem acesso aos canabinoides.

É o caso da paranaense Priscila Inocente, mãe do Miguel, de 13 anos. O filho tem uma doença rara conhecida como síndrome de POLG. Entre os sintomas, segundo a mãe, está a epilepsia refratária de difícil controle.

Priscila conta que Miguel começou o tratamento com CBD em 2014, ano em que produtos medicinais com extrato da cannabis eram considerados proscritos no país, ou seja, proibidos.

Na época, por duas vezes, Priscila importou ilegalmente para o Brasil medicamentos canabinoides para o tratamento do filho.

E se o acesso a produtos do gênero não era facilitado, o custo também não ajudava. Priscila conta que, mesmo depois da legalização pela Anvisa, a família gastava cerca de R$ 4 mil por mês com os remédios.

Atualmente, segundo Priscila, Miguel é tratado com um óleo produzido no Brasil, o que diminuiu os gastos e melhorou a logística de recebimento. Para ela, políticas afirmativas que atendem esta parcela da população são urgentes.

É necessário que as informações sejam atualizadas, que nossos parlamentares se atualizem. Precisamos de um olhar humanitário. É uma luta para que muitas pessoas se beneficiem, não uma única. E é necessário, também, que os nossos médicos tenham consciência. Mais seis meses utilizando medicação convencional e eu ia perder o meu filho, porque para síndrome dele o medicamento tradicional prejudicava, por mais que para outros casos fosse indicado”.

Para a mãe, que hoje mora com o filho e o marido em Minas Gerais, se não fosse a medicação de CBD e THC, Miguel teria morrido.

Durante um período em que o tema ainda não tinha ampla divulgação, foram pesquisas independentes de Priscila que a levaram a entender os benefícios que canabinoides poderiam causar.

“Um dos meus sonhos é que o canabidiol seja uma droga de primeira escolha, e não a última. Nós tivemos sorte de ter entrado cedo com essa medicação, porque retardamos a doença. Conseguimos tirar a maioria dos medicamentos convencionais, os que produziam efeitos contrários à doença, e mantivemos só os mais básicos”.

Imagem em destaque: 2H Media / Unsplash.

Canadá: um quarto da população diz ter usado maconha em 2021

Levantamento anual do governo revela que 6% dos canadenses plantaram maconha em casa e que o consumo caiu em 2021, principalmente na faixa entre 16 e 19 anos – a disposição para falar sobre o uso, no entanto, aumentou

Fonte: Smoke Buddies

Desde 2017, a agência de saúde Health Canada conduz uma pesquisa anual para auxiliar o governo a examinar padrões de uso e do mercado de maconha no país: Canadian Cannabis Survey de 2021 revela insights sobre o comportamento do consumidor canadense no último ano, como o aumento da idade inicial de uso (de 20 anos, em 2020, para 20,4, em 2021) e a queda de usuários entre 16 e 19 anos, de 7%.

Não só entre os jovens foi observada a queda no consumo social de maconha no último ano no Canadá. Embora um quarto da população (25%) tenha usado maconha, e 58% destes estariam dispostos a assumir isso publicamente, a porcentagem de usuários caiu em relação a 2020, quando 27% dos canadenses confirmaram o consumo no mesmo período. A razão mais comum para uma diminuição no uso de cannabis foi a falta de reuniões sociais ou oportunidades para socializar (34%).

Leia mais: Canadá: vendas de maconha atingem CA$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2021

Sobre a frequência de uso, mais da metade (53%) relatou usar cannabis três dias por mês ou menos, e 19% dos canadenses relataram uso diário de cannabis. As porcentagens permaneceram inalteradas desde 2020.

Fumar (74%) foi o método mais comum de consumo de cannabis relatado pelos canadenses, uma queda em relação a 2020 (79%). Bebidas com infusão (15%) tiveram um aumento de 7% em relação a 2020, enquanto edibles (54%) e dabs (6%) permaneceram inalterados.

Entre os canadenses que possuem maconha em casa, armários ou gavetas destrancados (36%) são os locais principais de armazenamento, seguidos por recipientes à prova de crianças (28%), contêineres trancados (20%) e prateleiras ou mesas abertas (17%).

Foto em destaque: LexScope / Unsplash.

“Maconha é coisa de família”: grupo em Alagoas ajuda pacientes que precisam do tratamento

Com palestras, cursos e ações, Delta C trabalha para divulgar o conhecimento científico sobre maconha e aproximar quem mais precisa de médicos com consultas a preços populares e das associações que fornecem o óleo. As informações são do portal 7 Segundos

Via Smoke Buddies

Cannabis medicinal, canabidiol, substâncias químicas canabinoides, ou simplesmente maconha. Maconha. Sem tentar suavizar a palavra, é assim que o grupo alagoano Delta C se refere à planta a qual trabalham para desmistificar e levar até pacientes que precisem.

E há muita gente que precisa. Pessoas com autismo, Parkinson, artrite, fibromialgia, esclerose, hérnias, dores de cabeças, dores crônicas, além de transtornos psicológicos: depressão, ansiedade, síndrome do pânico, TOC e outros. É o que explica Letícia Ravelly, farmacêutica especializada em farmácia magistral, em cannabis medicinal e integrante do Delta.

“É uma questão de ciência, de direito. Um pai cujo filho parou de ter 80 convulsões ao dia após o uso medicinal da planta? Não há como voltar atrás, não tem como proibir, apenas avançar. E a ciência tem provado que a maconha é, sim, coisa de pai, filho, bebês, idosos e até animais”.

