Clínica especializada em cannabis medicinal chega ao Nordeste

Além da nova sede em Natal (RN), Clínica Gravital também inicia expansão para o interior paulista com unidade em Sorocaba. As informações são do Cannabiz/Veja

Via Smoke Buddies

Autodenominada “clínica canábica”, a Gravital, fundada no Rio de Janeiro em 2019, vai ampliar sua presença no Brasil neste segundo semestre de 2021. Após consolidar operações nos três estados da região Sul, com unidades em Porto Alegre (RS), Itajaí (SC) e Curitiba (PR), e nas duas maiores capitais do Sudeste (São Paulo e Rio), o centro médico abrirá em breve mais duas filiais, uma em Natal (RN) e outra em Sorocaba, no interior paulista. Em duas rodadas de captação de recursos, a Gravital reuniu investidores pessoas físicas e a Blue Dream Capital Partners, fundo offshore dedicado à indústria da cannabis. Segundo seu fundador, o empresário Joaquim Castro, a empresa se prepara agora para uma terceira rodada de captação na qual buscará R$ 2 milhões para suportar o plano de expansão geográfica da marca. Segundo ele, há ainda negociações avançadas com outros parceiros para a abertura de sedes em outras três capitais, mantidas em sigilo.

“Escolhemos Natal para sediar nossa primeira filial no Nordeste por que a cidade é referência em pesquisas sobre a cannabis. Nossa visão é que pesquisas trazem uma saudável luz acerca dos usos medicinais da planta e queremos nos aproximar de centros que têm se destacado no assunto. Temos pacientes de variadas condições clínicas e temos contato com fabricantes de produtos à base de cannabis que mostram interesse em participar de estudos científicos. Queremos abrir as portas para os pesquisadores de modo que consigamos unir forças”, explica Castro. A clínica potiguar abrirá para atendimento ao público nos próximos meses e será liderada pela médica psiquiatra Mariana Muniz. “Venho acompanhando o trabalho da Gravital há algum tempo e já havia conversado com eles no início de 2020, mas na época ainda não estávamos prontos. Quando me mudei para Natal percebi que o conceito que discutíamos de ter uma clínica próxima a um centro de referência em pesquisa sobre cannabis tem potencial para gerar frutos muito interessantes”, aposta a Dra. Mariana.

Outra cidade a receber uma filial da clínica canábica será Sorocaba, no interior de São Paulo. Castro conta que a Gravital foi atraída para a cidade pela High Five Health, um complexo de saúde que engloba medicina, nutrição, educação física e psicologia no mesmo local. “Sorocaba é uma cidade de 700 mil habitantes e que atrai populações vizinhas em busca de serviços médicos. Quisemos sair na frente nesse segmento e por isso fechamos a parceria com a Gravital. A presença da marca em nosso centro nos trará sinergias importantes com nossos profissionais de outras especialidades. A cidade vai ganhar muito com a chegada de uma clínica especializada nas terapias à base de canabinoides”, destaca o médico Sérgio Pistarino Jr., CEO da High Five. Em Sorocaba, a clínica terá o médico André Cavallini como Diretor Técnico, profissional que já compõe o quadro da Gravital na capital paulista. “Eu já prescrevo para mais de 100 pacientes. É estimulante atuar em uma empresa formada por um grupo de médicos que discute abordagens terapêuticas, troca relatos de casos, feedbacks de produtos e questões regulatórias. Vamos trazer para Sorocaba o que há de mais avançado em termos de conhecimento sobre cannabis para fins medicinais”, promete Cavallini.

A expansão da Gravital para fora dos grandes centros é um passo relevante para o crescimento do mercado da cannabis medicinal no Brasil. O blog sempre defendeu que o desenvolvimento do setor no país precisa ocorrer pelo lado da demanda, uma vez que a oferta nunca foi problema. Com mais médicos prescrevendo e mais pacientes se beneficiando das terapias com a planta, a tendência é uma popularização desses tratamentos, com ganhos de escala e a consequente redução dos preços finais aos pacientes. Quando a iniciativa ainda se aproveita do conhecimento científico e acadêmico local, como no caso de Natal, as perspectivas se tornam ainda mais promissoras.

Leia mais: Congresso gratuito sobre uso medicinal dos canabinoides tem inscrições abertas

Imagem de capa: divulgação / Clínica Gravital.

