Afinal, o que é a tintura cannábica?

Além dos preparos cannábicos, as tinturas são extratos concentrados de ervas feitos pela imersão da casca, frutos, folhas (secas ou frescas) ou raízes de uma ou mais plantas, em uma base geralmente alcoólica. Saiba mais no artigo da chef Lilica 420, a seguir

As pessoas sempre ficam curiosas para saber: “O que será que a Lilica pinga na sua bebida durante as lives?”. Eu sempre respondo que é a minha infusão favorita, o extrato cannábico. Então já está na hora de escrever sobre a tintura e ensinar a fazer, então vamos lá…

A tintura é um extrato concentrado de ervas. No mundo da cannabis, isso significa que é um extrato de maconha rico em canabinoides, bastante conhecido como “Green Dragon”. Geralmente, as tinturas de cannabis são feitas de álcool, mas também podem ser feitas com glicerina para evitar os efeitos intoxicantes do álcool.

As tinturas são uma excelente forma de consumo com a redução de danos da inalação da fumaça. Na verdade, as tinturas eram a principal forma de medicamento à base de cannabis até os Estados Unidos promulgarem a proibição da cannabis em 1937.

Algumas tinturas são feitas para serem ingeridas, enquanto outras são feitas para usarmos de forma tópica na pele. A diferença está em como a tintura foi feita. Se você fizer sua tintura com alguma bebida destilada ou álcool de cereais comestível, os fins serão para ingestão oral ou alimentar. Se você utilizar álcool isopropílico ou qualquer outra base alcoólica que não seja segura para ingestão, então você está fazendo uma tintura tópica que deve ser aplicada na pele em vez de ser adicionada às receitas, drinks ou uso sublingual.

Leia também: Terpenos: o que são e como usá-los na culinária cannábica?

No mercado brasileiro há uma regulamentação que proíbe a venda de destilados com concentração alcoólica superior a 54%. Por isso, eu sempre recomendo que a tintura seja feita com álcool de cereais, se não houver restrição com relação à ingestão de álcool. O álcool de cereais possui uma graduação INPM de 93,7 a 96,9, ou seja, com ele consigo extrair o máximo de canabinoides que a planta oferece. Isso quer dizer uma tintura de melhor qualidade e concentração.

Se houver qualquer tipo de restrição quanto à ingestão alcoólica, eu sugiro utilizar a glicerina para preparar sua tintura. A glicerina é uma solução à base de plantas que é ótima para tintura. Embora a glicerina seja um ótimo veículo para tinturas, seu potencial de extração é menor que o do álcool de cereais. Portanto, é melhor fazer sua tintura com álcool e em seguida adicionar glicerina. Se quiser que a tintura de glicerina seja mais forte, você pode evaporar um pouco do álcool e adicionar glicerina em seu lugar.

Nunca se esqueça: Segurança em primeiro lugar!

preparação de tinturas envolve o uso de álcool altamente inflamável. Aqui estão algumas etapas para tornar o preparo da tintura o mais tranquilo possível:

  1. Sem chamas abertas, isso significa não fumar por perto. Mesmo uma pequena faísca pode ser suficiente para criar um grande incêndio nas condições certas;
  2. O álcool é extremamente volátil e seus vapores podem ocasionar acidentes se você estiver utilizando um fogão a gás. Para o preparo em banho-maria eu recomendo o uso de fogão ou panela elétricos;
  3. Garanta uma boa ventilação: como falei, o álcool produz vapores que podem ser facilmente inflamados quando se acumulam. Se você mantiver a área bem ventilada, a concentração de vapores inflamáveis no ar permanece baixa o suficiente para que ele não entre em combustão. Em outras palavras, certifique-se de que haja ar novo e limpo em sua área de cozimento para evitar acidentes com chamas.
  4. Mantenha um extintor de pó químico à mão: contanto que você siga as regras acima, você estará bem para fazer suas próprias tinturas com tranquilidade. No entanto, é sempre uma boa ideia estar preparado.

Como fazer a tintura?