Com palestras, cursos e ações, o grupo trabalha justamente para isso: divulgar o conhecimento científico real sobre maconha em Alagoas. Além disso, aproximar quem mais precisa de médicos com consultas a preços populares e também das associações que fornecem o óleo de cannabis.

E eles querem mais. No próximo ano, o grupo vai se dividir em dois: uma associação para trazer assistência jurídica, social e, no futuro, produzir óleo; e uma empresa que irá promover capacitações e cursos dentro da área.

“Falar de maconha é falar de racismo, guerra às drogas, religião, indústria, crise climática. Há muita coisa para se discutir”, afirmou Renatha Gomes, advogada, integrante do Delta C e também especialista na área.

A farmacêutica Letícia Ravelly explica que o uso medicinal é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas o acesso é difícil. São quatro formas: importando, comprando em drogarias brasileiras, através das associações canábicas e o autocultivo. Porém, de acordo com a especialista, as duas primeiras opções são caras e inviáveis para a maioria da população.

“Para se ter noção, o primeiro medicamento feito em solo nacional custava mais de R$ 2 mil. O uso medicinal é aprovado no Brasil, o que não há é acesso. Por isso, a importância de se apoiar associações e pessoas que têm lutado para que as coisas andem”.

Ainda de acordo com Letícia Ravelly, as associações canábicas funcionam com a união entre ativistas, pacientes e seus familiares na busca pelo tratamento de qualidade. Há mais 35 delas no país, mas nenhuma em Alagoas.

Autocultivo

A maioria dos pacientes que se trata com a cannabis medicinal precisa importar o óleo ou adquirir em associações canábicas. No entanto, ainda é pequeno o número de pacientes que conseguem, através da Justiça, autorização para o autocultivo.

No começo do mês, a advogada Renatha Gomes Freitas obteve na Justiça de Alagoas uma sentença favorável e um habeas corpus preventivo para cultivo, uso, porte e produção artesanal de cannabis para seu tratamento medicinal. Ela acredita que se trata da primeira decisão do tipo em Alagoas.

Ela começou a estudar sobre o assunto quando os remédios da avó, que sofre de artrite severa, não surtiam mais os efeitos esperados. Com o tempo, a própria Renatha também começou a ficar dependente dos remédios que tomava para tratar de ansiedade e outras doenças.

De acordo com a advogada, depois que já estava com documentos e laudos, o processo durou cerca de dois meses na Justiça alagoana. “Possuo um quadro de depressão, ansiedade, TOC moderado e déficit de atenção. O juiz reconheceu que meu direito à saúde não pode ser negligenciado”.

“Passa por consultas médicas, laudos, autorização da Anvisa. Mas nosso objetivo com a criação da associação é ajudar quem mais precisa com essa assistência jurídica. E num futuro, também obter autorização para a própria instituição fazer o óleo”.

Luana Costa, parte administrativa e uma das fundadoras do Delta C, explica que nem todos têm condições de bancar os valores do óleo de cannabis. No caso dela, que depende do tratamento para dores causadas por hérnias, os óleos custam cerca de R$ 800. Se recebesse autorização para plantar em casa, poderia ter uma redução de custo de 90%.

“Nosso objetivo é mostrar para a sociedade que a maconha não é droga, é uma planta como qualquer outra. A gente deveria ter em casa e cultivar, como coentro, como ervas, chá de boldo. A cannabis tem a forma dela de agir nas doenças, em um leque de doenças. São estudos científicos. Não estamos falando balela. Estamos falando sobre o que de fato a ciência comprova”.

Foto de capa: Pexels / Kindel Media.

Agência canadense faz alerta sobre comestíveis de cannabis que remetem a doces e os riscos para crianças

Health Canada emitiu um alerta sobre os comestíveis de maconha que se assemelham a doces e salgadinhos populares, dizendo que está ciente de vários casos de crianças hospitalizadas após consumirem produtos ilegais. As informações são da CTV News

Via Smoke Buddies

O aviso menciona vários produtos de cannabis não regulamentados com embalagens chamativas, imagens e nomes ou símbolos cativantes que imitam marcas populares, como “Stoneo”, embalado para se parecer com biscoitos Oreo, ou Skittles “Medicated Sour”, embalado para se parecer com o popular doce.

“Exemplos de comestíveis de cannabis imitativos podem incluir cereais e salgadinhos, como batatas fritas, bolinhos de queijo, biscoitos, barras de chocolate e uma variedade de doces populares em embalagens coloridas”, diz o aviso. “Esses produtos podem conter grandes quantidades de THC, o que aumenta o risco de sofrer efeitos adversos ou intoxicação. Pais e filhos podem não ser capazes de reconhecer esses produtos como algo diferente de suas marcas favoritas de doces ou salgadinhos.”

Os produtos legais de cannabis regulamentados pela Health Canada são embalados em embalagens simples com o símbolo vermelho oficial da cannabis, um selo de consumo, rótulos de advertência de saúde e níveis claramente indicados de THC ou CBD.

Os produtos devem ser projetados sem cores ou sinalização chamativas, a fim de reduzir seu apelo a crianças e jovens e evitar que sejam confundidos com outros produtos.

“Os produtos comestíveis de cannabis ilegais podem ser embalados para se parecerem com marcas populares de doces, lanches ou outros produtos alimentícios que são normalmente vendidos em supermercados, postos de gasolina e lojas de esquina. Esses produtos são ilegais e proibidos pelo Ato da Cannabis e seus regulamentos”, disse a Health Canada no aviso.

