Número recorde de artigos científicos publicados sobre cannabis em 2021

Cientistas em todo o mundo publicaram mais de 3.800 artigos sobre maconha de janeiro a novembro, superando o recorde de publicações sobre a planta do ano passado. Informações da NORML

Via Smoke Buddies

Nos primeiros onze meses de 2021, pesquisadores em todo o mundo publicaram um recorde de 3.800 artigos científicos sobre o assunto cannabis, de acordo com os resultados de uma busca por palavra-chave no site National Library of Medicine / PubMed.gov.

Isso supera o número total de artigos publicados durante todo o ano passado. Em 2020, os cientistas publicaram mais de 3.500 artigos sobre cannabis em periódicos revisados ​​por pares — um total que foi, naquela época, o maior em um único ano.

Leia mais: Artigos científicos sobre cannabis batem recorde em 2020

“Apesar das alegações de alguns de que a maconha ainda não foi submetida a um escrutínio científico adequado, o interesse dos cientistas em estudar a cannabis aumentou exponencialmente nos últimos anos, assim como nossa compreensão da planta, seus constituintes ativos, seus mecanismos de ação e seus efeitos sobre o usuário e sobre a sociedade”, disse o vice-diretor da NORML, Paul Armentano. “É hora de os políticos e outros pararem de avaliar a cannabis pelas lentes do ‘não sabemos’ e, em vez disso, começarem a se envolver em discussões baseadas em evidências sobre a maconha e as políticas de reforma da maconha que são indicativas de tudo o que sabemos.”

Desde 2010, os cientistas publicaram cerca de 27.000 artigos revisados ​​por pares específicos para a cannabis, com o número anual de artigos aumentando a cada ano. Em comparação, os pesquisadores publicaram menos de 3.000 artigos no total sobre a maconha nos anos entre 1990 e 1999 e menos de 2.000 estudos no total durante os anos 80.

Um artigo de 2018 avaliando as tendências nas publicações relacionadas à cannabis concluiu que muito desse aumento no interesse científico é resultado do foco recém-descoberto dos pesquisadores nas atividades terapêuticas da maconha. Os investigadores relataram que o número total de publicações revisadas por pares dedicadas à cannabis medicinal aumentou nove vezes desde o ano 2000.

Ao todo, o PubMed.gov agora cita mais de 38.500 artigos científicos sobre a maconha.

Disponível ao público on-line desde 1996, o PubMed é um recurso gratuito de suporte à pesquisa e recuperação de literatura biomédica e de ciências biológicas.

Foto de capa: Unsplash / Crystalweed.

Prisão preventiva não pode ser embasada apenas em quantidade de droga apreendida

O Tribunal de Justiça de São Paulo revogou a prisão preventiva de um réu primário detido em flagrante com 327 gramas de cocaína. Ao acolher o habeas corpus, o desembargador Newton Neves observou que não há indicação de circunstâncias demonstrando que a excepcional prisão é necessária a se garantir a ordem pública. As informações são da ConJur

Via Smoke Buddies

Para decretar a prisão preventiva, o julgador deve invocar circunstâncias concretas, relativas à pessoa do réu e extraídas da empreitada criminosa, que demonstrem a necessidade e adequação da excepcional medida, estudo este pautado pela sensibilidade do juiz à reação do meio ambiente à ação criminosa.

Com base nesse entendimento, a 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo revogou a prisão preventiva de um réu primário detido em flagrante com 10 porções de cocaína, totalizando 327,6 gramas, e um revólver calibre 38.

O acusado teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante o plantão judiciário a pedido do Ministério Público. O argumento foi de que, apesar de se tratar de réu primário, a quantidade de droga apreendida impedia o reconhecimento, naquele momento, da modalidade privilegiada do tráfico de drogas.

Ao acolher o Habeas Corpus, o relator, desembargador Newton Neves, observou que a Lei 12.403/11 trouxe medidas cautelares que complementam a efetivação da prisão processual como exceção, em consonância com a previsão constitucional da presunção de inocência, complementada e ampliada pela Lei 13.964/19.

“É exigido, pelo rigor processual, que ‘na motivação da decretação da prisão preventiva ou de qualquer outra cautelar, o juiz deverá indicar concretamente a existência de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada’, não se mostrando suficiente a fundamentação na gravidade abstrata do delito ou em motivação genérica, o que se revela como positivação da jurisprudência dos tribunais superiores”, disse.

No caso dos autos, Neves contestou o argumento que embasou a prisão preventiva do acusado de que a medida seria necessária à garantia da ordem pública a partir da premissa de que, pela quantidade de droga apreendida, seria inaplicável a modalidade privilegiada do crime de tráfico de drogas.

Para o magistrado, esse argumento leva a uma imposição, “automática e indistinta”, da prisão preventiva a todo detido em flagrante por tráfico de drogas e que não se vislumbre possível a incidência da forma privilegiada do crime, “mostrando-se, portanto, afrontosa ao artigo 315, §2º, inciso III, do CPP”.

“Mesmo que superada a ilegalidade da prisão, nota-se que não há indicação de quais circunstâncias constatadas dos autos policiais demonstram que a excepcional prisão é necessária a se garantir a ordem pública, tampouco os motivos concretos reveladores da insuficiência das medidas cautelares diversas da prisão (artigo 312, §2º, e artigo 282, §6º, ambos do CPP, com redação conferida pela Lei 13.964/19)”, completou.