Para preparar sua tintura você deve tomar as precauções citadas acima e fazer o preparo em banho-maria. No meu Ebook eu mostro o passo a passo e ainda te dou uma receita de balinhas de gelatina preparadas com tintura, uma excelente forma de dosar o seu consumo.

Mas você também pode escolher outra forma de preparo. A maneira mais segura é utilizando o método a frio, que deve ser feito da seguinte maneira:

  1. Adicione 10 g de maconha descarboxilada em um frasco de vidro ou pote de conservas e acrescente cerca de 300 ml de álcool no frasco. Feche bem o frasco.
  2. Coloque o frasco em um local fresco e escuro por cerca de 1 mês (se quiser pode deixar mais tempo também), lembre-se de eventualmente chacoalhar o frasco para misturar os ingredientes e potencializar a extração.
  3. As tinturas de álcool duram vários anos se forem mantidas em uma garrafa de vidro âmbar na geladeira. A coloração âmbar evita que a luz degrade os canabinoides na sua infusão. Já as de glicerina duram seis meses na geladeira.
  4. Agora é só armazenar na geladeira e bom uso!

Quais os benefícios de se utilizar a tintura cannábica?

As tinturas são uma forma muito discreta de fazer a ingestão dos canabinoides. Consumir uma tintura permite evitar o cheiro da fumaça enquanto desfruta de todos os benefícios da cannabis. Também é superfácil de levar a qualquer lugar, dentro de um pequeno frasco conta-gotas.

Se ingerida em alguma receita ou drink, os efeitos podem demorar 1 hora ou mais para aparecer. Já se for ingerida de forma sublingual, os efeitos podem ser sentidos em apenas 15 minutos.

Como faço para tomar a minha tintura cannábica?

Normalmente a tintura de cannabis é administrada de forma sublingual (colocando algumas gotas debaixo da língua). Quando tomada dessa forma, logo é absorvida pela nossa artéria carótida e distribuída na nossa corrente sanguínea. Dito isso, você sempre pode engolir a tintura em uma bebida ou comida, mas ela será absorvida mais lentamente e metabolizada pelo fígado.

Algumas pessoas comentam que sentem uma sensação de queimação embaixo da língua após algumas gotas de tintura — o álcool de alta graduação usado para fazer a tintura é o responsável por isso. Se a tintura queimar sob sua língua e você estiver procurando por uma opção diferente, pode obter uma tintura à base de glicerina ou incorporá-la a uma bebida, ou até mesmo em um pouco de mel.

É isso pessoal, espero que tenham curtido a leitura e tenho um pedido para fazer.

Leia mais:

Copa de Culinária Cannábica: o reality show que coloca maconha no prato

Foto em destaque: Lilica 420.

Copa de Culinária Cannábica: o reality show que coloca maconha no prato

Terceira edição da competição começa no fim de setembro, entre os alunos do curso da cozinheira cannábica Lilica

É com muita alegria e orgulho que hoje na coluna vou contar um pouco pra vocês o que é a Copa de Culinária Cannábica, uma competição culinária muito mais que especial. Tenho certeza que você já assistiu a todos os tipos de realities shows possíveis e imagináveis, muitos deles relacionados à comida.

Mas o que talvez tu ainda não saiba é que aqui mesmo no Brasil acontece uma competição de culinária cannábica, onde todos os preparos levam maconha. Desde as entradas, pratos principais, sobremesas e drinques, tudo o que você pode imaginar tem alguma extração ou infusão cannábica. A terceira edição começa no dia 28 de setembro e vai até dia 2 de outubro, sempre às 20h, pelo meu canal no YouTube. A escolha dos finalistas e do grande vencedor é feita pelo público e aqui você se inscreve para assistir e votar de forma rápida, não demora nem trinta segundos.

A competição — bem divertida e amigável — acontece entre os alunos e alunas do meu curso de culinária cannábica, que colocam em prática tudo aquilo que aprenderam nas aulas e também nas nossas conversas diárias na comunidade do Telegram.

