Canadá: um quarto da população diz ter usado maconha em 2021

Levantamento anual do governo revela que 6% dos canadenses plantaram maconha em casa e que o consumo caiu em 2021, principalmente na faixa entre 16 e 19 anos – a disposição para falar sobre o uso, no entanto, aumentou

Fonte: Smoke Buddies

Desde 2017, a agência de saúde Health Canada conduz uma pesquisa anual para auxiliar o governo a examinar padrões de uso e do mercado de maconha no país: Canadian Cannabis Survey de 2021 revela insights sobre o comportamento do consumidor canadense no último ano, como o aumento da idade inicial de uso (de 20 anos, em 2020, para 20,4, em 2021) e a queda de usuários entre 16 e 19 anos, de 7%.

Não só entre os jovens foi observada a queda no consumo social de maconha no último ano no Canadá. Embora um quarto da população (25%) tenha usado maconha, e 58% destes estariam dispostos a assumir isso publicamente, a porcentagem de usuários caiu em relação a 2020, quando 27% dos canadenses confirmaram o consumo no mesmo período. A razão mais comum para uma diminuição no uso de cannabis foi a falta de reuniões sociais ou oportunidades para socializar (34%).

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Sobre a frequência de uso, mais da metade (53%) relatou usar cannabis três dias por mês ou menos, e 19% dos canadenses relataram uso diário de cannabis. As porcentagens permaneceram inalteradas desde 2020.

Fumar (74%) foi o método mais comum de consumo de cannabis relatado pelos canadenses, uma queda em relação a 2020 (79%). Bebidas com infusão (15%) tiveram um aumento de 7% em relação a 2020, enquanto edibles (54%) e dabs (6%) permaneceram inalterados.

Entre os canadenses que possuem maconha em casa, armários ou gavetas destrancados (36%) são os locais principais de armazenamento, seguidos por recipientes à prova de crianças (28%), contêineres trancados (20%) e prateleiras ou mesas abertas (17%).

Foto em destaque: LexScope / Unsplash.

Canadá: vendas de maconha atingem CA$ 1,3 bilhão no primeiro semestre de 2021

As vendas de inflorescência de cannabis seca para uso social no Canadá representaram cerca de 73% dos gastos em todas as categorias. As informações foram traduzidas pela Smoke Buddies do Marijuana Business Daily

A cannabis seca ainda governa o mercado de uso adulto regulamentado do Canadá, mas seu domínio sobre outras categorias está diminuindo, mostram novos dados.

Os gastos com cannabis desidratada totalizaram aproximadamente 1,3 bilhão de dólares canadenses (R$ 5,9 bilhões) no primeiro semestre de 2021, de acordo com os números de vendas do Statistics Canada, ou cerca de 73% dos gastos em todas as categorias.

Isso caiu de 80% no semestre anterior e perto de 90% no início de 2020, quando comestíveis e vaporizadores ainda não haviam sido totalmente lançados no mercado.

Do CA$ 1,8 bilhão em gastos com cannabis legal de janeiro a junho:

  • As vendas de extratos e concentrados no varejo foram de CA$ 291,7 milhões, ou 16,4% dos gastos totais.
  • Gastos com comestíveis (menos bebidas) alcançaram CA$ 68,1 milhões, ou 3,8% dos gastos totais.
  • Os gastos com bebidas foram de US$ 23,6 milhões, ou 1,3% dos gastos totais.
  • Os gastos com cannabis desidratada alcançaram CA$ 1,3 bilhão, ou 73% dos gastos totais.

O Statistics Canada disse que não divulgou gastos com óleo de cannabis, sementes ou plantas para atender a certos requisitos do Ato de Estatísticas.

Os gastos com cannabis medicinal também foram omitidos, mas o MJBizDaily relatou anteriormente que os gastos canadenses com cannabis medicinal foram de CA$ 242 milhões no primeiro semestre deste ano.

De acordo com o relatório mensal mais recente da empresa de análise de cannabis HiFyre, a Pure Sunfarms, sediada na Colúmbia Britânica, governou o mercado canadense de inflorescências em setembro, seguida pela Organigram e Canopy Growth Corp.

Auxly Cannabis tinha a posição número 1 no mercado de vapes, enquanto a Indiva liderava o mercado de comestíveis.

A Hexo Corp. controlou a maior parte do segmento ainda pequeno de bebidas de cannabis naquele mês.