Congresso gratuito sobre uso medicinal dos canabinoides tem inscrições abertas

Segunda edição do CNABIS, online e de caráter técnico-científico, é destinada a médicos, profissionais da saúde e interessados no assunto

Fonte: Smoke Buddies

Entre os dias 3 e 5 de agosto, acontece a 2ª edição do congresso CNABIS, evento virtual que tem como objetivo debater o uso terapêutico da cannabis e suas aplicações entre médicos, profissionais de saúde e pessoas interessadas no tema. As inscrições gratuitas estão abertas.

Entre os temas abordados ao longo do evento, especialistas convidados explicam a história da cannabis, a farmacologia de seus derivados e os efeitos terapêuticos da planta, incluindo seu papel no esporte, em tratamentos de patologias e na saúde, além de desvendar mitos relacionados ao uso medicinal da maconha.

“Quando o tema é cannabis medicinal temos um desafio muito maior do que o científico, que é o acesso à informação“, comenta Viviane Sedola, CEO e fundadora da Dr. Cannabis, responsável pelo congresso. “Por isso, convidamos cientistas e médicos icônicos para compartilhar sua experiência e descobertas com o público médico brasileiro”.

Nomes de referência estão confirmados, como o neurocientista, biólogo e escritor Sidarta Ribeiro; Dr. Mário Grieco, médico Especialista em Clínica Médica Fellowship em Medicina de Família nos USA; Dr. Stephen M. Dahmer, médico de família certificado e membro do Arizona Center for Integrative Medicine; Dra. Verônica Christine de Paiva, prescritora de tratamentos à base de cannabis medicinal, com 15 anos de experiência em atendimentos clínicos ambulatoriais e urgência/emergência; entre outros. A lista completa de palestrantes pode ser consultada aqui .

Serviço

CNABIS – II Congresso de Cannabis medicinal
Público: médicos, profissionais da saúde e interessados em cannabis medicinal.
Data: de 3 a 5 de agosto de 2021
Horário: as palestras acontecem no horário marcado, mas ficam disponíveis para acesso gratuito até o início do outro dia do congresso.
Inscrições: Link
Mais informações: https://cnabis.com.br/
Contato: congresso@drcannabis.com.br

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Foto de capa: THCamera Cannabis Art.

Comissão do legislativo paranaense aprova PL que assegura acesso à cannabis medicinal

Projeto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia do Paraná prevê que, além do paciente, associações, fundações e entidades poderão adquirir medicamentos à base de maconha

Via Smoke Buddies

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná aprovou nesta terça-feira (6) o projeto de lei 962/2019, de autoria do deputado Goura (PDT), que assegura o acesso a medicamentos e produtos à base de canabidiol (CBD) e tetraidrocanabinol (THC) para tratamento de doenças, síndromes e transtornos de saúde. As substâncias são encontradas na planta Cannabis sativa, conhecida popularmente como maconha. A matéria foi aprovada na forma de um substitutivo geral apresentado pelo relator, deputado Paulo Litro (PSDB), com votos contrários dos deputados Homero Marchese (PROS) e Delegado Jacovós (PL).

De acordo com o substitutivo, o acesso a medicamentos à base dos produtos se dará de acordo com o preenchimento dos seguintes requisitos: “laudo de profissional legalmente habilitado na medicina contendo a descrição do caso, o Código Internacional da Doença (CID), síndrome ou transtorno, e a justificativa para a utilização do medicamento; declaração médica sobre a existência de estudos científicos comprovando a eficácia do medicamento para a doença, síndrome ou transtorno, com a menção de possíveis efeitos colaterais; e prescrição médica contendo, obrigatoriamente, o nome do paciente e do medicamento, o quantitativo e o tempo necessário para o tratamento”.

O acesso será realizado desde que os medicamentos e produtos industrializados ou artesanais à base de CBD e THC estejam de acordo com as normas de saúde e autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além do paciente, associações, fundações e entidades poderão adquirir os medicamentos. “Diversos estudos passaram a comprovar a eficácia do CBD e do THC para o controle de crises de epilepsia, síndrome de Dravet, tratamentos quimioterápicos de câncer, esclerose múltipla, fibromialgia, dores crônicas, entre outros casos”, enumerou o autor, na justificativa do projeto. “O projeto garante acesso ao medicamento. Não permite a produção ou plantio”, explicou o relator.

Veja também: Senado de Porto Rico aprova medida de proteção trabalhista a pacientes de maconha

Imagem em destaque: Unsplash | Gio Bartlett.

