Salários da indústria de cannabis nos EUA revelados em novo relatório

Os podadores começam com cerca de US$ 15,00 por hora em média, enquanto um diretor de cultivo pode ganhar cerca de US$ 115.000 por ano. As informações são da Forbes

Via Smoke Buddies

Trabalhadores e proprietários de negócios têm uma nova visão sobre as faixas salariais e tendências de contratação para os negócios legais de maconha com o lançamento de um novo guia da empresa de recrutamento profissional da indústria da cannabis Vangst. Em seu terceiro ano de publicação, o Guia de Salários da Indústria de Cannabis da Vangst foi lançado na segunda-feira e está disponível para download gratuito.

“Para ajudar ainda mais os candidatos a emprego e as empresas de cannabis, a Vangst agora oferece novos recursos de busca de emprego e networking que tornam ainda mais fácil para nossa comunidade aprender, comunicar e crescer uns com os outros”, escreveu a CEO da Vangst, Karson Humiston, no relatório. “Está dando aos candidatos e equipes de contratação uma maneira muito necessária de fazer conexões humanas genuínas em um momento em que iniciar a conversa é mais integral do que nunca”.

Para preparar o guia, a Vangst entrevistou empresas e trabalhadores para descobrir as tendências de contratação, pagamento e benefícios para a indústria da cannabis em 2020. Os salários médios, bem como valores de referência altos e baixos que refletem diferenças em fatores como experiência e região, são indicados para empregos de cannabis em seis categorias, incluindo varejo, cultivo, laboratório e extração, fabricação, vendas e entrega. Os empregadores foram pesquisados ​​sobre os benefícios, revelando que 83% dos funcionários recebem licença remunerada enquanto 73% recebem benefícios médicos.

O relatório analisa uma gama de taxas de pagamento para vários empregos nos setores de cultivo, laboratório e extração, manufatura e varejo da indústria. No cultivo, os podadores (trimmers) começam com cerca de US$ 15,00 por hora em média, enquanto um diretor de cultivo pode ganhar cerca de US$ 115.000, um aumento de 25% em relação ao ano anterior. Os técnicos de extração ganham em média cerca de US$ 37.000 por ano, enquanto os gerentes (managers) ganham cerca de US$ 65.000. No varejo, os budtenders ganham cerca de US$ 15,00 por hora, mais gratificações, e um vice-presidente de operações de varejo ganha em média US$ 150.000 por ano.

Perspectivas fortes de contratação

O relatório descobriu que, apesar das reduções da força de trabalho e dispensas em março e abril do ano passado devido à pandemia de Covid-19, a indústria da cannabis foi capaz de se recuperar com a forte demanda dos consumidores. As perspectivas de emprego da maconha para o futuro também são encorajadoras, particularmente com o sucesso das medidas de legalização da cannabis em cinco estados nas eleições de novembro. Somente nesses estados, espera-se que a indústria da cannabis agregue mais de 26.000 novos empregos até 2025, com Nova Jersey liderando o grupo com uma projeção de 21.393 novas vagas no setor.

Sean Cooley, chefe de conteúdo e SEO da Vangst, disse que as posições temporárias fornecerão muitas das oportunidades de emprego na indústria da cannabis e observou que os empregos relacionados à entrega em domicílio tiveram um grande crescimento em 2020 devido à pandemia.

“Vemos consistentemente uma alta demanda por trabalhadores ‘gig’, então aparadores, embaladores e budtenders são sempre necessários e, no ano passado, houve um aumento na demanda por motoristas de entrega e coordenadores de logística”, escreveu ele por e-mail. “Além disso, vimos um salto nos diretores de cultivo, funcionários administrativos e corporativos, representantes de vendas, profissionais de marketing, gerentes de laboratório e diretores de RH à medida que os planos de contratação estão aumentando para atender às demandas pós-quarentena”.

