Congresso gratuito sobre uso medicinal dos canabinoides tem inscrições abertas

Segunda edição do CNABIS, online e de caráter técnico-científico, é destinada a médicos, profissionais da saúde e interessados no assunto

Fonte: Smoke Buddies

Entre os dias 3 e 5 de agosto, acontece a 2ª edição do congresso CNABIS, evento virtual que tem como objetivo debater o uso terapêutico da cannabis e suas aplicações entre médicos, profissionais de saúde e pessoas interessadas no tema. As inscrições gratuitas estão abertas.

Entre os temas abordados ao longo do evento, especialistas convidados explicam a história da cannabis, a farmacologia de seus derivados e os efeitos terapêuticos da planta, incluindo seu papel no esporte, em tratamentos de patologias e na saúde, além de desvendar mitos relacionados ao uso medicinal da maconha.

“Quando o tema é cannabis medicinal temos um desafio muito maior do que o científico, que é o acesso à informação“, comenta Viviane Sedola, CEO e fundadora da Dr. Cannabis, responsável pelo congresso. “Por isso, convidamos cientistas e médicos icônicos para compartilhar sua experiência e descobertas com o público médico brasileiro”.

Nomes de referência estão confirmados, como o neurocientista, biólogo e escritor Sidarta Ribeiro; Dr. Mário Grieco, médico Especialista em Clínica Médica Fellowship em Medicina de Família nos USA; Dr. Stephen M. Dahmer, médico de família certificado e membro do Arizona Center for Integrative Medicine; Dra. Verônica Christine de Paiva, prescritora de tratamentos à base de cannabis medicinal, com 15 anos de experiência em atendimentos clínicos ambulatoriais e urgência/emergência; entre outros. A lista completa de palestrantes pode ser consultada aqui .

Serviço

CNABIS – II Congresso de Cannabis medicinal
Público: médicos, profissionais da saúde e interessados em cannabis medicinal.
Data: de 3 a 5 de agosto de 2021
Horário: as palestras acontecem no horário marcado, mas ficam disponíveis para acesso gratuito até o início do outro dia do congresso.
Inscrições: Link
Mais informações: https://cnabis.com.br/
Contato: congresso@drcannabis.com.br

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Foto de capa: THCamera Cannabis Art.

Uruguai deve permitir alimentos derivados de cannabis

De cervejas a biscoitos e doces: governo uruguaio estuda viabilizar, muito em breve, alimentos com cannabis; estão sendo analisadas várias iniciativas relacionadas à maconha, como permitir comestíveis e bebidas com canabidiol e mais acesso à prescrição de medicamentos de cannabis. Saiba mais no artigo do El País

Via Smoke Buddies

Cerveja com gosto de maconha? O governo uruguaio estuda a possibilidade de incluir no Regulamento Bromatológico Nacional o uso do canabidiol (CBD), sem efeito euforizante. Isto significa que, se decidido a favor, a indústria da cannabis poderia se desenvolver para a produção e comercialização de bebidas ou outros produtos alimentícios, como por exemplo chás, biscoitos, chocolates, balas ou barras de cereais, com base nessa substância.

Nicolás Martinelli, assessor do presidente Luis Lacalle Pou, é que está a cargo do tema e disse ao El País que isto poderia por o Uruguai “na vanguarda a nível mundial, como feito com a Lei da Cannabis de 2013”, então aprovada pelo governo de Pepe Mujica.

Na campanha eleitoral o presidente se comprometeu a não retroceder a legalização da maconha, um tema no qual se avançou durante os governos da Frente Ampla. Entretanto, os alimentos não é a única novidade vinculada à cannabis. O governo também busca que os medicamentos que contêm cannabis e que se vendem nas farmácias, sob prescrição médica, possam ser acessíveis através dos prestadores e cooperativas de saúde, anuncia Carlos Lacava, o químico farmacêutico à frente do novo Programa Nacional da Cannabis Medicinal e Terapêutica.

E o desejo do governo de estimular a indústria da cannabis também passa por outras frentes. Martinelli foi encarregado pelo presidente Lacalle Pou de “desbloquear” o problema relacionado às operações bancárias e financeiras derivadas da cannabis — atualmente as empresas não podem abrir contas bancárias devido a uma regulamentação dos Estados Unidos — e definir um plano de ação a esse respeito. Além disso, trabalha para atualizar o Decreto 46, sobre a regulamentação e controle da cannabis, aprovado em 2015.

E, além disso, se somam aos anúncios feitos pelo presidente o lançamento de um projeto para desenvolver o setor de cânhamo em Bella Unión, com o objetivo de se tornar uma zona franca.

Na área privada, a Fotmer Life Sciences, uma das maiores do ramo, começou a exportar na semana passada suas flores desidratadas de cannabis, que serão vendidas em farmácias na Alemanha, com sua marca. A assinatura do acordo foi com a empresa Cantourage, com sede em Berlim. Este é um fato inédito para a indústria uruguaia. Outros players mostram interesse pelo Uruguai, como a aceleradora brasileira The Green Hub (TGH), que está estreitando seus contatos com produtores nacionais, após abrir uma operação por lá no início do ano.

Veremos, um a um, esses anúncios vinculados à indústria da cannabis.

Alimentos com canabidiol

Há uma “indústria ávida” e um “grande mercado potencial” de consumidores de alimentos com CBD, disse Martinelli, por seu sabor e propriedades.

O assessor presidencial explica que os produtos não terão THC — o componente psicoativo —, e que as proporções de CBD manuseadas (98% de pureza) não afetam negativamente a saúde. “É mais como vitaminas ou babosa”, diz ele. De fato, o CBD não causa reações alucinógenas, não altera o humor e nem gera dependência. A semente é nutritiva e rica em proteínas e gorduras, ajuda como anti-inflamatório, no relaxamento e nos casos de epilepsia e fibromialgia, segundo especialistas.

“Se for aprovado o decreto para incluir o uso de CBD no Regulamento Bromatológico Nacional, a indústria da cannabis vai se movimentar mais, o mercado interno terá mais chances de virem investidores para participarem do negócio e, se os produtos puderem ser exportados, será mais receita para o Uruguai”, acrescenta.

A próxima etapa do decreto é a adaptação da indústria nesse sentido. A Câmara das Empresas de Cannabis Medicinal (Cecam) garante que o mercado local já conta com players fortes e preparados para isso.