Senado de Porto Rico aprova medida de proteção trabalhista a pacientes de maconha

Legislação visa proibir retaliação por resultado positivo de um teste de drogas a funcionário ou candidato a emprego que possui receita médica ou autorização legal para consumo terapêutico de maconha. Com informações do portal NotiCel

Via Smoke Buddies

O Senado de Porto Rico aprovou com emendas o Projeto de Lei do Senado nº 191, do senador independente José Vargas Vidot e do presidente do Senado, José Luis Dalmau Santiago.

A medida visa proibir a retaliação contra empregados ou candidatos a emprego pelo resultado positivo de um teste de detecção de substâncias controladas para as que a pessoa tenha receita médica ou autorização legal.

De acordo com a peça legislativa, em 2017 foi assinada a “Lei de Gestão do Estudo, Desenvolvimento e Pesquisa da Cannabis para a Inovação, Normas Aplicáveis ​​e Limites”. Assim, o governo de Porto Rico forneceu a primeira estrutura legislativa para regulamentar e permitir o uso de cannabis medicinal. No entanto, esta lei deixou um vazio nas relações trabalhador-empregador no momento em que os pacientes de maconha medicinal são obrigados a fazer testes para substâncias controladas, sejam eles empregados ou candidatos a emprego.

“Apesar da autorização para consumo da cannabis medicinal, existe uma hipocrisia legal. Esse suposto endosso do Estado não veio com medidas claras e adequadas para proteger de retaliações e ações disciplinares os funcionários que usam cannabis medicinal — em lei — para tratar diversas doenças. Infelizmente, em muitos espaços continua uma visão demonizadora, punitiva e humilhante sobre a cannabis medicinal que, na verdade, serve como um tratamento alternativo para uma multiplicidade de condições. E isso deve acabar”, disse o senador Vargas Vidot em um comunicado à imprensa.

Com o objetivo de reconciliar os erros da autorização da cannabis medicinal em 2017, em abril de 2018 foi protocolado o Projeto de Lei do Senado nº 878, porém a medida não virou lei. Devido a isso, atualmente os funcionários e candidatos a empregos continuam a ser privados de proteções trabalhistas para o uso legal da cannabis medicinal.

O projeto de lei 191 do Senado recebeu parecer positivo da Comissão de Assuntos Trabalhistas e Direitos Humanos, presidida pela senadora Ana Irma Rivera Lassén. De acordo com o relatório, embora os empregadores devam garantir ambientes saudáveis ​​no trabalho, esses esforços não devem conflitar com o tratamento médico recebido pelos funcionários ou candidatos a empregos.

Leia mais: Justiça determina que Estado forneça canabidiol a criança epilética em Feira de Santana

Foto de capa: Érika P. Rodríguez | NYT.

Comissão Especial da Câmara aprova PL sobre cannabis medicinal e industrial no Brasil

Em votação realizada na manhã desta terça (8), a Comissão Especial aprovou o projeto de lei 399/2015, que regulamenta o plantio, produção e comercialização de cannabis com fins terapêuticos e veterinários e do cânhamo industrial no Brasil; deputados opositores ao projeto devem apresentar requerimento para que a matéria vá ao plenário da Câmara e não siga para o Senado

Fonte: Smoke Buddies

Foi como uma reprise resumida das dezenas de audiências públicas e debates que a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça (8), o relatório que cria regras para a cannabis medicinal e veterinária, além do cânhamo industrial, no país. Por 17 votos favoráveis e 17 contrários e com o voto de minerva do relator Luciano Ducci (PSB-PR), o projeto de lei 399 deve seguir para o Senado federal – embora a oposição ao PL já tenha adiantado que apresentará requerimento para que a matéria seja encaminhada ao plenário da Câmara.

A sessão, que revisitou os principais pontos debatidos ao longo de dois anos de trabalho legislativo, nas palavras dos parlamentares favoráveis e contrários ao projeto, culminou na votação do relatório pelos membros da Comissão, que não encontraram consenso: o empate sobre a decisão, de 17 x 17, foi resolvido com o voto do relator, que aprovou a matéria. Veja como votou cada deputado:

placar Comissão Especial da Câmara aprova PL sobre cannabis medicinal e industrial no Brasil

Confira a íntegra da reunião, que decidiu também por descartar as emendas e manter o texto do relator:

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Foto de capa: Cleia Viana | Câmara dos Deputados.