Instantâneo profissional da cannabis

O Guia de Salários da Indústria de Cannabis da Vangst também inclui uma análise de dados de mais de 1.000 profissionais da indústria de maconha legal que fornece um instantâneo dos funcionários que trabalham no campo. O relatório conclui que muitos trabalhadores estão fazendo a transição para a indústria de cannabis de outras indústrias, incluindo serviços de alimentação, varejo, agricultura, saúde e marketing e relações públicas, embora se eles receberão uma melhor remuneração na indústria de cannabis em comparação com a anterior não esteja claro.

“É difícil resumir se as funções de cannabis pagam melhor no geral em comparação com funções semelhantes em outras indústrias, pois você tem que levar em conta a maturidade do mercado, o histórico do empregador e as habilidades especializadas do candidato”, disse Cooley, acrescentando que as edições futuras do guia irão “examinar mais de perto a compensação comparável. Cada vez mais, vemos pacotes de benefícios padrão de empresas de cannabis atendendo às expectativas de candidatos em ‘crossover’ de indústrias”.

Mais da metade (57%) dos entrevistados tinha um diploma de bacharel ou diploma universitário avançado. Mais de dois terços tinham experiência anterior na indústria de cannabis não licenciada, com 21% deles trabalhando em mercados cinza de maconha por dez anos ou mais. Cooley disse que os candidatos não precisam necessariamente ser consumidores de maconha, mas a experiência relevante é útil, especialmente para posições mais avançadas.

“O que descobrimos ser verdade é que os empregadores preferem um candidato que tenha um forte entendimento de seu papel na indústria, não necessariamente que seja usuário de maconha”, disse ele. “Anteriormente, as empresas trouxeram talentos de indústrias externas para aplicar seus conhecimentos à cannabis. Essa experiência nem sempre se traduziu um a um, então, avançando, mais cargos-chave exigirão experiência relacionada ao cargo e sucesso no trabalho direto com cannabis”.

Humiston disse em um comunicado à imprensa que o novo guia é uma ferramenta valiosa tanto para quem procura emprego quanto para empregadores que buscam informações sobre os padrões e tendências da indústria no emprego da cannabis.

“À medida que entramos em 2021, o Guia de Salários da Indústria de Cannabis da Vangst fornecerá às empresas de cannabis e aos funcionários em potencial as informações sobre salários e benefícios de que precisam para construir um local de trabalho profissional, diversificado e engajado”, disse ela.

Os desafios para a prescrição da cannabis medicinal

“É irrefutável assegurar que a cannabis é uma ferramenta terapêutica útil, que tem impacto direto na qualidade de vida de pessoas portadoras de doenças crônicas e incapacitantes”, segundo a neurocirurgiã Patrícia Montagner*, em artigo publicado originalmente no Estadão

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Apesar dos resultados promissores, já apresentados em mais de 20 mil artigos publicados do Pubmed, assim como a alta demanda de pacientes brasileiros em busca de tratamento diante das robustas evidências de sucesso, a resistência de alguns setores da sociedade e da classe médica e a desinformação são os grandes obstáculos enfrentados para a incorporação da cannabis medicinal, ainda que os avanços e o potencial terapêutico sejam irrefutáveis e amplamente relatados nas mais variadas especialidades médicas.

Diante deste cenário, e a partir do aval da Anvisa para a importação de produtos à base de cannabis, assim como a pressão social para aprovação do PL 399/2015, que possibilita o cultivo da planta no Brasil, muitos pacientes portadores de doenças neurológicas, psiquiátricas e até com câncer ainda encontram obstáculos para obter uma prescrição médica segura e eficaz da substância, além de terem como entraves o alto custo e a burocracia enfrentados para o acesso.

