Copa de Culinária Cannábica: o reality show que coloca maconha no prato

Terceira edição da competição começa no fim de setembro, entre os alunos do meu curso

É com muita alegria e orgulho que hoje na coluna vou contar um pouco pra vocês o que é a Copa de Culinária Cannábica, uma competição culinária muito mais que especial. Tenho certeza que você já assistiu a todos os tipos de realities shows possíveis e imagináveis, muitos deles relacionados à comida.

Mas o que talvez tu ainda não saiba é que aqui mesmo no Brasil acontece uma competição de culinária cannábica, onde todos os preparos levam maconha. Desde as entradas, pratos principais, sobremesas e drinques, tudo o que você pode imaginar tem alguma extração ou infusão cannábica. A terceira edição começa no dia 28 de setembro e vai até dia 2 de outubro, sempre às 20h, pelo meu canal no YouTube. A escolha dos finalistas e do grande vencedor é feita pelo público e aqui você se inscreve para assistir e votar de forma rápida, não demora nem trinta segundos.

A competição — bem divertida e amigável — acontece entre os alunos e alunas do meu curso de culinária cannábica, que colocam em prática tudo aquilo que aprenderam nas aulas e também nas nossas conversas diárias na comunidade do Telegram.

Leia mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Sempre falo da importância de colocar maconha na alimentação de maneira segura e correta e ir aumentando o consumo à medida em que for se sentindo mais confiante. Eu bato muito nessa tecla no meu curso de culinária cannábica também, por isso que cada aluno meu sabe exatamente a dose certa para seu consumo diário.

Eu me encho de orgulho deles, porque cada um sugere os pratos que vai fazer e mandam sempre muito bem. No meu canal do Youtube tem uma playlist com os vídeos da última edição, então é só ir até lá pra ver que eu não estou mentindo. É cada prato maravilhoso que sai.

A Copa também conta com a participação de comentaristas da cena cannábica, que além de trocar ideia com a gente durante os preparos, também sofrem comigo e enchem a boca d’água, querendo devorar as laricas.

A decisão de quem passa de fase, dos finalistas e vencedor(a) é feita por você, através do grupo aberto que temos no Telegram. Ao final de cada etapa uma enquete é aberta por lá e você deixa o voto no seu prato e participante favorito. Por lá eu também sempre divulgo vídeos, conteúdos, aviso das lives que vão rolar… Se tu ainda não faz parte, é só clicar aqui.

E como toda competição, a nossa não poderia deixar de ter prêmios, né. Então todos os participantes vão levar um presentinho surpresa, mas tem prêmio especial para os três primeiros colocados:

3º lugar: avental e boné

2º lugar: avental e boné

1º lugar: camiseta ou vestido, avental e boné.

Todas essas peças são da minha coleção exclusiva e você também pode comprar, clicando aqui.

Estou muito ansiosa para a Copa de Culinária Cannábica chegar logo e conto com a sua participação e torcida. Confira aqui como foi a final da última edição.

Imagem de capa: Lilica 420.

Terpenos: o que são e como usá-los na culinária cannábica?

Os terpenos são compostos aromáticos produzidos naturalmente, são eles que criam o perfume característico de muitas plantas, como a maconha, o pinho e a lavanda

Da mesma maneira que em outras plantas e flores de cheiro forte, o desenvolvimento de terpenos na cannabis começou para fins adaptativos. Sua principal função é proteger a planta dos herbívoros e também atrair insetos polinizadores.

Os terpenos estão presentes em toda a planta: folhas, frutas e flores, caules, galhos e também nas raízes.
Existem muitos fatores que influenciam o desenvolvimento de terpenos de uma planta, incluindo clima, tempo, idade e maturação, fertilizantes, tipo de solo e até mesmo a hora do dia. A fragrância da maioria das plantas é devida a uma combinação de terpenos.

De maneira geral, do ponto de vista da planta, os terpenos fornecem proteção natural contra bactérias, fungos, insetos e outras ameaças ambientais. Já do nosso ponto de vista de humanos, os terpenos têm efeitos benéficos para a saúde, tanto na cannabis como em outras plantas.

Já foram identificados mais de 140 terpenos na cannabis. Além de dar a cada variedade de maconha seu aroma e sabor únicos, esses hidrocarbonetos orgânicos também têm um papel determinante em como uma determinada variedade faz você se sentir, assim como nas características terapêuticas da planta.

Os terpenos interagem com os canabinoides* e são essenciais para o que os cientistas chamam de “efeito comitiva”, que significa nada mais do que todos os componentes atuando conjuntamente para potencializar os efeitos medicamentosos da planta.

Isso significa essencialmente que a soma das partes da planta de cannabis é maior do que qualquer canabinoide isolado ou terpeno. O poder do efeito comitiva é uma das razões pelas quais eu sempre prefiro as infusões full spectrum, ou seja, feita com todos os componentes da maconha. É assim que faço meu óleo, manteiga, extrato e também tópicos.