PL 399: ferramenta mede probabilidade de aprovação do projeto de lei

De acordo com monitoramento do Instituto de Pesquisas Sociais e Econômicas da Cannabis, a probabilidade de aprovação do PL 399 é de 29% — ferramenta mede a movimentação da pauta, não o posicionamento dos legisladores

Fonte: Smoke Buddies

Dos cerca de 27 projetos de lei relativos à cannabis em tramitação nas casas legislativas do Brasil, nos âmbitos federal, estadual e municipal, o PL 399/15, de autoria do deputado Fábio Mitidieri, que regulamenta o plantio e a produção da cannabis medicinal e do cânhamo industrial no país, é o de maior relevância no momentocom parecer favorável apresentado pelo relator no dia 20 de abril, recebeu 34 emendas até dia 5 de maio e deve ser votado na Comissão Especial da Câmara na próxima segunda (17). Caso aprovado, segue para o Senado e, com a sanção presidencial, entra em vigor. Mas, não é tão simples assim.

O projeto de 2015 está sendo monitorado de perto pelo Instituto de Pesquisas Sociais e Econômicas da Cannabis (Ipsec), que usa uma ferramenta de inteligência artificial, a Inteligov, para acompanhar os trabalhos legislativos e medir a probabilidade de aprovação da pauta, de acordo com a atividade parlamentar registrada na proposição. Na última atualização do cálculo, em 23/4, a probabilidade de aprovação do PL 399 era de 29%.

“Esse termômetro é sobre a movimentação da pauta”, explica Bruno Pegoraro, um dos fundadores e presidente do Ipsec. “A ferramenta usa essa inteligência artificial para dar um acompanhamento se o negócio está quente ou frio”.

Ele explica que, à medida que o debate aumenta, a porcentagem tende a acompanhar. Ainda assim, sua opinião pessoal é de que a pauta não deve ser aprovada rapidamente pelo Congresso nacional. “Passando na Comissão, ela deveria ir direto para votação no Senado. Mas, se 52 deputados assinarem um recurso para que isso não vá direto ao Senado, tem que voltar para o plenário da Câmara dos Deputados, e aí, com tantas pautas urgentes, vão colocar mais essa na fila”, comenta. Tal requerimento que leva a discussão para o plenário foi apresentado, via app da Câmara, pelo deputado Jefferson Campos (PSB-SP).

Ainda que referente exclusivamente aos fins medicinal e industrial da cannabis, a proposta ainda é considerada polêmica e muito atrelada ao estigma da maconha aos olhos dos representantes que a população elegeu. Por isso, o cultivo para pessoas físicas, proposto entre as 34 emendas que foram recebidas ao relatório, também não deve fazer parte do projeto. “Acho muito difícil aprovar alguma coisa de autocultivo. O deputado Bacelar, vice-presidente da Comissão Especial, fala algo muito interessante, que a nossa Câmara é o reflexo da nossa população. E a nossa população é conservadora”, explica Pegoraro.

Copo cheio

Se a perspectiva não parece animadora e o caminho do PL 399 mais distante na velocidade atual, o fato é que recentes aprovações em assembleias legislativas e o aumento no número de projetos de lei sobre a cannabis, como no Distrito Federal, na Paraíba e em Goiânia, mostram que a demanda da sociedade é o que move a transformação – e seus representantes não podem simplesmente ignorá-la.

“Quanto mais iniciativas dessas melhor, porque no meu entendimento, a Câmara Federal fica um pouco longe da população“, explica Pegoraro. “E os vereadores são os representantes mais próximos da população, estão sempre junto, vendo as demandas”.

Criado como uma ferramenta de advocacy pela regulamentação do mercado da cannabis no Brasil, o Ipsec também atua junto aos parlamentares para fomentar e oferecer embasamento para as regulamentações a respeito do tema – incluindo a articulação para a criação de uma frente parlamentar de cannabis e cânhamo, que atualmente está coletando assinaturas. “Hoje vemos muitas discussões pautadas em fatos que não são reais e o nosso DNA é buscar fatos que sejam validados”, explica Pegoraro.

“A gente quer aumentar as discussões do mercado de cannabis para achar a regulação, uma legislação, que seja legal para o nosso país, que atenda todo mundo. Mas qual é a legislação adequada para o Brasil? Eu não tenho essa resposta para te dar. Nem os países que regulamentaram têm essa resposta. Vamos olhar os modelos internacionais, vamos trazer a sociedade civil para discutir isso, se engajar”, diz.