Pure Sunfarms no topo dos buds

O CEO da Pure Sunfarms, Mandesh Dosanjh, não está surpreso que o domínio dos buds esteja diminuindo, dado o surgimento de produtos 2.0 cada vez mais populares, referindo-se a produtos de cannabis como comestíveis e vapes.

Ele disse que outras jurisdições com mercados de cannabis maduros fornecem uma janela para vendas futuras.

“Sabíamos que isso daria uma mordida na maçã do primeiro e segundo anos, à medida que os segmentos (comestíveis, vapores e outros) cresciam e as pessoas começavam a entender esses produtos”, disse ele em entrevista por telefone.

Dosanjh disse que as inflorescências secas, responsáveis ​​por 80-90% das vendas totais, são insustentáveis.

“(As vendas de buds) estão caindo para níveis com os quais estamos muito confortáveis ​​e onde esperamos que esteja. Quando você olha para a inflorescência e o pré-enrolado juntos, poderia ser inferior a 70%? Poderia. O mercado geral, porém, continua crescendo”, afirmou.

Dosanjh espera que o segmento de inflorescências continue a crescer em dólares absolutos, mesmo que a participação nas vendas gerais caia, já que o mercado regulado geral continua registrando recordes mensais.

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A Pure Sunfarms vem ganhando participação de mercado no Canadá, enquanto grandes concorrentes gastam bilhões em fusões e aquisições, apenas para perder participação.

Dosanjh atribuiu o sucesso da Pure Sunfarms à aplicação de práticas de negócios sólidas e fundamentais.

“Entenda o consumidor. Tente fazer algumas coisas, se não uma coisa, muito, muito bem, antes de começar a pensar em se expandir”, disse ele.

“Nós realmente fizemos isso no lado das flores do negócio”.

Ele disse que a empresa se concentrou no consumidor de cannabis, especialmente os regulares, oferecendo produtos de qualidade a “preços que as pessoas deveriam esperar pagar pela cannabis”.

“Acabamos de contar nossa história”, disse ele. “O consumidor é inteligente. Eles entendem o que estamos fazendo.

Sabíamos que, ao conquistar (consumidores) com nosso produto, conquistaríamos os corações dos budtenders e operadores de loja.”

“Isso é o que nos permitiu estabelecer os trilhos do crescimento orgânico e vir por trás disso e construir nossa equipe nacionalmente, para continuar esse ímpeto.”

Indiva liderando nos comestíveis

As vendas de comestíveis e bebidas permanecem relativamente baixas em comparação com outros mercados maduros, mas têm ganhado participação de forma constante, apesar das rígidas regulamentações de embalagens.

Um pacote de comestíveis de cannabis é atualmente limitado a 10 miligramas de THC.

Niel Marotta, CEO da líder de mercado canadense Indiva, disse ao MJBizDaily que os comestíveis estão se saindo um pouco melhor do que os dados sugerem por que Quebec ainda proíbe os produtos. (Quebec, o segundo maior mercado consumidor do Canadá, proibiu a venda de comestíveis de cannabis para uso adulto antes da legalização.)

A única maneira de vender comestíveis legalmente na província é por meio de canais médicos.

Comestíveis e bebidas representaram cerca de 5% do mercado no primeiro semestre deste ano.

“Achamos que será muito maior. A própria categoria deve continuar a superar o crescimento do mercado, o que está fazendo atualmente”, disse Marotta.

A Indiva é outro exemplo de produtora licenciada que ganhou participação de mercado dominante em uma importante categoria de cannabis sem gastar centenas de milhões de dólares em fusões e aquisições.

“Sempre tivemos disciplina de capital. Ter a equipe certa no lugar”, disse Marotta. “Especialistas em CPG administram nossas instalações em Londres. Eles sabem como fazer produtos alimentícios em grande escala. Eles sabem o que é preciso. Não nos apaixonamos por equipamentos brilhantes.”

Os acordos de licenciamento também foram fundamentais para a Indiva.

“A segunda peça do quebra-cabeça é muito diferente das outras produtoras licenciadas”, disse Marotta. “Fizemos acordos de licenciamento, essencialmente com marcas estadunidenses. Principalmente Bhang e Wana (marcas).

Não precisávamos necessariamente reinventar a roda. Nossas operações, procedimentos, a forma como fazemos os produtos, as receitas, tudo isso faz parte do contrato de licença.”

