Itália: região do Lácio prepara o terreno para o plantio de cânhamo

Projeto que visa criar um novo modelo de desenvolvimento tem como foco a criação de uma cadeia produtiva para o cultivo de cânhamo

Fonte: Smoke Buddies

A região do Sul do Lácio, na Itália, se prepara para se tornar um centro nacional de processamento de cânhamo.

A iniciativa, lançada pelo Consórcio para o Desenvolvimento Industrial do Sul do Lácio (Cosilam) e pela Comuna de Roccasecca, com a participação da Universidade de Estudos de Cassino e Sul do Lácio e a Enea (Agência Nacional de Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável), faz parte do Green Valley, um projeto que visa criar um novo modelo de desenvolvimento na região combinando os princípios da economia circular com a remediação ambiental.

O ponto central do projeto diz respeito à criação de uma cadeia produtiva para o cultivo de cânhamo e outras plantas, a partir das quais se retirem derivados a serem utilizados na criação de novos materiais para uso na produção industrial, segundo comunicado à imprensa do Cosilam. O cânhamo e seus derivados podem ser utilizados na produção de alimentos e cosméticos, fibra natural para tecidos, fibra natural para construção verde, lubrificantes e óleos para uso industrial e biocombustíveis, bioembalagem, componentes para automóveis e entre outros, exemplifica o consórcio justificando o interesse na planta.

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“Achávamos que essa área precisava de uma segunda chance, uma ‘segunda vida’. Isso por que, do ponto de vista ambiental, vivemos em uma área que tem pago um preço muito alto ao longo dos anos e a inovação veio até nós, começamos a entender que a economia linear em relação a essa área não poderia mais continuar. A partir daqui aproveitamos as oportunidades da economia circular, há culturas que têm uma utilização industrial e ambiental”, disse o presidente do Cosilam, Marco Delle Cese.

Após as amostras e as análises realizadas pelos técnicos do Cosilam para avaliar o estado atual de saúde do solo, chegou o sinal verde para a preparação do terreno na área industrial de Roccasecca, em Visanna, destinado à plantação de cânhamo. Os mesmos estudos também serão realizados após o início do projeto para verificar e certificar os efeitos purificadores do cânhamo no solo, segundo informou o Canapa Industriale.

“Roccasecca poderia se tornar a cidade pioneira, uma vez que é a primeira de um projeto que, graças ao cultivo do cânhamo industrial, seria capaz de lançar todo o território e toda a província de Frosinone a uma nova visão de agricultura, a do futuro, capaz de atrair indústria e investidores todos unidos por uma régua comum: a ecossustentabilidade”, declarou o prefeito de Roccasecca, Giuseppe Sacco.

A iniciativa na região do Lácio não é a única movimentação no Bel Paese envolvendo a cannabis. Em outubro passado, ativistas italianos entregaram formalmente cerca de 630.000 assinaturas para um referendo para legalizar o cultivo pessoal de maconha e outras plantas psicoativas e fungos como os cogumelos de psilocibina.

Na área da pesquisa, um projeto da Canapa Sativa Italia, realizado em conjunto com o Instituto Zooprofilático Experimental do Mezzogiorno, avalia como o ambiente afeta a produção de canabinoides da mesma variedade e da mesma planta (clones). Foram distribuídas 400 plantas obtidas a partir de sementes e 400 de clones pertencentes à mesma variedade, juntamente com solo, fertilizantes específicos e vasos de tecido, a 12 fazendas italianas.

Foto de capa: Remedy Pics / Unsplash.