Leia mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Sempre falo da importância de colocar maconha na alimentação de maneira segura e correta e ir aumentando o consumo à medida em que for se sentindo mais confiante. Eu bato muito nessa tecla no meu curso de culinária cannábica também, por isso que cada aluno meu sabe exatamente a dose certa para seu consumo diário.

Eu me encho de orgulho deles, porque cada um sugere os pratos que vai fazer e mandam sempre muito bem. No meu canal do Youtube tem uma playlist com os vídeos da última edição, então é só ir até lá pra ver que eu não estou mentindo. É cada prato maravilhoso que sai.

A Copa também conta com a participação de comentaristas da cena cannábica, que além de trocar ideia com a gente durante os preparos, também sofrem comigo e enchem a boca d’água, querendo devorar as laricas.

A decisão de quem passa de fase, dos finalistas e vencedor(a) é feita por você, através do grupo aberto que temos no Telegram. Ao final de cada etapa uma enquete é aberta por lá e você deixa o voto no seu prato e participante favorito. Por lá eu também sempre divulgo vídeos, conteúdos, aviso das lives que vão rolar… Se tu ainda não faz parte, é só clicar aqui.

E como toda competição, a nossa não poderia deixar de ter prêmios, né. Então todos os participantes vão levar um presentinho surpresa, mas tem prêmio especial para os três primeiros colocados:

3º lugar: avental e boné

2º lugar: avental e boné

1º lugar: camiseta ou vestido, avental e boné.

Todas essas peças são da minha coleção exclusiva e você também pode comprar, clicando aqui.

Estou muito ansiosa para a Copa de Culinária Cannábica chegar logo e conto com a sua participação e torcida. Confira aqui como foi a final da última edição.

Imagem de capa: Lilica 420.

Terpenos: o que são e como usá-los na culinária cannábica?

Os terpenos são compostos aromáticos produzidos naturalmente, são eles que criam o perfume característico de muitas plantas, como a maconha, o pinho e a lavanda. Entenda mais no artigo da chef cannábica Lilica

Da mesma maneira que em outras plantas e flores de cheiro forte, o desenvolvimento de terpenos na cannabis começou para fins adaptativos. Sua principal função é proteger a planta dos herbívoros e também atrair insetos polinizadores.

Os terpenos estão presentes em toda a planta: folhas, frutas e flores, caules, galhos e também nas raízes.
Existem muitos fatores que influenciam o desenvolvimento de terpenos de uma planta, incluindo clima, tempo, idade e maturação, fertilizantes, tipo de solo e até mesmo a hora do dia. A fragrância da maioria das plantas é devida a uma combinação de terpenos.

De maneira geral, do ponto de vista da planta, os terpenos fornecem proteção natural contra bactérias, fungos, insetos e outras ameaças ambientais. Já do nosso ponto de vista de humanos, os terpenos têm efeitos benéficos para a saúde, tanto na cannabis como em outras plantas.

Já foram identificados mais de 140 terpenos na cannabis. Além de dar a cada variedade de maconha seu aroma e sabor únicos, esses hidrocarbonetos orgânicos também têm um papel determinante em como uma determinada variedade faz você se sentir, assim como nas características terapêuticas da planta.

Os terpenos interagem com os canabinoides* e são essenciais para o que os cientistas chamam de “efeito comitiva”, que significa nada mais do que todos os componentes atuando conjuntamente para potencializar os efeitos medicamentosos da planta.

Isso significa essencialmente que a soma das partes da planta de cannabis é maior do que qualquer canabinoide isolado ou terpeno. O poder do efeito comitiva é uma das razões pelas quais eu sempre prefiro as infusões full spectrum, ou seja, feita com todos os componentes da maconha. É assim que faço meu óleo, manteiga, extrato e também tópicos.

Leia mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Ainda temos muito a aprender sobre como os terpenos e os canabinoides interagem para fornecer benefícios médicos. As pesquisas sobre cannabis e terpenos progridem cada vez mais, por isso elas estão mudando muito aquilo que costumávamos pensar sobre a maconha.