As evidências científicas são substanciais e validam a prescrição a partir de diversos projetos de pesquisa em torno da atuação da cannabis em doenças como câncer, epilepsia, dor crônica, fibromialgia, doença inflamatória intestinal, transtornos de ansiedade, doença de Parkinson, dentre outras. A Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA realizou uma profunda revisão sobre o estado atual de evidências e recomendações para pesquisas dos efeitos da cannabis e dos derivados canabinoides na saúde humana, baseando-se em trabalhos publicados de 1999–2017. A revisão foi taxativa ao afirmar que os dados apresentados são substanciais para a validação do uso da cannabis no tratamento da dor crônica.

Os estudos também mostram avanços que tendem a se consolidar para outras patologias, que apresentam respostas impactantes a partir do uso da cannabis, como, por exemplo, aos portadores de transtornos do sono, doença de Alzheimer e autismo, como bem mostrou a pesquisa de cientistas brasileiros publicada no Frontiers Neurology, que expõe os benefícios do óleo de cannabis no tratamento dos sintomas do espectro autista.

No entanto, as dificuldades passam pelo acesso a uma fonte de informações segura, técnica e organizada, aliada à falta de experiência do profissional médico para a prescrição assertiva dos derivados canabinoides. Com poucas opções de profissionais capacitados e a ausência de um manual qualificado de instruções, muitos pacientes iniciam uma maratona em busca de médicos prescritores ou se arriscam à automedicação, muitas vezes sem sucesso.

Apesar do seu histórico de uso medicinal milenar, que data desde 2.700 AEC, a cannabis apresenta, nos últimos 70 anos, uma imagem de controvérsia e estigma, com inúmeras restrições legais ao seu uso. A partir da descoberta do sistema endocanabinoide e seus receptores, o interesse de pesquisadores no estudo da interação desse sistema com os fitocanabinoides e suas possíveis utilidades terapêuticas aumentou exponencialmente. No entanto, mesmo sendo objeto de pesquisa desde meados da década de 1940, as descobertas não integram as disciplinas médicas dentro das universidades e até mesmo nas especializações profissionais. Em um dos países mais avançados no uso medicinal da cannabis, os EUA, apenas 9% das universidades médicas norte-americanas apresentam conteúdos programáticos sobre de sistema endocanabinoide e cannabis medicinal.

É preciso ampliar o debate dentro da academia, das preceptorias nas residências médicas, democratizar o conhecimento, especialmente sobre o entendimento do sistema endocanabinoide, responsável por regular todos os demais sistemas do corpo humano, com conexões que podem gerar uma série de reações fisiológicas, que se modulam positivamente no tratamento de inúmeras doenças. Este conhecimento é o divisor de águas para diminuir a resistência por parte dos profissionais de saúde em incluir medicamentos à base de cannabis em seu arsenal terapêutico.

Romper com o preconceito em torno da eficácia, já comprovada a partir de pesquisas científicas e inúmeros casos clínicos em todas as partes do mundo, é urgente. São centenas de milhares de histórias que demonstram que a aplicação correta dessa medicação pode ser transformadora, especialmente para casos de maior refratariedade e difícil manejo clínico.

É irrefutável assegurar que a cannabis é uma ferramenta terapêutica útil, que tem impacto direto na qualidade de vida de pessoas portadoras de doenças crônicas e incapacitantes e esta afirmação está respaldada no uso medicinal histórico da planta, nos desdobramentos da descoberta do sistema endocanabinoide e no volume crescente de pesquisas na área. Educação e formação técnica qualificada são necessárias para desmistificar a imagem equivocada associada a essa planta e lapidar o entendimento científico a respeito da utilidade médica da cannabis e do seu impacto na melhora da qualidade de vida dos pacientes.

*Patrícia Montagner é especialista em neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e diretora técnica da Clínica NeuroVinci, localizada em Florianópolis (SC). Certificada pelo World Institute of Pain (WIP) para procedimentos minimamente invasivos em dor (fellow of interventional pain practice), é também colaboradora médica da Associação Brasileira de Pacientes de Cannabis Medicinal, a AMA+ME.