MERCADO
O boom das cervejas canábicas

Dos alimentos e bebidas com cannabis, um dos que mais vende no mundo é a cerveja. Na Inglaterra, por exemplo, está a cerveja Buffalo Soldier Hemp Ale, elaborada com óleo de CBD. Na Alemanha tem boa aceitação entre os consumidores a cerveja artesanal Cannabis Red Power, que, embora não utilize cannabis em sua elaboração, se caracteriza pelo aroma da flor de cânhamo e frutas. Na Argentina se produz desde 2017 a Beer & Weed a partir de terpenos de quatro variedades distintas de cannabis. Esse mesmo ano, duas grandes cervejeiras, Heineken e Moson Coors Brewing, anunciaram planos de desenvolvimento de bebidas que usam cannabis, e outras seguiram o caminho. Na Europa, a Constellation Brands (dona da marca Corona) investiu US$ 4 bilhões de dólares na Canopy Growth, a principal produtora de cannabis legal do Canadá. Em Porto Rico se lançou a FOK 420 CBD Ale, em fevereiro passado.

Além das bebidas à base de cannabis, existem doces, imitações de carne, bolos, azeites comestíveis, suplementos alimentares e um uso variado de alimentos com CBD permitidos em vários países. No mercado internacional, esse tipo de produto se popularizou tanto que passou a ser listado como commodity ou bem básico de consumo. O mercado legal de cannabis movimenta no mundo uma média de US$ 150 bilhões de dólares por ano, de acordo com com o relatório de 2020 da New Frontier Data.

No país existe um ecossistema de mais de cem empresas no setor, das quais 82 são de cânhamo e as demais estão vinculadas à cannabis medicinal. “Algumas dessas empresas têm mais de cinco anos desenvolvendo genética, métodos de cultivos, de colheita e extração, esperando oportunidades”, disse Marco Algorta, presidente da Cecam.

NetCann está nesta lista. Se trata de uma empresa totalmente uruguaia fundada em 2019, com foco em produtos agrofarmacêuticos. Nos últimos meses, tem investido vários milhões de dólares na plantação, extração e industrialização de cannabis, com foco no CBD. Juan Francisco Rodríguez, um dos fundadores e gerente financeiro, explica ao El País que, embora o mercado seja incipiente, ele espera que se desenvolva rapidamente, como aconteceu em outros países.

“Antes da pandemia, viajávamos para fóruns e feiras de maconha no Reino Unido, Canadá e Las Vegas. Sabemos que o potencial é enorme e nos preparamos para ir além dos medicamentos e cosméticos como agora, para nos tornamos fornecedores ou desenvolvedores no segmento de alimentos”, afirma. A NetCann tem um campo em San José e uma instalação industrial em Pando; é formada por 25 pessoas e, na safra, são cerca de 100.

Existe um precedente. Em 2018, o Ministério da Saúde Pública (MSP) autorizou a produção e comercialização de ervas com adição de cannabis, das marcas Cosentina e La Abuelita. Mas isso não aconteceu em toda a categoria de alimentos, apenas nas especialidades vegetais. A inclusão do CBD no Regulamento Bromatológico teria outro escopo e um impacto direto no setor de alimentos.

Na saúde pública

O governo uruguaio acaba de lançar o Programa Nacional de Cannabis Medicinal do MSP, sob a responsabilidade de Lacava, também vice-presidente da Federação Internacional de Farmacêuticos.

O programa foi criado pela lei 19.847 sobre a cannabis medicinal, aprovada em 2019, e começou a operar em junho. Seu objetivo é melhorar a acessibilidade dos pacientes aos medicamentos à base de cannabis. E a novidade é que essa iniciativa incluirá cooperativas e prestadores de saúde.

Lacava explica ao El País: “Existem medicamentos que contêm cannabis que são registrados no MSP e são vendidos nas farmácias com receita médica. Mas eles não são incorporados ao formulário de medicamentos terapêuticos, que são os que prestadores e cooperativas de saúde — como ASSE (Administración de los Servicios de Salud del Estado) e outros — podem prescrever a seus usuários. Portanto, hoje a única forma de acessar os medicamentos que contêm cannabis é por meio do acesso privado, comprando-os nas farmácias. Isso que queremos mudar”.

Os prestadores de saúde poderem entregar medicamentos deste tipo não só tornará estes mais acessíveis à população, como também reduzirá os preços. Em que casos eles são prescritos? “Por exemplo, para a epilepsia refratária, que não responde a outros tratamentos. Não curam, mas reduzem os sintomas”, explica Lacava.

Os medicamentos à base de cannabis são produzidos no país com matéria-prima importada. “Por isso queremos que a indústria nacional desenvolva mais lavouras, faça as extrações e produza os princípios ativos para que as empresas formulem os medicamentos aqui”, acrescenta.

 Uruguai deve permitir alimentos derivados de cannabis
A maconha foi legalizada no Uruguai por lei aprovada em 2013 e hoje existem mais de 100 empresas do setor. Foto: AFP.

Voltando ao programa de cannabis medicinal, outro dos seus objetivos é contribuir para a regulamentação da Lei 19.847 e melhorar a coordenação dentro do MSP e entre as diferentes entidades que se encarregam da questão, como o Ministério da Pecuária e o Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (IRCCA), para processos e procedimentos para obtenção de licenças.

A posição de Lacava reporta à Direção Geral de Saúde Ambiental e Segurança Alimentar (Digesa). Em relação aos prazos para implementar as novas metas, ele respondeu que ainda não consegue especificá-los.

Por sua vez, o subsecretário de Saúde Pública, José Luis Satdjian, considera que o programa tem “um destaque especial” dentro do MSP: “Estamos determinados a promover e estimular o setor da cannabis medicinal, devido ao seu enorme potencial”.

O subsecretário afirma que o governo editou duas portarias que “estão em sintonia com o apoio ao setor e com o avanço nas questões do período anterior”. Refere-se aos decretos 214/20 e 215/20 de agosto passado, que abrangem a exportação de cannabis medicinal e cânhamo industrial, embora na prática ainda não tenham sido observados maiores resultados.

As empresas que exportaram em 2020 foram: CPlant (5.662 quilos para a Suíça), Fotmer (1.920 quilos para os EUA, Israel e Portugal), Cannabhanga (500 quilos para a Suíça), Cannabis Uruguay (493 quilos para a Suíça), Ignapin (para a Suíça) e Medic Plast (para Argentina, Brasil e Peru), o que totaliza cerca de 10.350 quilos equivalentes a seis milhões de dólares, segundo dados da Pecuária.

Uma zona franca canábica

Em uma visita a Bella Unión, no departamento de Artigas, o presidente Lacalle Pou anunciou em 11 de junho um chamado para o desenvolvimento da plantação e industrialização do cânhamo na zona, com o fim de gerar desenvolvimento e fontes de trabalho. As especificações ainda não foram divulgadas, mas uma zona franca especializada em cânhamo está projetada para permitir a instalação de indústrias e laboratórios de medicamentos relacionados à cannabis.