Assim, o relator decidiu pela concessão da liberdade provisória mediante a imposição de cautelares diversas da prisão, “ciente o paciente de que o descumprimento de tais medidas pode gerar um novo decreto de prisão preventiva”. Entre as medidas cautelares, estão o comparecimento periódico em juízo, para justificar suas atividades, e a proibição de se ausentar da comarca sem autorização judicial. A decisão foi unânime.

Imagem de capa: Ekaterina Bolovtsova / Pexels.

CNJ promove curso sobre “Tráfico de Drogas como uma das Piores Formas de Trabalho Infantil”

O curso tem como objetivo aprimorar a compreensão da tese por atores dos Sistemas de Justiça e de Garantia de Direitos, alinhando a atuação a parâmetros internacionais de proteção à população infanto-juvenil; evento será realizado nos dias 2 e 3 de dezembro através do canal do Conselho Nacional de Justiça no YouTube. Saiba mais, a seguir

Fonte: Smoke Buddies

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do programa Fazendo Justiçapromove a formação Tráfico de Drogas como uma das Piores Formas de Trabalho Infantil.

A atividade marca o lançamento do Manual para Incidência da Temática do Tráfico de Drogas como uma das Piores Formas de Trabalho Infantil e tem como objetivo aprimorar a compreensão da tese por atores do Sistema de Justiça e do Sistema de Garantia de Direitos, alinhando a atuação a parâmetros internacionais de proteção à população infanto-juvenil e aprimorando a porta de entrada do sistema socioeducativo.

O evento será realizado nos dias 2 e 3 de dezembro através do canal do CNJ no YouTube, com emissão de certificado*.

O curso reúne especialistas nacionais e internacionais para dialogar sobre o tráfico de drogas como uma das piores formas de trabalho infantil, com vistas a efetivar o atendimento de adolescente autor de ato infracional em casos análogos aos crimes previstos na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) sob a ótica protetiva.

Confira, a seguir, a programação:

2/12

14h às 14h30 – Abertura e lançamento do manual

Apresentação geral das ações do programa Fazendo Justiça e do Manual para Incidência da Temática do Tráfico de Drogas como uma das Piores Formas de Trabalho Infantil.

  • Antônio Carlos de Castro (DMF/CNJ)
  • Representante do PNUD
  • Representante da OIT
  • Maria Gorete Marques de Jesus (NEV/USP)
  • Mediadora: Fernanda Machado Givisiez (PNUD/CNJ)

14h30 às 16h – Painel I
Contexto geral: Tráfico de Drogas como uma das Piores Formas de Trabalho Infantil

Debate internacional e recepção no ordenamento jurídico nacional da compreensão do tráfico de drogas como uma das piores formas de trabalho infantil.

  • Sofia Vilela de Moraes e Silva (REDESCA)
  • Felipe Freitas (IDP)
  • Maria Gorete Marques de Jesus (NEV/USP)
  • Mediadora: Mariana Chies-Santos (NEV/USP)

16h15 às 18h – Painel II
Pesquisas sobre Adolescentes no Mercado de Drogas

Apresentação dos dados e contextualização de pesquisas sobre adolescentes no mercado de drogas ilícitas.

  • Erica Babini Lapa do Amaral (UEPE)
  • Ana Paula Galdeano (CEBRAP)
  • Betina Barros (FBSP)
  • Renato Roseno (advogado)
  • Mediadora: Debora Piccirillo (NEV/USP)

3/12

14h às 15h10 – Painel III
Análise da Lei de Drogas e Poder Judiciário

Apresentação da Lei de Drogas, contextualização e sua aplicação no caso de adolescentes envolvidos em casos análogos aos crimes previstos na Lei nº 11.343/2006

  • Roberto Luiz Corcioli Filho (TJSP)
  • Luiz Guilherme Paiva (LAUT)
  • Manuela Abath (UFPE)
  • Nathalia Oliveira (Iniciativa Negra)
  • Mediadora: Maria Gorete Marques de Jesus (NEV/USP)

15h10 às 16h30 – Painel IV
Adolescentes e Poder Judiciário

Debate sobre os desafios da Justiça Juvenil e suas interfaces com a Justiça do Trabalho

  • Marcelo Salmaso (TJSP)
  • Luciana Coutinho (Coordinfância/MPT)
  • João Batista (TRT 15ª Região)
  • Rodrigo Azambuja (DPRJ)
  • Mediadora: Mayara Silva de Souza (PNUD/CNJ)

16h40 às 18h – Painel V
Fluxos de encaminhamento dos adolescentes

Apresentação do fluxo de encaminhamento de adolescentes envolvidos em casos análogos aos crimes previstos na Lei nº 11.343/2006 para a rede de proteção, promoção e defesa dos direitos humanos

  • Raquel da Cruz Lima (USP)
  • Eduardo Dias (MPSP/PUC-SP)
  • Karla Aveline (TJRS)
  • Maria Gorete Marques de Jesus (NEV/USP)
  • Mediadora: Eduarda Lorena de Almeida (PNUD/CNJ)

*Para receber certificação, é necessário realizar inscrição via link a ser disponibilizado na descrição dos eventos durante sua transmissão no Youtube. Os certificados serão emitidos para cada um dos dois dias de atividades (4h/dia, total 8h).

