Quem são os pacientes de cannabis medicinal na Europa?

O mercado europeu de cannabis para fins medicinais ainda está em sua infância, com muito trabalho a ser feito antes que o acesso do paciente alcance os níveis observados na América do Norte. Saiba mais com as informações da Prohibition Partners

Via Smoke Buddies

Para melhor servir à população de pacientes de cannabis medicinal na Europa, os operadores precisam compreender quem são os pacientes e por que confiam nesses medicamentos.

Além das análises fornecidas em seu recente relatório European Cannabis Report, a Prohibition Partners reuniu dados de pacientes europeus de cannabis medicinal de agências governamentais nacionais e grupos de pesquisa independentes para investigar estatísticas de alto nível sobre pacientes que recebem prescrição de cannabis medicinal. Uma das principais fontes de dados na Europa é o Project Twenty21, administrado pela Drug Science no Reino Unido, que é um registro de pacientes que “visa criar o maior corpo de evidências do Reino Unido para a eficácia e tolerabilidade da cannabis medicinal”, para facilitar o acesso do paciente e posteriormente publicar dados anônimos.

A Prohibition Partners conversou antecipadamente com a Dra. Anne Katrin Schlag, chefe de pesquisa da Drug Science, sobre os dados de uma próxima publicação sobre pacientes do Reino Unido no Journal of Psychopharmacology. Ela explicou que:

“Nossa população de pacientes compreende uma grande faixa etária (mais ou menos de 18 a 80 anos). Suas taxas consistentemente altas de comorbidade e baixa qualidade de vida demonstram como muitos deles estão indispostos. Portanto, quaisquer estereótipos de usuários de cannabis medicinal como sendo usuários recreativos saudáveis ​​na casa dos 20 e que procuram uma fonte legal não poderiam estar mais longe da verdade.”

A Drug Science também forneceu algumas informações atualizadas sobre o Reino Unido para a análise a seguir.

Indicações

A cannabis medicinal mostra-se promissora no tratamento de uma ampla gama de condições, sendo um modulador do sistema endocanabinoide e tendo um perfil anti-inflamatório seguro e eficaz. Embora os medicamentos canabinoides sejam aprovados para um conjunto limitado de condições, por exemplo, Epidiolex para epilepsias raras, médicos e pacientes usam esses medicamentos para cobrir muitas outras condições.

Os produtores de cannabis medicinal para o mercado europeu devem tomar nota das condições para as quais a cannabis é prescrita no continente. As necessidades dos pacientes variam amplamente de acordo com a condição, por exemplo, onde CBD/Epidiolex® é útil para pacientes epiléticos, o THC é mais útil para a redução de náuseas. Abaixo estão as indicações para as quais os produtos de cannabis medicinal são prescritos por país.

A dor é, de longe, a razão mais comumente citada para os médicos prescreverem cannabis medicinal. A dor crônica afeta até 1 em cada 3 pessoas nos países desenvolvidos, geralmente definida como dor que ocorre na maioria dos dias ou todos os dias durante seis meses. As tendências europeias são comparáveis ​​às da América do Norte, pois a cannabis medicinal é mais frequentemente prescrita para a dor. Isso também é verdade no Reino Unido, de acordo com dados fornecidos pela Dra. Anne Katrin Schlag:

“Os distúrbios de dor e ansiedade são os dois distúrbios mais comuns em mulheres e homens; as mulheres são mais propensas a relatar uma condição primária de dor crônica (61,5% vs 51%), enquanto os homens são mais propensos a relatar transtornos de ansiedade (38% vs 23,8%)”.

Os pacientes de cannabis medicinal que buscam tratar a dor diferem em suas necessidades, dependendo da intensidade da dor e da frequência de uso. De modo geral, os pacientes com dor preferem medicamentos canabinoides com quantidades altas e balanceadas de THC e CBD, com consumidores de alta frequência preferindo THC alto e CBD mais baixo. Isso se reflete nos tipos de cannabis medicinal atualmente disponíveis na Europa, com a maioria dos países tendo uma gama mais ampla de medicamentos com alto teor de THC e THC:CBD balanceado do que apenas com alto teor de CBD.