Leia mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Ainda temos muito a aprender sobre como os terpenos e os canabinoides interagem para fornecer benefícios médicos. As pesquisas sobre cannabis e terpenos progridem cada vez mais, por isso elas estão mudando muito aquilo que costumávamos pensar sobre a maconha.

Tradicionalmente, costumava-se classificar a cannabis em grandes categorias de indica, sativa e híbrida. E era comum dizer que as indicas eram melhores para relaxar e dormir, enquanto as sativas eram mais enérgicas e criativas.

Mas a ciência e a pesquisa descobriram agora que os perfis de canabinoides e terpenos de qualquer variedade são o que realmente causa seus efeitos e também são melhores indicadores do que esperar de uma determinada variedade. Cada uma tem uma combinação única de terpenos e canabinoides, além dos compostos chamados flavonoides. Isso é, se você deseja aliviar os sintomas da depressão, reduzir a inflamação ou aumentar o fluxo de ar para os pulmões, deve procurar a variedade cujos terpenos tenham essas propriedades.

Ao escolher qual maconha cultivar, é fundamental entender as propriedades dos terpenos para a saúde, para que você possa selecionar uma variedade que atenda às suas necessidades. Aqui abaixo estão alguns exemplos de condições comuns e que tipo de terpenos são mais indicados:

Neurodegeneração: linalol
Tratamento da insônia: mirceno e linalol
Reduzir o inchaço: humuleno, limoneno, linalol e mirceno
Reduzir a ansiedade: limoneno e linalol
Controle da dor: mirceno, limoneno e linalol

É tudo meticuloso e científico e muitos especialistas preveem que este é o futuro do uso medicinal da maconha, pois não apenas podem ser feitas misturas para tratar sintomas específicos, como podem ser produzidos exatamente os mesmos resultados, lote após lote.

Muitos, se não a maioria, dos terpenos que você obtém nos óleos e concentrados são, na verdade, extratos botânicos de diversas plantas, e não de cannabis. Por quê? Por que são muito mais baratos de produzir. Mas independentemente de qual espécie de planta os terpenos se originam, eles ainda carregam os mesmos aromas e propriedades médicas, isso é, são exatamente a mesma molécula.

Os aromas e sabores da cannabis na culinária podem ser uma ajuda ou um obstáculo. Na maioria dos casos, os cozinheiros tentam torná-los menos proeminentes, pois a maioria das pessoas realmente não gosta do sabor da cannabis herbal em sua comida.

Os chefs usam há muito tempo terpenos derivados de outras plantas, na forma de óleos essenciais comestíveis, por seus sabores intensos, mas totalmente naturais. Da mesma forma, era natural que os profissionais da culinária entrando na arena da cannabis tirassem proveito desses compostos importantes na planta da cannabis também.
Aqui é importante fazer um alerta, nem todo o óleo essencial ou terpeno isolado é comestível, então tenha cuidado na escolha quando desejar fazer essa complementação nas receitas. Mas você pode tranquilamente harmonizar seu comestível com outras ervas, temperos e frutas, fazendo assim uma complementação 100% natural.

Veja também: Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?

Antes o principal objetivo de fazer comestíveis costumava ser esconder o sabor da cannabis. Agora, chefs inovadores estão fazendo exatamente o oposto e incorporando a planta em suas receitas, escolhendo cuidadosamente variedades com base em seus terpenos dominantes. Isso eleva o papel da cannabis nos alimentos, além de servir como veículo para transportar uma dose medicamentosa para o mundo da alta gastronomia.

Essa filosofia considera a maconha como ingrediente de sabor, além de seus efeitos medicinais ou psicoativos. Por exemplo, uma variedade de maconha rica em alfa-pineno pode ser combinada em um prato temperado com alecrim, uma erva que também é rica neste terpeno. Ou um prato de manga pode ser combinado com uma variedade de maconha que é rica em mirceno, já que ambos compartilham este terpeno.

Por esta razão, para obter o máximo benefício e sabor dos seus comestíveis cannábicos, use e abuse dos terpenos! Lembre-se de que quanto mais cheiro, maior é a potência.

Aqui dei um exemplo de uma receita que fiz usando óleos essenciais. Nesse outro post, eu preparei um infográfico sobre os principais canabinoides.

Foto em destaque: Divulgação | Lilica 420.

Como colocar maconha na alimentação?

Qualquer pessoa pode adicionar maconha na alimentação de forma segura e correta seguindo essas informações

Quando eu falo em aulas ou lives que qualquer pessoa pode colocar maconha na alimentação, eu sei que pode parecer exagero, mas de fato não é. É bem simples adicionar os fitocanabinoides na nossa alimentação e assim conseguimos nos beneficiar de todos os efeitos fitoterápicos que a planta da maconha pode oferecer. Principalmente através da redução de danos dessa forma de consumo, já que eliminamos a combustão.

É importante seguir alguns parâmetros e controles, já que a culinária cannábica vem sendo aperfeiçoada ao longo dos últimos anos e diversas técnicas estão sendo adaptadas e incrementadas. Inclusive já existem no mercado uma infinidade de eletrodomésticos que praticamente fazem as infusões automaticamente.