Efeito antibiótico do canabidiol também é eficaz contra superbactérias, diz estudo

Pesquisa realizada pela Universidade de Queensland mostrou que o canabidiol foi amplamente eficaz contra um número muito maior de bactérias do que anteriormente conhecido

Via Smoke Buddies

O canabidiol sintético, mais conhecido como CBD, demonstrou pela primeira vez matar as bactérias responsáveis ​​pela gonorreia, meningite e doença do legionário.

A colaboração de pesquisa entre a Universidade de Queensland (Austrália) e a Botanix Pharmaceuticals pode levar à primeira nova classe de antibióticos para bactérias resistentes em 60 anos.

professor associado do Instituto de Biociência Molecular da UQ, Mark Blaskovich, disse que o CBD — um dos principais componentes da cannabis — pode penetrar e matar uma ampla gama de bactérias, incluindo Neisseria gonorrhoeae, que causa a gonorreia.

“Esta é a primeira vez que o CBD demonstrou matar alguns tipos de bactérias gram-negativas. Essas bactérias têm uma membrana externa extra, uma linha adicional de defesa que torna mais difícil a penetração dos antibióticos”, disse Blaskovich.

Na Austrália, a gonorreia é a segunda infecção sexualmente transmissível mais comum e não há mais um único antibiótico confiável para tratá-la por que a bactéria é particularmente boa em desenvolver resistência.

O estudo também mostrou que o CBD foi amplamente eficaz contra um número muito maior de bactérias gram-positivas do que anteriormente conhecido, incluindo patógenos resistentes a antibióticos, como MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina) ou “estafilococo dourado”.

O Dr. Blaskovich disse que o canabidiol é particularmente bom em quebrar biofilmes — o acúmulo viscoso de bactérias, como a placa dentária na superfície dos dentes — que ajudam bactérias como o MRSA a sobreviver a tratamentos com antibióticos.

A equipe do Dr. Blaskovich no Centro de Soluções para Superbugs imitou um tratamento de paciente de duas semanas em modelos de laboratório para ver o quão rápido a bactéria sofreu mutação para tentar superar o poder de matar do CBD.

O canabidiol mostrou uma baixa tendência de causar resistência em bactérias, mesmo quando aceleramos o desenvolvimento potencial aumentando as concentrações do antibiótico durante o ‘tratamento’.

Achamos que o canabidiol mata as bactérias ao estourar suas membranas celulares externas, mas ainda não sabemos exatamente como ele faz isso e precisamos fazer mais pesquisas.”

A equipe de pesquisa também descobriu que análogos químicos — criados por uma ligeira mudança na estrutura molecular do CBD — também eram ativos contra as bactérias.

“Isso é particularmente empolgante porque não houve novas classes moleculares de antibióticos para infecções gram-negativas descobertas e aprovadas desde a década de 1960, e agora podemos considerar a criação de novos análogos do CBD dentro de propriedades aprimoradas”.

Vince Ippolito, presidente e executive chairman do Botanix, disse que a pesquisa mostrou um vasto potencial para o desenvolvimento de tratamentos eficazes para combater a crescente ameaça global da resistência aos antibióticos.

“Parabéns ao Dr. Blaskovich e sua equipe por produzir este significativo corpo de pesquisa — os dados publicados estabelecem claramente o potencial dos canabinoides sintéticos como antimicrobianos”, disse o Sr. Ippolito.

“Nossa empresa agora está preparada para comercializar tratamentos antimicrobianos viáveis ​​que esperamos que cheguem a mais pacientes em um futuro próximo. Este é um grande avanço que o mundo precisa agora.”

O Dr. Blaskovich disse que a colaboração com a Botanix acelerou a pesquisa, com a empresa contribuindo com conhecimentos de formulação que levaram à descoberta de que a forma como o canabidiol é entregue faz uma enorme diferença em sua eficácia em matar bactérias.

A colaboração permitiu que a Botanix progredisse os ensaios clínicos de uma formulação tópica de CBD para descolonização de MRSA antes da cirurgia.

