Afinal, o que é a tintura cannábica?

Além dos preparos cannábicos, as tinturas são extratos concentrados de ervas feitos pela imersão da casca, frutos, folhas (secas ou frescas) ou raízes de uma ou mais plantas, em uma base geralmente alcoólica. Saiba mais no artigo da chef Lilica 420, a seguir

As pessoas sempre ficam curiosas para saber: “O que será que a Lilica pinga na sua bebida durante as lives?”. Eu sempre respondo que é a minha infusão favorita, o extrato cannábico. Então já está na hora de escrever sobre a tintura e ensinar a fazer, então vamos lá…

A tintura é um extrato concentrado de ervas. No mundo da cannabis, isso significa que é um extrato de maconha rico em canabinoides, bastante conhecido como “Green Dragon”. Geralmente, as tinturas de cannabis são feitas de álcool, mas também podem ser feitas com glicerina para evitar os efeitos intoxicantes do álcool.

As tinturas são uma excelente forma de consumo com a redução de danos da inalação da fumaça. Na verdade, as tinturas eram a principal forma de medicamento à base de cannabis até os Estados Unidos promulgarem a proibição da cannabis em 1937.

Algumas tinturas são feitas para serem ingeridas, enquanto outras são feitas para usarmos de forma tópica na pele. A diferença está em como a tintura foi feita. Se você fizer sua tintura com alguma bebida destilada ou álcool de cereais comestível, os fins serão para ingestão oral ou alimentar. Se você utilizar álcool isopropílico ou qualquer outra base alcoólica que não seja segura para ingestão, então você está fazendo uma tintura tópica que deve ser aplicada na pele em vez de ser adicionada às receitas, drinks ou uso sublingual.

Leia também: Terpenos: o que são e como usá-los na culinária cannábica?

No mercado brasileiro há uma regulamentação que proíbe a venda de destilados com concentração alcoólica superior a 54%. Por isso, eu sempre recomendo que a tintura seja feita com álcool de cereais, se não houver restrição com relação à ingestão de álcool. O álcool de cereais possui uma graduação INPM de 93,7 a 96,9, ou seja, com ele consigo extrair o máximo de canabinoides que a planta oferece. Isso quer dizer uma tintura de melhor qualidade e concentração.

Se houver qualquer tipo de restrição quanto à ingestão alcoólica, eu sugiro utilizar a glicerina para preparar sua tintura. A glicerina é uma solução à base de plantas que é ótima para tintura. Embora a glicerina seja um ótimo veículo para tinturas, seu potencial de extração é menor que o do álcool de cereais. Portanto, é melhor fazer sua tintura com álcool e em seguida adicionar glicerina. Se quiser que a tintura de glicerina seja mais forte, você pode evaporar um pouco do álcool e adicionar glicerina em seu lugar.

Nunca se esqueça: Segurança em primeiro lugar!

preparação de tinturas envolve o uso de álcool altamente inflamável. Aqui estão algumas etapas para tornar o preparo da tintura o mais tranquilo possível:

  1. Sem chamas abertas, isso significa não fumar por perto. Mesmo uma pequena faísca pode ser suficiente para criar um grande incêndio nas condições certas;
  2. O álcool é extremamente volátil e seus vapores podem ocasionar acidentes se você estiver utilizando um fogão a gás. Para o preparo em banho-maria eu recomendo o uso de fogão ou panela elétricos;
  3. Garanta uma boa ventilação: como falei, o álcool produz vapores que podem ser facilmente inflamados quando se acumulam. Se você mantiver a área bem ventilada, a concentração de vapores inflamáveis no ar permanece baixa o suficiente para que ele não entre em combustão. Em outras palavras, certifique-se de que haja ar novo e limpo em sua área de cozimento para evitar acidentes com chamas.
  4. Mantenha um extintor de pó químico à mão: contanto que você siga as regras acima, você estará bem para fazer suas próprias tinturas com tranquilidade. No entanto, é sempre uma boa ideia estar preparado.

Como fazer a tintura?

Para preparar sua tintura você deve tomar as precauções citadas acima e fazer o preparo em banho-maria. No meu Ebook eu mostro o passo a passo e ainda te dou uma receita de balinhas de gelatina preparadas com tintura, uma excelente forma de dosar o seu consumo.

Mas você também pode escolher outra forma de preparo. A maneira mais segura é utilizando o método a frio, que deve ser feito da seguinte maneira:

  1. Adicione 10 g de maconha descarboxilada em um frasco de vidro ou pote de conservas e acrescente cerca de 300 ml de álcool no frasco. Feche bem o frasco.
  2. Coloque o frasco em um local fresco e escuro por cerca de 1 mês (se quiser pode deixar mais tempo também), lembre-se de eventualmente chacoalhar o frasco para misturar os ingredientes e potencializar a extração.
  3. As tinturas de álcool duram vários anos se forem mantidas em uma garrafa de vidro âmbar na geladeira. A coloração âmbar evita que a luz degrade os canabinoides na sua infusão. Já as de glicerina duram seis meses na geladeira.
  4. Agora é só armazenar na geladeira e bom uso!

Quais os benefícios de se utilizar a tintura cannábica?

As tinturas são uma forma muito discreta de fazer a ingestão dos canabinoides. Consumir uma tintura permite evitar o cheiro da fumaça enquanto desfruta de todos os benefícios da cannabis. Também é superfácil de levar a qualquer lugar, dentro de um pequeno frasco conta-gotas.

Se ingerida em alguma receita ou drink, os efeitos podem demorar 1 hora ou mais para aparecer. Já se for ingerida de forma sublingual, os efeitos podem ser sentidos em apenas 15 minutos.

Como faço para tomar a minha tintura cannábica?

