Ingerir maconha pode te ajudar a conseguir boas noites de descanso?

Existem diferentes tipos de insônia e o uso da maconha, aliado a uma rotina saudável e uma boa higiene do sono, pode te ajudar a dormir de maneira profunda e relaxante. Saiba mais no texto da professora e chef cannábica Lilica

Usar maconha para dormir e relaxar não é nenhuma novidade. Além de aliviar diversas dores, o THC tem efeitos sedativos incríveis, que conseguem deixar a pessoa prontinha para adormecer, ou ao menos facilitar bastante esse processo. Já outros canabinoides, como o CBN e o CBD, nos ajudam controlando outros fatores que nos mantêm acordados à noite, como estresse e ansiedade.

A insônia é um mal comum na vida dos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira do Sono (ABS), a insônia atinge 73 milhões de pessoas no país. E nós sabemos que o sono é essencial para manter a nossa saúde física e mental. Então, se você também sente dificuldades em dormir, saiba que não está sozinho nessa. Mas, espero mesmo que esse texto te ajude. As medicações alopáticas tradicionais em geral perdem a eficácia ao longo do tempo, exigindo doses cada vez maiores e, com isso, incrementando ainda mais os efeitos colaterais.

Por isso, muitas pessoas buscam na maconha um tratamento alternativo, mais eficaz, com poucos ou nenhum efeito colateral, para uma grande variedade de distúrbios do sono.

Leia também: Como colocar maconha na alimentação?

Se você tem algum distúrbio do sono ou está tendo dificuldades para dormir após um dia estressante, a maconha pode ser uma escolha para você. As propriedades analgésicas da maconha podem fornecer algum alívio para quem tem dor crônica, enquanto as propriedades antiansiolíticas podem acalmar a mente e o corpo estressados.

Existem diferentes variedades de maconha, algumas são mais energizantes e outras são calmantes e sedativas. Isso vai depender do equilíbrio dos diferentes canabinoides e terpenos da planta.

Alguns estudos apontam que a ingestão de variedades de maconha com níveis mais altos de THC normalmente reduz a quantidade de sono REM que você obtém. Reduzir o sono REM significa reduzir sonhos — e para aqueles que sofrem de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) pode significar reduzir pesadelos.

Portanto, a teoria é que se você passar menos tempo sonhando, passará mais tempo em um estado de “sono profundo”. O estado de sono profundo é considerado a parte mais restauradora e repousante do ciclo do sono.

Saiba mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

A maioria das pessoas ingere maconha fumando, com um baseado, cachimbo ou vaporizando. Mas, como eu já expliquei na coluna “Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?”, quando inalamos sentimos os efeitos dos canabinoides por aproximadamente 1h a 1h30. Já quando ingerimos um comestível cannábico os efeitos podem durar de 6 a 12 horas, ou seja, continuarão atuando ao longo de toda a noite, ou boa parte dela.

Lembre-se que cada pessoa reage à maconha de uma forma diferente, é importante você identificar a dosagem aos poucos. A minha dica é que você comece fazendo o uso aos finais de semana, assim consegue testar e não corre o risco de perder a hora para trabalhar.

Se você se sentir muito sonolento ao acordar, pode ter ingerido mais miligramas de THC do que o necessário. Outra coisa que também interfere é o horário que você escolhe para comer sua comida cannábica.

Exagerar pode levar ao torpor (falta de energia) na manhã seguinte, mas em pouco tempo você já saberá quanto precisa ingerir para descansar e acordar no horário correto e com disposição.

Veja também: Terpenos: o que são e como usá-los na culinária cannábica?

Eu recomendo fazer a ingestão do comestível de maconha pelo menos uma hora antes de se deitar, seja uma bala de gelatina, chá com extrato ou um chocolatinho… Também é preciso se lembrar que os efeitos dos comestíveis demoram até 2h para aparecer, já que a metabolização quando comemos é diferente, feita pelo fígado.

Aos poucos você vai se familiarizar com seu tempo pessoal de início da onda e vai conseguir planejar comer no momento adequado, aquele que te ajude a se sentir sonolento e dormir de acordo com sua programação.