“Os resultados clínicos da Fase 2a são esperados no início deste ano e esperamos que isso abra caminho para os tratamentos para gonorreia, meningite e doença do legionário.

Agora que estabelecemos que o canabidiol é eficaz contra essas bactérias gram-negativas, estamos examinando seu modo de ação, melhorando sua atividade e encontrando outras moléculas semelhantes para abrir o caminho para uma nova classe de antibióticos”.

Esta pesquisa foi publicada na Communications Biology.

Coalização internacional de especialistas pede o fim da guerra às drogas

Em prol da justiça racial, pesquisadores, bioeticistas e outros profissionais clamam pela legalização de todas as drogas e libertação de todos os presos por crimes relacionados a substâncias não violentos

Fonte: Smoke Buddies

Todas as substâncias atualmente consideradas ilícitas devem ser descriminalizadas com urgência e os infratores não violentos que cumprem pena por uso ou porte de drogas devem ser libertados imediatamente e suas condenações apagadas, de acordo com um artigo publicado no American Journal of Bioethics.

Uma ampla coalização internacional de profissionais, incluindo bioeticistas, especialistas em drogas, juristas e psicólogos, uniram forças para pedir o fim da “guerra às drogas”, que está historicamente enraizada no racismo.

Eles analisaram mais de 150 estudos e relatórios e concluíram que a proibição afeta injustamente as comunidades racializadas e viola o direito à vida, como foi evidenciado pelos vários assassinatos de pessoas negras pela polícia nos morros do Rio de Janeiro e nos Estados Unidos.

“A proibição e a criminalização das drogas têm sido caras e ineficazes desde seu início. É hora de essas políticas fracassadas terminarem”, afirma o documento. “O primeiro passo é descriminalizar o uso pessoal e a posse de pequenas quantidades de todas as drogas atualmente consideradas ilícitas e legalizar e regular a cannabis. Os formuladores de políticas devem buscar essas mudanças sem mais demora”.

A pesquisa se soma aos apelos crescentes por uma reforma das políticas de drogas em um momento de foco renovado nas injustiças enfrentadas pelos negros, no racismo sistêmico e na legalização da maconha para uso adulto por uma lista crescente de estados nos EUA.

Brian D. EarpJonathan LewisCarl L. Hart e os demais autores aliados advertem que, embora o primeiro e imediato passo deva ser descriminalizar o uso pessoal e a posse de pequenas quantidades de todas as drogas, as etapas subsequentes devem buscar a regulamentação de forma segura e legal da produção, armazenamento, distribuição, manuseio, venda, fornecimento e uso de tais substâncias.

O estudo enfatiza que a regulamentação legal oferece várias vantagens sobre a mera descriminalização, uma vez que permitiria aos governos introduzir programas de fornecimento seguro de cannabis, opioides como heroína, estimulantes como cocaína e metanfetamina, empatógenos como MDMA e psicodélicos como psilocibina e LSD para reduzir os danos associados aos mercados ilegais, acabar com a estigmatização do uso e usuários de drogas, e aumentar os benefícios do uso responsável de substâncias e opções de tratamento para transtornos por uso abusivo.

Os profissionais observaram que a proibição das drogas é criminogênica e pode, portanto, ser prejudicial para usuários e não usuários, além de poder motivar os usuários a cometer furtos e roubos para comprar drogas.

A política proibicionista também contribui para a violência sistêmica, está associada à corrupção no sistema de justiça criminal, desvia os esforços de aplicação da lei na solução de crimes predatórios e na prisão de seus perpetradores, e pode contribuir para um ciclo de comportamento criminal contínuo para aqueles que possuem antecedentes criminais por crimes triviais relacionados a drogas, apontou o estudo.

A proibição e a criminalização das drogas refletem e perpetuam a injustiça racial em muitos contextos e têm estado diretamente ligadas à militarização e brutalidade da polícia. Essas políticas estão entre os principais fatores que contribuem para o encarceramento em massa, especialmente de negros e hispânicos.