Demografia

A idade média dos pacientes de cannabis medicinal na Europa é semelhante à da população de pacientes norte-americanos, embora um pouco mais velha. No maior mercado da Europa, Alemanha, a idade média dos usuários de cannabis medicinal no país é 54. A Dinamarca e a Itália são notáveis ​​por terem uma população de pacientes maduros de cannabis medicinal com uma média de 57 e 58 anos, respectivamente. Os primeiros dados do Project Twenty21 indicam que os grupos de pacientes no Reino Unido são um pouco mais jovens do que em outros países europeus, com uma idade média de cerca de 39 anos.

Sabe-se que pessoas de diferentes grupos etários preferem diferentes produtos de cannabis medicinal. Por exemplo, os dados da pesquisa oficial com pacientes alemães indicam que a idade média dos pacientes de cannabis medicinal que usam maconha in natura (buds) é 46, enquanto no uso do extrato a média é de 57. O Instituto Federal de Drogas e Dispositivos Médicos (BfArM) na Alemanha observou que muitas prescrições de flor de cannabis não são relatadas, o que pode distorcer os dados, já que esses pacientes costumam ser em sua maioria homens e um pouco mais jovens do que pacientes que usam outros produtos.

Gênero

Os dados sobre o gênero dos pacientes de cannabis medicinal na Europa sugerem que o equilíbrio é mais uniforme entre homens e mulheres do que na América do Norte, onde a população de pacientes é majoritariamente masculina. Nos Países Baixos e na Alemanha, a divisão de gênero não é grande. A Dinamarca e a Itália são notáveis ​​por suas populações de pacientes, com uma grande maioria feminina de 62% e 63%, respectivamente. De acordo com os dados do Project Twenty21, a população de pacientes do Reino Unido é mais comparável à da América do Norte em termos de equilíbrio de gênero, com uma maioria de 66% do sexo masculino em abril deste ano. A Alemanha e o Reino Unido são os únicos países para os quais estão disponíveis dados sobre pacientes não binários e, até o momento, cerca de 0,1% e 0,6% dos pacientes se identifica como tal em cada país.

Tal como acontece com a demografia, o gênero desempenha um papel na escolha do produto pelo paciente. Na Alemanha, por exemplo, 68% dos pacientes que recebem buds são do sexo masculino, enquanto as mulheres dominam o uso de dronabinol (58%), Sativex® (54%) e extratos (54%), conforme relatado nas pesquisas do BfArM.

Conclusão

Os dados apresentados aqui representam muitos dos dados disponíveis sobre pacientes na Europa. Deve-se notar que os dados representam uma pequena porção da população total de pacientes no continente, com milhões de pessoas ainda se autoprescrevendo cannabis medicinal e grandes faixas de pacientes não sendo incluídas nos dados publicados, como a população da Suíça.

Imagem em destaque: Skitterphoto | Pexels.

Mais de 30 milhões de pessoas consumiram cannabis na Europa no último ano, revela pesquisa

Os europeus são quatro vezes mais propensos a relatar o uso de maconha com tabaco do que outros métodos, segundo pesquisa da Comissão Europeia. As informações são da Prohibition Partners

Via Smoke Buddies

O inquérito da Comissão Europeia entrevistou 1.000 participantes com mais de 15 anos em cada estado-membro da União Europeia, exceto no Luxemburgo, Malta e Chipre, nos quais foram realizadas cerca de 500 entrevistas. Respondendo à pergunta “Você usou produtos contendo cannabis nos últimos 12 meses?”, aproximadamente 8% das pessoas em toda a Europa afirmaram que haviam consumido um produto de cannabis no último ano.