Federação das Associações de Cannabis Terapêutica (Fact), listou nove emendas ao relatório do deputado Luciano Ducci, incluindo que as exigências às associações sejam condizentes com sua atuação, que é diferente da indústria, e que a elas seja dada autonomia sanitária, além da inclusão de uma política social de reparação social e histórica às vítimas da guerra às drogas.

Segundo a porta-voz da federação e coordenadora da Liga Canábica Sheila Geriz escreveu em artigo publicado na Smoke Buddies, “embora autorize as associações a plantarem e produzirem derivados da cannabis para fins terapêuticos, há alguns aspectos no PL que podem significar a inviabilização do trabalho das associações, dentre eles destaco que não se verificam dispositivos no texto que considerem o fato de serem as associações entidades sem finalidade lucrativa, assim, são atribuídas a estas entidades as mesmas regras referentes às demais ‘pessoas jurídicas’ interessadas no cultivo e manufatura de produtos derivados de cannabis”.

Para Pegoraro, é importante contemplar as associações em um desenho de regulamentação. “Tem que ter o terceiro setor trabalhando junto. Temos grandes plantações de soja, grandes empresas, e temos também os que plantam orgânicos, que têm sua cooperativa. A gente tem que contemplar todo mundo, precisamos enxergar as associações como players importantíssimos para este mercado”, diz.

Leia mais – PL 399: emendas propõem cultivo doméstico e uso in natura de cannabis

Imagem de capa: THCamera Cannabis Art.

Quem são os pacientes de cannabis medicinal na Europa?

O mercado europeu de cannabis para fins medicinais ainda está em sua infância, com muito trabalho a ser feito antes que o acesso do paciente alcance os níveis observados na América do Norte. Saiba mais com as informações da Prohibition Partners

Via Smoke Buddies

Para melhor servir à população de pacientes de cannabis medicinal na Europa, os operadores precisam compreender quem são os pacientes e por que confiam nesses medicamentos.

Além das análises fornecidas em seu recente relatório European Cannabis Report, a Prohibition Partners reuniu dados de pacientes europeus de cannabis medicinal de agências governamentais nacionais e grupos de pesquisa independentes para investigar estatísticas de alto nível sobre pacientes que recebem prescrição de cannabis medicinal. Uma das principais fontes de dados na Europa é o Project Twenty21, administrado pela Drug Science no Reino Unido, que é um registro de pacientes que “visa criar o maior corpo de evidências do Reino Unido para a eficácia e tolerabilidade da cannabis medicinal”, para facilitar o acesso do paciente e posteriormente publicar dados anônimos.

A Prohibition Partners conversou antecipadamente com a Dra. Anne Katrin Schlag, chefe de pesquisa da Drug Science, sobre os dados de uma próxima publicação sobre pacientes do Reino Unido no Journal of Psychopharmacology. Ela explicou que:

“Nossa população de pacientes compreende uma grande faixa etária (mais ou menos de 18 a 80 anos). Suas taxas consistentemente altas de comorbidade e baixa qualidade de vida demonstram como muitos deles estão indispostos. Portanto, quaisquer estereótipos de usuários de cannabis medicinal como sendo usuários recreativos saudáveis ​​na casa dos 20 e que procuram uma fonte legal não poderiam estar mais longe da verdade.”

A Drug Science também forneceu algumas informações atualizadas sobre o Reino Unido para a análise a seguir.

Indicações

A cannabis medicinal mostra-se promissora no tratamento de uma ampla gama de condições, sendo um modulador do sistema endocanabinoide e tendo um perfil anti-inflamatório seguro e eficaz. Embora os medicamentos canabinoides sejam aprovados para um conjunto limitado de condições, por exemplo, Epidiolex para epilepsias raras, médicos e pacientes usam esses medicamentos para cobrir muitas outras condições.

Os produtores de cannabis medicinal para o mercado europeu devem tomar nota das condições para as quais a cannabis é prescrita no continente. As necessidades dos pacientes variam amplamente de acordo com a condição, por exemplo, onde CBD/Epidiolex® é útil para pacientes epiléticos, o THC é mais útil para a redução de náuseas. Abaixo estão as indicações para as quais os produtos de cannabis medicinal são prescritos por país.