Em ocasiões anteriores, diretores da Alcoholes del Uruguay (ALUR) manifestaram interesse em diversificar a produção em Bella Unión, o que permitiria que as pessoas trabalhassem o ano todo e não se concentrassem nos períodos de colheita da cana-de-açúcar, que é o maior sustento da região.

A safra da cana-de-açúcar emprega 156 produtores e 1.400 cortadores: 800 externos e 600 funcionários da ALUR. A mão de obra para a cana-de-açúcar pode ser a mesma que para o cânhamo.

“No momento não temos mais informações do que a fornecida pelo presidente”, diz Diego Serrano, diretor-executivo do Ircca. “Em geral, as zonas francas têm funcionado bem em nossa economia, atraindo investimentos, gerando empregos e desenvolvendo setores, por isso parece um excelente projeto. A participação do instituto será a que lhe for confiada”.

Algorta, por sua vez, opina: “Isso é um tremendo impulso para a atividade. O governo já havia apontado a indústria da cannabis como um setor estratégico, mas agora se fala em uma zona temática. É um primeiro passo para dinamizar várias reivindicações da câmara sobre outros usos da cannabis não medicinal, como o uso do cânhamo para a formulação de alimentos, bebidas, cosméticos e produtos veterinários”.

Bancos: plano A e B

Embora a legislação uruguaia permita a abertura de contas e transações bancárias para atividades relacionadas à cannabis, nos EUA esta é uma substância proibida e, portanto, essas transferências são consideradas ilegais.

Isso representa uma limitação para os bancos do Uruguai, que trabalham com bancos dos Estados Unidos. No entanto, analistas projetam que, com Joe Biden na presidência do país, essa situação mudará em breve. Martinelli fundamenta assim: “Há 15 estados nos Estados Unidos que legalizaram a maconha, sendo o mais recente Nova York, e eles estão gerando pressão. A Câmara dos Representantes já aprovou a lei do seguro bancário, que é como um salvo-conduto que permitiria a realização de operações bancárias e financeiras neste setor”.

Este projeto foi aprovado no Congresso dos Estados Unidos por 321 votos a favor e 101 contra. Agora está sendo discutido no Senado.

O que acontecerá se essa iniciativa não for aprovada ou se demorar mais do que o esperado? “O plano B é que os bancos do Uruguai e os bancos federais dos Estados Unidos concordem em viabilizar certas transações. Não seriam acordos governo a governo, mas sim banco a banco”, responde Martinelli.

A experiência canadense serve de referência. Os bancos canadenses e estadunidenses não esperaram por nenhuma lei habilitadora  e assinaram um protocolo de ação que permite certas operações a partir da cannabis. “Estamos em contato com um escritório de advocacia norte-americano que reuniu as partes no caso do Canadá. Já pedimos parecer jurídico para um acordo semelhante com o Uruguai”, adianta o assessor da presidência.

O governo também está trabalhando na modificação do Decreto 46, que regulamenta os diversos aspectos relacionados ao cultivo, produção e comercialização de cannabis. “O que buscamos é ordenar o campo e aprimorar a legislação”, diz Martinelli.

Seu trabalho terá três linhas. Primeiro, que a lei facilite mais a exportação (hoje bastante bloqueada); em seguida, especifique as definições no texto para que não haja lacunas ou ambiguidades (por exemplo, o que é “matéria-prima”, o que é “produto semiprocessado de acordo com a lei”); e, por fim, estabelecer com clareza a abrangência de cada organismo que participa do tema cannabis. “Às vezes os interessados ​​vão de uma organização para outra, ninguém resolve e perde-se tempo”, diz Martinelli.

Diante do impulso do setor, Serrano destaca que o Ircca também está focado na agilização dos processos por meio de mudanças na fase de apresentação dos projetos em busca da melhoria da qualidade, o que melhoraria o tempo de avaliação, entre outras medidas.

“Vários projetos empresariais tiveram sua implantação retardada não só pelo tempo de licenciamento do Ircca, mas também, em alguns casos, pela falta de capital para a realização dos projetos, devido a cadeias de produção e comercialização ainda não encerradas e devido à falta de autorizações, registros ou autorizações de outras entidades, entre outros motivos”, defende o diretor do instituto.

Assim, nos últimos dias, tem havido vários impulsos a este setor dinâmico e polêmico. Será preciso ver até onde vai.

Empreendedorismo

“Há participantes muito fortes no Uruguai esperando que as portas se abram”, disse Marco Algorta, presidente da Câmara das Empresas de Cannabis. Entre eles está YVY Life Sciences, grupo de capitais uruguaios e argentinos chefiado pelo empresário e ex-deputado argentino Facundo Garretón, que comprou a mansão “La Tertulia” de Susana Giménez, de 110 hectares, a 15 quilômetros de Laguna Garzón, para seu novo empreendimento de cultivo de cannabis. A transação totalizou 4,6 milhões de dólares e foi realizada em fevereiro. Garretón vai transformar a fazenda em um hotel temático e centro de cultivo, pesquisa e desenvolvimento do uso medicinal da planta cannabis. Em janeiro, o empresário e a FLA Ventures compraram a maioria das ações da Blueberris Medical Corporation, empresa do setor de cannabis listada na Bolsa de Valores canadense, aumentando seu poder.

Na antiga chácara da estrela argentina, Garretón também anunciou que gostaria de desenvolver o “turismo recreativo” se as regulamentações uruguaias o acompanharem no futuro. Hoje, 14 farmácias participam da venda legal de maconha para uso adulto no Uruguai, um pequeno negócio que nasceu há cerca de quatro anos e não decolou totalmente. No entanto, a legalização da maconha retirou cerca de 22 milhões de dólares do narcotráfico desde 2013, o que rendeu uma receita de 45,5 milhões de dólares para um mercado de 40 toneladas por ano, segundo dados oficiais. A aposta nacional está mais focada na cannabis medicinal e não tanto na recreativa. Segundo Algorta, o Ministério da Pecuária é o órgão que melhor avaliou o potencial do setor de cannabis medicinal, assim como grande parte das empresas ligadas à produção agrícola.

Leia mais: Estudo indica novo rumo à pesquisa sobre cannabis e psicose

Foto em destaque: Pexels | Nataliya Vaitkevich.

Estudo indica novo rumo à pesquisa sobre cannabis e psicose

Relatado em publicação da revista Psychological Medicine, estudo mostra que pessoas expostas à presença de citocinas pró-inflamatórias no sangue e ao uso de cannabis, concomitantemente, são mais propensas a apresentar quadros psicóticos. As informações são do News Medical

Via Smoke Buddies

A presença de citocinas pró-inflamatórias no sangue pode potencializar os efeitos do uso diário de cannabis e aumentar o risco de desenvolvimento de psicose na idade adulta. Resultados semelhantes foram observados, também na presença de citocinas, quando a cannabis é usada na adolescência. Os transtornos psicóticos têm sintomas como delírio, perda do senso de realidade, alucinações, ouvir vozes e deficiências cognitivas e sociais.

Estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), relatado em artigo da revista Psychological Medicine, constata pela primeira vez que indivíduos expostos a uma combinação desses dois fatores — a presença de citocinas pró-inflamatórias no sangue e uso de cannabis (seja diariamente ou durante a adolescência) — são mais propensos a sofrer de psicose do que aqueles que não estão expostos a nenhum ou a apenas um. De acordo com os autores, o estudo fornece “a primeira evidência clínica de que a desregulação imunológica modifica a associação cannabis-psicose”.

O estudo faz parte de um projeto conduzido pela Rede Europeia de Redes Nacionais de Esquizofrenia que Estudam Interações Gene-Ambiente (EU-GEI), um consórcio de centros de pesquisa em 13 países, incluindo o Brasil. Um artigo publicado no The Lancet Psychiatry pelo consórcio em 2019 mostrou que o uso diário de cannabis aumentou a probabilidade de sofrer de um transtorno psicótico em três vezes.

No estudo mais recente, os pesquisadores analisaram dados de 409 pessoas com idades entre 16 e 64 anos, incluindo pacientes que vivenciaram seu primeiro episódio psicótico e controles baseados na comunidade. A amostra foi retirada da população de Ribeirão Preto e de outras 25 cidades da região. As variáveis ​​analisadas incluíram frequência de uso de cannabis (diária, não diária ou nunca), duração (cinco anos ou menos) e idade de início (na adolescência ou mais tarde).

Além do questionário sobre o uso de cannabis, os pesquisadores mediram várias citocinas no plasma doado pelos voluntários e calcularam as pontuações que representam seus perfis inflamatórios sistêmicos. Também coletaram dados clínicos e sociodemográficos, principalmente variáveis ​​conhecidas como confundidoras, como idade, sexo, escolaridade, etnia, índice de massa corporal, tabagismo e uso de substâncias psicoativas. Os resultados obtidos foram independentes de fatores de confusão.

Nem todo mundo que usa cannabis desenvolve psicose. Isso sugere que a associação pode ser modificada por outros fatores, que podem ser biológicos, genéticos ou ambientais. Em um estudo anterior conduzido como parte da minha pesquisa de mestrado, identificamos uma correlação entre as citocinas plasmáticas e o primeiro episódio psicótico. Seguindo essa descoberta, e a recente publicação do consórcio mostrando uma maior incidência de psicose entre indivíduos que usavam cannabis diariamente, nosso próximo passo foi ver se o fator biológico [perfil inflamatório] afetava a ligação entre o uso de cannabis e a psicose” — Fabiana Corsi-Zuelli, primeira autora do artigo.

A principal conclusão foi que esse vínculo existia de fato. “Encontramos uma correlação estatisticamente significativa entre o perfil inflamatório e o uso de cannabis diariamente ou durante a adolescência. Em suma, os resultados mostraram que a disfunção do sistema imunológico pode modificar a associação entre o uso de cannabis e psicose e que uma combinação desses dois fatores aumenta as chances de sofrer de um transtorno psicótico”, disse ela.

Corsi-Zuelli é atualmente doutoranda do programa de pós-graduação em neurologia e neurociências da FMRP-USP, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

A pesquisadora principal do projeto é Cristina Marta Del-Ben, professora do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP-USP. De acordo com Del-Ben, os fatores de risco para psicose podem ser biológicos, incluindo predisposição genética e problemas durante a gravidez, bem como ambientais, incluindo experiências traumáticas durante a infância e adolescência, e exposição a substâncias psicoativas, especialmente cannabis.

“Os mecanismos do distúrbio são mal compreendidos”, disse ela. “Nossos resultados mostram que o uso atual frequente de cannabis ou o uso da droga na adolescência é um fator de risco para psicose. Não detectamos a mesma correlação com o uso ocasional ou recreativo. No estudo multicêntrico, que incluiu cidades europeias com níveis e tipos de disponibilidade de cannabis variáveis, também descobrimos que o risco de psicose é maior em usuários de strains mais fortes de cannabis com um teor de THC de 10% ou superior”.

A explicação médica da psicose é que se trata de uma síndrome neuropsiquiátrica associada a alterações anatômicas e funcionais no cérebro, possivelmente ligada a alterações na ação da dopamina, um neurotransmissor fundamental para a comunicação entre os neurônios. Dopamina excessiva ou dano direto a certas regiões do cérebro podem levar a alucinações, ilusões, delírio e comportamento desorganizado.

Outros neurotransmissores, como o glutamato, também foram implicados na neurobiologia da psicose. Os especialistas discutem atualmente o que chamam de ligação neuroimune e como a desregulação do sistema imunológico pode desencadear alterações neuroquímicas, morfológicas e comportamentais que aumentam o risco de desenvolver transtornos psiquiátricos.

Os sintomas psicóticos podem estar presentes em vários transtornos psiquiátricos, que podem ou não ser afetivos. Uma pesquisa recente registrou casos de psicose em pacientes infectados pelo SARS-CoV-2. O tratamento da psicose envolve uma combinação de medicamentos, psicoterapia e apoio familiar.

Próximos passos

Segundo Corsi-Zuelli, a origem das alterações inflamatórias envolvidas na psicose ainda é obscura, mas pode decorrer de uma combinação de fatores genéticos e ambientais. “A inflamação observada em distúrbios psiquiátricos é considerada de baixo nível e não é tão grave quanto em pacientes com doenças autoimunes ou sepse”, disse ela. “No entanto, estudos experimentais sugerem que envolve desregulação suficiente para produzir alterações neuroquímicas e comportamentais”.

Os pesquisadores planejam estudar as variantes genéticas associadas ao sistema imunológico e usar dados de neuroimagem para explorar a ligação com fatores de risco ambientais. “Focar dessa forma nas interações entre a genética e o meio ambiente nos ajudará a entender a neurobiologia da psicose, especialmente o papel desempenhado pelo sistema imunológico”, disse ela.

A associação entre inflamação e transtornos psiquiátricos é altamente relevante para a prática clínica e tem recebido atenção crescente. “É importante a pesquisa de tratamentos alternativos para esses transtornos, e também para responder a perguntas muitas vezes negligenciadas relacionadas à saúde física de pacientes psiquiátricos”, disse Corsi-Zuelli.

De acordo com Del-Ben, nos próximos passos está uma parceria com Geraldo Busatto Filho, professor da Faculdade de Medicina do campus principal da USP, para investigar se marcadores inflamatórios no sangue estão ligados a alterações cerebrais em alguns dos pacientes estudados.