Tradicionalmente, costumava-se classificar a cannabis em grandes categorias de indica, sativa e híbrida. E era comum dizer que as indicas eram melhores para relaxar e dormir, enquanto as sativas eram mais enérgicas e criativas.

Mas a ciência e a pesquisa descobriram agora que os perfis de canabinoides e terpenos de qualquer variedade são o que realmente causa seus efeitos e também são melhores indicadores do que esperar de uma determinada variedade. Cada uma tem uma combinação única de terpenos e canabinoides, além dos compostos chamados flavonoides. Isso é, se você deseja aliviar os sintomas da depressão, reduzir a inflamação ou aumentar o fluxo de ar para os pulmões, deve procurar a variedade cujos terpenos tenham essas propriedades.

Ao escolher qual maconha cultivar, é fundamental entender as propriedades dos terpenos para a saúde, para que você possa selecionar uma variedade que atenda às suas necessidades. Aqui abaixo estão alguns exemplos de condições comuns e que tipo de terpenos são mais indicados:

Neurodegeneração: linalol
Tratamento da insônia: mirceno e linalol
Reduzir o inchaço: humuleno, limoneno, linalol e mirceno
Reduzir a ansiedade: limoneno e linalol
Controle da dor: mirceno, limoneno e linalol

É tudo meticuloso e científico e muitos especialistas preveem que este é o futuro do uso medicinal da maconha, pois não apenas podem ser feitas misturas para tratar sintomas específicos, como podem ser produzidos exatamente os mesmos resultados, lote após lote.

Muitos, se não a maioria, dos terpenos que você obtém nos óleos e concentrados são, na verdade, extratos botânicos de diversas plantas, e não de cannabis. Por quê? Por que são muito mais baratos de produzir. Mas independentemente de qual espécie de planta os terpenos se originam, eles ainda carregam os mesmos aromas e propriedades médicas, isso é, são exatamente a mesma molécula.

Os aromas e sabores da cannabis na culinária podem ser uma ajuda ou um obstáculo. Na maioria dos casos, os cozinheiros tentam torná-los menos proeminentes, pois a maioria das pessoas realmente não gosta do sabor da cannabis herbal em sua comida.

Os chefs usam há muito tempo terpenos derivados de outras plantas, na forma de óleos essenciais comestíveis, por seus sabores intensos, mas totalmente naturais. Da mesma forma, era natural que os profissionais da culinária entrando na arena da cannabis tirassem proveito desses compostos importantes na planta da cannabis também.
Aqui é importante fazer um alerta, nem todo o óleo essencial ou terpeno isolado é comestível, então tenha cuidado na escolha quando desejar fazer essa complementação nas receitas. Mas você pode tranquilamente harmonizar seu comestível com outras ervas, temperos e frutas, fazendo assim uma complementação 100% natural.

Veja também: Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?

Antes o principal objetivo de fazer comestíveis costumava ser esconder o sabor da cannabis. Agora, chefs inovadores estão fazendo exatamente o oposto e incorporando a planta em suas receitas, escolhendo cuidadosamente variedades com base em seus terpenos dominantes. Isso eleva o papel da cannabis nos alimentos, além de servir como veículo para transportar uma dose medicamentosa para o mundo da alta gastronomia.

Essa filosofia considera a maconha como ingrediente de sabor, além de seus efeitos medicinais ou psicoativos. Por exemplo, uma variedade de maconha rica em alfa-pineno pode ser combinada em um prato temperado com alecrim, uma erva que também é rica neste terpeno. Ou um prato de manga pode ser combinado com uma variedade de maconha que é rica em mirceno, já que ambos compartilham este terpeno.

Por esta razão, para obter o máximo benefício e sabor dos seus comestíveis cannábicos, use e abuse dos terpenos! Lembre-se de que quanto mais cheiro, maior é a potência.

Aqui dei um exemplo de uma receita que fiz usando óleos essenciais. Nesse outro post, eu preparei um infográfico sobre os principais canabinoides.