No Canadá, os produtos comestíveis de cannabis legais podem conter até 10 miligramas de THC por pacote. Se um varejista está vendendo produtos de cannabis comestíveis que contêm mais de 10 miligramas de THC por embalagem, isso é ilegal e não regulamentado. Alguns dos produtos incluídos no aviso são rotulados como “potência extra”, sugerindo que podem conter mais do que os 10 miligramas permitidos por lei.

A Health Canada observa que edibles devem ser guardados longe de crianças, adolescentes e animais de estimação, como em uma gaveta ou caixa trancada, e separados de alimentos ou bebidas normais.

Os sinais de que uma criança ingeriu cannabis podem incluir dor no peito, taquicardia, náusea, vômito, ansiedade severa ou ataque de pânico, agitação e confusão, fala arrastada e perda de consciência. A Health Canada lembra os canadenses que eles só devem comprar produtos relacionados à cannabis de varejistas on-line autorizados nas províncias e territórios ou em lojas de varejo autorizadas.

Foto em destaque: Graham Hellewell / Flickr.

Empresas de maconha da Califórnia (EUA) lutam para contratar trabalhadores em meio à escassez de mão de obra

A mudança revolucionária em curso no mercado de trabalho impulsionada pela pandemia de Covid-19 se reflete nos desafios de contratação enfrentados pelas operadoras de cannabis californianas. Saiba mais na reportagem do MJBizDaily, traduzida pela Smoke Buddies

As empresas de maconha na Califórnia (EUA) estão lutando para recrutar e manter trabalhadores qualificados, desde budtenders voltados para o consumidor e motoristas de entregas até especialistas em operações e empacotadores.

Os desafios de contratação refletem os principais problemas do varejo e a mudança revolucionária em curso no mercado de trabalho impulsionada pela pandemia de Covid-19, um impulso para trabalho remoto e flexibilidade e a Grande Resignação em que os funcionários estão voluntariamente deixando seus empregos em massa.

É um cenário que sem dúvida está ocorrendo em outros mercados de cannabis legais pelo estado em todo o país, além da Califórnia.

“No varejo de cannabis nos últimos seis ou sete meses, nunca vi esse tipo de movimento”, disse Jerred Kiloh, dono da loja de cannabis de Los Angeles The Higher Path.

“Algumas pessoas estão um pouco desencantadas com o que o futuro da cannabis da Califórnia realmente se parece.”

Kiloh, que lançou o dispensário há oito anos em Sherman Oaks, disse que não pode pagar “salários enormes” enquanto sua loja luta para competir contra um próspero mercado ilícito, onde “oitavos” (3,5 gramas) de flores são vendidos por apenas US$ 15.

“Todos estão começando a valorizar seu trabalho mais do que estou disposto a pagar”, acrescentou.

“Eles acham que vão voltar ao mercado geral e encontrar mais dinheiro, mas acho que vão ficar rudemente surpresos com o fato de que a maioria dos varejistas está diminuindo, reduzindo seu trabalho e tentando sobreviver”.

A 4Front Ventures, sediada em Phoenix, está tentando formar uma equipe completa para sua fábrica de cultivo e processamento de 15.000 metros quadrados recém-inaugurada na cidade de Commerce, que faz fronteira com LA.

A falta de candidatos de qualidade e taxas de resposta “chocantemente baixas” levaram a operadora multiestadual a reavaliar os salários iniciais e aumentar a remuneração, disse Josh Krane, vice-presidente de operações da 4Front na Califórnia.

Os salários por hora começam acima de US$ 17. Os operadores de máquinas ganham bem mais de US$ 20 por hora, com base na experiência.

Mas a empresa, que contratou cerca de 65 trabalhadores para lidar com a produção em um único turno, ainda tem mais de uma dúzia de vagas, incluindo trabalhos de maquinista, embalagem e logística.

“Tenho contratado pessoas há 20 e poucos anos e nunca foi tão difícil”, disse Krane. “Certamente nunca foi tão difícil com a cannabis.”

Um golpe duplo

O alto custo de vida da Califórnia — especialmente perto da costa — é uma consideração importante para quem procura emprego, que agora tem muitas opções e poder de barganha.

As marcas de cannabis na Califórnia devem oferecer taxas horárias na faixa de US$ 18 a US$ 20 para atrair os melhores candidatos, disse Melita Balestieri, vice-presidente de marketing e desenvolvimento de negócios da Higher Growth, uma agência de recrutamento de cannabis com sede em Sonoma.

“Estamos competindo contra as Best Buys do mundo, as Amazons do mundo, que pagarão mais por trabalhadores iniciantes”, disse Balestieri.

“É um ambiente muito competitivo.”

Várias marcas de cannabis disseram ao MJBizDaily que os candidatos a empregos hoje em dia são mais seletivos do que nunca e acreditam que seu valor é determinado mais por sua produção real do que por seu nível de experiência ou nível salarial anterior.

Alguns sugeriram que a escassez de mão de obra é uma consequência dos cheques de estímulo federais relacionados ao coronavírus distribuídos em 2020 e no início deste ano, bem como programas de benefícios de desemprego da era da pandemia, que terminaram em setembro.

Os programas canalizaram bilhões de dólares para os bolsos dos empregados e desempregados, dando a muitos uma proteção financeira e permitindo que alguns fossem mais exigentes com relação aos empregos e retorno ao trabalho.

“A cannabis não está imune à Grande Resignação ou à rede de bem-estar social que o governo deu em razão da Covid”, disse David Belsky, fundador e CEO da agência de recrutamento e pessoal de cannabis de Manhattan Beach, FlowerHire.

De acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, mais de 4,4 milhões de trabalhadores nos EUA deixaram seus empregos em setembro, o quarto recorde mensal consecutivo.

Os trabalhadores da Califórnia estão liderando o êxodo, empurrando a maior taxa de desemprego do país em outubro para 7,3%, empatada com Nevada. A média nacional foi de 4,6%.

Novembro fechou com mais de 10 milhões de vagas em todo o país, de acordo com a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA.

O governo federal não rastreia empregos relacionados com a cannabis, mas uma pesquisa sobre o fato resultou em mais de 2.400 vagas na Califórnia, variando de trabalhos por hora em budtending e atendimento ao cliente a salários de seis dígitos na produção de eventos e cultivo.

De acordo com o site de cannabis Leafly, com sede em Seattle, a Califórnia tinha quase 58.000 empregos relacionados com a maconha até janeiro de 2021, um aumento de 69% desde 2019, ou cerca de 23.700 empregos.

Embora morar perto do trabalho não seja mais um requisito para muitos empregos, as operações de cannabis são locais por natureza, considerando que a maioria dos empregos está no varejo, processamento, manufatura e cultivo.

Transportadores procurados

Os motoristas, em particular, estão em demanda.

“As maiores lacunas que vi na contratação de mão de obra por hora para empresas de cannabis na Califórnia são os motoristas”, disse Belsky.

A Tradecraft Farms recebeu sua licença de entrega no verão de 2020 para seu dispensário em Vista, cerca de 65 quilômetros ao norte de San Diego. Demorou mais de um ano para contratar quatro motoristas.

Dois foram contratados há alguns meses.

“Não tivemos problemas em manter os motoristas, tivemos problemas em encontrá-los”, disse Christina Tinoco, gerente regional de varejo da Tradecraft.

“Tivemos até que limitar nossas horas para ter um sistema de entrega.”

A competição por motoristas é feroz na Califórnia, visto que o estado é o lar do Uber, Lyft e Instacart, bem como dezenas de fornecedores de entrega de cannabis, incluindo os gigantes Eaze e Caliva.

O Uber e o Lyft, de acordo com observadores da indústria e relatórios de notícias, estão enfrentando uma escassez de motoristas por causa de preocupações relacionadas ao coronavírus.

As empresas têm oferecido bônus generosos para ajudar a preencher suas posições, proporcionando maior concorrência às empresas de cannabis que lutam para contratar motoristas.

A crise é tão severa que a Divisão de Veículos Motorizados da Califórnia anunciou planos no mês passado para dobrar a capacidade de testes de direção comercial para quase 10.000 por mês e aumentar o horário aos sábados.

Novas estratégias e táticas

Para combater a escassez de mão de obra, os operadores de cannabis da Califórnia estão se tornando mais criativos e flexíveis no recrutamento e retenção.

A Tradecraft agora treina novos contratados para cada função em suas lojas em Vista e Port Hueneme, no condado de Ventura, não apenas para evitar monotonia e esgotamento, mas também turbulência na rotatividade.

“Algumas pessoas saíram de uma vez, e isso deixou nossa loja em ruínas”, disse Tinoco.

A empresa também começou a fornecer comissões aos budtenders, que podem ganhar facilmente US$ 1.000 adicionais por mês, acrescentou ela.

A Beyond Hello, que opera dispensários em Santa Bárbara e Palm Springs, desenvolveu um sistema de rastreamento de candidatos que envia as postagens para mais de 150 locais de trabalho.

“Utilizar a tecnologia tem sido muito importante porque torna tudo muito visível na hora”, disse Clifton Lambert, diretor de recursos humanos de varejo da Jushi Holdings, sediada na Flórida, proprietária da Beyond Hello.

Por meio de uma mistura de locais de trabalho, recursos da cidade e agências de emprego locais, feiras de contratação e anúncios de jornal, 4Front obteve sucesso moderado recrutando funcionários descontentes de embaladores e fabricantes de alimentos próximos, bem como trabalhadores que recentemente foram demitidos ou perderam empregos em outras indústrias.

A 4Front chegou até a colocar panfletos procurando trabalhadores em carros estacionados em fábricas de processamento e praças de alimentação nas proximidades.

“Talvez eles estejam esgotados em seu trabalho ou foram rejeitados para aquela promoção”, disse Krane. “Muito poucas pessoas estão vindo até nós de outros operadores de cannabis”.

Imagem de capa: GreenForce Staffing | Unsplash.

Consumo juvenil de maconha diminuiu significativamente em 2021 nos EUA

Pesquisa financiada pelo governo federal dos Estados Unidos revela que houve uma grande queda no uso de cannabis no ano anterior entre alunos da 8ª a 12ª série, apesar de mais leis estaduais de legalização da maconha estarem sendo implementadas em todo o país. As informações foram traduzidas pela Smoke Buddies do Marijuana Moment

O consumo de maconha por jovens “diminuiu significativamente” em 2021, assim como o consumo de substâncias ilícitas por adolescentes em geral, de acordo com uma pesquisa financiada pelo governo federal dos EUA que foi lançada nessa quarta-feira. Isso apesar do fato de que mais leis estaduais de legalização da cannabis estão sendo promulgadas e implementadas em todo o país.

A pesquisa Monitoring the Future (MTF), que acompanha o comportamento e as atitudes dos adolescentes em relação a drogas desde 1975, revelou uma grande queda no uso de cannabis no ano anterior entre os alunos da 8ª, 10ª e 12ª séries.