A pesquisa recebeu duas vezes reconhecimento internacional. A Sociedade de Psiquiatria Biológica selecionou o estudo para seu Predoctoral Scholars Award, realizado de forma on-line em abril deste ano. E o estudo também foi selecionado pela Sociedade Internacional de Pesquisa em Esquizofrenia (SIRS) para apresentação em seu Congresso de 2020, também realizado on-line.

Leia também: Plano de saúde é obrigado a indenizar paciente por recusa na importação de óleo de cannabis

Imagem de capa: Unsplash / CDC.

Plano de saúde é obrigado a indenizar paciente por recusa na importação de óleo de cannabis

TJSP considerou que a negativa de custeio do medicamento necessário ao tratamento coloca em risco o objeto do plano de saúde. Unimed terá que indenizar o paciente em R$ 10.000

Fonte: Smoke Buddies

A 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) ordenou que a Unimed pague indenização a título de danos morais a paciente após a operadora recusar injustificadamente a importação de óleo de cannabis necessário a seu tratamento médico. O entendimento do colegiado é de que a negativa do custeio do medicamento coloca em risco o objeto do contrato, pois implica em flagrante violação aos preceitos que a seguradora deveria resguardar ao máximo, como o direito à vida, à saúde e à integridade física.

Portador de ansiedade generalizada e com prescrição médica para uso do medicamento Óleo de CBD de Espectro Total NuLeaf (900 mg / 60 mg/ml), o paciente entrou com pedido de tutela antecipada para que a Unimed importe e forneça o produto receitado.

Na primeira instância, o pedido foi indeferido. Para a juíza da 14ª Vara Cível Central da Comarca de São Paulo Marcia Tessitore, embora a recusa da operadora não encontre amparo legal, uma vez que a própria Anvisa, por meio de sua resolução RDC 17/2015, permite a importação de canabidiol até mesmo por planos de saúde, o paciente não comprovou o cadastro do medicamento junto à Anvisa, na forma que determina a resolução acima citada.

No relatório emitido pelo colegiado da 3ª Câmara, o desembargador Beretta da Silveira pondera sobre a Resolução 335 da Anvisa, segundo a qual basta uma prescrição por um profissional legalmente habilitado, para tratamento de saúde, para a liberação de produtos à base de cannabis.

De acordo com resolução, o produto a ser importado deve ser produzido e distribuído por estabelecimentos devidamente regularizados pelas autoridades competentes em seus países de origem para as atividades de produção, distribuição ou comercialização. “A importação do produto poderá ser intermediada pelos hospitais, unidades governamentais ligadas à área da saúde e operadoras de planos de saúde para o atendimento exclusivo e direcionado ao paciente previamente cadastrado na Anvisa”, diz trecho da resolução.

Segundo o desembargador, o contrato entre o paciente e o plano de saúde prevê a prestação de assistência médico-hospitalar e, assim, havendo indicação médica, a negativa de cobertura dos medicamentos necessários ao tratamento deve ser considerada conduta abusiva.

Sobre o pretexto utilizado pela Unimed para justificar a negativa do custeio, o acórdão esclarece que “não se pode obstar o tratamento de um paciente em razão da ausência de previsão expressa no rol da ANS, haja vista que a medicina está em constante evolução, o que por óbvio, torna o rol sempre defasado”.

“O STJ já assentou o entendimento de que a recusa indevida à cobertura médica é causa de danos morais, já que agrava a situação de aflição psicológica e de angústia no estado de espírito do segurado e aumenta o risco à sua saúde e integridade física”, explicita o relatório.

Ante o exposto, o colegiado deu provimento ao recurso e fixou a quantia equivalente a R$ 10 mil de indenização por danos morais.

Leia mais: Projeto apresentado na Câmara dos EUA pede a descriminalização de todas as drogas

Foto de capa: Grace Graham / Flickr.

Projeto apresentado na Câmara dos EUA pede a descriminalização de todas as drogas

Anúncio da proposta de descriminalização vem no encalço do 50º aniversário da declaração do presidente Richard Nixon de guerra às drogas. Com informações do MJBizDaily

Via Smoke Buddies

Dois membros da Câmara dos Representantes dos EUA divulgaram na terça-feira uma medida para acabar com as penas criminais em nível federal para o porte de todas as drogas, incluindo maconha.

Ato de Reforma das Políticas de Drogas, que deve ser apresentado formalmente nos próximos dias, destaca como a descriminalização e a legalização estão avançando nos Estados Unidos — embora seja incerto até onde esse projeto vai chegar.

anúncio das representantes democratas Bonnie Watson Coleman de Nova Jersey e Cori Bush de Missouri veio dois dias antes do 50º aniversário da declaração do presidente Richard Nixon de uma “guerra às drogas” federal.

“Temos a oportunidade de deixar para trás este capítulo sombrio da história”, disse Watson Coleman durante uma entrevista coletiva organizada pela Drug Policy Alliance.

As legisladoras disseram que estão apenas começando a trabalhar para obter mais apoio, como um patrocinador do Senado para um projeto complementar.

No entanto, resta saber se a medida será ouvida na Câmara dos EUA.

A proposta também pretende:

  • Mudar a autoridade regulatória do procurador-geral dos Estados Unidos para o secretário de Saúde e Serviços Humanos.
  • Reinvestir em abordagens com foco na saúde para tratar o abuso de substâncias.
  • Eliminar os registros de drogas e providenciar a reinserção social.
  • Emitir incentivos aos estados para que sigam o exemplo na descriminalização de todas as drogas.

Veja também: Portugal: partidos políticos apresentam projetos de legalização da maconha para uso adulto

Foto de capa: Rodnae Productions / Pexels.

Portugal: partidos políticos apresentam projetos de legalização da maconha para uso adulto

O ímpeto em direção à legalização do consumo adulto está ganhando ritmo em toda a Europa. Saiba mais com as informações da Prohibition Partners

Via Smoke Buddies

Durante um debate parlamentar na última quarta-feira (9), dois partidos políticos em Portugal, Bloco de Esquerda e Iniciativa Liberal, apresentaram cada um propostas para a legalização da cannabis para uso adulto.

O resultado do debate foi um acordo para que ambos os Projetos de Lei sejam enviados à Comissão de Saúde por um período de 60 dias, durante o qual podem ser feitas audiências públicas, apresentadas emendas e realizadas negociações antes de ocorrer a votação decisiva no Parlamento.

Um porta-voz do Parlamento de Portugal disse à Prohibition Partners que, devido ao momento do debate e ao período de 60 dias de negociações, o projeto de lei “muito provavelmente não irá para a votação final antes do final desta sessão legislativa”, com esta sessão programada para terminar no final de julho (a próxima começando em 15 de setembro de 2021).

O que as partes estão propondo?