A prevalência do uso no ano passado variou amplamente entre os países. Dez países tiveram uma prevalência no último ano de 10% ou mais de sua população. A Irlanda teve a prevalência mais alta com 17% ou quase 1 em 5 pessoas usando um produto de cannabis nos últimos 12 meses. No outro extremo do espectro, apenas 1% dos entrevistados gregos disse que havia usado cannabis.

Em toda a UE, os habitantes são quatro vezes mais propensos a relatar o uso de cannabis com tabaco do que métodos alternativos, como vaporizadores, ou em alimentos e bebidas. Estudantes, desempregados (ambos 14%) e autônomos (12%) eram mais propensos do que aqueles em outras categorias socioprofissionais (2-8%) a consumir produtos de cannabis provavelmente devido ao maior tempo para se envolver no consumo. Um pouco mais homens do que mulheres relataram o uso de cannabis (9% vs. 6%), o que é consistente com descobertas anteriores. Além disso, os grupos de idades mais jovens têm maior probabilidade de consumir cannabis, variando de 15% para os de 15-24 anos e 3% para os maiores de 55 anos.

No geral, a nova pesquisa indica que pouco menos de 1 em cada 10 adultos na Europa ou mais de 30 milhões de pessoas consumiram cannabis pelo menos uma vez no último ano. Isso ocorre apesar da proibição contínua da cannabis em todo o continente. Os sinais do fim da proibição começaram a surgir em regiões como os Países Baixos e Luxemburgo, que deverão introduzir um acesso limitado à cannabis para consumo adulto num futuro próximo.

Note-se que estes dados divergem das mais recentes conclusões do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

Um porta-voz do Eurobarômetro disse à Prohibition Partners que as razões prováveis ​​para o maior número de usuários registrados de cannabis é que a pesquisa ocorreu no meio da pandemia de Covid-19 e que foi usada uma definição ampla de “produtos com cannabis”.

Taxas mais altas de uso de cannabis estão sendo registradas em todo o mundo durante a pandemiacomo foi previsto pela Prohibition Partners no início de 2020.

A pesquisa e a legislação sobre a cannabis medicinal na Eslovênia

A cannabis para fins medicinais foi regulamentada em março de 2017 no país, contudo poucos pacientes eslovenos realmente se beneficiaram com a mudança.

Fonte: MCN / Health Europa via Smoke Buddies

Instituto Internacional de Canabinoides (ICANNA) é uma ONG sem fins lucrativos fundada por parceiros da Áustria, Alemanha e Eslovênia, com o objetivo de impulsionar a pesquisa e promover a educação sobre cannabis.

MCN conversou com o especialista associado do ICANNA Dušan Nolimal, doutor em medicina e mestre em ciências na área de saúde pública, e a professora assistente Tanja Bagar, PhD, sobre o panorama da cannabis na Eslovênia e a necessidade de novas ações políticas sobre legalização.

Qual é o atual status médico e legal da cannabis na Eslovênia?

Na Eslovênia, a cannabis para fins médicos (incluindo extratos, resina e a planta inteira de cannabis) foi legalizada em março de 2017. Os legisladores removeram a cannabis do Anexo 1 de substâncias controladas — a categoria mais restrita reservada para drogas que não têm ‘uso médico atualmente aceito’ — e a colocou na lista de drogas consideradas de alto potencial de abuso com valor medicinal, Anexo 2.

Embora este tenha sido um passo crucial para melhorar o acesso dos pacientes aos produtos de cannabis, poucos pacientes realmente se beneficiaram com a mudança. O governo e o Ministério da Saúde têm sido constantemente criticados como resultado de estruturas deficientes para o acesso dos pacientes à cannabis. Até agora, nenhuma receita de cannabis medicinal foi emitida e nenhuma farmácia importou cannabis medicinal, tornando-a efetivamente inacessível na Eslovênia. Alguns pacientes se beneficiaram muito com produtos alimentícios contendo CBD — no entanto, com a introdução do regulamento da União Europeia sobre Novos Alimentos em 2019, o CBD vendido como suplemento alimentar se tornou ilegal na Eslovênia.