E embora a pandemia de coronavírus tenha limitado a interação social de uma forma que provavelmente contribuiu para a queda abrupta, os novos dados fornecem mais evidências que apoiam o argumento de que legalizar a maconha para adultos não leva ao aumento do consumo por menores.

Veja como o uso de cannabis no ano anterior mudou para cada categoria de idade de 2020 a 2021:

Alunos da 8ª série: 7,1% relataram uso de maconha no ano passado em 2021, em comparação com 11,4% em 2020
Alunos da 10ª série: 17,3% relataram uso de maconha no ano passado em 2021, em comparação com 28% em 2020
Alunos da 12ª série: 30,5% relataram uso de maconha no ano passado em 2021, em comparação com 35,2% em 2020

O consumo de cannabis ao longo da vida, nos últimas 30 dias e diário entre adolescentes diminuiu de forma semelhante neste ano.

O uso de álcool, vaporização de nicotina e todas as outras drogas ilícitas também “diminuiu significativamente”, constatou a pesquisa, financiada pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA) e conduzida por pesquisadores da Universidade de Michigan.

A queda no uso de cannabis no ano anterior é notavelmente mais acentuada em comparação com o consumo de todas as outras drogas ilícitas.

Nunca vimos diminuições tão dramáticas no uso de drogas entre adolescentes em apenas um ano. Esses dados não têm precedentes e destacam uma consequência potencial inesperada da pandemia de Covid-19, que causou mudanças sísmicas na vida cotidiana dos adolescentes”, disse a diretora do NIDA, Nora Volkow, em um comunicado à imprensa.

“No futuro, será crucial identificar os elementos essenciais do ano anterior que contribuíram para a redução do uso de drogas — seja relacionado à disponibilidade de drogas, envolvimento da família, diferenças na pressão dos pares ou outros fatores — e aproveitá-los para informar os esforços de prevenção futuros”, disse ela.

pesquisa, que envolveu a autorrelato de 32.260 alunos em 319 escolas de fevereiro a junho, é outro exemplo de como a narrativa proibicionista de que a legalização da maconha aumentaria o consumo por jovens não está se sustentando.

“Estas últimas descobertas contribuem para o crescente corpo de literatura científica mostrando que as políticas de regulação da maconha podem ser implementadas de uma maneira que fornece acesso para os adultos, limitando simultaneamente o acesso dos jovens e uso indevido”, disse Paul Armentano, vice-diretor da NORML, em um comunicado à imprensa.

A pesquisa MTF de 2020 também descobriu que o consumo de cannabis entre adolescentes “não mudou significativamente em nenhum dos três graus de uso na vida, uso nos últimos 12 meses, uso nos últimos 30 dias e uso diário, de 2019 a 2020”.

Outro estudo financiado pelo governo federal, a Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde, foi lançado em outubro mostrando que o uso de maconha entre os jovens caiu em 2020 em meio à pandemia de coronavírus e à medida que mais estados se moviam para promulgar a legalização.

Além disso, uma análise publicada pelo Journal of the American Medical Association em setembro descobriu que a legalização tem um impacto geral no consumo de cannabis por adolescentes que é “estatisticamente indistinguível de zero“.

Na verdade, parece que o estabelecimento de certos modelos de regulamentação da cannabis pode realmente levar a uma redução no uso de maconha entre adolescentes sob certas medidas.

A própria Volkow também admitiu em uma entrevista recente que a legalização não aumentou o uso por jovens, apesar de seus temores anteriores. Um relatório federal divulgado em maio também desafiou a narrativa proibicionista sobre o consumo de maconha.

Com relação a esta última pesquisa MTF, o diretor do Escritório de Política Nacional de Controle de Drogas (ONDCP) da Casa Branca, Rahul Gupta, disse que a “administração Biden-Harris está empenhada em usar dados e evidências para orientar nossos esforços de prevenção, por isso é importante identificar todos os fatores que podem ter levado a essa diminuição no uso de substâncias para informar melhor as estratégias de prevenção no futuro”.

“O governo está investindo níveis históricos de financiamento para programas de prevenção baseados em evidências por que atrasar o uso de substâncias até depois da adolescência reduz significativamente a probabilidade de desenvolver um transtorno por uso de substâncias”, disse ele.

O Centro Nacional de Estatísticas da Educação do Departamento de Educação dos EUA também analisou pesquisas de jovens com alunos do ensino médio de 2009 a 2019 e concluiu que não houve “diferença mensurável” na porcentagem daqueles da 9ª a 12ª série que relataram consumir cannabis pelo menos uma vez em nos últimos 30 dias.

Em uma análise anterior separada, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças descobriram que o consumo de maconha entre os estudantes do ensino médio diminuiu durante os anos de pico da legalização da cannabis para uso adulto pelos estados.

Não houve “nenhuma mudança” na taxa atual de uso de cannabis entre estudantes do ensino médio de 2009-2019, descobriu a pesquisa. Quando analisado usando um modelo de mudança quadrática, no entanto, o consumo de maconha ao longo da vida diminuiu durante esse período.

Outro estudo divulgado por autoridades do Colorado no ano passado mostrou que o consumo de cannabis pelos jovens no estado “não mudou significativamente desde a legalização” em 2012, embora os métodos de consumo estejam se diversificando.

Um funcionário da Iniciativa Nacional de Maconha do ONDCP foi ainda mais longe no ano passado, admitindo que, por razões que não são claras, o consumo de cannabis pelos jovens “está diminuindo” no Colorado e em outros estados legalizados e que é “uma coisa boa” mesmo que “não entendamos o porquê”.