A entrevista do MJBizDaily com Marotta foi conduzida antes que a Canopy Growth desembolsasse US$ 297,5 milhões em dinheiro pelo direito de comprar a fabricante de comestíveis de maconha estadunidense Wana Brands assim que os Estados Unidos legalizassem a maconha.

A Canopy não está entre as cinco maiores produtoras de marcas de comestíveis e vapes no Canadá.

“Qualquer um pode fazer um chocolate. Qualquer um pode fazer uma goma. Mas vai atender às necessidades e desejos do consumidor? Vai encantar o cliente? As pessoas irão recomendá-lo a seus amigos? Acho que é isso que temos com Bhang e Wana. São ótimos produtos”, disse ele.

“Ao dominar o espaço dos comestíveis, isso nos tornou uma produtora licenciada muito relevante.”

Foto de capa: 2H Media / Unsplash.

Representantes de Israel e Canadá defendem tentativa brasileira de regular uso medicinal da maconha

Secretaria de Relações Internacionais promoveu debate virtual sobre a regulamentação da maconha nesta quarta-feira

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Em um debate sobre o plantio de maconha para fins medicinais, promovido pela Secretaria de Relações Internacionais da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (16), a deputada israelense Sharren Haskel afirmou que há uma espécie de corrida no mundo para se ter a melhor qualidade de cannabis. Para ela, a regulamentação do assunto no Brasil vai aumentar o alcance das pesquisas.

“Uma vez que temos esse rótulo, a maior parte dos países vai procurar vocês para pesquisas e para exportação. Isso vai beneficiar muito a economia em geral e precisamos manter isso em mente”, afirmou.

Um projeto de lei em análise na Câmara regulamenta o uso de cannabis para a produção de medicamentos (PL 399/15).

A parlamentar israelense acredita que o ideal seriam regras menos burocráticas em relação ao tratamento, para que o preço do produto não fosse alto. “Bastaria a recomendação médica”.

Já o ex-parlamentar canadense Nathaniel Erskine-Smith relatou que, desde 2001, o Canadá tem regras para a cannabis medicinal. Atualmente, o país autoriza também o uso recreativo (adulto) da maconha. Segundo Nathaniel, apesar da controvérsia sobre o consumo recreativo da droga, não houve aumento do uso entre jovens.

“Isso é ciência. Existe algum dano ao adolescente, nós sabemos disso, dos efeitos colaterais, mas, para aqueles que precisam, nós precisamos falar também de um acesso razoável. No Canadá e no Brasil existem preocupações sobre o acesso e é aí que a legalização entra em questão, porque, ao legalizarmos, não vimos nenhum aumento no uso entre 18 e 24 anos de idade”, afirmou.

Viés pró-liberação

Ex-ministro da Cidadania, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) salientou que o seminário teve um viés pró-liberação e que outras instituições poderiam ter sido ouvidas.

“Há vários centros que, se o deputado concordar, podemos chamar pra um debate também, porque esse debate de hoje tem um viés pró-liberação, é um viés que enaltece as qualidades da maconha medicinal e não fala nada dos efeitos adversos”, reclamou. Segundo ele, “o objetivo disso tudo é liberar o plantio, liberar a produção em grande escala. A bradicinina vem do veneno da jararaca. É o remédio mais usado para pressão alta. E ninguém cria jararaca para tratar pressão alta”.

O secretário de Relações Internacionais, deputado Alex Manente (Cidadania-SP), explicou que o órgão não convida representantes da iniciativa privada e lembrou que o seminário integra uma série chamada Olhar Internacional, que já debateu outros assuntos, como as pesquisas sobre Covid-19.

Custo alto

Presidente da comissão especial que analisa a proposta para regularizar o plantio de maconha para fins medicinais, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) diz que a intenção do projeto é dar à população condições de adquirir os medicamentos de que precisa.

“O custo desses medicamentos é alto, um deles chega a ser de 600 dólares, e o segundo de 400 dólares, o que é muito inacessível, proibitivo. E o relatório, muito bem feito pelo deputado Luciano Ducci (PSB-PR), prevê o plantio.”

O relator da proposta afirma que medicamentos à base de maconha já se mostraram eficazes no tratamento de Alzheimer, epilepsia, Parkinson, autismo e síndromes raras. A cannabis é uma alternativa aos que não respondem bem a outras terapias ou aos que sofrem com os efeitos adversos dos medicamentos disponíveis no mercado. No Brasil, o uso medicinal da cannabis já é permitido desde 2006, mas o plantio exclusivamente para fins medicinais ou científicos não foi regulamentado.