Ambas as partes propõem essencialmente que o cultivo, distribuição, compra, posse e consumo de cannabis para uso adulto (planta ou derivados) sejam legalizadosO “autocultivo” para uso pessoal também seria permitido se qualquer projeto de lei fosse aprovado, com um máximo de cinco ou seis plantas permitidas por casa (Bloco de Esquerda propõe cinco plantas, Iniciativa Liberal propõe seis).

Ambos os projetos de lei debatidos no Parlamento na quarta-feira também recomendam que deve haver:

  • Um limite para a quantidade de cannabis que um indivíduo pode comprar de cada vez.
  • Restrições para o consumo (o consumo não seria permitido no trabalho, em locais fechados de frequência pública, em locais destinados a crianças, ou em transporte público, por exemplo).
  • Limitações impostas pelo governo à venda de produtos contendo altos níveis ou doses de THC.
  • Rotulagem robusta e adequada na embalagem do produto em relação ao conteúdo de THC ou CBD, efeitos do consumo e advertências de saúde.

A grande diferença entre os dois projetos de lei é que o Bloco de Esquerda está propondo o controle do Estado de todo o circuito de cultivo, produção e distribuição — incluindo o cadastro de todos os usuários. Em contraste, a Iniciativa Liberal propõe pouco ou nenhum controle do Estado sobre o cultivo, comércio ou consumo, mantendo-se em linha com a “cultura da liberdade” associada à cannabis, diz o partido da Iniciativa Liberal. O Bloco de Esquerda propõe a proibição de produtos sintéticos e mais produtos processados, como bebidas alcoólicas infundidas, enquanto a Iniciativa Liberal afirma que isso deveria ser permitido.

Outra diferença importante entre as duas propostas é em torno do preço dos produtos. Enquanto o partido Bloco de Esquerda propõe regulamentação governamental sobre preços de produtos, com um preço de venda máximo imposto com base nas médias do mercado ilícito para combater o comércio ilegal, a Iniciativa Liberal propõe uma abordagem de mercado livre em que os preços seriam autorregulados por vendedores e compradores.

Proibição vs Saúde Pública?

projeto de lei 859 do Bloco de Esquerda é crítico da política atual em Portugal e sugere que a proibição contínua representa um problema de saúde pública.

“A política proibicionista não é uma solução, na verdade ela é parte do problema e potencializa seu agravamento ao proteger o caráter clandestino do tráfico e comprometer a saúde pública. A legalização e posterior regulamentação promoverão o consumo consciente, livre e informado”, afirma o Projeto de Lei 859.

Da mesma forma, o Projeto de Lei 862 do partido Iniciativa Liberal afirma que o uso de cannabis em Portugal aumentou substancialmente na última década, mas o fato de não haver “proteção ao consumidor ou segurança de compra” é uma ameaça à saúde pública.

“Em Portugal, atualmente, a cannabis é amplamente distribuída e consumida, e [a posse e o consumo] já não tem consequências criminais. No entanto, a descriminalização ocorrida em Portugal em 2001, considerada exemplar no panorama mundial, não foi uma liberalização porque a cannabis continuou clandestina, e continuou a expor os consumidores ao submundo do crime e a produtos adulterados [não regulamentados]”, diz o projeto de lei 862.

Legalização do uso adulto na Europa

O ímpeto em direção à legalização do uso adulto está ganhando ritmo em toda a Europa. Outros países, como SuíçaPaíses Baixos, Luxemburgo ou Alemanha, poderiam potencialmente ultrapassar Portugal como o primeiro país europeu a legalizar a cannabis para adultos, já que a reforma política continua a se tornar uma prioridade para os partidos políticos em toda a Europa.

Conforme previsto no Relatório Europeu da Cannabis: 6ª Edição no início deste ano, Portugal pode incluir a liberalização da cannabis nos seus planos de recuperação econômica pós-pandêmicos. Embora ainda não se saiba se as últimas propostas em Portugal se inserem num plano mais vasto de recuperação econômica, a legalização constituirá sem dúvida um impulso bem-vindo à economia portuguesa.

As propostas de ambos os partidos portugueses fazem regularmente referência aos benefícios econômicos da legalização através de coisas como a tributação, ao mesmo tempo em que destacam as implicações sociais positivas de fazê-lo, como a redução da criminalidade e o empreendedorismo.

Se a legalização progredir, Portugal — junto com outros países europeus como Espanha, Países Baixos, Luxemburgo, Alemanha, Suíça e Malta — pode introduzir o acesso legal à cannabis para uso adulto, pelo menos em caráter experimental, até 2025.

De acordo com as previsões da Prohibition Partners até 2025, Portugal poderá ser o segundo maior mercado de cannabis para consumo adulto na Europa em termos de vendas, atrás dos Países Baixos, cujos ensaios com cannabis para uso adulto deverão estar operacionais em 2022 ou 2023, o mais tardar.

Leia mais: Comissão Especial da Câmara aprova PL sobre cannabis medicinal e industrial no Brasil

Comissão Especial da Câmara aprova PL sobre cannabis medicinal e industrial no Brasil

Em votação realizada na manhã desta terça (8), a Comissão Especial aprovou o projeto de lei 399/2015, que regulamenta o plantio, produção e comercialização de cannabis com fins terapêuticos e veterinários e do cânhamo industrial no Brasil; deputados opositores ao projeto devem apresentar requerimento para que a matéria vá ao plenário da Câmara e não siga para o Senado

Fonte: Smoke Buddies

Foi como uma reprise resumida das dezenas de audiências públicas e debates que a Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça (8), o relatório que cria regras para a cannabis medicinal e veterinária, além do cânhamo industrial, no país. Por 17 votos favoráveis e 17 contrários e com o voto de minerva do relator Luciano Ducci (PSB-PR), o projeto de lei 399 deve seguir para o Senado federal – embora a oposição ao PL já tenha adiantado que apresentará requerimento para que a matéria seja encaminhada ao plenário da Câmara.

A sessão, que revisitou os principais pontos debatidos ao longo de dois anos de trabalho legislativo, nas palavras dos parlamentares favoráveis e contrários ao projeto, culminou na votação do relatório pelos membros da Comissão, que não encontraram consenso: o empate sobre a decisão, de 17 x 17, foi resolvido com o voto do relator, que aprovou a matéria. Veja como votou cada deputado:

placar Comissão Especial da Câmara aprova PL sobre cannabis medicinal e industrial no Brasil

Confira a íntegra da reunião, que decidiu também por descartar as emendas e manter o texto do relator:

Veja também: Fact: PL 399 dará acesso a tratamentos com cannabis aos mais pobres

Foto de capa: Cleia Viana | Câmara dos Deputados.