Normalmente a tintura de cannabis é administrada de forma sublingual (colocando algumas gotas debaixo da língua). Quando tomada dessa forma, logo é absorvida pela nossa artéria carótida e distribuída na nossa corrente sanguínea. Dito isso, você sempre pode engolir a tintura em uma bebida ou comida, mas ela será absorvida mais lentamente e metabolizada pelo fígado.

Algumas pessoas comentam que sentem uma sensação de queimação embaixo da língua após algumas gotas de tintura — o álcool de alta graduação usado para fazer a tintura é o responsável por isso. Se a tintura queimar sob sua língua e você estiver procurando por uma opção diferente, pode obter uma tintura à base de glicerina ou incorporá-la a uma bebida, ou até mesmo em um pouco de mel.

É isso pessoal, espero que tenham curtido a leitura e tenho um pedido para fazer.

Leia mais:

Copa de Culinária Cannábica: o reality show que coloca maconha no prato

Foto em destaque: Lilica 420.

Posse de item para preparo de drogas para uso pessoal não é crime (mas nem tudo são flores)

Entenda por que e como a questão foi decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, no RHC 135.617/PR, no texto de André Feiges e Mariana German para o portal Direito & Outras Drogas

Via Smoke Buddies

Para quem estuda Direito Penal e Lei de Drogas a questão parece óbvia, entretanto somente agora chegou aos tribunais superiores através do RHC nº 135.617/PR, julgado em 14/9/2021 pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.

A decisão é de extrema importância na defesa de cultivadores (de maconha e outros) ou de pessoas que preparem quaisquer drogas para uso pessoal. A notícia é boa e gera muita comoção, em especial no ativismo canábico, mas é importante alertar: nem tudo são flores!

O entendimento se aplica apenas em situações de cultivo ou preparação para uso exclusivamente pessoal. Porém, cotidianamente usuários são acusados de tráfico, pois a diferenciação destes crimes depende da interpretação de agentes do sistema de justiça criminal, numa sociedade marcada pelo proibicionismo, racismo e classismo.

O forte viés punitivista da Lei de Drogas se expressa também por uma dissimulada inversão do ônus da prova. Na forma da lei atual e na interpretação dos tribunais, a ausência de demonstração, pela Defesa, de destinação exclusivamente para uso pessoal admite acusação e condenação por tráfico.

Desta forma, por mais que o cultivo, o preparo e as substâncias sejam destinados exclusivamente ao uso pessoal, sempre há risco de prisão, acusação e condenação por tráfico. A decisão do STJ não resolve esta questão, portanto, todo cuidado é pouco.

No caso específico o processo passou por três instâncias do Poder Judiciário antes de um desfecho favorável. Ou seja, somente no STJ foi reconhecido o óbvio excesso acusatório que havia sido admitido pelo Juiz de 1º grau e pelo Tribunal de Justiça do Estado.

Nestas situações, até que o processo chegue aos tribunais superiores, além de levar bastante tempo, as pessoas podem sofrer as mais diversas violências do sistema de justiça criminal, inclusive uma eventual prisão.

Pois bem, dado o alerta, vamos à análise da situação.

No caso concreto um homem foi preso na posse de pequena quantidade de droga para uso pessoal, alguns pés de maconha, utensílios e equipamentos destinados tanto ao cultivo, quanto à preparação de extrato da planta.

Em razão da atuação policial, houve prisão em flagrante por tráfico. Finalizada a fase de inquérito, a própria autoridade policial concluiu que as circunstâncias demonstravam uso exclusivamente pessoal, não havendo nenhum indício de fornecimento a terceiros.

Apesar do evidente contexto de uso pessoal, inviabilizando a criminalização por tráfico de drogas, o Ministério Público ofereceu denúncia pela posse de droga para consumo pessoal (art. 28, LD), por cultivo de plantas ilícitas para uso pessoal (art. 28, §1º, LD) e por posse de petrechos para a preparação de drogas (art. 34, LD).

As teses defensivas, apontando a incompatibilidade das imputações, foram trazidas em defesa prévia ao Juízo de 1º Grau, sendo rejeitadas. Contra o recebimento da denúncia foi impetrado Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça estadual, sendo negado sob a justificativa de que dependeria de instrução probatória.

Diante da situação absurda e do evidente constrangimento ilegal, foi interposto Recurso Ordinário em Habeas Corpus perante o STJ, tendo a Subprocuradoria Geral da República se manifestado contrariamente à Defesa, no mesmo sentido do Tribunal de Justiça.

Para solução da questão é necessária uma análise teleológica e sistemática da Lei de Drogas, que inovou estipulando duas categorias de delitos absolutamente distintas. Para as diversas condutas relativas ao tráfico é prevista pena de prisão, enquanto para o uso pessoal, incluído o cultivo e a preparação, são previstas as denominadas medidas educativas.

Na legislação anterior (Lei nº 6.368/1976) havia grande discussão sobre o enquadramento jurídico daquele que cultivasse plantas de Cannabis para consumo pessoal, sendo a conduta entendida ora como uso, ora como tráfico e ora atípica (não criminalizada).

Atualmente a Lei prevê que o cultivo de plantas para preparação de substâncias proscritas para consumo pessoal é uma realidade específica e não se confunde com atividades de tráfico.

Desta forma, a posse de instrumentos destinados ao cultivo e à preparação de pequena quantidade de droga para uso pessoal não configura o delito previsto no art. 34, LD, mas encontra-se abrangida pelo art. 28, §1º, por força das circunstâncias que demonstram a finalidade exclusiva de uso.

Assim, os objetos incriminados no art. 34, destinados à preparação de drogas, quando em contexto único e exclusivo de consumo pessoal, caracterizam um meio para a finalidade tipificada no art. 28, §1º, da Lei de Drogas.