Serviço

Formação “Tráfico de Drogas como uma das Piores Formas de Trabalho Infantil”
Data: 2 e 3 de dezembro de 2021
Local: Youtube do CNJ (link de acesso ao 1º dia / link de acesso ao 2º dia)
Horário: 14h às 18h
Informações: capacita.socioeducativo@cnj.jus.br
Público: magistrados e magistradas, servidores(as) das equipes multidisciplinares das Varas, integrantes do Ministério Público e das Defensorias, representantes do Poder Executivo de todas as regiões do país e demais interessados.

Imagem de capa: Tingey Injury Law Firm / Unsplash.

Direito à vida deve prevalecer, diz TJSP ao autorizar cultivo de cannabis

A decisão impede que autoridades de segurança pública de São Paulo prendam em flagrante o paciente, portador de esclerose lateral amiotrófica, pela produção artesanal de cannabis em sua residência e proíbe a apreensão das plantas. As informações são da ConJur

Via Smoke Buddies

Na colisão entre o direito à vida e à saúde e interesses secundários do Estado, o juízo de ponderação impõe que a solução do conflito seja no sentido da preservação do direito à vida.

O entendimento foi adotado pela 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo ao manter decisão de primeira instância que autorizou um homem, diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, a plantar cannabis para fins medicinais.

A decisão impede que as autoridades de segurança pública de São Paulo prendam em flagrante o paciente pela produção artesanal de cannabis em sua residência para fins estritamente medicinais e proíbe a apreensão das substâncias no limite de 20 plantas.

O homem, aposentado por invalidez e beneficiário do INSS, procurou o Judiciário para poder plantar a cannabis em casa em razão do valor elevado para a importação do produto (cerca de R$ 40 mil mensais). O juízo de origem concedeu o salvo-conduto. Em reexame necessário, o TJSP manteve a decisão.

“O uso da cannabis medicinal pelo paciente encontra óbice apenas na ausência de regulamentação pela Anvisa, a qual, até o momento, limitou-se a regular a importação e produção de remédios que contenham o canabidiol, deixando, contudo, de estabelecer procedimentos para o cultivo caseiro da cannabis”, pontuou o relator, desembargador Leme Garcia.

Ao analisar os direitos envolvidos no recurso, o magistrado entendeu que devem prevalecer os direitos à vida, à saúde e à dignidade do paciente, que necessita de acesso rápido e barato aos produtos medicinais que possam oferecer melhor qualidade de vida e melhor tratamento a sua doença.

“A autorização do cultivo domiciliar da cannabis pelo paciente é solução que menos onera o erário, que deixará de arcar com os custos elevadíssimos do remédio importado”, acrescentou Garcia, citando julgamento do RE 566.471 pelo STF, que limitou o fornecimento gratuito de remédios de alto custo pelo Estado aos casos em que não fosse possível a substituição do remédio pretendido.

Excludente de culpabilidade

Segundo o relator, em uma análise apenas da conduta penal do paciente, que, em tese, se amoldaria ao delito previsto no artigo 28 da Lei 11.343/06, está presente, “de forma evidente”, a causa excludente de culpabilidade da inexigibilidade de conduta diversa, o que, por si só, já justificaria a concessão do salvo-conduto.

“Portanto, seja pela ausência injustificada da regulamentação pela Anvisa para o cultivo domiciliar de cannabis para fins medicinais, mormente nos casos em que a sua substituição por remédios importados se mostre excessivamente ao cidadão ou ao próprio Estado, seja pela evidente existência da causa supralegal excludente da culpabilidade da inexigibilidade de conduta diversa, é o caso de manutenção da decisão concessiva da ordem”, concluiu.

Imagem de capa: Unsplash / 2H Media.

Governo federal realiza audiência pública para debater Plano Nacional de Políticas sobre Drogas

Cidadãos poderão sugerir propostas sobre as políticas sobre drogas para os próximos cinco anos em evento que será realizado de forma presencial e on-line no dia 29 de novembro. Informações do Ministério da Justiça

Via Smoke Buddies

Para definir as políticas públicas sobre drogas dos próximos cinco anos, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Cidadania realizam audiência pública para a sociedade discutir e contribuir com o Plano Nacional de Políticas sobre Drogas (Planad). O evento será realizado no dia 29 de novembro, de forma presencial e on-line, das 8h às 12h30.

A elaboração do Planad começou em julho de 2020, quando o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) aprovou a Resolução Conad nº 2/2020, que estabelece a metodologia de planejamento, monitoramento e avaliação da política sobre drogas, bem como o guia metodológico do plano.

Saiba mais: Prorrogado prazo da consulta pública para Plano Nacional de Políticas sobre Drogas

Para aqueles que quiserem acompanhar o evento, haverá transmissão, em tempo real, pelo canal oficial do Ministério, no YouTube. A proposta do Plano Nacional de Políticas sobre Drogas e a Análise Executiva da Questão das Drogas no Brasil podem ser consultadas clicando aqui.

O aviso de audiência pública está publicado na edição de terça-feira (23) do Diário Oficial da União (DOU). A audiência é organizada pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad). Dúvidas, esclarecimentos e pedidos de inscrição para participação presencial podem ser realizados pelo telefone (61) 2025-7245 ou pelo e-mail consultapublicaplanad@mj.gov.br.

Imagem de capa: Matthew Sichkaruk / Unsplash.

Primeiro curso de formação em nutrição aplicada à terapia canabinoide é lançado no Brasil

Curso inédito no país abrange diversas áreas do conhecimento e contará com participação de profissionais da área da saúde, medicina, farmácia, direito, gastronomia canábica e nutrição. Saiba mais, a seguir

Estão abertas as inscrições para o primeiro curso de Formação em Nutrição Aplicada à Terapia Canabinoide, com 20 horas/aula de curso, tradução e acessibilidade em Libras, 100% digital, certificado, com profissionais do cenário canábico nacional e internacional.

