Artigos científicos sobre cannabis batem recorde em 2020

Enquanto o ministério da Damares produz cartilha com objetivo ideológico de deturpar a luta pela regulamentação e amplo acesso da cannabis para fins terapêuticos, revista científica de renome internacional bate recorde com mais de 3.500 artigos publicados em 2020

Fonte: Smoke Buddies

Enquanto a famigerada cartilha, “Os Riscos do Uso da Maconha na Família, Infância e Juventude”, publicada e festejada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos levanta meias verdades em um emaranhado de informações retiradas de artigos científicos ultrapassados, cientistas e pesquisadores do mundo todo publicaram mais de 3.500 artigos científicos sobre a cannabis, em 2020.

O número de artigos científicos sobre a cannabis tem crescido a cada ano em relação ao anterior. Desde o início deste milênio o crescimento é cada vez maior, em 2001 foram 508 artigos e 19 anos depois, em 2020, 3.565 artigos sobre cannabis, de acordo com a base de dados da PubMed. Este número supõe que, em média, foram publicados cerca de dez artigos diários sobre a planta e seus efeitos.

Segundo observado pela revista Cañamo, seguindo a base de dados da PubMed é possível observar como no fim dos anos 60 a investigação começa a emergir, alcançando um pico poucos anos depois, e em meados dos anos 70 começa a declinar por conta da proibição da cannabis. No entanto, apesar do declínio, a pesquisa continuou crescendo moderadamente. Um artigo de 2018 avaliou as tendências na investigação da cannabis e informou que o número total de publicações dedicadas ao tema e revisadas por pares haviam se multiplicado por nove desde o ano 2000.

Nos anos 1980, os artigos científicos registrados sobre a cannabis foram pouco mais de 1.700. Na década seguinte foram 2.775 artigos, mas foi a partir dos anos 2000 que ocorreram avanços significativos: de 2000 a 2009 aparecem 6.800 artigos. E na última década esse número quase triplica: 17.000 artigos de 2010 a 2019.