Imagem em destaque: Marco Verch / Flickr.

Uso terapêutico da maconha poderia beneficiar mais de 800 mil atletas

Projeção considera que 827 mil atletas, entre profissionais, amadores e eventuais, seriam potenciais usuários de produtos à base de cannabis com fins terapêuticos no Brasil

Fonte: Smoke Buddies

O relatório de mercado Cannabis e Esportes, lançado nesta terça (7) pela empresa Kaya Mind, considera que um cenário de maior aceitação da maconha entre atletas, associações esportivas e profissionais de saúde do país poderia beneficiar 61 mil atletas profissionais, 427 mil amadores e 339 mil eventuais. A classificação de cada um desses perfis vai de acordo com o nível de comprometimento com o esporte, a frequência da prática e a formalidade das competições esportivas (internacionais e nacionais, oficiais e não oficiais). Com diferentes demandas, e regras, para cada perfil, o mercado para atletas poderia movimentar R$ 901,3 milhões no país, dos quais R$ 297,4 milhões seriam arrecadados de impostos.

Com o crescimento de pesquisas científicas a respeito das propriedades terapêuticas da cannabis, diversos países mudaram suas regulamentações para incluí-la como possibilidade de tratamento para uma variedade de condições médicas. Isso também aconteceu no meio do esporte, no qual organizações de renome, como a Agência Mundial Antidoping (Wada), liberaram o uso de CBD, um dos fitocanabinoides da planta, para atletas de alto rendimento mesmo durante as competições. Ainda assim, a classe esportiva no Brasil, tanto profissional quanto amadora, não tem amplo acesso a esses produtos por conta de limitações causadas pelo conservadorismo do setor, pela pouca disseminação do uso medicinal da cannabis entre os profissionais de saúde e pela regulamentação em vigor no país.

As informações apresentadas no relatório foram baseadas em fontes oficiais e balizadas a partir de pesquisas e métricas internas da Kaya Mind. Foram selecionadas 24 modalidades esportivas importantes no Brasil e considerados 15 fatores socioculturais, econômicos, fisiológicos e característicos de cada uma delas para a análise que perpassa pela projeção de consumo médio por pessoa, período de tratamento e valor médio do miligrama do óleo à base de CBD no Brasil. O “Cannabis e Esportes” está disponível para download gratuito.

Foto em destaque: Alesia Kozik / Pexels.

Número recorde de artigos científicos publicados sobre cannabis em 2021

Cientistas em todo o mundo publicaram mais de 3.800 artigos sobre maconha de janeiro a novembro, superando o recorde de publicações sobre a planta do ano passado. Informações da NORML

Via Smoke Buddies

Nos primeiros onze meses de 2021, pesquisadores em todo o mundo publicaram um recorde de 3.800 artigos científicos sobre o assunto cannabis, de acordo com os resultados de uma busca por palavra-chave no site National Library of Medicine / PubMed.gov.

Isso supera o número total de artigos publicados durante todo o ano passado. Em 2020, os cientistas publicaram mais de 3.500 artigos sobre cannabis em periódicos revisados ​​por pares — um total que foi, naquela época, o maior em um único ano.

Leia mais: Artigos científicos sobre cannabis batem recorde em 2020

“Apesar das alegações de alguns de que a maconha ainda não foi submetida a um escrutínio científico adequado, o interesse dos cientistas em estudar a cannabis aumentou exponencialmente nos últimos anos, assim como nossa compreensão da planta, seus constituintes ativos, seus mecanismos de ação e seus efeitos sobre o usuário e sobre a sociedade”, disse o vice-diretor da NORML, Paul Armentano. “É hora de os políticos e outros pararem de avaliar a cannabis pelas lentes do ‘não sabemos’ e, em vez disso, começarem a se envolver em discussões baseadas em evidências sobre a maconha e as políticas de reforma da maconha que são indicativas de tudo o que sabemos.”

Desde 2010, os cientistas publicaram cerca de 27.000 artigos revisados ​​por pares específicos para a cannabis, com o número anual de artigos aumentando a cada ano. Em comparação, os pesquisadores publicaram menos de 3.000 artigos no total sobre a maconha nos anos entre 1990 e 1999 e menos de 2.000 estudos no total durante os anos 80.

Um artigo de 2018 avaliando as tendências nas publicações relacionadas à cannabis concluiu que muito desse aumento no interesse científico é resultado do foco recém-descoberto dos pesquisadores nas atividades terapêuticas da maconha. Os investigadores relataram que o número total de publicações revisadas por pares dedicadas à cannabis medicinal aumentou nove vezes desde o ano 2000.

Ao todo, o PubMed.gov agora cita mais de 38.500 artigos científicos sobre a maconha.

Disponível ao público on-line desde 1996, o PubMed é um recurso gratuito de suporte à pesquisa e recuperação de literatura biomédica e de ciências biológicas.

Foto de capa: Unsplash / Crystalweed.

Certificação promete transformar entusiastas e profissionais da indústria em mestres da maconha

Programa visa expandir a educação sobre a planta e facilitar uma apreciação mais ampla da cannabis artesanal; as aulas presenciais são realizadas no Triângulo Esmeralda, a área de cultivo de cannabis mais famosa da Califórnia. Informações do Denver Post, com tradução Smoke Buddies

Quando você procura um especialista em vinhos, liga para um sommelier. Quando você está procurando um especialista em cerveja, você chama um cicerone. Mas a quem você recorre quando procura um especialista em maconha? (Dica: não é o seu “cara”.)