A iniciativa do curso é reflexo da expansão do mercado canábico e busca oferecer aos profissionais conhecimento e ferramentas terapêuticas para atender a demanda.

O curso ficará hospedado na plataforma da Open Green — a primeira instituição de educação e profissionalização no setor da cannabis no Brasil.

No curso o aluno poderá compreender como condutas nutricionais específicas aliadas ao conhecimento consistente sobre os principais aspectos da terapia canabinoide auxiliam no bem-estar do paciente de maneira ampla e integral, com base em ciência e prática clínica que potencializam e reforçam a importância do tratamento integrativo com a cannabis.

A organização e realização é do Movimento Fibrocannabis e da AMB Cursos e Consultoria. As inscrições podem ser realizadas no site http://fibrocannabis.com.br e a organização oferece desconto especial para estudantes e profissionais surdos que atuem na área da Saúde, ou profissionais da saúde fluentes em Língua Brasileira de Sinais (Libras), estudantes da saúde em geral e estudantes de cursos sobre Cannabis Medicinal.

Além das aulas os alunos terão direito a alguns bônus como mentoria com os professores, aulas com convidados, e-book para cada módulo, e os alunos com melhor aproveitamento poderão ser encaminhados para parceria em instituição parceira.

Os módulos trazem temas variados para abarcar diversas áreas do conhecimento como nutrição e sistema endocanabinoide, nutrição e cannabis, fitoterapia e aromaterapia na nutrição canábica, atuação profissional na nutrição canábica e aspectos legais e acessibilidade.

Conheça o time de professores

-Dra. Andrea Barros, nutricionista canábica, oncologista e intensivista

-Fran Assis, consultora canábica, criadora e idealizadora do Movimento Fibrocannabis

-Livia Ghanem, a Lilica, culinária canábica, criadora do canal @lilica.420, especialista em infusões canábicas

-Daniel Coelho, deputado federal e defensor da regulamentação da cannabis medicinal

-Raull Santiago, gestor de projetos sociais do terceiro setor, integra os coletivos Papo Reto, Movimentos, PerifaConnection e Favela&ODS, além de compor a assembleia de membros da Anistia Internacional do Brasil

-Ítalo Coelho, advogado, diretor da Rede Reforma, secretário da OAB Ceará

-Ana Izabel Hollanda, advogada, especialista em direito da saúde, presidente e fundadora da Câmara de Mediação e Arbitragem da Cannabis e Saúde Latino-Americana

-Kaelyne Costa, farmacêutica bioquímica (UFPB), integradora científica da Abrace, professora do curso de Cannabis Medicinal da Unyleya

-Taiane Garcia, farmacêutica, doutoranda em Assistência Farmacêutica pela UFRGS

-Tamara Rossi, nutricionista, especializada em nutrigenômica e nutrigenética, fitoterapia e suplementação clínica e esportiva

-Rejane Ferreira da Silva, nutricionista com ênfase em vegetarianismo, especialista em permacultura pela UFCA, pós-graduanda em nutrição vegetariana

-João Normanha, médico, diretor e fundador da associação Curando Ivo, membro da SBEC

-Claudia Hayakawa, surda, gastróloga, estudante de nutrição, tradutora de Libras e Língua de Sinais Americana

-Fernanda Ferreira, aromaterapeuta canábica

-Marina Barbosa, fisioterapeuta, naturóloga e aromaterapeuta

-Hélio Mororó, médico, professor, pós-graduado em nutrologia, cardiologia e geriatria

-Emanuela Bezerra, enfermeira bilingue de Libras, especialista em Saúde da Mulher, proficiente em tradução e intepretação da Libras

-Matheus Liberato, engenheiro agrônomo e consultor agrícola, pesquisador pela Biosolo

-Carla da Hora, jornalista e horticultora

-Wilson Freire, médico sanitarista, homeopata e artista

-Ursula Catarino, médica sanitarista, especialista em medicina tradicional chinesa, medicina preventiva social

-Daniel Costa, naturopata e presidente da Associação Brasileira de Naturopatia

-Lucas Braga, aromaterapeuta clínico integrado à terapia canabinoide

O curso é destinado aos seguintes profissionais e estudantes:

  • Nutricionistas
  • Nutrólogos
  • Técnico em Nutrição
  • Terapeutas
  • Educadores Físicos
  • Enfermeiros
  • Técnicos de Enfermagem
  • Médicos
  • Cuidadores com certificação
  • Farmacêuticos
  • Demais profissionais da área da saúde
  • Estudantes da área da saúde (Graduação, Pós-Graduação ou Curso Técnico)

O que será ensinado

-Como manejar seus pacientes em tratamento com cannabis;

-Promover saúde integrativa;

-Otimizar o sistema endocanabinoide com a inclusão segura, ética e responsável de alimentos com ou sem adição de derivados de cannabis;

-Compreender os mecanismos e estratégias terapêuticas capazes de melhorar o funcionamento do sistema endocanabinoide a partir do sistema digestório;

-Identificar problemas nutricionais que possam afetar a absorção dos fitoquímicos da cannabis;

-Contribuir para aumentar a eficácia da terapia canabinoide.