Existe uma diferença entre medicamentos e preparações de cannabis. A distinção é entre produtos que possuem uma autorização de introdução no mercado para uso médico e aqueles que não têm. Na prática, porém, o termo ‘cannabis medicinal’ refere-se a uma ampla variedade de preparações e produtos que podem conter diferentes ingredientes ativos e usar diferentes métodos de administração. ‘Medicamentos’ referem-se aos produtos derivados de plantas e contendo canabinoides sintéticos, com uma autorização de introdução no mercado em vigor. O termo geral ‘preparações de cannabis’ é usado para se referir a produtos derivados da planta de cannabis que não possuem uma autorização de introdução no mercado para uso médico. As preparações de cannabis podem variar muito em composição, o que significa que podem ser difíceis de serem submetidas a testes quanto à eficácia em ensaios clínicos. Em geral, esse quadro regulamentar é insuficiente e muitas vezes contraditório, com muitas áreas cinzentas e falta de clareza quanto às especificidades das abordagens e como são aplicadas na prática.

Assim, a Eslovênia agora permite o uso medicinal de cannabis ou canabinoides de alguma forma — no entanto, sua disponibilidade legal é principalmente no papel. Os médicos estão se adaptando lentamente aos novos regulamentos e muitas vezes se sentem desconfortáveis ​​em prescrever medicamentos à base de cannabis devido à controvérsia em torno de seu status médico e legal.

Apesar da legalização da cannabis para fins médicos, os pacientes carentes ainda não têm acesso a este medicamento. Apenas um pequeno número de pacientes com uma gama limitada de doenças recebeu tratamento na forma de produtos ou preparações de cannabis, o que significa que a cannabis medicinal permanece inacessível para a vasta maioria dos pacientes que necessitam do tratamento. Enquanto isso, a flor da planta de cannabis, resina e produtos medicinais como Sativex e Epidyolex não podem ser obtidos em farmácias eslovenas.

O uso pode ainda ser restringido pela falta de cobertura de seguro de saúde, uma vez que o marco regulatório nacional não é claro sobre como a legalização deve funcionar na prática. Há uma clara preferência entre os pacientes pela planta de cannabis e seus derivados, em vez de produtos farmacêuticos: preparações de cannabis derivadas de plantas são frequentemente preferidas por causa do suposto efeito entourage (comitiva), o que significa que a combinação de canabinoides e outras substâncias em produtos obtidos a partir de plantas inteiras tem um maior efeito médico do que os canabinoides isolados.

A cannabis medicinal é usada regular ou ocasionalmente por mais de 30.000 pacientes e usuários em remissão, compreendendo cerca de 1,5% da população eslovena. Os usuários de cannabis e seus defensores dizem que a legalização da cannabis no país foi associada a obstáculos ao acesso, obrigando muitos pacientes a recorrer ao mercado ilegal. É mais difícil para os pacientes ter acesso à cannabis medicinal, o que é legal, do que obter cannabis para uso adulto ilícita. Tudo isso prejudica a capacidade dos pacientes de terem acesso seguro a um produto de qualidade consistente em forma e dosagem, o que lhes permitiria realmente obter os benefícios do uso de cannabis em um contexto médico.

A abordagem regulatória insuficiente destaca a necessidade de esclarecer o quadro regulatório da cannabis e suas aplicações na prática. Há uma necessidade considerável de fornecer educação, treinamento e suporte para médicos e outros profissionais de saúde; também, há uma necessidade de dados de pesquisas primárias para apoiar o uso clínico. Os formuladores de políticas e reguladores precisam abordar as áreas de incerteza e se concentrar em desenvolver ainda mais a ciência, bem como os regulamentos. Os grupos profissionais e de pacientes precisam estar ativamente envolvidos na tomada de decisões e serem levados a sério.