Eu pude acompanhar diversos casos de pessoas que fizeram tratamento para curar insônia com a maconha e posso comprovar que de fato é muito eficaz. Inclusive vários alunos do meu curso de culinária cannábica apresentaram melhoras significativas na qualidade do sono depois que começaram a ingerir os comestíveis.

Mas eu sempre faço um grande alerta para as pessoas: é uma grande sacanagem com a maconha colocar nela todo o potencial curativo para qualquer que seja a doença. Precisamos usar a maconha como parte de um cuidado integral com nosso corpo.

Para dormir descansadamente, você deve praticar uma boa higiene do sono e incorporar outros comportamentos que apoiem ​​um estilo de vida que promova um bom sono, como exercícios físicos e boa alimentação.

Espero que tenha curtido o texto e, claro, tenha uma boa noite de sono!

Afinal, por que a maconha nos faz ter larica?

Pode ficar tranquilo, você não é única pessoa que ataca uma barra de chocolate depois de ingerir maconha. Veja no texto da chef cannábica Lilica, a seguir, por que isso acontece e algumas estratégias para “enganar” a larica

Seja através dos comestíveis, fumando ou vaporizando a ganja, bater aquela larica é muito comum. Claro que, como já falei muitas vezes, cada pessoa reage de uma maneira à maconha, então sempre existem aqueles que não sentem essa fome toda. Mas sempre recebo vários questionamentos do motivo da larica e de como se livrar dela de forma saudável.

Então, nessa coluna de hoje eu quero me aprofundar nesse assunto e apresentar algumas alternativas para driblar a larica. Principalmente para quem quer consumir a maconha, mas sem acabar com tudo o que tem na geladeira e dispensa.

Veja também: Terpenos: o que são e como usá-los na culinária cannábica?

O aumento do apetite é de fato um dos efeitos mais comentados da maconha. E isso não é apenas especulação não, é embasado no famoso estudo de Charles T. Tart de 1971, “On Being Stoned”, onde 150 usuários de maconha foram observados e seus desejos por doces foram anotados por pesquisadores.

Mas o que exatamente está acontecendo com seu corpo — e seu apetite — quando você está chapado(a)?

Por que estou com fome?

Os dois componentes mais comuns da cannabis são canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC). O THC é o componente da cannabis que mais ativa as sensações do nosso cérebro, ou seja, essa molécula é a causa da larica. Os pesquisadores acreditam que há duas razões possíveis para isso.

Primeiro, por que os receptores com os quais o THC interage estão localizados em nosso sistema nervoso central, essencialmente no cérebro e nas partes do cérebro que estimulam o apetite. Ou seja, o THC dispara seu apetite, esteja você com fome ou não. Além disso, depois que você começa a comer chapado a sensação de prazer é muito maior do que se você não estivesse, por isso algumas vezes começar a comer a larica é um caminho sem volta hehehehe

Em segundo lugar, você também está sujeito à famosa “larica” por que a ganja pode ter um impacto sobre um hormônio secretado pelo estômago chamado grelina. Esse hormônio sinaliza ao cérebro que seu corpo está com fome e estimula o apetite. Então já sabe né, essa fome/desejo de comer não é coisa da sua cabeça, a ciência explica…

Quanto vou querer comer?

A quantidade de fome que você vai sentir é diretamente proporcional à quantidade de maconha que ingeriu e como a consumiu. Quando fumamos um baseado, o nível de THC no sangue é muito mais alto, então você acaba tendo mais larica do que se comesse um comestível cannábico. Como os alimentos precisam ser digeridos, qualquer alimento que já esteja em seu sistema vai diminuir a absorção do THC até que finalmente chegue ao cérebro.

Como falei na minha coluna, “Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?”, a inalação pode levar de cinco a dez minutos para fazer efeito, enquanto a ingestão pode levar até duas horas e, em alguns casos, até mais.

Mas se você está procurando uma maneira de controlar sua larica, existe uma opção: controlar a quantidade de THC que você consome. Isso é bem fácil em países onde a erva é legalizada, já que nos dispensários regulamentados pelo estado os produtos são testados em laboratório e rotulados com a quantidade de CBD e THC que possuem.