As coordenadoras e mentoras do curso, Fran Assis e Andrea Barros, apostam na educação com foco na nutrição aplicada à Terapia Canabinoide, proporcionando melhora e promoção da saúde do paciente, a partir de um dos principais pilares de uma boa saúde: a alimentação, com comida de verdade e um intestino tratado e saudável, que promova um ambiente favorável para início e manutenção da terapia canabinoide.

Segundo elas a meta é promover conhecimento que agregue na formação profissional. “O objetivo do curso de Formação em Nutrição Aplicada à Terapia Canabinoide é permitir que o aluno amplie suas possibilidades de ação e tenha em mãos novas ferramentas para uma atuação profissional que promova saúde plena, sem fragmentar o paciente como uma doença ou conjunto de doenças a serem tratadas erroneamente com estratégias farmacológicas como monoterapia ou com terapias complementares que não se integram de verdade, que não consideram as condutas terapêuticas dos outros profissionais”.

O curso de Formação em Nutrição Aplicada à Terapia Canabinoide vai possibilitar ao aluno o entendimento e ferramentas para modular o Sistema Endocanabinoide (SEC), através da alimentação e uma modulação intestinal capaz de correlacionar as terapias Nutricional e Canabinoide, de forma a promover o controle do tônus do SEC, causando bem-estar e qualidade de vida ao paciente.

Gostou? Quer saber mais? Se inscreva e garanta já sua vaga! Aprenda com os melhores professores sobre como aliar a nutrição à medicina do futuro!

Seja um profissional extraordinário, aprenda a utilizar a Terapia Canabinoide de forma integrada para agregar à sua formação, de maneira ética e responsável.

E se você quer se tornar um Consultor Canábico, aproveite também essa oportunidade!

Saiba mais na página do curso: http://fibrocannabis.com.br

Imagem: Unsplash / Brad Rubin.

Itália não produz cannabis o suficiente e pacientes têm de recorrer ao mercado ilegal

Quase metade das solicitações de cannabis para uso terapêutico não foram atendidas em 2020 na Itália; pacientes se veem obrigados a realizar o cultivo caseiro ou procurar vendedores do mercado ilícito, correndo o risco de serem presos. As informações são do portal CannabisTerapeutica

Via Smoke Buddies

Quase metade dos pacientes italianos que precisavam de cannabis medicinal para sua patologia em 2020 não a obteve. Estes são os dados implacáveis relatados pelo Il Messaggero, que pela primeira vez traz aos holofotes nacionais uma triste realidade: a única certeza para os pacientes italianos que são tratados com cannabis é a de não encontrá-la na farmácia quando precisam.

Não por causa dos farmacêuticos, que realmente se esforçam para tentar atender às necessidades dos pacientes, mas por que as reais necessidades dos pacientes que a utilizam há anos são subestimadas pelas instituições italianas.

De acordo com a JIFE, o organismo internacional para o controle de drogas, em 2020 a necessidade de cannabis medicinal para a Itália era de 2 toneladas, em comparação com cerca de 1 tonelada distribuída. Em 2021, a necessidade foi de 3 toneladas e novamente foi distribuída em torno de uma tonelada.

“E assim”, sublinha Il Messaggero, “os pacientes crônicos, que teriam direito a terapias específicas para aliviar o sofrimento, são frequentemente obrigados a cultivar cannabis em casa ou, pior, a recorrer a traficantes. Existe também o risco de ir direto para a cadeia (como já aconteceu)”. Bastaria recordar o julgamento de Walter De Benedetto, ou o que está em curso contra Christian Filippo, ou o que virá contra Andrea Trisciuoglio.

Os pacientes italianos estão nessa situação há anos. Em 2017, o Ministério da Saúde respondeu aos pacientes que não podiam mais esperar devido à contínua escassez de cannabis que “a cannabis virá”. Quatro anos se passaram e eles ainda estão esperando por isso. No mesmo ano a fábrica químico-farmacêutica militar de Florença admitiu ter conseguido satisfazer os pedidos de um em cada cinco pacientes, nada mudou desde então.

A produção em Florença continua muito baixa, cerca de 45 quilos por ano, o governo não aumentou as importações, não deu permissão a cinco empresas importadoras para poderem comprar de outra instituição que não o Ministério da Saúde neerlandês e não aumentou a produção italiana. A recente abertura do subsecretário de Saúde Andrea Costa continua o que é: uma bela esperança de que, se as coisas correrem rápido, será possível ver alguma cannabis nova em 3 anos.

Filippo Gallinella, deputado do M5S e presidente da Comissão de Agricultura, também se pronunciou sobre este ponto, sublinhando que “é necessário que o Ministério da Saúde emita o mais rapidamente possível as chamadas para o cultivo de cannabis para uso medicinal por parte de empresas públicas e privadas italianas. Isso está previsto por uma lei que desejávamos veementemente introduzir no decreto legislativo 148 de 2017, que solicitamos com uma questão parlamentar em julho passado e que finalmente obteve a abertura pelo subsecretário Andrea Costa no mês passado”.

Enquanto isso, os pacientes esperam. E eles sofrem.

Imagem de capa: Kindel Media / Pexels.