Fact: PL 399 dará acesso a tratamentos com cannabis aos mais pobres

A Federação das Associações de Cannabis Terapêutica, Fact, entende que o substitutivo ao PL 399/2015, embora ainda traga algumas limitações, é essencial para promover acesso mais amplo aos tratamentos com cannabis, principalmente às camadas mais pobres e vulneráveis da sociedade

Fonte: Smoke Buddies

Após dois anos de discussões intensas — e muitas vezes acaloradas — na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, o substituto ao PL 399/2015, que cria regras para o cultivo e produção de cannabis com fins terapêuticos e veterinários, bem como para o cânhamo industrial, será votado pelos parlamentares membros da comissão na manhã de terça (8). Se aprovado, segue para o Senado e, em seguida, com a sanção presidencial, entra em vigor.

“A possibilidade de se ter no Brasil um marco legal para referenciar o plantio, a colheita, a produção e a disponibilização dos derivados medicinais da Cannabis para quem precisar tratar-se representa um avanço na efetivação do direito à saúde dos milhares de pacientes brasileiros e brasileiras que precisam dos remédios da Cannabis para proteger suas vidas e aliviar seu sofrimento”, declara em comunicado à imprensa a Federação das Associações de Cannabis Terapêutica, em apoio à aprovação do PL. “No entanto, essa possibilidade de garantir o direito à saúde desses pacientes, que sofrem com doenças graves, crônicas e incapacitantes, está sendo ameaçada por partidos e parlamentares que parecem não ter empatia por essa parcela significativa da população brasileira. Assim, cada voto a favor do PL 399/2015 pode fazer uma essencial diferença na vida desses brasileiros e brasileiras, carentes de políticas públicas e de uma regulamentação que atenda às suas reais necessidades”.

A federação que reúne 36 associações de cannabis, representando pelo menos 30 mil pacientes associados no Brasil, defende que a aprovação do projeto de lei representa acesso ao tratamento à base de cannabis sobretudo à parcela mais pobre da população, já que empresas, farmácias magistrais, Farmácias Vivas do SUS e associações de pacientes poderão atender os pacientes que hoje não têm condições de custear os medicamentos disponíveis.

“São pessoas que passariam a ter acesso a esses medicamentos e evitar seu sofrimento e de suas famílias angustiadas por verem seus entes queridos em condições desumanas e sem o tratamento que precisam para ter qualidade de vida”, afirma a Fact. “O Sistema Único de Saúde (SUS), através da produção das Farmácias Vivas, poderia dar acesso gratuito e qualificado a esses pacientes, respeitando as particularidades de cada enfermidade e condição clínica de cada paciente. As associações, por sua vez, fariam um trabalho complementar às políticas públicas, promovendo informação, apoio e orientação aos pacientes, além de garantir-lhes também o acesso. Os medicamentos produzidos pelas demais empresas poderiam ficar mais baratos e ampliar ainda mais o acesso, pela produção que cresceria e seria disponibilizada nas farmácias do Brasil”.

Leia mais: Depois de 50 anos, EUA abrem as portas para mais produtores de cannabis para fins de pesquisa

Fotografia em destaque: THCamera Cannabis Art.

Depois de 50 anos, EUA abrem as portas para mais produtores de cannabis para fins de pesquisa

O governo dos Estados Unidos está levantando um obstáculo à pesquisa da cannabis que cientistas e defensores dizem ter impedido estudos rigorosos da planta e possível desenvolvimento de medicamentos por mais de 50 anos. As informações são da NPR

Via Smoke Buddies

Desde 1968, os pesquisadores dos EUA têm permissão para usar cannabis de apenas uma fonte nacional: uma instalação baseada na Universidade do Mississippi, por meio de um contrato com o Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (NIDA).

Isso mudou no início deste mês, quando Drug Enforcement Administration (DEA — agência de repressão às drogas dos EUA) anunciou que está registrando várias outras empresas estadunidenses para produzir cannabis para fins médicos e científicos.

É um movimento que promete acelerar a compreensão dos efeitos da planta na saúde e possíveis terapias para o tratamento de condições — dor crônica, efeitos colaterais da quimioterapia, esclerose múltipla e doenças mentais, entre muitas outras — que ainda não foram bem estudadas.

“Esta é uma decisão importante”, disse Rick Doblin, diretor executivo da Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos (MAPS), que liderou a pesquisa em outras drogas da Tabela 1 — a classe mais restritiva de substância controlada, que o governo federal define como “drogas sem uso médico atualmente aceito”.

“Esta é a última obstrução política à pesquisa com drogas da Classe 1”, diz ele.

Cerca de um terço dos americanos vive atualmente em um estado onde a maconha para uso adulto é legal — e mais de 30 estados têm programas de maconha medicinal. No entanto, os cientistas ainda não podem simplesmente usar a cannabis vendida em dispensários licenciados pelo estado para suas pesquisas clínicas por que a cannabis continua ilegal sob a lei federal.

“É uma grande desconexão”, diz o Dr. Igor Grant, professor de psiquiatria e diretor do Centro de Pesquisa de Cannabis Medicinal da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD).

A nova decisão da DEA não resolve o conflito entre as leis federais e estaduais, mas oferece aos pesquisadores um novo canal sancionado pelo governo federal para mais produtos e variedades de cannabis.

“Veremos uma década ou mais de explosão de pesquisas sobre a cannabis e novas terapias potenciais”, diz o Dr. Steve Groff, fundador e presidente da Groff North America, uma das três empresas que anunciou publicamente que tem aprovação preliminar do governo federal para cultivar cannabis para pesquisa.

Uma longa luta para derrubar o monopólio federal

Apesar de seus esforços, os cientistas encontraram obstáculos administrativos e legais para o cultivo de cannabis de grau farmacêutico por décadas.

Em 2001, o Dr. Lyle Craker, um proeminente biólogo de plantas, foi o primeiro a se inscrever para obter uma licença para cultivar maconha para fins de pesquisa — apenas para encontrar anos de atraso que deram início a uma prolongada batalha judicial com a DEA, que precisa dar luz verde à pesquisa sobre as drogas da Tabela 1 como cannabis.

“Existem milhares de variedades diferentes de cannabis que têm perfis químicos únicos e produzem efeitos clínicos únicos, mas não tínhamos acesso a essa diversidade normal”, disse a Dra. Sue Sisley, pesquisadora de cannabis e presidente do Instituto de Pesquisa Scottsdale, que também recebeu aprovação preliminar da DEA para produzir cannabis para pesquisa.

Somente em 2016 o governo federal sinalizou uma mudança na política que abriria as portas para novos produtores, mas os pedidos de solicitantes interessado em se tornar um novo cultivador autorizado definharam por anos. Craker e outros acabaram processando o governo federal pelo atraso.

Sisley há muito tempo questiona o fornecimento de cannabis proveniente das instalações do NIDA no Mississippi — em particular, como é processada. Ela usou cannabis produzida lá em seu ensaio clínico publicado recentemente sobre o tratamento de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) em veteranos militares.