Foto em destaque: Divulgação | Lilica 420.

Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Saber dosar faz parte da redução de danos na hora do consumo de uma receita com maconha. Saiba mais no texto da chef Lilica 420

“Ninguém nunca morreu de overdose de cannabis” é uma frase que sempre repito para meus alunos e todas as pessoas interessadas em aprender sobre culinária cannábica. Mas, logo na sequência, faço o alerta de que os efeitos de um consumo exagerado podem ser bastante desagradáveis, principalmente pra pessoas que nunca tenham tido contato com maconha na vida.

Aposto que você já deve ter escutado alguma história de alguém que comeu alguma comida cannábica e a onda bateu muito forte, algumas pessoas inclusive sentem as “bad trips”. Espero que nunca tenha passado por essa experiência, porque de fato esses relatos são mais comuns do que se imagina.

Mas não precisa se preocupar, essa situação não tem relação com a forma de consumo, mas sim com a quantidade consumida. Quando falamos de cannabis, a maneira mais fácil de ultrapassar a dosagem é através dos comestíveis. Já que os efeitos demoram a aparecer, as pessoas acham que não bateu e aí acabam ingerindo mais.

Ou então, quando você até sabe que a infusão está potente, mas a comida está tão gostosa que não consegue parar de comer… E aí, quando a onda bate, pode ser tarde demais, e a ingestão já pode ter sido exagerada.

Por isso precisamos começar aos poucos e ir aumentando a dose gradativamente. Até que um dia você consiga determinar qual é a dosagem ideal para você. Inclusive, também sempre gosto de lembrar que as pessoas reagem de forma diferente à maconha, têm metabolismos diferentes… Então, a minha dose jamais será a mesma de uma pessoa que fumou algumas vezes só ou de alguém que nunca tenha fumado.

Os principais sintomas de sobredose do consumo de cannabis podem ser: taquicardia, boca seca, lentidão, sonolência e, em casos extremos, crises de ansiedade.

O melhor antídoto para isso é se distrair, lembrando sempre que os efeitos em breve vão sumir. Caso tenha exagerado no consumo, beba água, faça um exercício leve, leia um livro, converse com um amigo, assista a um filme ou então vá se deitar e tentar dormir, tendo a certeza de que no dia seguinte não vai acordar com ressaca alguma.

Mas afinal, por que é tão complicado determinar a dosagem ideal de um comestível cannábico?

Por que a potência do comestível depende diretamente da potência da erva utilizada antes da descarboxilação. Diferentes cepas possuem diferentes concentrações de canabinoides. E até a mesma “strain” (genética) cultivada em condições e ambientes diferentes pode ter potências distintas.

Além disso, outro fator importante são as condições gerais de saúde de cada pessoa. A forma como eu me alimentei durante o dia, como estou consumindo e a minha tolerância também interferem na determinação da dosagem ideal. Vou dar um exemplo: se eu não consegui comer nada no dia e faço a primeira refeição cannábica, a onda vai bater muito mais intensamente do que se eu tivesse me alimentado.

Então, a minha maior dica quando o assunto é dosagem é: comece devagar, seja paciente e vá aumentando a dosagem progressivamente. Lembre-se que os efeitos dos comestíveis demoram em média de 30 minutos a 2 horas para começar a aparecer.

Cada pessoa reage à maconha de uma forma diferente. Basta observar uma roda de fumo, onde alguns ficam muito falantes, outros introspectivos, outros com muita larica, outros ansiosos e neuróticos. Uma pessoa que nunca ingeriu maconha deve começar com uma dosagem mínima de 2,5 mg diários e ir aos poucos incrementando a dose até atingir os resultados desejados.

Eu montei uma ferramenta pra ajudar você a calcular a concentração de THC usada nas receitas, é a calculadora de dosagem. Acesse gratuitamente clicando aqui.