Portanto, é evidente a incompatibilidade entre as diferentes finalidades (uso ou tráfico). No art. 28, caput e §1º, o destino da planta ou da preparação da substância é exclusivamente o uso pessoal. Já no art. 34 a destinação é qualquer outra finalidade que extrapole o uso pessoal (não sendo necessário demonstrar atividade de comércio, apenas que exceda o indivíduo).

A tentativa de criminalização do usuário que possui equipamentos para cultivo e preparo de drogas pelo art. 34, LD, subverte totalmente a lógica e a finalidade da própria lei em diferenciar condutas relativas ao uso pessoal das demais condutas destinadas a terceiros.

Na doutrina penal é vasta a produção teórica que explica o delito do art. 34, LD, comumente chamado “petrechos de tráfico”, como crime subsidiário ao tráfico de drogas (art. 33), pois tipifica atos preparatórios à atividade de traficância. Contudo, quase ninguém trata do confronto entre o art. 34 e o art. 28, LD.

Sendo o art. 34 subsidiário do tráfico, decorrência lógica é a impossibilidade de concurso entre o art. 28 e o art. 34 no mesmo contexto, posto que a finalidade da figura mais grave é a repressão ao tráfico, sendo excepcionalmente criminalizado o ato preparatório enquanto delito autônomo, situação que não se caracteriza nas circunstâncias de uso próprio.

Se o agente que possui equipamento para produção de drogas com fins de distribuição a terceiros é flagrado concomitantemente na posse de substâncias ilícitas lá produzidas, incorre tão somente no art. 33, posto que o delito-meio é absorvido pelo delito-fim (exceto quando o equipamento é para produzir uma droga e ocorre apreensão conjunta de outra droga).

Entretanto, há uma importante diferença no caso da posse de instrumentos para preparação de drogas para uso pessoal, pois a Lei de Drogas não criminaliza de forma autônoma a posse de instrumentos para tal finalidade.

Deste modo, possuir instrumentos para cultivo ou preparação de drogas para uso pessoal não é um crime em si mesmo (ato preparatório impunível por ausência de tipificação), não podendo ser confundido com o delito do art. 34, LD.

Portanto, a mera posse desses objetos é atípica, não sendo passível de criminalização. Contudo, quando houver apreensão simultânea de plantas ou drogas para consumo pessoal junto com equipamentos de cultivo ou preparação, estes objetos serão apreendidos enquanto instrumentos do crime do art. 28, caput e/ou §1º, LD.

Em nossas pesquisas, encontramos apenas três autores que trataram do conflito entre a posse destes objetos e os crimes relacionados ao tráfico e ao uso pessoal. Alberto Silva Franco, ao comentar o art. 13 da Lei nº 6.368/1976 (antiga Lei de Drogas), que criminalizava as mesmas condutas previstas no atual art. 34 da Lei nº 11.343/2006, assim ensinava: “(…) não desfigura o delito de tráfico ilícito de entorpecentes, desde que a finalidade não seja o uso próprio (…)”. [FRANCO, Alberto Silva. Crimes Hediondos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 146.]

Curiosamente, um dos raros autores a tratar da questão na atual Lei de Drogas e firmar entendimento coerente e favorável à Defesa é DAMÁSIO DE JESUS, que sustenta a atipicidade da conduta:

Art. 34 (…) Elemento subjetivo do tipo. É o dolo, abrangente da destinação do objeto e do elemento normativo do tipo. Se o comportamento do agente visar exclusivamente ao seu consumo pessoal, o fato não se subsumirá ao art. 34 desta Lei. Com efeito, ofenderia o princípio da proporcionalidade punir aquele que traz consigo droga para consumo pessoal exclusivamente com penas alternativas (art. 28 desta Lei) e com pena de reclusão e multa quem traz somente, v.g., instrumento destinado à preparação de droga para seu consumo. Entendemos que, nesse caso, o fato também não pode ser enquadrado no art. 28 da Lei, uma vez que este tipo penal somente descreve condutas cujo objeto material é a droga (e não o maquinário, aparelho ou instrumento destinado à sua fabricação etc.). Se enquadrássemos a conduta no citado art. 28, haveria analogia in malam partem, vedada pelo ordenamento brasileiro (CF, art. 5º, XXXIX, e CP, art. 1º). Em suma: quando o objetivo do agente for exclusivamente seu consumo pessoal, o fato será penalmente atípico.

Objetos materiais destinados exclusivamente a consumo pessoal

Fato atípico. Vide nota acima. (…) [JESUS, Damásio de. Lei Antidrogas Anotada. 10 ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 165-166.]

Por fim, DELMANTO, de forma muito sucinta, ensina: “Confronto com o art. 28: Se a conduta do agente tiver como finalidade exclusiva o consumo pessoal da droga, ela será atípica”. [DELMANTO, Roberto et al. Leis Penais Especiais Comentadas. 3 ed. São Paulo: Saraiva, 2018. E-book sem paginação.]

Outro importante raciocínio é a inviabilidade de enquadramento do usuário que possui instrumentos para cultivo e preparação de sua própria droga no art. 34, LD, a partir da evidente desproporcionalidade das reprimendas.

O art. 34, LD, prevê uma pena de 3 a 10 anos e uma multa severa, sendo delito equiparado a crime hediondo. A pena de prisão do art. 34 é mais branda que do tráfico, enquanto a multa mínima é mais que o dobro do tráfico (art. 33).

A diferença da pena de prisão cominada nestes delitos decorre da proporcionalidade da gravidade das condutas: o ato preparatório (art. 34), subsidiário e delito menos grave, é punido com prisão mais branda, já o crime principal (art. 33), mais grave, é reprimido com prisão mais severa.

Por sua vez, para aquele que incorre no delito previsto no art. 28, isolada ou concomitantemente a seu §1º, a Lei prevê tão somente as denominadas medidas educativas (embora estas também tenham natureza de pena, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal).