Comissão de Saúde do Rio Grande do Norte aprova projeto sobre tratamento com cannabis

O projeto de lei, que já tinha sido aprovado na Comissão de Administração, Serviços Públicos e Segurança Pública, agora segue sua tramitação até votação final no Plenário da Assembleia Legislativa

Via Smoke Buddies

Reunida na manhã dessa quarta-feira (17), a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, presidida pelo deputado Getúlio Rêgo (DEM), aprovou o Projeto de Lei 149/2021, de autoria da deputada Isolda Dantas (PT), que dispõe sobre o direito ao tratamento de saúde com produtos de Cannabis e seus derivados, o incentivo à pesquisa sobre o uso medicinal e industrial da Cannabis e a divulgação de informações sobre o uso medicinal para a população e para profissionais da área de saúde.

O projeto tem como como objetivos garantir o direito à saúde mediante o acesso a tratamentos eficazes de doenças e condições médicas, para quem deles precisarem, promover a educação em saúde, com base em evidências científicas atualizadas, e incentivar a produção científica e o desenvolvimento tecnológico.

Leia mais: Uso medicinal da cannabis é debatido em audiência pública no Piauí

“Este projeto de lei tem como objetivo garantir o direito à saúde da população norte-rio-grandense através de medidas que promovam o acesso ao uso medicinal da cannabis, por meio de apoio a pesquisas, de promoção de campanhas educativas e de parcerias com associações de pacientes, universidades e institutos de pesquisa. O uso medicinal já é uma realidade no Brasil e no mundo, sendo utilizado para tratar doenças como dores crônicas, epilepsia, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, câncer, dentre outras. As pesquisas científicas e os relatos de pacientes e familiares indicam que o uso medicinal da cannabis proporciona controle considerável dos sintomas de doenças sem os efeitos colaterais das medicações convencionais, o que aumenta significativamente a qualidade de vida dessas pessoas e de seus cuidadores”, escreveu a deputada Isolda em sua justificativa.

Participaram da reunião da Comissão de Saúde os deputados Vivaldo Costa (PSD), Galeno Torquato (PSD) e Gustavo Carvalho (PSDB). A matéria, que já tinha sido aprovada na Comissão de Administração, Serviços Públicos, Trabalho e Segurança Pública, segue a sua tramitação até a votação final no Plenário da Assembleia Legislativa.

Foto de capa: Alesia Kozik | Pexels.

Justiça federal autoriza associação recifense a cultivar cannabis para fins medicinais

Liminar beneficia mais de 100 famílias atendidas pela Amme Medicinal, que poderá produzir o extrato de cannabis de forma artesanal e atender os associados. Informações do NE10

Via Smoke Buddies

Sem alarde, no dia 15 de novembro, a pedido da Defensoria Pública da União, a Justiça Federal em Pernambuco aceitou um pedido de liminar para que fosse concedido o direito ao cultivo, extração e distribuição do extrato de cannabis por parte de uma associação de pacientes com sede em Recife, Pernambuco.

A decisão foi dada pela juíza federal da 12ª Vara Civil da Justiça Federal em Pernambuco, Joana Carolina Lins Pereira.

Leia mais: Guia gratuito reúne informações sobre associações de cannabis no Brasil

A liminar beneficia mais de 100 famílias atendidas pela Amme Medicinal, que poderá produzir o extrato de forma artesanal e atender os associados que precisam do medicamento à base de maconha.

“A decisão nos tira da marginalidade. Não podíamos plantar nem distribuir. Agora nós temos respaldo jurídico, estamos autorizados”, afirmou a entidade.

Associação pernambucana luta pelo direito ao cultivo, tratamento e informação a cerca da terapêutica canábica. Trata-se de uma entidade recifense não governamental, sem fins lucrativos, que realiza abordagem terapêutica por meio do uso da cannabis medicinal.

Há ainda o fator econômico. O extrato de cannabis fornecido pelas associações pode ser vendido por cerca de R$ 150,00, enquanto o remédio nas farmácias pode chegar a R$ 1.800.

Foto de capa: Unsplash | 2H Media.

Fazendas urbanas e o cultivo de cannabis

A ida das pessoas para grandes centros urbanos tem provocado várias crises de abastecimento a tudo o que é produzido nos campos — inclusive a cannabis. As fazendas urbanas vêm para melhorar essa situação! Leia a respeito no texto do Girls in Green

Fonte: Smoke Buddies

Quem curte saber mais sobre o cultivo e as origens da cannabis que usa já deve ter percebido que, aqui no blog, nós somos fãs da agricultura orgânica e, mais ainda, da agricultura regenerativa. Mas, mesmo nesses modelos, ainda vemos algumas dificuldades na distribuição de produtos agrícolas e outros insumos que vêm do campo, fazendo com que diversos profissionais voltem suas energias a encontrar alternativas viáveis para resolver essa situação. Ela nos afeta de diversas formas, aumentando o valor de produtos nas prateleiras — tanto do mercado quanto dos dispensários — e aumentando a emissão de carbono na atmosfera.

Uma das opções que chama cada vez mais atenção são as fazendas urbanas. Elas podem ajudar com problemas de escassez de produtos e dificuldades na distribuição de frutas, verduras, cereais, e, é claro, de maconha (em países onde seu plantio é permitido), além de diminuir os danos que modelos de cultivo padrão têm provocado. E a gente ama reduzir danos, não é mesmo?!

Para quem mora nas cidades, ter autonomia na produção de alimentos e medicamentos pode parecer uma realidade distante, mas não precisa ser. Hoje, a gente veio estender esse debate e contar para vocês tudo o que a gente sabe sobre fazendas urbanas e fazendas verticais, e como elas podem se tornar o futuro do cultivo (não apenas canábico)!

Vem com a gente.

Em que contexto surgem as fazendas urbanas?