Ela descreve o produto como um pó esverdeado “anêmico”.

“É muito difícil superar o efeito placebo quando você tem algo que se dilui”, diz ela.

O estudo de 76 pessoas, que levou 10 anos para ser concluído, concluiu que a cannabis fumada era geralmente bem tolerada e não causava efeitos deletérios neste grupo. Mas também não encontrou nenhuma diferença estatisticamente significativa na redução dos sintomas de TEPT em comparação com um placebo.

Para Grant da UCSD, o problema de longa data com o suprimento de cannabis não é tanto a qualidade, mas a falta de produtos diferentes como comestíveis e óleos e de variedades de cannabis com concentrações variáveis ​​de CBD e THC, o principal ingrediente psicoativo da planta.

“Não temos pesquisas suficientes sobre o tipo de produtos de maconha que as pessoas no mundo real estão usando”, diz ele.

Por causa da oferta interna limitada, alguns pesquisadores recorreram à importação de cannabis de fora dos EUA — um acordo legal, mas totalmente contraintuitivo, que é “árduo” e sujeito a soluços, diz Sisley.

As restrições à pesquisa de cannabis também impediram o caminho para o desenvolvimento de drogas porque a instalação de cannabis do NIDA só poderia ser usada para pesquisas acadêmicas, não para o desenvolvimento de drogas prescritas. Uma droga estudada em ensaios clínicos de fase 3 — o que é necessário antes de ser submetido à aprovação da Food and Drug Administration (FDA, agência sanitária dos EUA) — deve ser a mesma que é comercializada posteriormente.

“O monopólio do NIDA foi o motivo principal de termos maconha medicinal nos estados, mas não termos maconha medicinal por meio da FDA”, disse Doblin, da MAPS. “É uma mudança fundamental que agora permitirá que tenhamos desenvolvimento de drogas com suprimentos nacionais”.

Algumas barreiras ainda permanecem

As poucas empresas que em breve terão permissão da DEA para cultivar cannabis têm um mercado ávido de pesquisadores que estão “clamando” pela chance de estudar as propriedades científicas e o potencial médico da planta, diz Groff, cuja empresa está para aprovação da DEA e quem também tem um projeto no âmbito da FDA para estudar as propriedades antimicrobianas da cannabis para matar bactérias perigosas como MRSA.

No final do ano que vem, Groff prevê que sua empresa estará produzindo até 5.000 libras (2.270 kg aproximadamente) de maconha por ano, oferecendo aos pesquisadores um “menu completo de opções personalizáveis”.

Biopharmaceutical Research Company — uma terceira empresa que em breve cultivará cannabis com uma licença da DEA — já tem dezenas de acordos em vigor com pesquisadores dos EUA e está ouvindo mais instituições acadêmicas, farmacêuticas e empresas de biotecnologia na esteira da mudança na política, diz o CEO George Hodgin.

“Agora há um caminho muito claro, aprovado e legal para eles entrarem legalmente no mercado de cannabis nos Estados Unidos”, diz Hodgin.

Centro de Política, Pesquisa e Extensão da Cannabis da Universidade Estadual de Washington é um dos lugares que espera adquirir cannabis da empresa de Hodgin.

“É definitivamente um grande passo na direção certa porque a indústria está se movendo muito mais rápido do que nós em pesquisa”, disse Michael McDonell, professor associado de medicina e diretor do centro de cannabis da universidade.

Mas ele também aponta que mesmo com mais produtores vindos em linha, ainda não é fácil estudar cannabis, porque os pesquisadores precisam de uma licença especial para trabalhar com uma droga de Classe 1 e bolsas para conduzir esses estudos são difíceis de conseguir.

Apesar do uso generalizado de maconha nos EUA, a pesquisa sobre o potencial médico de outras drogas da Tabela 1 como MDMA (ecstasy) está muito mais adiantada do que a da cannabis.

Grant, da UCSD, diz que o maior salto para a pesquisa viria de tirar a cannabis da classificação de drogas da Tabela 1. “Se isso acontecesse”, diz ele, “resolveria muitos dos problemas de que temos falado”.

Imagem de capa: Coleen Danger | Flickr.

EUA: projeto de lei histórico de descriminalização da maconha é reintroduzido no Congresso

O Ato de Oportunidades, Reinvestimento e Expurgação da Maconha foi aprovado na Câmara dos Representantes em dezembro, porém não foi encaminhado ao Senado; uma vez que o Congresso anterior foi substituído com o advento das eleições, a proposta deve ser formalmente reintroduzida. Informações do Motley Fool

Via Smoke Buddies

Um projeto-chave de legalização da maconha voltou ao Congresso dos EUA. Na Câmara dos Representantes, na sexta-feira (28), o representante Jerry Nadler, presidente do Comitê Judiciário, reintroduziu o Ato de Oportunidades, Reinvestimento e Expurgação da Maconha (ou Ato MORE para abreviar). Se aprovado em lei, esse projeto de lei retiraria a cannabis do Ato de Substâncias Controladas, descriminalizando-a no nível federal.

Nadler, um democrata, escreveu em uma declaração: “Desde que apresentei o Ato MORE no último Congresso, vários estados em todo o país, incluindo meu estado natal, Nova York, passaram a legalizar a maconha. Nossas leis federais devem acompanhar esse ritmo”.

O Ato MORE foi aprovado na Câmara em dezembro, mas não foi encaminhado para votação no Senado. Desde que o Congresso anterior foi substituído, o projeto de lei deve ser formalmente reintroduzido, daí a última jogada de Nadler.

Embora seja mais do que provável que a Câmara, ainda controlada pelos democratas, aprove o projeto novamente, provavelmente não tem muita chance no Senado. Na maior parte, os republicanos relutaram em votar a favor de qualquer medida de reforma da maconha e, com uma divisão 50/50 na Casa, eles podem usar o poder da obstrução para bloquear qualquer projeto de descriminalização.

Ainda assim, o retorno do Ato MORE é mais um lembrete de que a legalização da maconha é uma causa popular entre a população geral dos EUA e conta com o apoio político dos democratas no Congresso, pelo menos.

Na esteira do movimento de Nadler, as ações dos estoques canadenses de maconha em geral subiram; isso pode ser devido à esperança de um vasto novo mercado se abrindo para eles, uma vez que não podem vender cannabis diretamente no país sob o regime legal atual. Por exemplo, a Canopy Growth (NASDAQ:CGC), um termômetro ao norte da fronteira dos EUA, teve alta de 3,5% nas negociações do final da tarde de sexta-feira, ultrapassando o aumento de 0,3% do S&P 500.

Leia também: PL 399: Deputados levam argumentos prós e contras ao plenário da Câmara

Imagem de capa: Teanna Morgan / Unsplash.