A dor é, de longe, a razão mais comumente citada para os médicos prescreverem cannabis medicinal. A dor crônica afeta até 1 em cada 3 pessoas nos países desenvolvidos, geralmente definida como dor que ocorre na maioria dos dias ou todos os dias durante seis meses. As tendências europeias são comparáveis ​​às da América do Norte, pois a cannabis medicinal é mais frequentemente prescrita para a dor. Isso também é verdade no Reino Unido, de acordo com dados fornecidos pela Dra. Anne Katrin Schlag:

“Os distúrbios de dor e ansiedade são os dois distúrbios mais comuns em mulheres e homens; as mulheres são mais propensas a relatar uma condição primária de dor crônica (61,5% vs 51%), enquanto os homens são mais propensos a relatar transtornos de ansiedade (38% vs 23,8%)”.

Os pacientes de cannabis medicinal que buscam tratar a dor diferem em suas necessidades, dependendo da intensidade da dor e da frequência de uso. De modo geral, os pacientes com dor preferem medicamentos canabinoides com quantidades altas e balanceadas de THC e CBD, com consumidores de alta frequência preferindo THC alto e CBD mais baixo. Isso se reflete nos tipos de cannabis medicinal atualmente disponíveis na Europa, com a maioria dos países tendo uma gama mais ampla de medicamentos com alto teor de THC e THC:CBD balanceado do que apenas com alto teor de CBD.

Demografia

A idade média dos pacientes de cannabis medicinal na Europa é semelhante à da população de pacientes norte-americanos, embora um pouco mais velha. No maior mercado da Europa, Alemanha, a idade média dos usuários de cannabis medicinal no país é 54. A Dinamarca e a Itália são notáveis ​​por terem uma população de pacientes maduros de cannabis medicinal com uma média de 57 e 58 anos, respectivamente. Os primeiros dados do Project Twenty21 indicam que os grupos de pacientes no Reino Unido são um pouco mais jovens do que em outros países europeus, com uma idade média de cerca de 39 anos.

Sabe-se que pessoas de diferentes grupos etários preferem diferentes produtos de cannabis medicinal. Por exemplo, os dados da pesquisa oficial com pacientes alemães indicam que a idade média dos pacientes de cannabis medicinal que usam maconha in natura (buds) é 46, enquanto no uso do extrato a média é de 57. O Instituto Federal de Drogas e Dispositivos Médicos (BfArM) na Alemanha observou que muitas prescrições de flor de cannabis não são relatadas, o que pode distorcer os dados, já que esses pacientes costumam ser em sua maioria homens e um pouco mais jovens do que pacientes que usam outros produtos.

Gênero

Os dados sobre o gênero dos pacientes de cannabis medicinal na Europa sugerem que o equilíbrio é mais uniforme entre homens e mulheres do que na América do Norte, onde a população de pacientes é majoritariamente masculina. Nos Países Baixos e na Alemanha, a divisão de gênero não é grande. A Dinamarca e a Itália são notáveis ​​por suas populações de pacientes, com uma grande maioria feminina de 62% e 63%, respectivamente. De acordo com os dados do Project Twenty21, a população de pacientes do Reino Unido é mais comparável à da América do Norte em termos de equilíbrio de gênero, com uma maioria de 66% do sexo masculino em abril deste ano. A Alemanha e o Reino Unido são os únicos países para os quais estão disponíveis dados sobre pacientes não binários e, até o momento, cerca de 0,1% e 0,6% dos pacientes se identifica como tal em cada país.

Tal como acontece com a demografia, o gênero desempenha um papel na escolha do produto pelo paciente. Na Alemanha, por exemplo, 68% dos pacientes que recebem buds são do sexo masculino, enquanto as mulheres dominam o uso de dronabinol (58%), Sativex® (54%) e extratos (54%), conforme relatado nas pesquisas do BfArM.

Conclusão

Os dados apresentados aqui representam muitos dos dados disponíveis sobre pacientes na Europa. Deve-se notar que os dados representam uma pequena porção da população total de pacientes no continente, com milhões de pessoas ainda se autoprescrevendo cannabis medicinal e grandes faixas de pacientes não sendo incluídas nos dados publicados, como a população da Suíça.

Imagem em destaque: Skitterphoto | Pexels.