Um dos problemas mais significativos com a proibição, alertam os autores, é que ela leva a mercados ilícitos que produzem drogas de pureza desconhecida e inconsistente, além de contribuir para a produção de novas substâncias psicoativas na tentativa de contornar as leis existentes.

Em contraponto, o estudo destaca a abordagem “flexível” de países como Portugal, onde as mortes relacionadas às drogas diminuíram e os usuários, não temendo acusações criminais, podem procurar tratamento médico, assistência à saúde mental e programas de apoio social.

Foto: THCamera Cannabis Art.

México publica regulamento sobre a maconha medicinal, criando novo mercado

O regulamento estabelece, entre outras, regras para o plantio de cannabis, o que permitiria às empresas cultivar a planta legalmente em solo mexicano. As informações são da Reuters

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O ministério da saúde do México publicou nesta terça-feira (12) regras para regular o uso de cannabis medicinal, um passo importante em uma reforma mais ampla para criar o maior mercado legal de cannabis do mundo no país latino-americano.

O novo regulamento foi assinado pelo presidente Andrés Manuel López Obrador e agora permitirá que as empresas farmacêuticas comecem a fazer pesquisas médicas sobre produtos de cannabis.

A reforma da cannabis em andamento inclui o uso adulto da maconha e criará o que seria o maior mercado nacional de cannabis do mundo em termos de população.

As novas regras medicinais estabelecem que as empresas estatais que desejam realizar pesquisas devem obter permissão do regulador de saúde mexicano, COFEPRIS, e que a pesquisa deve ser realizada em laboratórios estritamente controlados e independentes.

O regulamento também estabelece regras para a semeadura, cultivo e colheita de cannabis para fins medicinais, o que permitiria às empresas cultivar maconha legalmente em solo mexicano.

Empresas estrangeiras de maconha do Canadá e dos Estados Unidos têm olhado para o México com interesse. Muitos atrasaram a tomada de decisões de investimento devido à incerteza da política e aguardavam a publicação do regulamento final.

Os legisladores mexicanos também estão nos estágios finais da legalização do uso adulto da maconha, com o projeto de lei sendo aprovado no próximo período do Congresso.

O regulamento vem vários anos depois que a Suprema Corte do México decidiu que os legisladores devem legalizar o uso de cannabis.

A legislação marca uma grande mudança em um país atormentado por anos pela violência entre cartéis de drogas rivais, que há muito ganham milhões de dólares cultivando maconha ilegalmente e contrabandeando-a para os Estados Unidos.

Óleo de cannabis rico em THC mostra potencial como terapia para fibromialgia

Estudo clínico realizado por cientistas brasileiros revelou melhoras significativas nos sintomas e qualidade de vida em mulheres com fibromialgia. As informações são da Pain Medicine News

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Um óleo de cannabis rico em tetraidrocanabinol (THC) melhorou significativamente os sintomas e a qualidade de vida em pacientes com fibromialgia, de acordo com um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, publicado na Pain Medicine. Os pesquisadores acreditam que os fitocanabinoides “podem ser uma terapia de baixo custo e bem tolerada para reduzir os sintomas e aumentar a qualidade de vida dos pacientes com fibromialgia”, mas pediram mais pesquisas para determinar se os benefícios são duráveis.

Os pesquisadores estudaram os efeitos de uma gota (aproximadamente 1,22 mg de THC e 0,02 mg de canabidiol) por dia de óleo de cannabis rico em THC (24,44 mg/ml de THC e 0,51 mg/ml de canabidiol) em 17 mulheres residentes em um bairro de Florianópolis. A dose de tratamento pode ser aumentada com base nos sintomas. Oito participantes foram randomizados para tratamento com cannabis e nove compunham o grupo de controle.