A pessoa só precisa descobrir a quantidade de THC certa para seu metabolismo, ou seja, encontrar a equação ideal entre dosagem de THC para atingir os efeitos desejados sem desencadear uma larica desenfreada.

Só que essa não é a realidade brasileira, por isso precisamos descobrir alternativas de suprir a larica sem sobrecarregar nosso metabolismo com alimentos supercalóricos e pouco nutritivos.

Então, o que devo comer quando chegar a larica?

Como já falei, vários estudos já mostraram que a maconha tende a aumentar a sensação de prazer que os alimentos nos proporcionam.

O nosso cérebro adora gorduras, sais e açúcares com alto teor calórico. E liberamos dopamina em resposta a esses alimentos mais do que qualquer outra coisa. É por isso que quando chega a fome, você está sempre pegando aquela barra de chocolate, saco de batata frita ou fatia de pizza.

Idealmente, você deve comer frutas, legumes, vegetais e grãos. Mas, para satisfazer os desejos induzidos pela cannabis, tente escolher opções mais saudáveis ​​que ainda tenham açúcares ou sais, como barra de cereais, biscoitos de arroz ou granola. Você também pode assar as batatas ao invés de fritá-las.

Muitas vezes quando estamos chapados parece impossível parar de comer. Por isso é importante se precaver e deixar disponível algumas opções de laricas saudáveis. Assim, você evita cair na tentação de escolher alimentos mais calóricos toda hora.

Saiba mais: Como colocar maconha na alimentação?

Eu que já tenho uma carreira de mais de 22 anos consumindo maconha, elaborei minhas estratégias. Mas quis saber quais as artimanhas usadas pelo público, por isso fiz uma enquete no Instagram para validar algumas alternativas mais utilizadas pelos maconheiros e maconheiras desse Brasil.

Aqui vai uma lista das sugestões que mais apareceram:

  • Beber água
  • Sucos naturais de frutas
  • Refrigerantes sem açúcar
  • Café, chás e chimarrão para aquecer
  • Frutas frescas ou secas (uva passa, damasco…)
  • Iogurte natural
  • Castanhas e amêndoas
  • Granola
  • Palitinhos de legumes como cenoura, salsão, palmito
  • Pipoca salgada
  • Barras de proteínas
  • Fumar outro hehehe

Quem está em dieta restritiva de calorias deve controlar a quantidade ingerida, porque mesmo que sejam alternativas mais saudáveis, elas ainda contêm calorias. Por isso eu também recomendo que você adote a prática de uma atividade física para equilibrar a ingestão e consumo dessas calorias, mas também como forma de se distrair, retirar o foco da larica e se sentir bem.

Aliás, eu gosto de treinar quando estou chapada. Acho que é um ótimo momento para se exercitar, porque meu humor fica mais leve, a cabeça esvazia dos problemas e consigo me entusiasmar mais no treino.

Distrair-se também é uma estratégia para enganar a larica. Mas se você não quer se dedicar a um hobby ou não pode se exercitar, sair de casa e apenas fazer algo para se distrair também serve para dar uma tapeada na vontade de comer. Vá a uma livraria passar a tarde folheando livros, faça um passeio num parque local, fume um numa praça. Esforce-se para ficar longe da geladeira e armários de alguma forma, porque em casa ao lado deles é bem difícil não sucumbir.

No meu feed do Instagram tem mais informações sobre esse assunto, então se não me segue ainda, já aproveita e clica aqui.

Espero que tenha curtido a leitura e que as estratégias sirvam aí também. Até a próxima!

Texto e imagem de capa: Lilica.

Copa de Culinária Cannábica: o reality show que coloca maconha no prato

Terceira edição da competição começa no fim de setembro, entre os alunos do curso da cozinheira cannábica Lilica

É com muita alegria e orgulho que hoje na coluna vou contar um pouco pra vocês o que é a Copa de Culinária Cannábica, uma competição culinária muito mais que especial. Tenho certeza que você já assistiu a todos os tipos de realities shows possíveis e imagináveis, muitos deles relacionados à comida.