Punir a posse de instrumentos para cultivo e preparo de drogas para uso pessoal, ato preparatório, de forma mais severa que a própria posse de droga é absolutamente irracional, subvertendo toda a sistemática da Lei. Incorreria tal prática em vedado excesso punitivo, por, obviamente, violar a proporcionalidade penal.

Além das obviedades já delineadas acerca da subsidiariedade do tipo do art. 34, bastaria indagar-se qual o sentido da norma, interpretação teleológica, das razões que levaram o legislador a inserir a expressão “destinada à preparação de pequena quantidade de substância ou produto” no art. 28, §1º, LD, relativo ao usuário.

Se o legislador incluiu a expressão “destinadas à preparação de pequena quantidade de substância” para circunscrever a conduta de quem “semeia, cultiva ou colhe plantas”, seria contrassenso imaginar que para perfectibilizar o crime menos grave de todo o ordenamento jurídico fosse necessário incorrer no art. 34, LD, crime passível de reclusão.

Quer dizer, quando há destinação da preparação para uso, seus instrumentos indissociáveis constituem meios para a conformação do tipo penal do art. 28, §1º, não podendo ser confundido com o ilícito do art. 34, por serem distintos os fins, embora similares os meios.

Por óbvio que aquele que cultiva ou prepara drogas para uso pessoal possui instrumentos para tanto. Assim, a posse destes equipamentos integra o próprio delito do art. 28, §1º, LD, não podendo ser imputado ao usuário crime mais grave, visto que as condutas possuem finalidades distintas.

Este foi o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em decisão inédita no RHC nº 135.617-PR, de relatoria da Ministra Laurita Vaz, sendo ordenado o trancamento parcial do processo contra homem denunciado pelos art. 28, §1º, e art. 34, da Lei de Drogas, no mesmo contexto fático:

(…) se a própria legislação reconhece o menor potencial ofensivo da conduta do usuário que adquire drogas diretamente no mercado espúrio de entorpecentes, não há como evadir-se à conclusão de que também se encontra em situação de baixa periculosidade o agente que sequer fomentou o tráfico, haja vista ter cultivado pessoalmente a própria planta destinada à extração do óleo, para seu exclusivo consumo. [Trecho do acórdão disponibilizado no Informativo nº 709, STJ]

Oportuno lembrar que a Lei de Drogas de 2006 inovou ao prever tratamento diferenciado ao uso tentando (ainda que de forma questionável) instituir uma política de prevenção ao uso de drogas e de cuidado ao usuário. Desta forma, não descriminalizou as condutas relativas ao uso pessoal, mas extinguiu a pena de prisão, passando a prever penas pretensamente educativas.

A recente (e única) decisão do STJ é de extrema relevância na proteção dos direitos de cultivadores de plantas ilícitas para fins pessoais, assim como de quem prepara drogas para usá-las, mas o alerta dado no começo do texto é igualmente relevante. Apesar do julgado, ainda vivemos num contexto de guerra às drogas, de pânico moral e de interesses escusos que a sustentam e conduzem toda sorte de injustiças.

Fotografia de capa: Kevin Turcios | Unsplash.

Projeto de lei incentiva pesquisas com cannabis no Piauí

Segundo o proponente deputado estadual Ziza Carvalho (PT), proposta deve gerar benefícios aos cidadãos afetados por condições que podem ser tratadas com substâncias extraídas da maconha. Informações da Alepi

Via Smoke Buddies

O deputado estadual Ziza Carvalho (PT) apresentou nessa terça-feira (21) ao plenário da Assembleia Legislativa do Piauí um projeto de lei que incentiva a realização de pesquisas científicas com Cannabis sativa para fins medicinais. O parlamentar defendeu, durante a sessão plenária, que a proposta deve gerar benefícios para os cidadãos que são acometidos por doenças que podem ser tratadas com substâncias extraídas da planta.

O parlamentar explicou que a Cannabis sativa é amplamente utilizada para tratamento medicinal nos EUA. “Hoje há uma grande dificuldade para os pacientes que precisam utilizar esse item porque eles precisam importá-lo. Nos Estados Unidos, o uso da cannabis é autorizado em 47 estados. Recentemente, São PauloGoiás e Distrito Federal regulamentaram a pesquisa científica com a utilização da Cannabis sativa. Então, apresento esse projeto aos colegas e peço que debatam com racionalidade”, afirmou.

Ainda durante a sessão, o deputado informou que apresentou requerimento à Assembleia Legislativa, solicitando empenho da bancada de deputados federais do Piauí para a derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro ao projeto de lei nº 823/21. A matéria, conhecida como Lei Assis Carvalho, previa ações emergenciais de amparo à agricultura familiar em razão dos efeitos econômicos provocados pela pandemia de Covid-19.

Entrementes, no Congresso

Após aprovação na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, em junho deste ano, o projeto de lei que regulamenta o plantio de cannabis para fins médicos, veterinários e industriais segue sem previsão de retomada na casa legislativa.

O PL 399/2015 colocou o tema no âmbito legislativo com os trabalhos dos últimos meses da comissão especial da Câmara, que reuniu especialistas e membros da sociedade civil para discutir o relatório, aprovado no dia 8 de junho, com voto de minerva do relator, deputado Luciano Ducci (PSB-PR).

Imagem de capa: Unsplash / Crystalweed.