Ambos os grupos tiveram pontuações basais semelhantes no Questionário de Impacto na Fibromialgia (FIQ). O óleo foi readministrado cinco vezes durante o período de estudo de oito semanas.

O grupo de tratamento ativo experimentou uma redução significativa das pontuações do FIQ após a intervenção (P < 0,001), e também em comparação com as pontuações do grupo placebo (P = 0,005). Especificamente, foram observados ganhos significativos no grupo de óleo de cannabis no FIQ para os itens “sentir-se bem”, “dor”, “trabalhar” e “fadiga”. Melhorias significativas nos escores de depressão no FIQ foram relatadas no grupo de placebo.

Nenhum efeito colateral grave foi relatado em nenhum dos grupos.

“Estudos maiores e mais longos, acessando extratos integrais de cannabis com concentrações variadas de fitocanabinoides e incluindo um período de ‘washout’ [suspensão] devem ser feitos para aprimorar nosso conhecimento sobre a ação da cannabis na fibromialgia”, de acordo com os pesquisadores, que afirmaram que, até onde sabem, o ensaio randomizado é o primeiro a mostrar os benefícios do óleo de cannabis para a fibromialgia.

Governador de Nova York pede novamente pela legalização da maconha

A proposta de Andrew Cuomo segue duas tentativas malsucedidas em 2019 e 2020 de legalizar totalmente a cannabis. As informações são da AP News

Via Smoke Buddies

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, pede a legalização e a regulamentação da maconha para uso adulto, sua terceira tentativa em tantos anos de legalizar totalmente a droga no estado.

A proposta de Cuomo visa à criação de um novo Escritório de Gerenciamento de Cannabis que supervisionaria o uso adulto, bem como o uso médico existente.

O novo órgão também ofereceria oportunidades de licenciamento para aqueles em comunidades que foram desproporcionalmente impactadas pela aplicação da lei contra a maconha para se tornarem empresários no novo mercado de cannabis para uso adulto.

A última proposta de legalização de Cuomo segue duas tentativas malsucedidas em 2019 e 2020 de legalizar totalmente a maconha, que falharam apesar da vitória dos democratas em 2018 em ambas as câmaras do Legislativo.

Em 2019, Nova York suavizou algumas penalidades criminais por porte de pequenas quantidades de maconha e lançou um processo para eliminar automaticamente os registros de milhares de indivíduos condenados por crimes de porte de baixa gravidade.

Os democratas conquistaram uma maioria absoluta à prova de veto em novembro — e os apoiadores esperam que a legalização ganhe impulso.

Mas a proposta de Cuomo ainda precisará da aprovação dos democratas de distritos suburbanos indecisos, que há muito citam as preocupações de que a legalização levaria a mais problemas de direção comprometida e mais crianças fumando maconha.

A ala liberal do partido criticou a proposta de Cuomo de 2020 por não separar recursos especificamente para levantar lugares que sofreram com o encarceramento em massa e um legado de prisões desproporcionais por porte de drogas.

O governador havia proposto reservar a receita dos impostos sobre a maconha em um fundo que poderia ser usado para tudo, desde encorajar minorias a se unirem à indústria da maconha até campanhas de saúde pública.

Cuomo está esperançoso de que sua nova proposta possa gerar uma receita extremamente necessária para o estado.

Mas mesmo os defensores da legalização enfatizaram que Nova York não verá nenhuma receita da legalização da maconha por anos.

Defensoria Pública do RS consegue liberação de remédio à base de CBD para paciente epilética

Os laudos médicos anexados na ação judicial demonstram que o uso do medicamento é indispensável para a melhora da paciente. As informações são da Ascom DPE

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A Defensoria Pública Regional de Itaqui, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, obteve uma decisão favorável na Justiça para que o Estado e o Município forneçam o medicamento Canabidiol Prati-Donaduzzi 200 mg/ml a uma adolescente de 16 anos que sofre de epilepsia e outras comorbidades psiquiátricas. O canabidiol é uma substância extraída da planta da maconha e tem o uso medicinal no Brasil aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Os laudos médicos anexados na ação da Defensoria demonstram que o uso do medicamento é indispensável para a melhora da paciente. No entanto, por se tratar de uma adolescente vulnerável, ela não teria condições financeiras de adquirir o remédio, que custa cerca de R$ 6,1 mil mensais.