Nessa calculadora, é possível determinar a dose de cada uma das porções que você vai preparar, considerando a potência da erva utilizada para fazer a infusão e a quantidade de infusão usada no preparo da receita. E nunca se esqueça de que não existe ninguém melhor do que você para definir a dose, levando em conta as suas experiências pessoais. Eu sei que tem gente que às vezes quer ir na onda e provar um ponto, mostrar que aguenta… Não se deve fazer isso na culinária cannábica, justamente por que a ideia dessa forma de consumo é trazer experiências incríveis e positivamente memoráveis.

Agora que você já sabe como calcular a potência dos teus comestíveis, eu quero ver teus preparos. Poste as fotos e vídeos marcando o @lilica.420. No meu canal do Youtube você encontra o vídeo onde eu explico um pouco mais sobre a dosagem dos comestíveis. Já aproveita pra assistir e também fazer a sua inscrição:

Saiba mais: Como colocar maconha na alimentação?

Imagem de capa: Lilica 420.

Como colocar maconha na alimentação?

Qualquer pessoa pode adicionar maconha na alimentação de forma segura e correta. Entenda como no texto da cozinheira cannábica Lilica, a seguir

Quando eu falo em aulas ou lives que qualquer pessoa pode colocar maconha na alimentação, eu sei que pode parecer exagero, mas de fato não é. É bem simples adicionar os fitocanabinoides na nossa alimentação e assim conseguimos nos beneficiar de todos os efeitos fitoterápicos que a planta da maconha pode oferecer. Principalmente através da redução de danos dessa forma de consumo, já que eliminamos a combustão.

É importante seguir alguns parâmetros e controles, já que a culinária cannábica vem sendo aperfeiçoada ao longo dos últimos anos e diversas técnicas estão sendo adaptadas e incrementadas. Inclusive já existem no mercado uma infinidade de eletrodomésticos que praticamente fazem as infusões automaticamente.

No entanto, a essência básica de controle de tempo e temperatura se mantém. Então não é preciso fazer grandes investimentos para conseguir fazer as suas infusões cannábicas no conforto da sua cozinha. Depois, com elas em mãos, você pode adicionar às suas receitas favoritas.

Um dos únicos investimentos que eu considero fundamental para quem quer se aventurar na culinária cannábica é um termômetro de forno. Os demais utensílios podemos adaptar com o que temos em casa, como peneira e filtro de café. Mas o termômetro garante que não vamos ultrapassar a temperatura da descarboxilação quando colocamos a erva no forno, já que, em geral, os termostatos de fornos residenciais não são precisos ou não medem temperaturas abaixo de 160 ºC.

Mas sei que muita gente vai se perguntar: mas, afinal de contas, o que é descarboxilação?

Esse termo complicado pode assustar, principalmente quando falamos que ele se refere ao processo de aquecer a erva no forno. Várias pessoas ficam com medo de queimar a ganja e perder os fitocanabinoides, mas seguindo o passo a passo não tem erro. A planta in natura é rica em canabinoides na forma ácida, como THCA e CBDA. Descarboxilar é retirar a molécula ácida (A), para convertê-los em THC e CBD, é um processo de química orgânica.

Essa é uma das razões da maconha crua normalmente não ter efeitos psicoativos. Até dá pra sentir um efeito mínimo, já que dependendo do tempo que a colheita demorou para ser feita, alguns tricomas podem ter maturado. Mas, se você quiser garantir a máxima potência de THC e CBD, é fundamental descarboxilar a erva antes de usar na culinária cannábica.

Garanto a vocês que, fazendo esse processo com a temperatura e tempo controlados, não há riscos de queimar a maconha ao descarboxilar. Porque descarboxilar é uma equação entre tempo x temperatura. Existem várias maneiras de descarboxilar a erva para atingir os resultados desejados, mas a minha equação favorita é manter a erva a 120 ºC, durante uma hora.

Esses valores estão relacionados à temperatura de ativação e evaporação dos canabinoides. Para que os terpenos não se percam na câmera do forno, é importante que você faça esse processo em uma forma envolta em papel alumínio, ou ainda utilizando um vidro de pote de conserva, cuidando sempre para não ter choque térmico e explodir o vidro.