Mas o que talvez tu ainda não saiba é que aqui mesmo no Brasil acontece uma competição de culinária cannábica, onde todos os preparos levam maconha. Desde as entradas, pratos principais, sobremesas e drinques, tudo o que você pode imaginar tem alguma extração ou infusão cannábica. A terceira edição começa no dia 28 de setembro e vai até dia 2 de outubro, sempre às 20h, pelo meu canal no YouTube. A escolha dos finalistas e do grande vencedor é feita pelo público e aqui você se inscreve para assistir e votar de forma rápida, não demora nem trinta segundos.

A competição — bem divertida e amigável — acontece entre os alunos e alunas do meu curso de culinária cannábica, que colocam em prática tudo aquilo que aprenderam nas aulas e também nas nossas conversas diárias na comunidade do Telegram.

Leia mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Sempre falo da importância de colocar maconha na alimentação de maneira segura e correta e ir aumentando o consumo à medida em que for se sentindo mais confiante. Eu bato muito nessa tecla no meu curso de culinária cannábica também, por isso que cada aluno meu sabe exatamente a dose certa para seu consumo diário.

Eu me encho de orgulho deles, porque cada um sugere os pratos que vai fazer e mandam sempre muito bem. No meu canal do Youtube tem uma playlist com os vídeos da última edição, então é só ir até lá pra ver que eu não estou mentindo. É cada prato maravilhoso que sai.

A Copa também conta com a participação de comentaristas da cena cannábica, que além de trocar ideia com a gente durante os preparos, também sofrem comigo e enchem a boca d’água, querendo devorar as laricas.

A decisão de quem passa de fase, dos finalistas e vencedor(a) é feita por você, através do grupo aberto que temos no Telegram. Ao final de cada etapa uma enquete é aberta por lá e você deixa o voto no seu prato e participante favorito. Por lá eu também sempre divulgo vídeos, conteúdos, aviso das lives que vão rolar… Se tu ainda não faz parte, é só clicar aqui.

E como toda competição, a nossa não poderia deixar de ter prêmios, né. Então todos os participantes vão levar um presentinho surpresa, mas tem prêmio especial para os três primeiros colocados:

3º lugar: avental e boné

2º lugar: avental e boné

1º lugar: camiseta ou vestido, avental e boné.

Todas essas peças são da minha coleção exclusiva e você também pode comprar, clicando aqui.

Estou muito ansiosa para a Copa de Culinária Cannábica chegar logo e conto com a sua participação e torcida. Confira aqui como foi a final da última edição.

Imagem de capa: Lilica 420.

Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Saber dosar faz parte da redução de danos na hora do consumo de uma receita com maconha. Saiba mais no texto da chef Lilica 420

“Ninguém nunca morreu de overdose de cannabis” é uma frase que sempre repito para meus alunos e todas as pessoas interessadas em aprender sobre culinária cannábica. Mas, logo na sequência, faço o alerta de que os efeitos de um consumo exagerado podem ser bastante desagradáveis, principalmente pra pessoas que nunca tenham tido contato com maconha na vida.

Aposto que você já deve ter escutado alguma história de alguém que comeu alguma comida cannábica e a onda bateu muito forte, algumas pessoas inclusive sentem as “bad trips”. Espero que nunca tenha passado por essa experiência, porque de fato esses relatos são mais comuns do que se imagina.

Mas não precisa se preocupar, essa situação não tem relação com a forma de consumo, mas sim com a quantidade consumida. Quando falamos de cannabis, a maneira mais fácil de ultrapassar a dosagem é através dos comestíveis. Já que os efeitos demoram a aparecer, as pessoas acham que não bateu e aí acabam ingerindo mais.

Ou então, quando você até sabe que a infusão está potente, mas a comida está tão gostosa que não consegue parar de comer… E aí, quando a onda bate, pode ser tarde demais, e a ingestão já pode ter sido exagerada.

Por isso precisamos começar aos poucos e ir aumentando a dose gradativamente. Até que um dia você consiga determinar qual é a dosagem ideal para você. Inclusive, também sempre gosto de lembrar que as pessoas reagem de forma diferente à maconha, têm metabolismos diferentes… Então, a minha dose jamais será a mesma de uma pessoa que fumou algumas vezes só ou de alguém que nunca tenha fumado.

Os principais sintomas de sobredose do consumo de cannabis podem ser: taquicardia, boca seca, lentidão, sonolência e, em casos extremos, crises de ansiedade.