Entra o Ganjier (pronuncia-se gôn-jeay), um programa de certificação pioneiro que transforma entusiastas e profissionais da indústria em mestres da maconha. Lançado em 2020, o programa visa expandir a educação sobre a substância proibida há muito tempo e facilitar uma apreciação mais ampla da cannabis artesanal no processo.

O diretor-gerente Derek Gilman disse que há uma falta de compreensão sobre — e, portanto, falta de apreciação pela — cannabis de qualidade, uma vez que o mercado legal foi inundado com produtos. Os dispensários costumam definir o preço da maconha com base na quantidade de tetraidrocanabinol, ou THC, contida nela, disse ele, o que prejudica tanto os produtos quanto os consumidores.

Leia também: Especialização em cannabis: a porta de entrada para o mercado canábico

“Minha paixão pessoal é o connoisseurship sobre a cannabis. Eu realmente gosto das ferramentas, das técnicas, você sabe, elevando o prazer da sua experiência com a cannabis. Para mim, não é diferente de pessoas que apreciam um bom vinho ou um bom café ou um bom chocolate”, disse Gilman. “Essas indústrias epicuristas que mencionei — álcool, chocolate, café — não medem a qualidade com base no teor de álcool ou de cafeína. É o aroma, o sabor, a experiência”.

Em setembro, 36 pessoas receberam as certificações após o treinamento inaugural do Ganjier. As inscrições agora estão abertas para a próxima sessão, o que significa que você também pode passar de entusiasta casual a genuíno esnobe de maconha.

Como funciona

O programa Ganjier inclui uma combinação de cursos on-line autoguiados e treinamento presencial antes que os inscritos concluam um teste escrito e dois exames orais. O currículo cobre extensivamente todos os aspectos da maconha, incluindo a história e a ciência da planta, as várias maneiras como ela é cultivada e processada e os métodos modernos de consumo, entre outros tópicos.

Como os programas de sommelier e cicerone, o atendimento ao cliente e a análise sensorial são essenciais para o currículo. O treinamento em serviço se concentra em como os profissionais da cannabis podem ajudar cada consumidor a encontrar o produto adequado para seu gosto e nível de experiência.

Quando se trata de análise sensorial, os aspirantes a Ganjiers aprenderão como saborear corretamente as flores e os concentrados, estudando os terpenos e quebrando outros elementos que afetam o sabor e o aroma. Os alunos também aprendem a avaliar a qualidade dos buds observando a estrutura do tricoma e aprendendo a identificar contaminantes como mofo ou bolor.

Cada inscrito no programa recebe um kit com inaladores de terpeno e flashcards e uma lente de joalheiro de nível profissional para ajudar no estudo em casa, bem como acesso a um aplicativo proprietário que facilita a avaliação. (Para aqueles familiarizados com o Beer Judge Certification Program, o aplicativo é semelhante a uma planilha de pontuação de cerveja.)

“Você não pode avaliar a cannabis sem realmente consumi-la”, disse Gilman. “Semelhante ao sommelier, [os alunos] aprendem as técnicas, mas depois vão para casa e praticam.”

Após as aulas on-line autoguiadas, os participantes do Ganjier se inscrevem para participar de um curso intensivo de dois dias no Triângulo Esmeralda, a área de cultivo de cannabis mais famosa da Califórnia, onde farão um tour por uma fazenda de maconha, aprenderão mais sobre as diretrizes de atendimento ao cliente e praticarão técnicas de análise sensorial em tempo real com um professor.

Depois disso, é hora dos exames. O teste é composto por uma avaliação de conhecimento por escrito, uma avaliação de desempenho de papel que se concentra no atendimento ao cliente de cannabis e uma avaliação de degustação às cegas.

Embora todas essas habilidades sejam valiosas, a certificação em si não é essencial para conseguir um emprego na indústria da cannabis, de acordo com Kelsea Appelbaum, vice-presidente de parcerias para a empresa de recrutamento de cannabis Vangst. E só por que um candidato tem a certificação não garante que ele vai conseguir um emprego, pelo menos não ainda.

“É o tipo de programa que está ganhando força agora, e estamos tentando descobrir se esse é o tipo de certificação ou processo que realmente agregará valor”, disse ela.

Parte da razão é que, como a maconha é regulamentada em nível estadual, os mercados variam amplamente em todo os EUA. A mesma variedade de cannabis cultivada na Califórnia pode ser muito diferente de sua contraparte cultivada em Nova York por causa de como é cultivada e do clima, disse ela, o que representa um desafio na análise.

Appelbaum nunca ouviu falar de uma empresa que exija tal certificação para candidatos a empregos, sejam eles budtenders ou de nível C. Ainda assim, a cannabis é uma indústria nascente que certamente evoluirá à medida que a legalização se espalhar, disse ela.

“Especialmente quando pressionamos pela legalização federal, isso pode mudar”, disse Appelbaum, “mas estamos em um ponto em que há muitas mudanças entre um mercado e outro para padronizar a educação”.

Se o conhecimento de cursos como o programa Ganjier fornece aos candidatos a confiança para falar sobre cannabis, ela acredita que vale a pena prosseguir. Na verdade, Appelbaum disse que pode se inscrever para ter uma ideia do programa e de seu potencial.

Gilman disse que a maioria das pessoas na classe inicial de graduados já está na indústria de maconha, mas que a certificação Ganjier está aberta para aqueles que desejam entrar na indústria também. Ele espera que qualquer pessoa interessada em melhorar a qualidade dos produtos no mercado se envolva.