Qual é o papel do ICANNA na indústria canabinoide europeia? Quais são seus principais objetivos como organização?

Houve uma grande necessidade de estabelecer uma organização internacional formal independente, visto que temos um interesse crescente pelo tema em todo o mundo. Embora haja uma quantidade significativa de informações disponíveis sobre os vários usos da cannabis e os efeitos dos canabinoides, também há muita desinformação presente nas esferas civil e do estado. Ao mesmo tempo, estamos testemunhando um aumento intenso de usuários de cannabis medicinal. Esses pacientes são relativamente deixados sozinhos, ou com preparações sintéticas como sua única opção.

Um grande número de resultados de pesquisas e experiências práticas é conhecido sobre os efeitos dos canabinoides na saúde e no bem-estar em países cientificamente avançados ao redor do mundo e, levando em consideração que o sistema endocanabinoide é uma parte vital de cada ser humano, seria irracional e irresponsável negligenciar este campo. O campo da pesquisa canabinoide é altamente promissor, de vários ângulos, e merece uma discussão multifacetada para o bem-estar dos indivíduos e a prosperidade dos governos.

O objetivo do Instituto é reunir especialistas de diversas áreas, possibilitar uma abordagem integrada nesta área e fornecer um espaço neutro e independente para a discussão aberta sobre os canabinoides. Também é de vital importância fornecer acesso a informações verificadas, justificadas e científicas sobre a planta, seus ingredientes e potenciais.

Que cursos educacionais o ICANNA oferece? Como os médicos, terapeutas e outros profissionais podem se beneficiar de uma educação mais ampla sobre a cannabis medicinal?

A maior parte do trabalho educacional que fazemos é em cooperação com outras organizações, no entanto, também organizamos de forma independente a oferta de educação para equipes médicas e o público em geral. Estamos ativamente envolvidos em cursos educacionais para médicos na Áustria e em muitas outras regiões. Também publicamos um livro intitulado Hanf medizin em alemão, que está sendo traduzido para o esloveno e inglês.

A planta do cânhamo/cannabis há muito faz parte da nossa experiência humana neste planeta. Tem sido usado na medicina há milhares de anos, e por muito tempo os médicos prescreveram e forneceram diversos preparados de cannabis. Hoje a situação não é muito diferente. Pesquisas indicam que mais de 50% dos pacientes com uma condição crônica usam canabinoides; o número sobe para 80% em pacientes oncológicos. A medicina do cânhamo veio para ficar e com razão.

Compreender o que as moléculas canabinoides fazem em nosso corpo e a importância do sistema endocanabinoide para nossa saúde e bem-estar são cruciais para dar ao cânhamo o seu devido lugar na medicina: não como uma panaceia, um remédio vegetal para todas as doenças, mas como um buquê bem estudado de moléculas bioativas com imenso potencial. O cânhamo é uma das plantas mais bem estudadas, com dezenas de milhares de artigos publicados, então o argumento que ouvimos muitas vezes — de que não temos dados de pesquisa suficientes — é implausível para dizer o mínimo. A complexa composição química do cânhamo, e sua interação ainda mais complexa com nosso corpo, naturalmente exige ainda mais pesquisas, mas já sabemos o suficiente para dizer sem dúvida que essas moléculas são seguras — muito mais seguras do que a maioria dos medicamentos descritos nas farmacopeias da União Europeia — e eficaz no tratamento de muitas condições médicas.

Leia mais: Proibicionismo, falácias e o poder dos dados

Quais seriam os benefícios para a segurança e o bem-estar dos pacientes de se acabar com a proibição da cannabis na Eslovênia?