Mas não basta apenas descarboxilar para adicionar a cannabis na alimentação, precisamos extrair os canabinoides dessa erva em alguma base gordurosa ou alcoólica, já que os canabinoides são solúveis apenas em gordura ou álcool. Alguns exemplos de base gordurosa: azeite, manteiga, banha ou óleos. As bases alcoólicas podem ser gin, cachaça, rum, álcool de cereais, vodka.

Essa extração tanto pode ser feita a frio (demorando entre 7 e 30 dias) ou diretamente no calor (pode demorar entre 2 a 12 horas). Baseada nos diversos experimentos e testes que já fiz, considero exagerado deixar uma infusão preparando mais do que 8 horas, porque não percebo diferença de potência depois desse tempo todo. No método com calor, minha recomendação é sempre fazer no banho-maria, já que a água ferve aos 100 ºC e acaba sendo uma garantia de que não vamos ultrapassar essa temperatura e perder a potência da infusão.

Já que cada organismo reage de uma maneira à maconha, eu sempre recomendo que as pessoas testem diferentes métodos, tempos e temperaturas, para só então determinar qual o método é mais eficaz para o seu metabolismo.

Mas, independente do método que você seguir, o último passo é sempre coar a extração e separar o resíduo orgânico da base com canabinoides. Pronto, você já tem tua infusão para adicionar em qualquer receita e até mesmo naquela comidinha que você eventualmente pede pelo delivery.

Essa infusão também pode ser ingerida de forma sublingual de maneira discreta em qualquer lugar. Por fim, faço um alerta: lembrem sempre da importância do controle de temperatura na culinária cannábica. Não utilizem as infusões para refogar, fritar, grelhar ou diretamente na chama do fogo. Em geral, elas devem ser adicionadas ao final do preparo para garantir a potência.

Agora que vocês já sabem como colocar maconha na alimentação quero ver seus preparos, postem as fotos e marquem @lilica.420! Deixei na aba “Guias” do meu Instagram um infográfico da descarboxilação, exemplos de bases possíveis para extração e o passo a passo de como fazer a manteiga cannábica.

No meu canal do Youtube (youtube.com/lilica420) você encontra o vídeo de como descarboxilar e como fazer a manteiga, além de receitas e dicas de como utilizar as infusões na culinária cannábica. Espero vocês por lá também, já aproveitem e se inscrevam no canal. E quem quiser aprender tudo isso e mais um pouco sobre culinária cannábica ainda pode se matricular no meu curso on-line e fazer, de fato, parte da #revoluçãocannábica!

Leia também: Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?

Foto em destaque: Lilica 420.

Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?

Três fatores elementares influenciam nos efeitos da combustão e da ingestão de maconha: a metabolização, a velocidade e a duração da onda. Entenda mais no artigo da chef e professora Lilica, especialista em culinária com cannabis

Há alguns dias li, uma frase de autor anônimo que me fez sorrir: “A cannabis está para as plantas assim como o cachorro está para os animais”. Quem já me conhece sabe que eu amo maconha e amo cachorros (tanto que tenho cinco). Essa analogia deixa bem evidente a relação íntima e milenar que a humanidade desenvolveu com a nossa amada planta.

Existem indícios de que já consumíamos maconha há pelo menos 12 mil anos, na Ásia e Oriente. Ela era usada tanto para fins medicinais quanto sociais, além de cerimônias religiosas.

A utilização da cannabis em forma de alimento foi rapidamente popularizada naquela região. Tanto que, ainda hoje, é bastante comum encontrar por toda a Índia pequenas lojas onde é possível tomar um saboroso Bhang Lassi, bebida com leite infusionada com cannabis e várias especiarias.

Aqui no Ocidente foram nos baseados, blunts, pipes, bongs e vaporizadores que o uso da maconha mais se disseminou, talvez pela facilidade em consumir desta forma e, muito provavelmente, pelo caráter marginalizado que se deu à maconha desde o começo da campanha proibicionista. Afinal de contas, sabemos que aqui no Brasil não existem estabelecimentos legais onde se pode usar maconha.