Se a gente perguntasse pra você qual o maior problema da humanidade nos dias de hoje, o que você responderia? Talvez você tenha pensado no desmatamento, na falta de comida para quem não pode pagar por ela, na fome e na inanição. Mas, com um pouco mais de reflexão, é possível encontrar um ponto comum entre esses fatores negativos: todos eles estão relacionados às mudanças climáticas.

Quanto mais rápido as condições climáticas mudam, mais sofremos — pois não temos tempo de nos adequarmos a essas mudanças. Outra questão é: com o aumento populacional, como vamos alimentar e disponibilizar água limpa para os próximos bilhões de pessoas?

Se o desmatamento parasse e as árvores cortadas crescessem novamente, a Terra poderia recuperar seu balanço de carbono. Com isso, a atmosfera não aqueceria com tanta rapidez e teríamos mais tempo para nos ajustar às inevitáveis mudanças climáticas. Mas a realidade é que a cada dia perdemos mais florestas — que são transformadas em áreas de monocultura justamente para alimentar a crescente população.

Atualmente, se juntarmos todo o território no mundo que utilizamos para produzir nossa comida, o resultado é uma extensão de terra maior do que a América do Sul.

E o que vamos fazer quando não houver mais terra para cultivar?

Ufa. É muita informação, né? Corremos o risco de soar alarmistas, mas a situação é realmente bem preocupante.

Nos Estados Unidos, metade das fazendas são de propriedade de grandes empresas do agronegócio. Do que produzem, 80% é exportado. Essa é, de acordo com Dickson, uma cultura comercial para poucos, mas expressivos, grandes agricultores. Os fazendeiros comuns continuam recebendo pouco até mesmo para a própria sobrevivência, e com as mudanças climáticas eles estão tendo diversas dificuldades. Fazendeiros da Califórnia, do Texas e da Flórida estão lidando com secas, queimadas, inundações e furacões. Quando você junta tudo isso, a quantidade de insumos que eles produzem apenas cai, enquanto as demandas internacionais aumentam.

Esses movimentos também já foram observados na produção de cannabis. Nesse ano, a Jamaica tem registrado escassez da planta devido às mudanças climáticas e à pandemia. Como nem todo mundo tem acesso aos prazeres do autocultivo, precisamos de algumas outras alternativas.

As possíveis soluções

O premiado professor de microbiologia e saúde pública na Universidade de Columbia, Dr. Dickson Despommier, explica que é necessário retomar os terrenos que estão sendo utilizados para a monocultura e permitir que eles se recuperem. Segundo ele, as árvores voltariam sozinhas, pois as sementes estão no solo — nós só não damos a elas a chance de crescerem, pois continuamos jogando herbicidas para matá-las.

Se a agricultura convencional recuasse, aconteceria o processo chamado “sucessão ecológica”: primeiro, volta a grama; depois, mais e mais plantas aparecem, até as árvores tomarem conta do lugar novamente.

Segundo ele, existem muitos dados científicos que comprovam os “reparos ecológicos” e a capacidade de reequilíbrio das florestas quando simplesmente deixamos de intervir. Mas como fazer isso em um mundo onde precisamos de mais e mais alimentos? A resposta é uma: mudar a maneira de produzir. E aí que chegamos nas fazendas urbanas!

O que são fazendas urbanas, girls?

As fazendas urbanas são nada mais do que edifícios e espaços urbanos que estão sendo repensados e reutilizados para a produção agrícola, com uma boa ajuda da tecnologia. Com um ambiente totalmente controlado, não são necessários agrotóxicos, já que os vegetais não ficam expostos às mudanças climáticas ou mesmo à ação de possíveis pragas. Com uma perda menor e economia de recursos, os preços do que é produzido tendem a cair.

Vamos pensar que são praticamente como os grows indoor quando falamos no cultivo da cannabis, mas em uma expansão para outros tipos de plantas e vegetais.

Um dos pioneiros no assunto, Despommier criou o conceito de fazendas verticais. Sua ideia é trabalhar com um conceito que já conhecemos: o das estufas. Elas permitem recriar condições climáticas ideais para os mais diversos tipos de vegetais, em qualquer lugar do mundo. As fazendas verticais seriam muito parecidas com a nossa ideia de apartamentos. Ao invés de famílias, os ocupantes seriam as espécies cultivadas.

Dickson utiliza como exemplo as alfaces. No método tradicional, em um ano, são realizadas três ou quatro colheitas. No método indoor, com estufas, é realizada uma colheita a cada seis semanas. Existe uma enorme diferença em produtividade, além da disponibilidade de alimentos o ano todo e da segurança alimentar — pois tudo o que tem nesses vegetais é altamente controlado.

Além de todas essas vantagens, existe algo em que acreditamos muito: o consumo local. É uma forma mais consciente de consumir, sejam alimentos, ervas ou outros produtos, que ajuda a fortalecer a economia local, dando mais oportunidades para pequenos empresários. Além disso, sem precisar percorrer grandes distâncias para levar o que é produzido, a pegada de carbono desse processo é zerada. Bom demais, certo?

Como andam esses projetos?

As fazendas verticais já estão em sua terceira geração. De acordo com Despommier, cada versão delas é melhorada a partir dos resultados e aprendizados da anterior. Como qualquer tecnologia, ela deve passar por um processo de refino até que suas operações estejam atingindo todinhos os objetivos. Ainda assim, elas já mostram a sua eficiência e a segurança de alimentos criados em ambientes controlados, sem precisar de qualquer mudança genética.