No entanto, a essência básica de controle de tempo e temperatura se mantém. Então não é preciso fazer grandes investimentos para conseguir fazer as suas infusões cannábicas no conforto da sua cozinha. Depois, com elas em mãos, você pode adicionar às suas receitas favoritas.

Um dos únicos investimentos que eu considero fundamental para quem quer se aventurar na culinária cannábica é um termômetro de forno. Os demais utensílios podemos adaptar com o que temos em casa, como peneira e filtro de café. Mas o termômetro garante que não vamos ultrapassar a temperatura da descarboxilação quando colocamos a erva no forno, já que, em geral, os termostatos de fornos residenciais não são precisos ou não medem temperaturas abaixo de 160 ºC.

Mas sei que muita gente vai se perguntar: mas, afinal de contas, o que é descarboxilação?

Esse termo complicado pode assustar, principalmente quando falamos que ele se refere ao processo de aquecer a erva no forno. Várias pessoas ficam com medo de queimar a ganja e perder os fitocanabinoides, mas seguindo o passo a passo não tem erro. A planta in natura é rica em canabinoides na forma ácida, como THCA e CBDA. Descarboxilar é retirar a molécula ácida (A), para convertê-los em THC e CBD, é um processo de química orgânica.

Essa é uma das razões da maconha crua normalmente não ter efeitos psicoativos. Até dá pra sentir um efeito mínimo, já que dependendo do tempo que a colheita demorou para ser feita, alguns tricomas podem ter maturado. Mas, se você quiser garantir a máxima potência de THC e CBD, é fundamental descarboxilar a erva antes de usar na culinária cannábica.

Garanto a vocês que, fazendo esse processo com a temperatura e tempo controlados, não há riscos de queimar a maconha ao descarboxilar. Porque descarboxilar é uma equação entre tempo x temperatura. Existem várias maneiras de descarboxilar a erva para atingir os resultados desejados, mas a minha equação favorita é manter a erva a 120 ºC, durante uma hora.

Esses valores estão relacionados à temperatura de ativação e evaporação dos canabinoides. Para que os terpenos não se percam na câmera do forno, é importante que você faça esse processo em uma forma envolta em papel alumínio, ou ainda utilizando um vidro de pote de conserva, cuidando sempre para não ter choque térmico e explodir o vidro.

Mas não basta apenas descarboxilar para adicionar a cannabis na alimentação, precisamos extrair os canabinoides dessa erva em alguma base gordurosa ou alcoólica, já que os canabinoides são solúveis apenas em gordura ou álcool. Alguns exemplos de base gordurosa: azeite, manteiga, banha ou óleos. As bases alcoólicas podem ser gin, cachaça, rum, álcool de cereais, vodka.

Essa extração tanto pode ser feita a frio (demorando entre 7 e 30 dias) ou diretamente no calor (pode demorar entre 2 a 12 horas). Baseada nos diversos experimentos e testes que já fiz, considero exagerado deixar uma infusão preparando mais do que 8 horas, porque não percebo diferença de potência depois desse tempo todo. No método com calor, minha recomendação é sempre fazer no banho-maria, já que a água ferve aos 100 ºC e acaba sendo uma garantia de que não vamos ultrapassar essa temperatura e perder a potência da infusão.

Já que cada organismo reage de uma maneira à maconha, eu sempre recomendo que as pessoas testem diferentes métodos, tempos e temperaturas, para só então determinar qual o método é mais eficaz para o seu metabolismo.

Mas, independente do método que você seguir, o último passo é sempre coar a extração e separar o resíduo orgânico da base com canabinoides. Pronto, você já tem tua infusão para adicionar em qualquer receita e até mesmo naquela comidinha que você eventualmente pede pelo delivery.

Essa infusão também pode ser ingerida de forma sublingual de maneira discreta em qualquer lugar. Por fim, faço um alerta: lembrem sempre da importância do controle de temperatura na culinária cannábica. Não utilizem as infusões para refogar, fritar, grelhar ou diretamente na chama do fogo. Em geral, elas devem ser adicionadas ao final do preparo para garantir a potência.

Agora que vocês já sabem como colocar maconha na alimentação quero ver seus preparos, postem as fotos e marquem @lilica.420! Deixei na aba “Guias” do meu Instagram um infográfico da descarboxilação, exemplos de bases possíveis para extração e o passo a passo de como fazer a manteiga cannábica.

No meu canal do Youtube (youtube.com/lilica420) você encontra o vídeo de como descarboxilar e como fazer a manteiga, além de receitas e dicas de como utilizar as infusões na culinária cannábica. Espero vocês por lá também, já aproveitem e se inscrevam no canal. E quem quiser aprender tudo isso e mais um pouco sobre culinária cannábica ainda pode se matricular no meu curso on-line e fazer, de fato, parte da #revoluçãocannábica!

Leia também: Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?

Foto em destaque: Lilica 420.