O melhor antídoto para isso é se distrair, lembrando sempre que os efeitos em breve vão sumir. Caso tenha exagerado no consumo, beba água, faça um exercício leve, leia um livro, converse com um amigo, assista a um filme ou então vá se deitar e tentar dormir, tendo a certeza de que no dia seguinte não vai acordar com ressaca alguma.

Mas afinal, por que é tão complicado determinar a dosagem ideal de um comestível cannábico?

Por que a potência do comestível depende diretamente da potência da erva utilizada antes da descarboxilação. Diferentes cepas possuem diferentes concentrações de canabinoides. E até a mesma “strain” (genética) cultivada em condições e ambientes diferentes pode ter potências distintas.

Além disso, outro fator importante são as condições gerais de saúde de cada pessoa. A forma como eu me alimentei durante o dia, como estou consumindo e a minha tolerância também interferem na determinação da dosagem ideal. Vou dar um exemplo: se eu não consegui comer nada no dia e faço a primeira refeição cannábica, a onda vai bater muito mais intensamente do que se eu tivesse me alimentado.

Então, a minha maior dica quando o assunto é dosagem é: comece devagar, seja paciente e vá aumentando a dosagem progressivamente. Lembre-se que os efeitos dos comestíveis demoram em média de 30 minutos a 2 horas para começar a aparecer.

Cada pessoa reage à maconha de uma forma diferente. Basta observar uma roda de fumo, onde alguns ficam muito falantes, outros introspectivos, outros com muita larica, outros ansiosos e neuróticos. Uma pessoa que nunca ingeriu maconha deve começar com uma dosagem mínima de 2,5 mg diários e ir aos poucos incrementando a dose até atingir os resultados desejados.

Eu montei uma ferramenta pra ajudar você a calcular a concentração de THC usada nas receitas, é a calculadora de dosagem. Acesse gratuitamente clicando aqui.

Nessa calculadora, é possível determinar a dose de cada uma das porções que você vai preparar, considerando a potência da erva utilizada para fazer a infusão e a quantidade de infusão usada no preparo da receita. E nunca se esqueça de que não existe ninguém melhor do que você para definir a dose, levando em conta as suas experiências pessoais. Eu sei que tem gente que às vezes quer ir na onda e provar um ponto, mostrar que aguenta… Não se deve fazer isso na culinária cannábica, justamente por que a ideia dessa forma de consumo é trazer experiências incríveis e positivamente memoráveis.

Agora que você já sabe como calcular a potência dos teus comestíveis, eu quero ver teus preparos. Poste as fotos e vídeos marcando o @lilica.420. No meu canal do Youtube você encontra o vídeo onde eu explico um pouco mais sobre a dosagem dos comestíveis. Já aproveita pra assistir e também fazer a sua inscrição:

Saiba mais: Como colocar maconha na alimentação?

Imagem de capa: Lilica 420.

Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?

Três fatores elementares influenciam nos efeitos da combustão e da ingestão de maconha: a metabolização, a velocidade e a duração da onda. Entenda mais no artigo da chef e professora Lilica, especialista em culinária com cannabis

Há alguns dias li, uma frase de autor anônimo que me fez sorrir: “A cannabis está para as plantas assim como o cachorro está para os animais”. Quem já me conhece sabe que eu amo maconha e amo cachorros (tanto que tenho cinco). Essa analogia deixa bem evidente a relação íntima e milenar que a humanidade desenvolveu com a nossa amada planta.

Existem indícios de que já consumíamos maconha há pelo menos 12 mil anos, na Ásia e Oriente. Ela era usada tanto para fins medicinais quanto sociais, além de cerimônias religiosas.

A utilização da cannabis em forma de alimento foi rapidamente popularizada naquela região. Tanto que, ainda hoje, é bastante comum encontrar por toda a Índia pequenas lojas onde é possível tomar um saboroso Bhang Lassi, bebida com leite infusionada com cannabis e várias especiarias.