A expectativa do professor é que em cinco anos elas já estejam sendo vastamente utilizadas e sejam conhecidas como uma maneira lucrativa e eficiente de produzir alimentos para a população urbana. Ainda segundo ele, é preciso refletir: dos 300 mil anos que estamos na terra, apenas 12 mil são com plantações. Da mesma forma que nos adaptamos a essa tecnologia, também nos adaptaremos às novas.

Hidroponia e aeroponia

Se você está por dentro de temáticas sobre cultivo, já ouviu falar em hidroponia. Em plantações hidropônicas, os vegetais são plantados em canos, por onde passa uma solução de água nutritiva. Essa solução atinge apenas as suas raízes, e dá ao broto o que é necessário para o seu desenvolvimento saudável. Ela usa 70% menos água do que a agricultura tradicional.

Mas existe um conceito ainda mais novo e mais econômico sendo testado nas fazendas urbanas e verticais: a aeroponia. Na aeroponia, você borrifa essa solução nutritiva diretamente nas raízes dos vegetais enquanto eles se desenvolvem. Nesse método, é utilizado de 70 a 80% menos água do que na hidroponia.

E temos exemplos aplicados na cannabis?

Ainda são poucos os casos, mas já vemos um universo a ser explorado! Em Israel, referência em pesquisas com a cannabis e na inovação na agricultura, já aparecem instalações similares, chamadas de “fazendas-fábricas”. Atualmente, em um Kibutz, um coletivo para atividades agrícolas, surgiu a primeira fazenda para plantação de cannabis de uso medicinal no país. Totalmente digitalizada, possui um projeto especial de iluminação para as plantas se desenvolverem mais rapidamente e com qualidade. A colheita é feita por braços robóticos. Bizarro onde a tecnologia chegou, não é mesmo?

Alguns pontos interessantes são que:

  • O investimento inicial para esse tipo de grow é alto, mas ele compensa. Em menos de oito anos, já existem fazendas verticais com uma lucratividade que permitiu com que todos os débitos gerados pela sua implantação fossem pagos em tempo recorde. Um dos exemplos citados por Dickson é a AeroFarms, de Newark, Estados Unidos.

  • Para quem curte um plantio indoor, as fazendas urbanas são uma expansão nesse mesmo pensamento de ambiente controlado, com menos riscos e pragas e mais colheitas ao longo do ano. Nelas, é possível imitar as melhores condições da natureza para respeitar os requisitos de cada strain cultivada.

  • Ao ficar nas próprias cidades, essas fazendas podem ser perfeitas para suprir as demandas dessa população em específico, entregando alimentos e medicamentos (como maconha) de qualidade, frescos e sem o aumento de custos por intempéries, transporte e armazenamento. Elas eliminam processos, o que diminui a pegada de carbono das plantações e deixa o consumo ainda mais consciente.

Existem vários paralelos que podemos traçar entre as fazendas urbanas e o cultivo indoor de cannabis. Acreditamos que fica mais simples de entender quando explicamos que uma fazenda urbana é basicamente um grow indoor de larga escala. Com luzes artificiais controladas, ambiente esterilizado e meios de cultivo selecionados a dedo, com adição de nutrientes específicos, ambos tornam o cultivo nas grandes cidades possível — e dão origem a insumos de altíssima qualidade.

Significa que as fazendas convencionais não vão mais existir?

Para Dickson, o futuro da alimentação está na agricultura vertical. Nos próximos 20 anos, a previsão é de que 80% da população estará vivendo nas cidades e grandes centros urbanos. É preciso encontrar soluções viáveis não apenas para aumentar e otimizar a produção de alimentos, mas também pensar em sua distribuição. Quanto mais perto das pessoas, melhor. E é essa a proposta das fazendas urbanas. Como se fosse uma forma de reduzir danos de quem mora na cidade.

Não podemos dizer que os tempos de outdoor vão acabar com certeza, e pela deusa nem queremos isso! Mas entendemos como essa estratégia pode ser útil para aqueles que vivem vidas nas zonas urbanas e querem alimentos orgânicos de qualidade. Hoje em dia nós moramos no campo e temos inúmeras fazendas ao nosso redor, mas não são todas as pessoas que têm esse privilégio, não é mesmo?

Embora as fazendas urbanas deixem a desejar no quesito “contato com o natural de forma holística”, quem sabe elas não possam coexistir e se completar? A gente espera que sim!

Mas a gente vê que essas novas possibilidades da agroecologia também são novas possibilidades de mudar a arquitetura, a engenharia e o próprio método como pensamos tudo o que nos cerca.

Dickson vai bem longe e afirma que, com a tecnologia que temos hoje, podemos viver em uma floresta de arranha-céus que tenham praticamente a mesma função biológica das árvores, pois cada edifício pode criar seus próprios alimentos e gerar sua própria energia! Todas essas mudanças gerariam uma economia de recursos naturais e de dinheiro, que poderia ser focado em diversos outros setores — como educação e saúde.

Enfim, são muitas as formas de repensar nossos meios e estudar novos conceitos para melhorar não apenas a nossa qualidade de vida, mas a da vida no planeta como um todo. As fazendas urbanas ou verticais são conceitos incríveis, e a gente aposta demais neles — em conjunto com tudo o que já sabemos sobre agricultura orgânica — para resgatarmos um relacionamento mais saudável com nossos recursos naturais.

Imagem de capa: Edenworks.