Proposta para distribuição de medicamentos de cannabis tramita na Câmara de Joinville (SC)

Projeto de lei de autoria do vereador Luiz Carlos Sales (PTB) visa a oferta de remédios nacionais ou importados à base de canabinoides no serviço de saúde pública do município. Informações do NSC Total

Via Smoke Buddies

A Câmara de Vereadores de Joinville (SC) vai analisar proposta para que a rede municipal de saúde tenha a oferta de medicamentos à base de cannabis, que contenham as substâncias canabidiol ou tetraidrocanabinol. Os pacientes só terão direito de receber o medicamento em caso de autorização judicial ou pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou em caso de prescrição por médico, acompanhada de laudo. Projetos semelhantes estão em tramitação em outras cidades pelo país, como Florianópolis e Curitiba (PR), por exemplo. Em outro exemplo, Goiânia aprovou a proposta do uso terapêutico da cannabis. Há iniciativas semelhantes em análise na Câmara dos Deputados.

Leia mais: Liminar para cultivo de maconha com fins terapêuticos é confirmada no Paraná

proposta também traz uma série de outras regras sobre uso da cannabis medicinal, como detalhamento do laudo médico e oferta para tratamentos com eficácia comprovada. Na justificativa do projeto, o autor da proposta, o vereador Luiz Carlos Sales (PTB), faz um histórico do uso medicinal e terapêutico da cannabis, inclusive citando os projetos em análise no Congresso e norma técnica da Anvisa.

“A presente regulamentação vem no sentido de garantir à população o direito à saúde, que é direito fundamental, elevado ao status de direitos humanos através da Declaração Universal dos Direitos Humanos”, analisou o vereador. Sales afirma ainda que o público a utilizar o medicamento não é amplo. “Mas será muito importante para quem precisa para o tratamento”, diz o parlamentar. O projeto não tem prazo para ser analisado.

Foto de capa: jcomp / Freepik.

Copa de Culinária Cannábica: o reality show que coloca maconha no prato

Terceira edição da competição começa no fim de setembro, entre os alunos do curso da cozinheira cannábica Lilica

É com muita alegria e orgulho que hoje na coluna vou contar um pouco pra vocês o que é a Copa de Culinária Cannábica, uma competição culinária muito mais que especial. Tenho certeza que você já assistiu a todos os tipos de realities shows possíveis e imagináveis, muitos deles relacionados à comida.

Mas o que talvez tu ainda não saiba é que aqui mesmo no Brasil acontece uma competição de culinária cannábica, onde todos os preparos levam maconha. Desde as entradas, pratos principais, sobremesas e drinques, tudo o que você pode imaginar tem alguma extração ou infusão cannábica. A terceira edição começa no dia 28 de setembro e vai até dia 2 de outubro, sempre às 20h, pelo meu canal no YouTube. A escolha dos finalistas e do grande vencedor é feita pelo público e aqui você se inscreve para assistir e votar de forma rápida, não demora nem trinta segundos.

A competição — bem divertida e amigável — acontece entre os alunos e alunas do meu curso de culinária cannábica, que colocam em prática tudo aquilo que aprenderam nas aulas e também nas nossas conversas diárias na comunidade do Telegram.

Leia mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Sempre falo da importância de colocar maconha na alimentação de maneira segura e correta e ir aumentando o consumo à medida em que for se sentindo mais confiante. Eu bato muito nessa tecla no meu curso de culinária cannábica também, por isso que cada aluno meu sabe exatamente a dose certa para seu consumo diário.

Eu me encho de orgulho deles, porque cada um sugere os pratos que vai fazer e mandam sempre muito bem. No meu canal do Youtube tem uma playlist com os vídeos da última edição, então é só ir até lá pra ver que eu não estou mentindo. É cada prato maravilhoso que sai.

A Copa também conta com a participação de comentaristas da cena cannábica, que além de trocar ideia com a gente durante os preparos, também sofrem comigo e enchem a boca d’água, querendo devorar as laricas.

A decisão de quem passa de fase, dos finalistas e vencedor(a) é feita por você, através do grupo aberto que temos no Telegram. Ao final de cada etapa uma enquete é aberta por lá e você deixa o voto no seu prato e participante favorito. Por lá eu também sempre divulgo vídeos, conteúdos, aviso das lives que vão rolar… Se tu ainda não faz parte, é só clicar aqui.

E como toda competição, a nossa não poderia deixar de ter prêmios, né. Então todos os participantes vão levar um presentinho surpresa, mas tem prêmio especial para os três primeiros colocados:

3º lugar: avental e boné

2º lugar: avental e boné

1º lugar: camiseta ou vestido, avental e boné.

Todas essas peças são da minha coleção exclusiva e você também pode comprar, clicando aqui.

Estou muito ansiosa para a Copa de Culinária Cannábica chegar logo e conto com a sua participação e torcida. Confira aqui como foi a final da última edição.

Imagem de capa: Lilica 420.

Terpenos: o que são e como usá-los na culinária cannábica?

Os terpenos são compostos aromáticos produzidos naturalmente, são eles que criam o perfume característico de muitas plantas, como a maconha, o pinho e a lavanda. Entenda mais no artigo da chef cannábica Lilica

Da mesma maneira que em outras plantas e flores de cheiro forte, o desenvolvimento de terpenos na cannabis começou para fins adaptativos. Sua principal função é proteger a planta dos herbívoros e também atrair insetos polinizadores.

Os terpenos estão presentes em toda a planta: folhas, frutas e flores, caules, galhos e também nas raízes.
Existem muitos fatores que influenciam o desenvolvimento de terpenos de uma planta, incluindo clima, tempo, idade e maturação, fertilizantes, tipo de solo e até mesmo a hora do dia. A fragrância da maioria das plantas é devida a uma combinação de terpenos.

De maneira geral, do ponto de vista da planta, os terpenos fornecem proteção natural contra bactérias, fungos, insetos e outras ameaças ambientais. Já do nosso ponto de vista de humanos, os terpenos têm efeitos benéficos para a saúde, tanto na cannabis como em outras plantas.