Aqui no Ocidente foram nos baseados, blunts, pipes, bongs e vaporizadores que o uso da maconha mais se disseminou, talvez pela facilidade em consumir desta forma e, muito provavelmente, pelo caráter marginalizado que se deu à maconha desde o começo da campanha proibicionista. Afinal de contas, sabemos que aqui no Brasil não existem estabelecimentos legais onde se pode usar maconha.

Mas, com a regulamentação e legalização em diversos países, o consumo dos comestíveis cannábicos está em amplo crescimento. Diversas empresas estão fazendo grandes investimentos nessa indústria e, ao visitar lugares onde esse mercado já é uma realidade, é possível encontrar uma gama enorme de comestíveis com maconha.

E aí talvez você se pergunte por que isso está rolando, já que tem muita gente que fuma e nunca nem sequer pensou em comer maconha. E é claro que existem respostas para esta pergunta. A grande verdade é que a culinária cannábica é uma excelente forma de consumir maconha, reduzindo os danos gerados pela combustão e inalação da fumaça. Sendo assim, a forma de consumo ingerida é mais atraente para usuários que não podem ou não gostam de fumar, além de ser mais discreta e fácil de consumir, o que acaba normalizando o uso e desmistificando diversos preconceitos.

Já vi muitos casos de pessoas que nunca tinham chegado perto de maconha na vida, tinham uma ideia totalmente errada, mas se permitiram experimentar comestíveis e mudaram a cabeça. Mas, você sabe quais as principais diferenças entre inalar e ingerir a cannabis na forma de alimentos?

Então bora lá, existem três fatores elementares: a metabolização, a velocidade e a duração da onda.

Em primeiro lugar, quando fumamos um baseado, os canabinoides são metabolizados pelo nosso pulmão. Eles atravessam os alvéolos pulmonares, entram na circulação e atingem o cérebro em minutos. Mas quando ingerimos o famoso brisadeiro, por exemplo, a metabolização dos canabinoides é feita pelo fígado. Ou seja, antes de absorvê-los, nós precisamos fazer o processo digestivo, para que só depois eles alcancem o nosso fígado.

Aí já fica evidente a segunda diferença entre comer e fumar, que é a velocidade em que sentimos os efeitos. Quando nós damos aquele primeiro tapa no beck, a onda aparece em minutos, bem rapidinho. Mas quando comemos o brisadeiro, os primeiros efeitos podem demorar, no mínimo, trinta minutos para aparecer. Em alguns casos, a pessoa só começa a sentir os efeitos depois de duas horas, duas horas e meia. É lógico que isso varia de pessoa pra pessoa, depende do metabolismo, dosagem, da tolerância e até mesmo de como a pessoa se alimentou naquele dia.

Nesse quesito, até parece que os comestíveis ficam em desvantagem, né? Mas antes do veredito final, devemos considerar a terceira grande diferença, que é a duração da onda. Quando fumamos maconha, os efeitos duram por volta de 1 hora e meia. Mas, ao nos alimentarmos com maconha, os efeitos podem durar de 6 a 12 horas. E existe uma explicação científica pra isso.

O THC (delta-9-THC) é uma molécula formada por 9 partículas. Ao ser metabolizado pelo nosso fígado, a estrutura molecular do THC recebe mais uma molécula de oxigênio e uma de hidrogênio. Isso leva a criação do 11-Hidroxi-THC, um metabólito muito ativo em termos farmacológicos, conhecido por seus efeitos sedativos e psicoativos.

Ou seja, o que acontece é que o THC acaba se transformando em uma molécula maior, o que faz com que o nosso metabolismo demore mais para absorver, processar e eliminar. Isso acaba sendo uma das grandes vantagens de consumir maconha em forma de alimentos, principalmente nos casos medicinais, em que a pessoa precisa de um efeito prolongado dos benefícios dos canabinoides.

E com certeza também agrada às maconheiras e maconheiros mais antigos que nem eu, que querem ter brisas mais intensas e duradouras, mas sofrem com a resistência. Então, agora que você já sabe as diferenças e benefícios dessa forma de consumo, que tal se aventurar na cozinha? No meu Instagram e no meu canal do Youtube existem várias dicas, receitas e informações a respeito da culinária cannábica — e no meu curso on-line explico tudo isso e mais.

Bora colocar a maconha no prato?

Imagem de capa: Lilica 420.