“O mercado foi inundado com cannabis comercial de grau médio desses grandes produtores com essas enormes estufas comerciais ou grandes cultivos industriais internos. Isso está estrangulando o pequeno agricultor”, disse Gilman. “Sem um mercado que entende a qualidade e sem um mercado que valoriza a qualidade, não haverá um mercado para a cannabis artesanal por muito mais tempo”.

“Essa tem sido minha missão pessoal para salvar o agricultor artesanal”, acrescentou. “Por que se eles forem embora, todos ficaremos presos aos medianos e isso não será divertido para ninguém.”

A inscrição no programa de certificação Ganjier custa US$ 2.997 (R$ 16.400). Acesse ganjier.com para obter mais informações.

Foto de capa: thestonedsommelier.

Ingerir maconha pode te ajudar a conseguir boas noites de descanso?

Existem diferentes tipos de insônia e o uso da maconha, aliado a uma rotina saudável e uma boa higiene do sono, pode te ajudar a dormir de maneira profunda e relaxante. Saiba mais no texto da professora e chef cannábica Lilica

Usar maconha para dormir e relaxar não é nenhuma novidade. Além de aliviar diversas dores, o THC tem efeitos sedativos incríveis, que conseguem deixar a pessoa prontinha para adormecer, ou ao menos facilitar bastante esse processo. Já outros canabinoides, como o CBN e o CBD, nos ajudam controlando outros fatores que nos mantêm acordados à noite, como estresse e ansiedade.

A insônia é um mal comum na vida dos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), a insônia atinge 73 milhões de pessoas no país. E nós sabemos que o sono é essencial para manter a nossa saúde física e mental. Então, se você também sente dificuldades em dormir, saiba que não está sozinho nessa. Mas, espero mesmo que esse texto te ajude. As medicações alopáticas tradicionais em geral perdem a eficácia ao longo do tempo, exigindo doses cada vez maiores e, com isso, incrementando ainda mais os efeitos colaterais.

Por isso, muitas pessoas buscam na maconha um tratamento alternativo, mais eficaz, com poucos ou nenhum efeito colateral, para uma grande variedade de distúrbios do sono.

Leia também: Como colocar maconha na alimentação?

Se você tem algum distúrbio do sono ou está tendo dificuldades para dormir após um dia estressante, a maconha pode ser uma escolha para você. As propriedades analgésicas da maconha podem fornecer algum alívio para quem tem dor crônica, enquanto as propriedades antiansiolíticas podem acalmar a mente e o corpo estressados.

Existem diferentes variedades de maconha, algumas são mais energizantes e outras são calmantes e sedativas. Isso vai depender do equilíbrio dos diferentes canabinoides e terpenos da planta.

Alguns estudos apontam que a ingestão de variedades de maconha com níveis mais altos de THC normalmente reduz a quantidade de sono REM que você obtém. Reduzir o sono REM significa reduzir sonhos — e para aqueles que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) pode significar reduzir pesadelos.

Portanto, a teoria é que se você passar menos tempo sonhando, passará mais tempo em um estado de “sono profundo”. O estado de sono profundo é considerado a parte mais restauradora e repousante do ciclo do sono.

Saiba mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

A maioria das pessoas ingere maconha fumando, com um baseado, cachimbo ou vaporizando. Mas, como eu já expliquei na coluna “Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?”, quando inalamos sentimos os efeitos dos canabinoides por aproximadamente 1h a 1h30. Já quando ingerimos um comestível cannábico os efeitos podem durar de 6 a 12 horas, ou seja, continuarão atuando ao longo de toda a noite, ou boa parte dela.

Lembre-se que cada pessoa reage à maconha de uma forma diferente, é importante você identificar a dosagem aos poucos. A minha dica é que você comece fazendo o uso aos finais de semana, assim consegue testar e não corre o risco de perder a hora para trabalhar.

Se você se sentir muito sonolento ao acordar, pode ter ingerido mais miligramas de THC do que o necessário. Outra coisa que também interfere é o horário que você escolhe para comer sua comida cannábica.

Exagerar pode levar ao torpor (falta de energia) na manhã seguinte, mas em pouco tempo você já saberá quanto precisa ingerir para descansar e acordar no horário correto e com disposição.

Veja também: Terpenos: o que são e como usá-los na culinária cannábica?

Eu recomendo fazer a ingestão do comestível de maconha pelo menos uma hora antes de se deitar, seja uma bala de gelatina, chá com extrato ou um chocolatinho… Também é preciso se lembrar que os efeitos dos comestíveis demoram até 2h para aparecer, já que a metabolização quando comemos é diferente, feita pelo fígado.

Aos poucos você vai se familiarizar com seu tempo pessoal de início da onda e vai conseguir planejar comer no momento adequado, aquele que te ajude a se sentir sonolento e dormir de acordo com sua programação.

Eu pude acompanhar diversos casos de pessoas que fizeram tratamento para curar insônia com a maconha e posso comprovar que de fato é muito eficaz. Inclusive vários alunos do meu curso de culinária cannábica apresentaram melhoras significativas na qualidade do sono depois que começaram a ingerir os comestíveis.

Mas eu sempre faço um grande alerta para as pessoas: é uma grande sacanagem com a maconha colocar nela todo o potencial curativo para qualquer que seja a doença. Precisamos usar a maconha como parte de um cuidado integral com nosso corpo.

Para dormir descansadamente, você deve praticar uma boa higiene do sono e incorporar outros comportamentos que apoiem ​​um estilo de vida que promova um bom sono, como exercícios físicos e boa alimentação.

Espero que tenha curtido o texto e, claro, tenha uma boa noite de sono!