Mas, com a regulamentação e legalização em diversos países, o consumo dos comestíveis cannábicos está em amplo crescimento. Diversas empresas estão fazendo grandes investimentos nessa indústria e, ao visitar lugares onde esse mercado já é uma realidade, é possível encontrar uma gama enorme de comestíveis com maconha.

E aí talvez você se pergunte por que isso está rolando, já que tem muita gente que fuma e nunca nem sequer pensou em comer maconha. E é claro que existem respostas para esta pergunta. A grande verdade é que a culinária cannábica é uma excelente forma de consumir maconha, reduzindo os danos gerados pela combustão e inalação da fumaça. Sendo assim, a forma de consumo ingerida é mais atraente para usuários que não podem ou não gostam de fumar, além de ser mais discreta e fácil de consumir, o que acaba normalizando o uso e desmistificando diversos preconceitos.

Já vi muitos casos de pessoas que nunca tinham chegado perto de maconha na vida, tinham uma ideia totalmente errada, mas se permitiram experimentar comestíveis e mudaram a cabeça. Mas, você sabe quais as principais diferenças entre inalar e ingerir a cannabis na forma de alimentos?

Então bora lá, existem três fatores elementares: a metabolização, a velocidade e a duração da onda.

Em primeiro lugar, quando fumamos um baseado, os canabinoides são metabolizados pelo nosso pulmão. Eles atravessam os alvéolos pulmonares, entram na circulação e atingem o cérebro em minutos. Mas quando ingerimos o famoso brisadeiro, por exemplo, a metabolização dos canabinoides é feita pelo fígado. Ou seja, antes de absorvê-los, nós precisamos fazer o processo digestivo, para que só depois eles alcancem o nosso fígado.

Aí já fica evidente a segunda diferença entre comer e fumar, que é a velocidade em que sentimos os efeitos. Quando nós damos aquele primeiro tapa no beck, a onda aparece em minutos, bem rapidinho. Mas quando comemos o brisadeiro, os primeiros efeitos podem demorar, no mínimo, trinta minutos para aparecer. Em alguns casos, a pessoa só começa a sentir os efeitos depois de duas horas, duas horas e meia. É lógico que isso varia de pessoa pra pessoa, depende do metabolismo, dosagem, da tolerância e até mesmo de como a pessoa se alimentou naquele dia.

Nesse quesito, até parece que os comestíveis ficam em desvantagem, né? Mas antes do veredito final, devemos considerar a terceira grande diferença, que é a duração da onda. Quando fumamos maconha, os efeitos duram por volta de 1 hora e meia. Mas, ao nos alimentarmos com maconha, os efeitos podem durar de 6 a 12 horas. E existe uma explicação científica pra isso.

O THC (delta-9-THC) é uma molécula formada por 9 partículas. Ao ser metabolizado pelo nosso fígado, a estrutura molecular do THC recebe mais uma molécula de oxigênio e uma de hidrogênio. Isso leva a criação do 11-Hidroxi-THC, um metabólito muito ativo em termos farmacológicos, conhecido por seus efeitos sedativos e psicoativos.

Ou seja, o que acontece é que o THC acaba se transformando em uma molécula maior, o que faz com que o nosso metabolismo demore mais para absorver, processar e eliminar. Isso acaba sendo uma das grandes vantagens de consumir maconha em forma de alimentos, principalmente nos casos medicinais, em que a pessoa precisa de um efeito prolongado dos benefícios dos canabinoides.

E com certeza também agrada às maconheiras e maconheiros mais antigos que nem eu, que querem ter brisas mais intensas e duradouras, mas sofrem com a resistência. Então, agora que você já sabe as diferenças e benefícios dessa forma de consumo, que tal se aventurar na cozinha? No meu Instagram e no meu canal do Youtube existem várias dicas, receitas e informações a respeito da culinária cannábica — e no meu curso on-line explico tudo isso e mais.

Bora colocar a maconha no prato?

Imagem de capa: Lilica 420.