Os desafios para a prescrição da cannabis medicinal

“É irrefutável assegurar que a cannabis é uma ferramenta terapêutica útil, que tem impacto direto na qualidade de vida de pessoas portadoras de doenças crônicas e incapacitantes”, segundo a neurocirurgiã Patrícia Montagner*, em artigo publicado originalmente no Estadão

Via Smoke Buddies

Apesar dos resultados promissores, já apresentados em mais de 20 mil artigos publicados do Pubmed, assim como a alta demanda de pacientes brasileiros em busca de tratamento diante das robustas evidências de sucesso, a resistência de alguns setores da sociedade e da classe médica e a desinformação são os grandes obstáculos enfrentados para a incorporação da cannabis medicinal, ainda que os avanços e o potencial terapêutico sejam irrefutáveis e amplamente relatados nas mais variadas especialidades médicas.

Diante deste cenário, e a partir do aval da Anvisa para a importação de produtos à base de cannabis, assim como a pressão social para aprovação do PL 399/2015, que possibilita o cultivo da planta no Brasil, muitos pacientes portadores de doenças neurológicas, psiquiátricas e até com câncer ainda encontram obstáculos para obter uma prescrição médica segura e eficaz da substância, além de terem como entraves o alto custo e a burocracia enfrentados para o acesso.

As evidências científicas são substanciais e validam a prescrição a partir de diversos projetos de pesquisa em torno da atuação da cannabis em doenças como câncer, epilepsia, dor crônica, fibromialgia, doença inflamatória intestinal, transtornos de ansiedade, doença de Parkinson, dentre outras. A Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA realizou uma profunda revisão sobre o estado atual de evidências e recomendações para pesquisas dos efeitos da cannabis e dos derivados canabinoides na saúde humana, baseando-se em trabalhos publicados de 1999–2017. A revisão foi taxativa ao afirmar que os dados apresentados são substanciais para a validação do uso da cannabis no tratamento da dor crônica.

Os estudos também mostram avanços que tendem a se consolidar para outras patologias, que apresentam respostas impactantes a partir do uso da cannabis, como, por exemplo, aos portadores de transtornos do sono, doença de Alzheimer e autismo, como bem mostrou a pesquisa de cientistas brasileiros publicada no Frontiers Neurology, que expõe os benefícios do óleo de cannabis no tratamento dos sintomas do espectro autista.

No entanto, as dificuldades passam pelo acesso a uma fonte de informações segura, técnica e organizada, aliada à falta de experiência do profissional médico para a prescrição assertiva dos derivados canabinoides. Com poucas opções de profissionais capacitados e a ausência de um manual qualificado de instruções, muitos pacientes iniciam uma maratona em busca de médicos prescritores ou se arriscam à automedicação, muitas vezes sem sucesso.

Apesar do seu histórico de uso medicinal milenar, que data desde 2.700 AEC, a cannabis apresenta, nos últimos 70 anos, uma imagem de controvérsia e estigma, com inúmeras restrições legais ao seu uso. A partir da descoberta do sistema endocanabinoide e seus receptores, o interesse de pesquisadores no estudo da interação desse sistema com os fitocanabinoides e suas possíveis utilidades terapêuticas aumentou exponencialmente. No entanto, mesmo sendo objeto de pesquisa desde meados da década de 1940, as descobertas não integram as disciplinas médicas dentro das universidades e até mesmo nas especializações profissionais. Em um dos países mais avançados no uso medicinal da cannabis, os EUA, apenas 9% das universidades médicas norte-americanas apresentam conteúdos programáticos sobre de sistema endocanabinoide e cannabis medicinal.

É preciso ampliar o debate dentro da academia, das preceptorias nas residências médicas, democratizar o conhecimento, especialmente sobre o entendimento do sistema endocanabinoide, responsável por regular todos os demais sistemas do corpo humano, com conexões que podem gerar uma série de reações fisiológicas, que se modulam positivamente no tratamento de inúmeras doenças. Este conhecimento é o divisor de águas para diminuir a resistência por parte dos profissionais de saúde em incluir medicamentos à base de cannabis em seu arsenal terapêutico.

Romper com o preconceito em torno da eficácia, já comprovada a partir de pesquisas científicas e inúmeros casos clínicos em todas as partes do mundo, é urgente. São centenas de milhares de histórias que demonstram que a aplicação correta dessa medicação pode ser transformadora, especialmente para casos de maior refratariedade e difícil manejo clínico.