Já foram identificados mais de 140 terpenos na cannabis. Além de dar a cada variedade de maconha seu aroma e sabor únicos, esses hidrocarbonetos orgânicos também têm um papel determinante em como uma determinada variedade faz você se sentir, assim como nas características terapêuticas da planta.

Os terpenos interagem com os canabinoides* e são essenciais para o que os cientistas chamam de “efeito comitiva”, que significa nada mais do que todos os componentes atuando conjuntamente para potencializar os efeitos medicamentosos da planta.

Isso significa essencialmente que a soma das partes da planta de cannabis é maior do que qualquer canabinoide isolado ou terpeno. O poder do efeito comitiva é uma das razões pelas quais eu sempre prefiro as infusões full spectrum, ou seja, feita com todos os componentes da maconha. É assim que faço meu óleo, manteiga, extrato e também tópicos.

Leia mais: Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Ainda temos muito a aprender sobre como os terpenos e os canabinoides interagem para fornecer benefícios médicos. As pesquisas sobre cannabis e terpenos progridem cada vez mais, por isso elas estão mudando muito aquilo que costumávamos pensar sobre a maconha.

Tradicionalmente, costumava-se classificar a cannabis em grandes categorias de indica, sativa e híbrida. E era comum dizer que as indicas eram melhores para relaxar e dormir, enquanto as sativas eram mais enérgicas e criativas.

Mas a ciência e a pesquisa descobriram agora que os perfis de canabinoides e terpenos de qualquer variedade são o que realmente causa seus efeitos e também são melhores indicadores do que esperar de uma determinada variedade. Cada uma tem uma combinação única de terpenos e canabinoides, além dos compostos chamados flavonoides. Isso é, se você deseja aliviar os sintomas da depressão, reduzir a inflamação ou aumentar o fluxo de ar para os pulmões, deve procurar a variedade cujos terpenos tenham essas propriedades.

Ao escolher qual maconha cultivar, é fundamental entender as propriedades dos terpenos para a saúde, para que você possa selecionar uma variedade que atenda às suas necessidades. Aqui abaixo estão alguns exemplos de condições comuns e que tipo de terpenos são mais indicados:

Neurodegeneração: linalol
Tratamento da insônia: mirceno e linalol
Reduzir o inchaço: humuleno, limoneno, linalol e mirceno
Reduzir a ansiedade: limoneno e linalol
Controle da dor: mirceno, limoneno e linalol

É tudo meticuloso e científico e muitos especialistas preveem que este é o futuro do uso medicinal da maconha, pois não apenas podem ser feitas misturas para tratar sintomas específicos, como podem ser produzidos exatamente os mesmos resultados, lote após lote.

Muitos, se não a maioria, dos terpenos que você obtém nos óleos e concentrados são, na verdade, extratos botânicos de diversas plantas, e não de cannabis. Por quê? Por que são muito mais baratos de produzir. Mas independentemente de qual espécie de planta os terpenos se originam, eles ainda carregam os mesmos aromas e propriedades médicas, isso é, são exatamente a mesma molécula.

Os aromas e sabores da cannabis na culinária podem ser uma ajuda ou um obstáculo. Na maioria dos casos, os cozinheiros tentam torná-los menos proeminentes, pois a maioria das pessoas realmente não gosta do sabor da cannabis herbal em sua comida.

Os chefs usam há muito tempo terpenos derivados de outras plantas, na forma de óleos essenciais comestíveis, por seus sabores intensos, mas totalmente naturais. Da mesma forma, era natural que os profissionais da culinária entrando na arena da cannabis tirassem proveito desses compostos importantes na planta da cannabis também.
Aqui é importante fazer um alerta, nem todo o óleo essencial ou terpeno isolado é comestível, então tenha cuidado na escolha quando desejar fazer essa complementação nas receitas. Mas você pode tranquilamente harmonizar seu comestível com outras ervas, temperos e frutas, fazendo assim uma complementação 100% natural.

Veja também: Você sabe as principais diferenças entre fumar e comer maconha?

Antes o principal objetivo de fazer comestíveis costumava ser esconder o sabor da cannabis. Agora, chefs inovadores estão fazendo exatamente o oposto e incorporando a planta em suas receitas, escolhendo cuidadosamente variedades com base em seus terpenos dominantes. Isso eleva o papel da cannabis nos alimentos, além de servir como veículo para transportar uma dose medicamentosa para o mundo da alta gastronomia.

Essa filosofia considera a maconha como ingrediente de sabor, além de seus efeitos medicinais ou psicoativos. Por exemplo, uma variedade de maconha rica em alfa-pineno pode ser combinada em um prato temperado com alecrim, uma erva que também é rica neste terpeno. Ou um prato de manga pode ser combinado com uma variedade de maconha que é rica em mirceno, já que ambos compartilham este terpeno.

Por esta razão, para obter o máximo benefício e sabor dos seus comestíveis cannábicos, use e abuse dos terpenos! Lembre-se de que quanto mais cheiro, maior é a potência.

Aqui dei um exemplo de uma receita que fiz usando óleos essenciais. Nesse outro post, eu preparei um infográfico sobre os principais canabinoides.

Foto em destaque: Divulgação | Lilica 420.

Agência Mundial Antidoping anuncia que vai rever a cannabis como substância proibida

A WADA não mencionou no comunicado especificamente o caso da velocista americana Sha’Carri Richardson, eliminada dos Jogos de Tóquio após testar positivo para cannabis, mas observou que a decisão de revisar o lugar da planta em sua lista proibida seguiu solicitações de uma série de partes interessadas. Informações do USA Today

Via Smoke Buddies

A Agência Mundial Antidoping (WADA) anunciou nessa terça-feira que instruirá um painel consultivo para revisar se a cannabis deve permanecer em sua lista de substâncias proibidas após 2022.