A defensora pública Patrícia Conde Buzatto destacou, ainda, o caráter de urgência, já que o não uso da medicação colocaria em risco a vida da menina.

Ao analisar o pedido, o juiz Luciano Bertolazi Gauer determinou que sejam fornecidos “gratuitamente à parte autora, no prazo de 5 dias, os medicamentos descritos na inicial, conforme atestado e receituário médico juntado aos autos, mediante envio diretamente à Secretaria de Saúde do Município em que reside a parte autora, ou então o valor correspondente, sob pena de bloqueio da quantia necessária para aquisição”.

Para a defensora pública, a decisão proporcionará uma melhor qualidade de vida para a adolescente.

“Essa decisão tem dois reflexos extremamente positivos. O reflexo direto para essa adolescente, que vai poder buscar uma vida um pouco melhor, sem convulsionar com tanta frequência. E também o reflexo na vida do defensor público, pois você vê que o seu trabalho está fazendo, de fato, a diferença para pessoas menos favorecidas, que vivem em situações de extrema vulnerabilidade. Isso demonstra o quanto é importante a nossa profissão e como ela é necessária na vida das pessoas”, comentou Patrícia.

Morre Padre Ticão, liderança de movimentos sociais e defensor da cannabis em SP

Líder de movimentos sociais na Zona Leste de São Paulo, Padre Ticão lutava por melhorias desde a década de 70 e mais recentemente pelo acesso de pacientes à cannabis medicinal

Fonte: Smoke Buddies

Líder de movimentos sociais na zona leste de São Paulo, o padre Antônio Luiz Marchioni, conhecido como Padre Ticão, morreu na noite desta sexta-feira (1), aos 68 anos, sendo 42 deles atuando como sacerdote.

Ele era pároco da Paróquia São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo.

Segundo informações da Diocese São Miguel Paulista, Padre Ticão foi internado quarta-feira (30) no Hospital Santa Marcelina com água no pulmão. Na sexta sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.

A informação foi confirmada pelo Hospital Santa Marcelina de Itaquera, onde o religioso estava internado (veja a nota na íntegra ao fim do texto), e pela Paróquia São Francisco de Assis de Ermelino Matarazzo, que tinha o Padre Ticão como pároco.

Conhecido pelos trabalhos sociais na capital paulista, principalmente na Zona Leste, o religioso deu entrada no hospital na quinta-feira (31), com arritmia cardíaca e um edema pulmonar. Na sexta, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e não suportou.

O velório ocorre neste sábado (2), das 6h às 14h, na Igreja São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo. Em seguida, o corpo será enterrado no Cemitério do Carmo I, em Itaquera.

Paulista de Urupês (a 421 km da capital), o padre chegou a São Paulo nos anos 1970, após apoiar greves de boias-frias e de professores na região de Araraquara (SP). Ele tem na biografia ações como a invasão, ao lado de fiéis, do prédio da Secretaria de Estado da Habitação, na década de 1980, para pressionar o então governador Franco Montoro (1983–87) a construir conjuntos habitacionais.

Recentemente, provocava polêmica entre os conservadores após criar na paróquia um curso sobre o uso medicinal da maconha em parceria com a Universidade Federal de São Paulo. Afirmava que ela só não é liberada no Brasil devido ao interesse de grandes grupos pelo monopólio.

Repercussão

Nas redes sociais, fieis, políticos e militantes da causa canábica lamentaram a morte do padre. O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) lamentou a notícia de falecimento do Padre Ticão, o “trator de deus”, assim chamado pelo bispo Dom Angelico.