É irrefutável assegurar que a cannabis é uma ferramenta terapêutica útil, que tem impacto direto na qualidade de vida de pessoas portadoras de doenças crônicas e incapacitantes e esta afirmação está respaldada no uso medicinal histórico da planta, nos desdobramentos da descoberta do sistema endocanabinoide e no volume crescente de pesquisas na área. Educação e formação técnica qualificada são necessárias para desmistificar a imagem equivocada associada a essa planta e lapidar o entendimento científico a respeito da utilidade médica da cannabis e do seu impacto na melhora da qualidade de vida dos pacientes.

*Patrícia Montagner é especialista em neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e diretora técnica da Clínica NeuroVinci, localizada em Florianópolis (SC). Certificada pelo World Institute of Pain (WIP) para procedimentos minimamente invasivos em dor (fellow of interventional pain practice), é também colaboradora médica da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal, a AMA+ME.

México publica regulamento sobre a maconha medicinal, criando novo mercado

O regulamento estabelece, entre outras, regras para o plantio de cannabis, o que permitiria às empresas cultivar a planta legalmente em solo mexicano. As informações são da Reuters

Via Smoke Buddies

O ministério da saúde do México publicou nesta terça-feira (12) regras para regular o uso de cannabis medicinal, um passo importante em uma reforma mais ampla para criar o maior mercado legal de cannabis do mundo no país latino-americano.

O novo regulamento foi assinado pelo presidente Andrés Manuel López Obrador e agora permitirá que as empresas farmacêuticas comecem a fazer pesquisas médicas sobre produtos de cannabis.

A reforma da cannabis em andamento inclui o uso adulto da maconha e criará o que seria o maior mercado nacional de cannabis do mundo em termos de população.

As novas regras medicinais estabelecem que as empresas estatais que desejam realizar pesquisas devem obter permissão do regulador de saúde mexicano, COFEPRIS, e que a pesquisa deve ser realizada em laboratórios estritamente controlados e independentes.

O regulamento também estabelece regras para a semeadura, cultivo e colheita de cannabis para fins medicinais, o que permitiria às empresas cultivar maconha legalmente em solo mexicano.

Empresas estrangeiras de maconha do Canadá e dos Estados Unidos têm olhado para o México com interesse. Muitos atrasaram a tomada de decisões de investimento devido à incerteza da política e aguardavam a publicação do regulamento final.

Os legisladores mexicanos também estão nos estágios finais da legalização do uso adulto da maconha, com o projeto de lei sendo aprovado no próximo período do Congresso.

O regulamento vem vários anos depois que a Suprema Corte do México decidiu que os legisladores devem legalizar o uso de cannabis.

A legislação marca uma grande mudança em um país atormentado por anos pela violência entre cartéis de drogas rivais, que há muito ganham milhões de dólares cultivando maconha ilegalmente e contrabandeando-a para os Estados Unidos.

Sírio-Libanês inaugura novo núcleo para pesquisa e atendimento na área de cannabis medicinal

O Núcleo de Cannabis Medicinal do Sírio-Libanês terá por objetivo a pesquisa, o ensino e o atendimento ambulatorial na área de cannabis medicinal

Fonte: Smoke Buddies

Hospital Sírio-Libanês inaugurou nessa quinta-feira (10), em sua unidade Bela Vista, em São Paulo, o Núcleo de Cannabis Medicinal, segundo publicação de Norberto Fischer em suas redes sociais.

O novo núcleo será coordenado pelo Prof. Dr. Daniel Neves Fortes e terá por objetivo a pesquisa, o ensino e o atendimento ambulatorial na área de cannabis medicinal.

Para o Sírio-Libanês, a pesquisa sobre o uso terapêutico da cannabis é importante uma vez que possibilita o desenvolvimento de tratamentos inovadores, levando em conta as ações anti-inflamatórias, antioxidantes, anticonvulsivantes, analgésica, antiemética, neuroprotetoras e imunomoduladoras.

O núcleo receberá pacientes com patologias de difícil controle, como epilepsias refratárias, transtorno do espectro autista, dores crônicas e doenças neurodegenerativas, ou ainda outros diagnósticos cuja cannabis medicinal pode ser apoio no tratamento.

O Núcleo de Cannabis Medicinal do Sírio-Libanês promoverá a educação e pesquisa nesta área, respaldando-se no melhor conhecimento técnico disponível e nas regulamentações ético-legais do país. O núcleo de atendimento será composto por médicos do corpo clínico com experiência na área.