O anúncio veio cerca de três meses após a estrela velocista dos EUA Sha’Carri Richardson ter testado positivo para maconha nos testes olímpicos deste verão, desqualificando seu primeiro lugar nos 100 metros rasos e efetivamente eliminando-a da Olimpíada de Tóquio. A maconha e outros produtos de cannabis contendo grandes quantidades de THC são atualmente proibidos durante a competição sob as regras internacionais antidoping.

A WADA não mencionou especificamente o caso de Richardson em seu anúncio na terça-feira, mas observou que a decisão de revisar o lugar da maconha em sua lista de substâncias proibidas seguiu “solicitações de uma série de partes interessadas” para fazê-lo.

Enquanto isso, a maconha continuará sendo uma substância proibida pelo menos até o final de 2022, disse a Wada. A lista de substâncias proibidas para 2023 será finalizada no próximo outono.

A maconha foi proibida há muito tempo pela Wada junto com os esteroides tradicionais para melhorar o desempenho, como o estanozolol e a nandrolona, ​​embora agora seja legal em 18 estados americanos — incluindo Oregon, onde Richardson disse que ingeriu a droga no início deste verão. A agência antidoping não especifica por que a maconha, ou qualquer outra substância específica, é proibida, mas diz que tais substâncias devem atender a dois de três critérios:

  • Aumenta, ou pode potencialmente melhorar, o desempenho de um atleta.
  • Pode representar um risco para a saúde dos atletas.
  • “Violar o espírito do esporte”.

Na esteira da suspensão de Richardson, alguns especialistas criticaram a posição da maconha na lista. Roger Pielke Jr., professor da Universidade do Colorado que estuda governança esportiva, descreveu os esforços para regulamentar a maconha como um exagero.

“O que quer que se pense sobre drogas recreativas, qual é o negócio da WADA em regulá-las, visto que temos jurisdições em todo o mundo que têm estruturas legais para fazer exatamente isso?”, Pielke disse ao USA TODAY Sports no início de julho.

“Muita atenção que poderia ser dada à regulamentação das drogas de doping reais é gasta na regulamentação dessas drogas de moralidade”.

Richardson, 21, havia se transformado em uma das estrelas mais brilhantes do Time dos EUA antes que surgissem notícias de seu teste positivo, que resultou em uma suspensão mínima de 30 dias sob o código antidoping da Wada. O momento e a duração da suspensão a impediram de competir em Tóquio.

Richardson disse mais tarde em uma aparição no programa “Today” da NBC que ela ingeriu maconha depois de saber que sua mãe biológica havia morrido.

“Quero assumir a responsabilidade por minhas ações”, disse ela. “Eu sei o que fiz. Eu sei o que devo fazer. Eu sei o que não posso fazer, e ainda tomei essa decisão.”

Imagem de capa: Pexels | Kindel Media.

Universidade pública na Malásia é a primeira a realizar estudo sobre cânhamo no país

Em colaboração com empresa privada, a Universidade Malásia Perlis fornecerá instalações para o cultivo do cânhamo. As informações são do Utusan Malaysia

Via Smoke Buddies

A Universidade Malásia Perlis (Unimap) está se empenhando para se tornar a primeira universidade pública do país a realizar pesquisas sobre o cânhamo ou a cannabis como produto agrícola com potencial para ser desenvolvido.

Para alcançar esse objetivo, um memorando de entendimento foi assinado entre a Unimap e a empresa MyUS Hemphouse, com sede em Kuala Lumpur, para realizar um estudo sobre o produto.

Vice-chanceler da Unimap, Prof. Dr. Zaliman Sauli disse que o memorando permitirá que a pesquisa e o desenvolvimento sejam realizados na universidade.

Ele disse que a colaboração entre a Unimap, por meio do Instituto de Agrotecnologia Sustentável (Insat), e a MyUS terá como foco as atividades de pesquisa sobre cultivo de cânhamo na área do campus da Unimap Sungai Chuchuh, em Padang Besar.

Ambas as partes realizarão pesquisas sobre os procedimentos e aplicações do cultivo do cânhamo, bem como se concentrarão em materiais funcionais para a agricultura, especialmente para melhorar os produtos agrícolas do país de forma orgânica.

Portanto, com este acordo, as atividades de pesquisa sobre esta cultura podem ser implementadas com sucesso para que a relação entre a universidade e a indústria possa ser fortalecida com o programa de colaboração em pesquisa realizado.

A cultura do cânhamo precisa de um controle rígido e também pode ser uma fonte de economia nacional no futuro porque há países desenvolvidos que permitem a comercialização do cânhamo”, disse Zaliman na cerimônia de assinatura do memorando.

A Unimap foi representada por Zaliman enquanto a MyUS Hemphouse foi representada por seu CEO, Datuk Nellsen Phillipe Young.

A MyUS é uma das empresas que trabalham com o governo para obter permissão para cultivar, manter e administrar a produção de lavouras de cânhamo, bem como produzir produtos inovadores com base na safra para o uso de fibra composta, biodiesel, medicamentos e cuidados de saúde.

A Unimap, por meio do Insat, fornecerá instalações que incluem o uso da terra para o cultivo do cânhamo.

Enquanto a MyUS é responsável por fornecer instalações de infraestrutura, recursos técnicos e assistência para atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Plano Nacional de Políticas sobre Drogas está aberto para consulta pública

Documento lançado pelo Ministério da Justiça está disponível na plataforma e-Democracia e poderá receber sugestões até 2 de outubro

Via Smoke Buddies

O Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou nessa sexta-feira (3) consulta pública para elaboração do Plano Nacional de Políticas sobre Drogas (Planad), que vigorará de 2021 a 2026. A consulta é on-line e ficará disponível até o dia 2 de outubro na plataforma e-Democracia, onde qualquer cidadão poderá ler e contribuir.