Embora a maior parte do uso de cannabis na Eslovênia seja ocasional e poucos problemas significativos estejam associados a ela, é precisamente por causa de seus riscos potenciais que ela precisa ser devidamente regulamentada, para proteger pacientes, menores e outros grupos vulneráveis. É precisamente por que a cannabis não é inofensiva — porque o transtorno por uso de cannabis e o uso por menores e outros grupos vulneráveis ​​são problemas reais — que precisamos acabar com sua proibição: o fim da proibição da cannabis em nosso país também traria a possibilidade de regulamentar a produção e fornecimento de cannabis para uso medicinal. A proibição não teve nenhum impacto sustentado na redução do mercado ilícito de cannabis e outras drogas, ao mesmo tempo que impôs um pesado fardo à sociedade e criou impactos negativos para a saúde pública. Em vez de basear a legislação na ideologia, a nova regulamentação seria baseada em evidências do que funciona, com foco em medidas reais de sucesso, como a redução de danos à saúde e sociais, e não apenas medidas como apreensões e prisões relacionadas a delitos por maconha. Muitos dos danos da proibição desapareceriam e uma gama de novas oportunidades se abriria. Os mercados criminosos de cannabis seriam substituídos por regulamentação estatal.

Primeiro, haveria melhores resultados de saúde para comunidades e pacientes. Profissionais, pacientes e comunidades teriam acesso à educação sobre a maconha baseada em evidências. A potência da cannabis seria regulamentada, com informações sobre a própria potência, benefícios e riscos claramente exibidos na embalagem. Os profissionais de saúde seriam capazes de fornecer aos pacientes o apoio necessário para acessarem e usarem eficazmente sua medicação à base de cannabis, para alcançarem benefícios terapêuticos ideais e terem uma melhor qualidade de vida. Haveria reduções nos potenciais danos à saúde à medida que as pessoas mudassem para produtos e preparações de cannabis controlados e menos nocivos, ou para métodos menos nocivos de consumo, se estes se tornassem acessíveis.

Além disso, haveria menos estigma e discriminação contra os usuários de cannabis em geral, bem como menos abusos de direitos humanos dos pacientes relacionados à aplicação da lei de drogas. Em geral, haveria menos crimes relacionados às drogas com menos pessoas envolvidas e, portanto, menos lucros criminosos disponíveis para alimentar a corrupção. Haveria menos pressão sobre o sistema de justiça criminal e uma população carcerária geralmente reduzida, o que melhoraria a coesão social no nível da comunidade. Isso traria economias financeiras consideráveis, especialmente com a redução dos gastos com justiça criminal e prisões. Os recursos gastos com a proibição da cannabis seriam redirecionados para outras áreas, seja no âmbito da aplicação da lei ou para outros programas de saúde, sociais, educacionais e econômicos. O mercado de cannabis legalmente regulamentado desencadearia e aumentaria as receitas fiscais.

Como a cooperação interdisciplinar pode beneficiar a pesquisa em cannabis e canabinoides?

A cannabis como planta (Cannabis sativa L.) tem tantos usos potenciais que atinge uma ampla gama de campos na ciência e na indústria. A planta em si é interdisciplinar, desde biologia, agronomia, tecnologia, ecologia, saúde e muito mais. Para pesquisar melhor seus benefícios médicos, precisamos de uma abordagem interdisciplinar, pois está claro que a abordagem ‘uma molécula um alvo’ não está funcionando neste caso. Nossos corpos são muito mais do que a soma de suas partes mecânicas, e assim são as partes constituintes do cânhamo.

Tendo em mente que essas moléculas visam evocar ou fortalecer o equilíbrio bioquímico básico em nossas células, tecidos, corpo e vida, é natural que um buquê harmonioso de ingredientes faça um trabalho melhor do que uma única molécula sintética. Isso não quer dizer que ativadores ou bloqueadores de receptores de canabinoides ou enzimas não tenham seu lugar, porque eles têm — mas também vamos dar liberdade à planta, dar às pessoas a liberdade de escolher e liberar o caminho para os canabinoides fazerem o que eles fazem de melhor: apoiar ou criar o equilíbrio.