A criação do Plano Nacional, por meio da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas (Senad), é uma determinação prevista na Lei 11.343, de 2006, contemplando tanto a área de redução da demanda quanto a área de redução da oferta e gestão da política, tratando de objetivos, metas e compromissos relacionados tanto a drogas ilícitas quanto lícitas.

O Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas aprovou durante sua 2ª Reunião Extraordinária a abertura de prazo para contribuições da sociedade, por meio de consulta pública, visando propiciar ampla participação da população brasileira no aperfeiçoamento do texto.

É possível, ainda, conhecer os documentos que embasam a minuta do Plano Nacional, como o Guia Metodológico e a Análise Executiva da Questão de Drogas no Brasil. Para acessar a plataforma, ler e contribuir, clique aqui.

Veja também: Liminar para cultivo de maconha com fins terapêuticos é confirmada no Paraná

Imagem de capa: Pexels | Kindel Media.

Como calcular a dosagem dos comestíveis cannábicos?

Saber dosar faz parte da redução de danos na hora do consumo de uma receita com maconha. Saiba mais no texto da chef Lilica 420

“Ninguém nunca morreu de overdose de cannabis” é uma frase que sempre repito para meus alunos e todas as pessoas interessadas em aprender sobre culinária cannábica. Mas, logo na sequência, faço o alerta de que os efeitos de um consumo exagerado podem ser bastante desagradáveis, principalmente pra pessoas que nunca tenham tido contato com maconha na vida.

Aposto que você já deve ter escutado alguma história de alguém que comeu alguma comida cannábica e a onda bateu muito forte, algumas pessoas inclusive sentem as “bad trips”. Espero que nunca tenha passado por essa experiência, porque de fato esses relatos são mais comuns do que se imagina.

Mas não precisa se preocupar, essa situação não tem relação com a forma de consumo, mas sim com a quantidade consumida. Quando falamos de cannabis, a maneira mais fácil de ultrapassar a dosagem é através dos comestíveis. Já que os efeitos demoram a aparecer, as pessoas acham que não bateu e aí acabam ingerindo mais.

Ou então, quando você até sabe que a infusão está potente, mas a comida está tão gostosa que não consegue parar de comer… E aí, quando a onda bate, pode ser tarde demais, e a ingestão já pode ter sido exagerada.

Por isso precisamos começar aos poucos e ir aumentando a dose gradativamente. Até que um dia você consiga determinar qual é a dosagem ideal para você. Inclusive, também sempre gosto de lembrar que as pessoas reagem de forma diferente à maconha, têm metabolismos diferentes… Então, a minha dose jamais será a mesma de uma pessoa que fumou algumas vezes só ou de alguém que nunca tenha fumado.

Os principais sintomas de sobredose do consumo de cannabis podem ser: taquicardia, boca seca, lentidão, sonolência e, em casos extremos, crises de ansiedade.

O melhor antídoto para isso é se distrair, lembrando sempre que os efeitos em breve vão sumir. Caso tenha exagerado no consumo, beba água, faça um exercício leve, leia um livro, converse com um amigo, assista a um filme ou então vá se deitar e tentar dormir, tendo a certeza de que no dia seguinte não vai acordar com ressaca alguma.

Mas afinal, por que é tão complicado determinar a dosagem ideal de um comestível cannábico?

Por que a potência do comestível depende diretamente da potência da erva utilizada antes da descarboxilação. Diferentes cepas possuem diferentes concentrações de canabinoides. E até a mesma “strain” (genética) cultivada em condições e ambientes diferentes pode ter potências distintas.

Além disso, outro fator importante são as condições gerais de saúde de cada pessoa. A forma como eu me alimentei durante o dia, como estou consumindo e a minha tolerância também interferem na determinação da dosagem ideal. Vou dar um exemplo: se eu não consegui comer nada no dia e faço a primeira refeição cannábica, a onda vai bater muito mais intensamente do que se eu tivesse me alimentado.

Então, a minha maior dica quando o assunto é dosagem é: comece devagar, seja paciente e vá aumentando a dosagem progressivamente. Lembre-se que os efeitos dos comestíveis demoram em média de 30 minutos a 2 horas para começar a aparecer.

Cada pessoa reage à maconha de uma forma diferente. Basta observar uma roda de fumo, onde alguns ficam muito falantes, outros introspectivos, outros com muita larica, outros ansiosos e neuróticos. Uma pessoa que nunca ingeriu maconha deve começar com uma dosagem mínima de 2,5 mg diários e ir aos poucos incrementando a dose até atingir os resultados desejados.

Eu montei uma ferramenta pra ajudar você a calcular a concentração de THC usada nas receitas, é a calculadora de dosagem. Acesse gratuitamente clicando aqui.

Nessa calculadora, é possível determinar a dose de cada uma das porções que você vai preparar, considerando a potência da erva utilizada para fazer a infusão e a quantidade de infusão usada no preparo da receita. E nunca se esqueça de que não existe ninguém melhor do que você para definir a dose, levando em conta as suas experiências pessoais. Eu sei que tem gente que às vezes quer ir na onda e provar um ponto, mostrar que aguenta… Não se deve fazer isso na culinária cannábica, justamente por que a ideia dessa forma de consumo é trazer experiências incríveis e positivamente memoráveis.

Agora que você já sabe como calcular a potência dos teus comestíveis, eu quero ver teus preparos. Poste as fotos e vídeos marcando o @lilica.420. No meu canal do Youtube você encontra o vídeo onde eu explico um pouco mais sobre a dosagem dos comestíveis. Já aproveita pra assistir e também fazer a sua inscrição:

Saiba mais: Como colocar maconha na alimentação?

Imagem de capa: Lilica 420.